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Fandom: record of ragnarok
Criado: 05/05/2026
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RomanceDramaDor/ConfortoFofuraFantasiaHistória DomésticaConsertoAlmas GêmeasUA (Universo Alternativo)Fatias de Vida
O Trono de Ferro e o Berço de Ouro
A fumaça do churrasco subia aos céus de Valhala, carregando o aroma de carnes nobres que fariam qualquer mortal ou divindade salivar. No jardim privativo da mansão de Hades, o cenário era, no mínimo, inusitado. Deuses e humanos, que outrora se enfrentaram em uma arena de morte, agora compartilhavam mesas, bebidas e histórias. No centro de tudo, estava a mesa principal, que Qin Shi Huang havia decidido ser o seu "trono" temporário, simplesmente por ter se sentado ali primeiro.
O Imperador da China estava impecável, mesmo em um ambiente casual. Sua venda cobria os olhos, mas seu sorriso era de uma confiança inabalável. Em seu colo, um pequeno turbilhão de energia de um ano e oito meses tentava, sem sucesso, arrancar a fita que adornava o cabelo do pai.
— Hao! — exclamou Qin, afastando gentilmente as mãos gordinhas do bebê. — Xiao Huang, um príncipe não deve ser tão impaciente. Onde seu pai se senta é o trono, e você é o herdeiro. Comporte-se.
O pequeno Xiao Huang, com bochechas rosadas e olhos que brilhavam com a mesma vivacidade do pai humano, apenas soltou uma risada borbulhante e apontou para a mesa.
— Pa! — balbuciou o bebê, batendo as mãos na madeira. — Pa... dês!
Hades, que se aproximava carregando uma bandeja de frutas frescas e cortes de carne perfeitamente preparados, sentiu o coração amolecer. O Rei do Submundo, temido por muitos e respeitado por todos, exalava uma aura de serenidade que poucos tinham o privilégio de ver. Ele pousou a bandeja na mesa e inclinou-se para depositar um beijo casto na testa de Qin, antes de afagar os cabelos de Xiao Huang.
— Ele está aprendendo rápido — comentou Hades, sua voz profunda e aveludada trazendo uma calma imediata ao ambiente. — Mas receio que ele esteja chamando por mim porque quer a uva, não porque reconhece minha autoridade real.
— Bobagem, Hades — Qin riu, ajeitando o filho em seu braço. — Ele reconhece a grandeza. Ele é um Huang, afinal. E como meu marido, você é parte dessa linhagem de excelência.
Hades sorriu, sentando-se ao lado deles. Ele observou o jardim. Mais adiante, Zeus tentava convencer Adamas a provar uma técnica de grelha que ele jurava ser "eletrizante", enquanto Poseidon permanecia afastado, olhando para a piscina com um desdém que sugeria que a água não estava à sua altura. Brunhilde, em um canto, massageava as têmporas enquanto Hermes explicava os detalhes de uma nova composição musical.
— É um milagre que ninguém tenha tentado se matar ainda — observou Hades, mantendo o olhar atento em Xiao Huang, que agora tentava escalar o braço de Qin para alcançar uma uva verde.
— Eu não permitiria tal desonra na minha presença — Qin declarou, sua postura tornando-se subitamente majestosa. — Este é um momento de união. Além disso, se alguém ousar estragar o humor do meu filho, eu mesmo o farei atravessar as paredes deste palácio.
Hades sabia que não era uma ameaça vazia. Qin, apesar de sua exuberância e das feridas invisíveis que carregava — as cicatrizes de uma infância de ódio que ele ainda sentia através de sua sinestesia — era o protetor mais feroz que ele já conhecera. O amor de Qin pelo filho era uma armadura, tão sólida quanto a que ele usava em combate.
— Dá! — Xiao Huang gritou, esticando os bracinhos em direção a Hades.
— Veja só, ele quer o pai mais responsável — provocou Hades, pegando o menino no colo com uma facilidade impressionante.
Xiao Huang agarrou a gola da túnica de Hades e, com um esforço hercúleo para sua idade, tentou pronunciar uma nova palavra que vinha ensaiando.
— Ca... ne... — o bebê murmurou, apontando para o prato de carne. — Cane!
— Carne? — Qin soltou uma gargalhada sonora, jogando a cabeça para trás. — Esse é o meu garoto! Um imperador precisa de sustento para governar!
— Ele tem menos de dois anos, Qin — ponderou Hades, embora estivesse cortando um pedaço minúsculo e macio para o pequeno. — Mas suponho que um pouco não fará mal.
