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A guerra e a paixão
Fandom: Mitologia grega
Criado: 06/05/2026
Tags
FantasiaRomanceDramaRecontarSandalpunkEstudo de PersonagemHumor
Entre o Sangue e o Silêncio
O Monte Olimpo nunca foi um lugar de paz absoluta, mas naquela tarde, a tensão era palpável o suficiente para ser cortada com uma das lâminas de Ares. Lysíandra caminhava pelos corredores de mármore com passos pesados, cada pisada ecoando como um tambor de guerra. Seus cabelos escuros, com aqueles reflexos acobreados que brilhavam como brasas, flutuavam atrás dela enquanto seus olhos âmbar faiscavam de puro ódio.
— Eles acham que são quem? — resmungou ela para as colunas altas, os punhos cerrados. — Sério, quem eles pensam que são para decidir com quem eu passo o meu tempo? Só porque são deuses?
Ela parou por um segundo, a lógica atingindo sua mente como uma flecha perdida.
— Ah, certo. Eles são deuses. Mas isso não dá o direito! — continuou, chutando uma pequena pedra que voou longe, atingindo o calcanhar de uma estátua de Hermes.
Lysíandra era uma mistura perigosa. De Ares, ela herdara a fúria e a maestria com a espada; de Afrodite, o charme magnético que fazia o coração dos mortais e imortais vacilar. Mas ali, diante da grande porta do salão de reuniões, ela se sentia como uma criança sendo levada para o castigo.
Ao entrar, o cenário era exatamente o que ela temia. O ar estava pesado com o cheiro de ferro e rosas. No centro da sala, Ares estava sentado em um trono de bronze, polindo uma adaga com um olhar de poucos amigos. Do outro lado, Afrodite, impecável em sua túnica de seda, retocava o batom enquanto examinava o próprio reflexo em um espelho de mão, embora seus olhos estivessem atentos a cada movimento da filha.
E então, no canto oposto, envolto em uma aura de quietude absoluta, estava ele.
Thanatos parecia uma mancha de tinta em um pergaminho claro. Sua pele era pálida como o mármore frio do submundo, e os cabelos negros caíam sobre o rosto, escondendo parcialmente os olhos escuros que pareciam conter o vácuo do universo. Ele não parecia irritado, nem nervoso. Ele apenas... existia. Como a morte, ele era inevitável e silencioso.
— Finalmente — rosnou Ares, cravando a adaga na mesa de carvalho. — Sente-se, Lysíandra. Agora.
— Eu não vou sentar para ser julgada como se tivesse roubado um raio de Zeus — retrucou ela, o queixo erguido. — Eu não fiz nada de errado.
— Ah, querida, não é sobre certo ou errado — disse Afrodite, sua voz doce como mel, mas com o peso de uma ordem divina. — É sobre... compatibilidade. Um ceifador, Lysíandra? Realmente? Você poderia ter qualquer herói, qualquer deus menor do sol ou do mar...
— Ele tem nome — Lysíandra sibilou, caminhando até a mesa e puxando a cadeira ao lado de Thanatos com um barulho estridente.
Ela se sentou, sentindo o frio que emanava dele. Era um contraste absurdo com o calor que sempre corria sob sua própria pele. Thanatos não se moveu, mas ela sentiu o olhar dele sobre ela por um breve segundo antes de ele voltar a encarar o vazio.
— Estamos aqui — começou Ares, inclinando-se para frente — porque a união entre a Guerra e a Morte costuma terminar em campos de batalha vazios, sem glória. E a união entre o Amor e a Morte... bem, isso é apenas depressivo. Nyx concorda que precisamos avaliar se vocês dois não vão desequilibrar a ordem das coisas.
— O equilíbrio está seguro, senhor — a voz de Thanatos surgiu, calma e profunda, como o som do vento em uma caverna. — Eu apenas cumpro meu papel. Lysíandra não interfere no meu trabalho.
— Ainda — interrompeu Ares. — Ela tem o meu sangue. Onde ela vai, a discórdia segue.
Lysíandra bufou, cruzando os braços sobre o peito. Ela podia sentir a aura de Thanatos tentando acalmá-la, uma sensação de sono e entorpecimento que ele exalava sem querer, mas sua própria raiva era um escudo quente.