Nesse momento, Ares aproximou-se da mesa, parecendo mais nervoso do que o habitual. O Deus da Guerra olhou para o bebê, depois para Qin, e finalmente para Hades.
— Tio Hades... — começou Ares, limpando o suor da testa. — Zeus está perguntando se... se o senhor poderia intervir. Hermes e Loki começaram uma aposta sobre qual dos humanos consegue comer mais pimenta, e Raiden já está ficando vermelho demais.
Qin Shi Huang nem se deu ao trabalho de virar o rosto na direção de Ares.
— Diga ao seu pai que, se ele não consegue controlar seus convidados, o Imperador o fará — disse Qin, com um tom de superioridade que fez Ares estremecer. — Mas ele terá que pagar um tributo por minha consultoria real.
— Qin, deixe o Ares em paz — pediu Hades, embora houvesse um brilho de diversão em seus olhos. — Ares, diga a Zeus que eu irei em breve. Primeiro, preciso garantir que Xiao Huang termine sua refeição.
Ares assentiu rapidamente e saiu quase correndo, claramente desconfortável com a intensidade da aura que emanava daquele trio familiar.
— Você o assusta — comentou Hades, oferecendo o pedacinho de carne a Xiao Huang, que o aceitou com entusiasmo.
— Ele é fácil de assustar — Qin deu de ombros, pegando uma taça de vinho. — Falta-lhe a espinha dorsal de um governante. Xiao Huang já demonstra mais coragem do que ele quando decide desafiar a hora do banho.
— Bu! — Xiao Huang exclamou, com a boca cheia, fazendo os dois pais rirem.
O momento de paz foi brevemente interrompido quando uma bola de couro voou por cima da mesa, sendo interceptada no ar pela mão rápida de Hades antes que pudesse atingir qualquer prato.
— Cuidado! — gritou a voz de Okita Sōji ao longe, enquanto corria atrás do brinquedo.
Qin estreitou os "olhos" sob a venda. Ele sentiu a vibração do movimento, a energia caótica dos guerreiros. Por um segundo, a dor alheia — a empolgação misturada com a agressividade contida de tantos lutadores num só lugar — tocou sua pele. Ele sentiu uma pontada de desconforto, um reflexo de seu passado, quando o sofrimento do mundo o esmagava.
Hades, percebendo a sutil mudança na postura de Qin, colocou a mão livre sobre o ombro do marido. O toque era firme, aterradoramente real e cheio de um suporte silencioso.
— Você está aqui, Qin — sussurrou Hades. — E você é o Rei.
Qin relaxou, o sorriso voltando ao rosto como se nunca tivesse vacilado. Ele cobriu a mão de Hades com a sua.
— Eu sei. E este é o meu jardim.
Xiao Huang, sentindo a mudança de atmosfera, olhou de um para o outro. Ele esticou as mãozinhas e tocou o rosto de Qin, e depois o de Hades, unindo-os em seu pequeno gesto.
— Pa. Pa. — disse o bebê, com uma clareza surpreendente.
— Sim, pequeno — disse Hades, com uma suavidade que faria os juízes do Inferno duvidarem de seus ouvidos. — Nós estamos aqui.
— Olhe para ele, Hades — Qin disse, sua voz transbordando um orgulho genuíno. — Ele não é apenas um humano ou o filho de um deus por adoção. Ele é o ponto onde nossos mundos se encontram. Ele é o equilíbrio.
Hades olhou para o filho, que agora tentava "beijar" o próprio reflexo na colher de prata.
— Ele tem a sua arrogância — observou o Deus do Submundo.
— E a sua nobreza — rebateu o Imperador.
— Estamos perdidos — brincou Hades, servindo-se de um pouco de vinho.
— Pelo contrário — Qin levantou sua taça, fazendo um brinde silencioso ao caos organizado ao redor deles. — Nós finalmente encontramos o caminho.
Enquanto o sol começava a se pôr sobre Valhala, tingindo o céu de tons de roxo e laranja que lembravam o reino de Hades, a família permaneceu ali. Xiao Huang acabou pegando no sono no colo de Hades, exausto de tanta "realeza" por um dia. Qin encostou a cabeça no ombro do marido, observando os deuses e humanos finalmente baixarem a guarda.
Naquele momento, não havia Ragnarok, não havia dívidas de sangue ou batalhas por sobrevivência. Havia apenas o calor do fogo, o som das risadas e a certeza de que, entre um Imperador e um Rei, o verdadeiro soberano era aquele pequeno ser que dormia tranquilamente, alheio ao fato de que tinha o Submundo e a China Imperial na palma de suas mãos gordinhas.