Do outro lado da mesa, um movimento chamou sua atenção. Seu irmão, Eros, estava encostado em uma pilastra, brincando com uma de suas flechas douradas. Ele tinha um sorriso petulante no rosto, o tipo de sorriso que Lysíandra adoraria apagar com um soco.
— Ora, ora — zombou Eros, em um tom baixo o suficiente para que apenas os mais jovens ouvissem. — A pequena guerreira apaixonada pelo fantasma. Que romântico. O que vocês fazem no tempo livre? Contam cadáveres? Ou ele apenas fica olhando você respirar enquanto espera o seu momento chegar?
Lysíandra sentiu o sangue subir às bochechas. Ela tentou ignorar, mas Eros era persistente.
— Imagine os filhos — continuou o cupido, rindo baixinho. — Vão ser o quê? Cupidos góticos? Anjos da depressão?
Thanatos não reagiu, mas Lysíandra sentiu a mão dele, oculta pela mesa, mover-se levemente. Ela sabia que ele não se importava com as provocações, mas ela sim. Ela se inclinou ligeiramente para o lado, os olhos âmbar brilhando com uma promessa de dor.
— Continue falando, Eros — sussurrou ela, sua voz carregada com a influência de sua mãe, projetando uma obsessão perigosa. — Continue e eu juro pelos Estige que vou até o reino dos mortais e encontro aquela sua "amiguinha" humana. Como era o nome dela mesmo? Psiquê?
Eros congelou. O sorriso desapareceu instantaneamente, e a flecha que ele girava quase caiu de seus dedos.
— Você não ousaria — murmurou ele, a voz subindo uma oitava.
— Tente a sorte — desafiou Lysíandra. — Eu contarei para a mamãe cada detalhe sobre como você anda escondendo uma mortal em um palácio invisível. Quero ver quanto tempo o seu "amor verdadeiro" dura quando a Deusa da Beleza decidir que ela é uma rival.
Eros empalideceu e imediatamente desviou o olhar, fingindo um interesse súbito nas unhas. Lysíandra voltou a se encostar na cadeira, sentindo uma pequena vitória.
— Algum problema, Eros? — perguntou Afrodite, arqueando uma sobrancelha perfeitamente desenhada para o filho.
— Nenhum, mamãe — respondeu ele, a voz subitamente submissa. — Só estava pensando em como o amor é... imprevisível.
A reunião prosseguiu de forma arrastada. Ares queria saber se Thanatos tinha intenções de "enfraquecer" o espírito guerreiro de sua filha. Afrodite questionava se o submundo não deixaria a pele de Lysíandra muito pálida. Era um interrogatório disfarçado de diplomacia.
— Eu não sou um objeto de troca — Lysíandra interveio quando Ares começou a sugerir que ela passasse mais tempo nos quartéis em Esparta para "limpar a cabeça". — E Thanatos não é um problema a ser resolvido. Ele é o único nesta montanha que não tenta me dizer o que fazer o tempo todo.
Thanatos finalmente virou o rosto para ela. Seus olhos escuros encontraram os âmbar dela. Não havia paixão ardente ali, não da forma que Eros costumava pregar, mas havia algo muito mais profundo: reconhecimento. Ele a via além das cicatrizes e da fúria. E ela o via além da sombra e do fim.
— A presença de Lysíandra — disse Thanatos, voltando-se para os deuses — não desestabiliza o meu dever. Pelo contrário. A vida que ela carrega torna o meu silêncio suportável.
O silêncio que se seguiu na sala foi absoluto. Até Ares pareceu momentaneamente sem palavras, a adaga parada no ar. Afrodite levou a mão ao peito, um brilho genuíno de admiração surgindo em seus olhos.
— Oh... — suspirou a deusa da beleza. — Isso foi muito poético. Ares, querido, admita, foi adorável.
— Foi irritante — resmungou o Deus da Guerra, embora o tom de sua voz tivesse perdido a agressividade. — Mas se ele não a transformar em uma sombra chorona, eu posso tolerar. Por enquanto.
Lysíandra sentiu um alívio percorrer seu corpo, mas não deixou transparecer. Ela ainda estava indignada com a audácia de seus pais. Sob a mesa, ela estendeu a mão e, pela primeira vez na reunião, tocou a mão de Thanatos.
A pele dele era gélida, mas no momento em que seus dedos se entrelaçaram, uma faísca de calor pareceu emanar dela para ele.
— Podemos ir agora? — perguntou Lysíandra, levantando-se antes mesmo de receber permissão. — Tenho coisas mais importantes para fazer do que ouvir vocês discutirem minha vida social.
— Tipo o quê? — perguntou Eros, recuperando um pouco da coragem, mas ainda mantendo distância.
— Tipo ensinar o Thanatos a lutar — respondeu ela com um sorriso perverso. — E talvez, só talvez, eu passe na Terra para conferir se aquela humana ainda está no mesmo lugar.
Eros empalideceu novamente e Lysíandra deu as costas, puxando Thanatos consigo. Eles caminharam para fora do salão, deixando para trás o cheiro de incenso e o som das discussões divinas que já recomeçavam.
Assim que cruzaram os portões e chegaram aos jardins suspensos, longe dos ouvidos curiosos, Lysíandra soltou um suspiro longo.
— Eu odeio este lugar.
— O Olimpo é barulhento — concordou Thanatos, sua voz voltando ao tom suave de sempre. — Mas você lida bem com o barulho.
— Eu lido bem com ameaças — corrigiu ela, olhando para ele. — Você realmente quis dizer aquilo? Sobre eu tornar o seu silêncio suportável?
Thanatos parou e a encarou. O vento bagunçou seus cabelos negros, e por um momento, ele parecia menos uma entidade temível e mais alguém que carregava o peso do mundo nos ombros.
— Eu não minto, Lysíandra. A morte não tem necessidade de mentiras.
Ela sorriu, um sorriso que misturava a doçura de sua mãe com a periculosidade de seu pai. Ela se aproximou, diminuindo a distância entre o calor e o frio.
— Ótimo. Porque se você mentisse, eu teria que te matar. E eu imagino que isso seria tecnicamente impossível e muito confuso para o universo.
Thanatos esboçou o que poderia ser chamado de um quase-sorriso, uma raridade absoluta.
— Seria um paradoxo interessante.
Eles continuaram a caminhar pelas bordas do Olimpo, onde as nuvens se encontravam com o horizonte. Lysíandra sabia que aquela reunião era apenas o começo e que seus pais ainda tentariam interferir, mas ela não se importava. Entre a guerra que corria em suas veias e a paz que ele trazia em seu toque, ela finalmente havia encontrado o equilíbrio que os deuses tanto temiam.
E se Eros ousasse abrir a boca novamente, ela realmente visitaria Psiquê. Afinal, uma filha de Ares nunca fazia uma ameaça em vão.
— Eles acham que são quem? — resmungou ela para as colunas altas, os punhos cerrados. — Sério, quem eles pensam que são para decidir com quem eu passo o meu tempo? Só porque são deuses?
Ela parou por um segundo, a lógica atingindo sua mente como uma flecha perdida.
— Ah, certo. Eles são deuses. Mas isso não dá o direito! — continuou, chutando uma pequena pedra que voou longe, atingindo o calcanhar de uma estátua de Hermes.
Lysíandra era uma mistura perigosa. De Ares, ela herdara a fúria e a maestria com a espada; de Afrodite, o charme magnético que fazia o coração dos mortais e imortais vacilar. Mas ali, diante da grande porta do salão de reuniões, ela se sentia como uma criança sendo levada para o castigo.
Ao entrar, o cenário era exatamente o que ela temia. O ar estava pesado com o cheiro de ferro e rosas. No centro da sala, Ares estava sentado em um trono de bronze, polindo uma adaga com um olhar de poucos amigos. Do outro lado, Afrodite, impecável em sua túnica de seda, retocava o batom enquanto examinava o próprio reflexo em um espelho de mão, embora seus olhos estivessem atentos a cada movimento da filha.
E então, no canto oposto, envolto em uma aura de quietude absoluta, estava ele.
Thanatos parecia uma mancha de tinta em um pergaminho claro. Sua pele era pálida como o mármore frio do submundo, e os cabelos negros caíam sobre o rosto, escondendo parcialmente os olhos escuros que pareciam conter o vácuo do universo. Ele não parecia irritado, nem nervoso. Ele apenas... existia. Como a morte, ele era inevitável e silencioso.
— Finalmente — rosnou Ares, cravando a adaga na mesa de carvalho. — Sente-se, Lysíandra. Agora.