— Hao — sussurrou Qin, fechando os olhos sob a venda, sentindo apenas a paz que tanto lutou para conquistar.
— Hao — respondeu Hades, protegendo o sono do filho com a sombra de sua capa, enquanto o churrasco dos deuses continuava noite adentro.
O Imperador da China estava impecável, mesmo em um ambiente casual. Sua venda cobria os olhos, mas seu sorriso era de uma confiança inabalável. Em seu colo, um pequeno turbilhão de energia de um ano e oito meses tentava, sem sucesso, arrancar a fita que adornava o cabelo do pai.
— Hao! — exclamou Qin, afastando gentilmente as mãos gordinhas do bebê. — Xiao Huang, um príncipe não deve ser tão impaciente. Onde seu pai se senta é o trono, e você é o herdeiro. Comporte-se.
O pequeno Xiao Huang, com bochechas rosadas e olhos que brilhavam com a mesma vivacidade do pai humano, apenas soltou uma risada borbulhante e apontou para a mesa.
— Pa! — balbuciou o bebê, batendo as mãos na madeira. — Pa... dês!
Hades, que se aproximava carregando uma bandeja de frutas frescas e cortes de carne perfeitamente preparados, sentiu o coração amolecer. O Rei do Submundo, temido por muitos e respeitado por todos, exalava uma aura de serenidade que poucos tinham o privilégio de ver. Ele pousou a bandeja na mesa e inclinou-se para depositar um beijo casto na testa de Qin, antes de afagar os cabelos de Xiao Huang.
— Ele está aprendendo rápido — comentou Hades, sua voz profunda e aveludada trazendo uma calma imediata ao ambiente. — Mas receio que ele esteja chamando por mim porque quer a uva, não porque reconhece minha autoridade real.
— Bobagem, Hades — Qin riu, ajeitando o filho em seu braço. — Ele reconhece a grandeza. Ele é um Huang, afinal. E como meu marido, você é parte dessa linhagem de excelência.
Hades sorriu, sentando-se ao lado deles. Ele observou o jardim. Mais adiante, Zeus tentava convencer Adamas a provar uma técnica de grelha que ele jurava ser "eletrizante", enquanto Poseidon permanecia afastado, olhando para a piscina com um desdém que sugeria que a água não estava à sua altura. Brunhilde, em um canto, massageava as têmporas enquanto Hermes explicava os detalhes de uma nova composição musical.
— É um milagre que ninguém tenha tentado se matar ainda — observou Hades, mantendo o olhar atento em Xiao Huang, que agora tentava escalar o braço de Qin para alcançar uma uva verde.
— Eu não permitiria tal desonra na minha presença — Qin declarou, sua postura tornando-se subitamente majestosa. — Este é um momento de união. Além disso, se alguém ousar estragar o humor do meu filho, eu mesmo o farei atravessar as paredes deste palácio.
Hades sabia que não era uma ameaça vazia. Qin, apesar de sua exuberância e das feridas invisíveis que carregava — as cicatrizes de uma infância de ódio que ele ainda sentia através de sua sinestesia — era o protetor mais feroz que ele já conhecera. O amor de Qin pelo filho era uma armadura, tão sólida quanto a que ele usava em combate.
— Dá! — Xiao Huang gritou, esticando os bracinhos em direção a Hades.
— Veja só, ele quer o pai mais responsável — provocou Hades, pegando o menino no colo com uma facilidade impressionante.
Xiao Huang agarrou a gola da túnica de Hades e, com um esforço hercúleo para sua idade, tentou pronunciar uma nova palavra que vinha ensaiando.
— Ca... ne... — o bebê murmurou, apontando para o prato de carne. — Cane!
— Carne? — Qin soltou uma gargalhada sonora, jogando a cabeça para trás. — Esse é o meu garoto! Um imperador precisa de sustento para governar!
— Ele tem menos de dois anos, Qin — ponderou Hades, embora estivesse cortando um pedaço minúsculo e macio para o pequeno. — Mas suponho que um pouco não fará mal.
Nesse momento, Ares aproximou-se da mesa, parecendo mais nervoso do que o habitual. O Deus da Guerra olhou para o bebê, depois para Qin, e finalmente para Hades.
— Tio Hades... — começou Ares, limpando o suor da testa. — Zeus está perguntando se... se o senhor poderia intervir. Hermes e Loki começaram uma aposta sobre qual dos humanos consegue comer mais pimenta, e Raiden já está ficando vermelho demais.