— Eu não vou sentar para ser julgada como se tivesse roubado um raio de Zeus — retrucou ela, o queixo erguido. — Eu não fiz nada de errado.
— Ah, querida, não é sobre certo ou errado — disse Afrodite, sua voz doce como mel, mas com o peso de uma ordem divina. — É sobre... compatibilidade. Um ceifador, Lysíandra? Realmente? Você poderia ter qualquer herói, qualquer deus menor do sol ou do mar...
— Ele tem nome — Lysíandra sibilou, caminhando até a mesa e puxando a cadeira ao lado de Thanatos com um barulho estridente.
Ela se sentou, sentindo o frio que emanava dele. Era um contraste absurdo com o calor que sempre corria sob sua própria pele. Thanatos não se moveu, mas ela sentiu o olhar dele sobre ela por um breve segundo antes de ele voltar a encarar o vazio.
— Estamos aqui — começou Ares, inclinando-se para frente — porque a união entre a Guerra e a Morte costuma terminar em campos de batalha vazios, sem glória. E a união entre o Amor e a Morte... bem, isso é apenas depressivo. Nyx concorda que precisamos avaliar se vocês dois não vão desequilibrar a ordem das coisas.
— O equilíbrio está seguro, senhor — a voz de Thanatos surgiu, calma e profunda, como o som do vento em uma caverna. — Eu apenas cumpro meu papel. Lysíandra não interfere no meu trabalho.
— Ainda — interrompeu Ares. — Ela tem o meu sangue. Onde ela vai, a discórdia segue.
Lysíandra bufou, cruzando os braços sobre o peito. Ela podia sentir a aura de Thanatos tentando acalmá-la, uma sensação de sono e entorpecimento que ele exalava sem querer, mas sua própria raiva era um escudo quente.
Do outro lado da mesa, um movimento chamou sua atenção. Seu irmão, Eros, estava encostado em uma pilastra, brincando com uma de suas flechas douradas. Ele tinha um sorriso petulante no rosto, o tipo de sorriso que Lysíandra adoraria apagar com um soco.
— Ora, ora — zombou Eros, em um tom baixo o suficiente para que apenas os mais jovens ouvissem. — A pequena guerreira apaixonada pelo fantasma. Que romântico. O que vocês fazem no tempo livre? Contam cadáveres? Ou ele apenas fica olhando você respirar enquanto espera o seu momento chegar?
Lysíandra sentiu o sangue subir às bochechas. Ela tentou ignorar, mas Eros era persistente.
— Imagine os filhos — continuou o cupido, rindo baixinho. — Vão ser o quê? Cupidos góticos? Anjos da depressão?
Thanatos não reagiu, mas Lysíandra sentiu a mão dele, oculta pela mesa, mover-se levemente. Ela sabia que ele não se importava com as provocações, mas ela sim. Ela se inclinou ligeiramente para o lado, os olhos âmbar brilhando com uma promessa de dor.
— Continue falando, Eros — sussurrou ela, sua voz carregada com a influência de sua mãe, projetando uma obsessão perigosa. — Continue e eu juro pelos Estige que vou até o reino dos mortais e encontro aquela sua "amiguinha" humana. Como era o nome dela mesmo? Psiquê?
Eros congelou. O sorriso desapareceu instantaneamente, e a flecha que ele girava quase caiu de seus dedos.
— Você não ousaria — murmurou ele, a voz subindo uma oitava.
— Tente a sorte — desafiou Lysíandra. — Eu contarei para a mamãe cada detalhe sobre como você anda escondendo uma mortal em um palácio invisível. Quero ver quanto tempo o seu "amor verdadeiro" dura quando a Deusa da Beleza decidir que ela é uma rival.
Eros empalideceu e imediatamente desviou o olhar, fingindo um interesse súbito nas unhas. Lysíandra voltou a se encostar na cadeira, sentindo uma pequena vitória.
— Algum problema, Eros? — perguntou Afrodite, arqueando uma sobrancelha perfeitamente desenhada para o filho.
— Nenhum, mamãe — respondeu ele, a voz subitamente submissa. — Só estava pensando em como o amor é... imprevisível.
A reunião prosseguiu de forma arrastada. Ares queria saber se Thanatos tinha intenções de "enfraquecer" o espírito guerreiro de sua filha. Afrodite questionava se o submundo não deixaria a pele de Lysíandra muito pálida. Era um interrogatório disfarçado de diplomacia.
— Eu não sou um objeto de troca — Lysíandra interveio quando Ares começou a sugerir que ela passasse mais tempo nos quartéis em Esparta para "limpar a cabeça". — E Thanatos não é um problema a ser resolvido. Ele é o único nesta montanha que não tenta me dizer o que fazer o tempo todo.
Thanatos finalmente virou o rosto para ela. Seus olhos escuros encontraram os âmbar dela. Não havia paixão ardente ali, não da forma que Eros costumava pregar, mas havia algo muito mais profundo: reconhecimento. Ele a via além das cicatrizes e da fúria. E ela o via além da sombra e do fim.
— A presença de Lysíandra — disse Thanatos, voltando-se para os deuses — não desestabiliza o meu dever. Pelo contrário. A vida que ela carrega torna o meu silêncio suportável.
O silêncio que se seguiu na sala foi absoluto. Até Ares pareceu momentaneamente sem palavras, a adaga parada no ar. Afrodite levou a mão ao peito, um brilho genuíno de admiração surgindo em seus olhos.
— Oh... — suspirou a deusa da beleza. — Isso foi muito poético. Ares, querido, admita, foi adorável.
— Foi irritante — resmungou o Deus da Guerra, embora o tom de sua voz tivesse perdido a agressividade. — Mas se ele não a transformar em uma sombra chorona, eu posso tolerar. Por enquanto.
Lysíandra sentiu um alívio percorrer seu corpo, mas não deixou transparecer. Ela ainda estava indignada com a audácia de seus pais. Sob a mesa, ela estendeu a mão e, pela primeira vez na reunião, tocou a mão de Thanatos.
A pele dele era gélida, mas no momento em que seus dedos se entrelaçaram, uma faísca de calor pareceu emanar dela para ele.
— Podemos ir agora? — perguntou Lysíandra, levantando-se antes mesmo de receber permissão. — Tenho coisas mais importantes para fazer do que ouvir vocês discutirem minha vida social.
— Tipo o quê? — perguntou Eros, recuperando um pouco da coragem, mas ainda mantendo distância.
— Tipo ensinar o Thanatos a lutar — respondeu ela com um sorriso perverso. — E talvez, só talvez, eu passe na Terra para conferir se aquela humana ainda está no mesmo lugar.
Eros empalideceu novamente e Lysíandra deu as costas, puxando Thanatos consigo. Eles caminharam para fora do salão, deixando para trás o cheiro de incenso e o som das discussões divinas que já recomeçavam.
Assim que cruzaram os portões e chegaram aos jardins suspensos, longe dos ouvidos curiosos, Lysíandra soltou um suspiro longo.
— Eu odeio este lugar.
— O Olimpo é barulhento — concordou Thanatos, sua voz voltando ao tom suave de sempre. — Mas você lida bem com o barulho.
— Eu lido bem com ameaças — corrigiu ela, olhando para ele. — Você realmente quis dizer aquilo? Sobre eu tornar o seu silêncio suportável?
Thanatos parou e a encarou. O vento bagunçou seus cabelos negros, e por um momento, ele parecia menos uma entidade temível e mais alguém que carregava o peso do mundo nos ombros.
— Eu não minto, Lysíandra. A morte não tem necessidade de mentiras.
Ela sorriu, um sorriso que misturava a doçura de sua mãe com a periculosidade de seu pai. Ela se aproximou, diminuindo a distância entre o calor e o frio.
— Ótimo. Porque se você mentisse, eu teria que te matar. E eu imagino que isso seria tecnicamente impossível e muito confuso para o universo.
Thanatos esboçou o que poderia ser chamado de um quase-sorriso, uma raridade absoluta.
— Seria um paradoxo interessante.
Eles continuaram a caminhar pelas bordas do Olimpo, onde as nuvens se encontravam com o horizonte. Lysíandra sabia que aquela reunião era apenas o começo e que seus pais ainda tentariam interferir, mas ela não se importava. Entre a guerra que corria em suas veias e a paz que ele trazia em seu toque, ela finalmente havia encontrado o equilíbrio que os deuses tanto temiam.
E se Eros ousasse abrir a boca novamente, ela realmente visitaria Psiquê. Afinal, uma filha de Ares nunca fazia uma ameaça em vão.