Qin Shi Huang nem se deu ao trabalho de virar o rosto na direção de Ares.
— Diga ao seu pai que, se ele não consegue controlar seus convidados, o Imperador o fará — disse Qin, com um tom de superioridade que fez Ares estremecer. — Mas ele terá que pagar um tributo por minha consultoria real.
— Qin, deixe o Ares em paz — pediu Hades, embora houvesse um brilho de diversão em seus olhos. — Ares, diga a Zeus que eu irei em breve. Primeiro, preciso garantir que Xiao Huang termine sua refeição.
Ares assentiu rapidamente e saiu quase correndo, claramente desconfortável com a intensidade da aura que emanava daquele trio familiar.
— Você o assusta — comentou Hades, oferecendo o pedacinho de carne a Xiao Huang, que o aceitou com entusiasmo.
— Ele é fácil de assustar — Qin deu de ombros, pegando uma taça de vinho. — Falta-lhe a espinha dorsal de um governante. Xiao Huang já demonstra mais coragem do que ele quando decide desafiar a hora do banho.
— Bu! — Xiao Huang exclamou, com a boca cheia, fazendo os dois pais rirem.
O momento de paz foi brevemente interrompido quando uma bola de couro voou por cima da mesa, sendo interceptada no ar pela mão rápida de Hades antes que pudesse atingir qualquer prato.
— Cuidado! — gritou a voz de Okita Sōji ao longe, enquanto corria atrás do brinquedo.
Qin estreitou os "olhos" sob a venda. Ele sentiu a vibração do movimento, a energia caótica dos guerreiros. Por um segundo, a dor alheia — a empolgação misturada com a agressividade contida de tantos lutadores num só lugar — tocou sua pele. Ele sentiu uma pontada de desconforto, um reflexo de seu passado, quando o sofrimento do mundo o esmagava.
Hades, percebendo a sutil mudança na postura de Qin, colocou a mão livre sobre o ombro do marido. O toque era firme, aterradoramente real e cheio de um suporte silencioso.
— Você está aqui, Qin — sussurrou Hades. — E você é o Rei.
Qin relaxou, o sorriso voltando ao rosto como se nunca tivesse vacilado. Ele cobriu a mão de Hades com a sua.
— Eu sei. E este é o meu jardim.
Xiao Huang, sentindo a mudança de atmosfera, olhou de um para o outro. Ele esticou as mãozinhas e tocou o rosto de Qin, e depois o de Hades, unindo-os em seu pequeno gesto.
— Pa. Pa. — disse o bebê, com uma clareza surpreendente.
— Sim, pequeno — disse Hades, com uma suavidade que faria os juízes do Inferno duvidarem de seus ouvidos. — Nós estamos aqui.
— Olhe para ele, Hades — Qin disse, sua voz transbordando um orgulho genuíno. — Ele não é apenas um humano ou o filho de um deus por adoção. Ele é o ponto onde nossos mundos se encontram. Ele é o equilíbrio.
Hades olhou para o filho, que agora tentava "beijar" o próprio reflexo na colher de prata.
— Ele tem a sua arrogância — observou o Deus do Submundo.
— E a sua nobreza — rebateu o Imperador.
— Estamos perdidos — brincou Hades, servindo-se de um pouco de vinho.
— Pelo contrário — Qin levantou sua taça, fazendo um brinde silencioso ao caos organizado ao redor deles. — Nós finalmente encontramos o caminho.
Enquanto o sol começava a se pôr sobre Valhala, tingindo o céu de tons de roxo e laranja que lembravam o reino de Hades, a família permaneceu ali. Xiao Huang acabou pegando no sono no colo de Hades, exausto de tanta "realeza" por um dia. Qin encostou a cabeça no ombro do marido, observando os deuses e humanos finalmente baixarem a guarda.
Naquele momento, não havia Ragnarok, não havia dívidas de sangue ou batalhas por sobrevivência. Havia apenas o calor do fogo, o som das risadas e a certeza de que, entre um Imperador e um Rei, o verdadeiro soberano era aquele pequeno ser que dormia tranquilamente, alheio ao fato de que tinha o Submundo e a China Imperial na palma de suas mãos gordinhas.
— Hao — sussurrou Qin, fechando os olhos sob a venda, sentindo apenas a paz que tanto lutou para conquistar.
— Hao — respondeu Hades, protegendo o sono do filho com a sombra de sua capa, enquanto o churrasco dos deuses continuava noite adentro.
