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No Olimpo

Fandom: Mitologia grega

Criado: 06/05/2026

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FantasiaRomanceDramaHumorSandalpunkRecontarCiúmesAção
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Entre o Êxtase e a Fúria

O Olimpo nunca fora um lugar de silêncio, mas naquela noite, as colunas de mármore pareciam vibrar com a intensidade da celebração. O néctar corria livre, e o aroma de ambrosia misturava-se ao perfume de flores raras que brotavam sob os pés de Aphrodite. No centro do grande salão, Lysíandra segurava uma taça de ouro cravejada de rubis, seus olhos cor de âmbar brilhando com uma chama desafiadora.

Seus cabelos escuros e cacheados caíam em cascatas pelas costas, emoldurando um rosto que possuía a delicadeza divina de sua mãe, mas que carregava a tensão latente de seu pai. Naquele momento, ela não parecia uma criatura de paz.

— Outra taça, Eros? Ou as asas já estão pesadas demais para aguentar o peso do vinho? — provocou ela, com um sorriso que era metade sedução e metade declaração de guerra.

Eros, o deus do amor, limpou uma gota de vinho do canto da boca e riu, balançando a cabeça.

— Você tem o estômago de Ares, irmã. Mas lembre-se que eu tenho a paciência de nossa mãe. Eu não vou cair antes de você.

— Veremos — retrucou Lysíandra, sentindo o calor do álcool e de seu próprio poder borbulhar.

Ao redor dela, a aura de Lysíandra pulsava. Sem que percebesse, os guerreiros que guardavam os portões do salão começaram a discutir fervorosamente, influenciados pela raiva latente que ela emanava, enquanto alguns ninfas e sátiros se entregavam a abraços apaixonados, tocados pelo lado Aphrodite da deusa. Ela era um equilíbrio perigoso, uma bomba relógio de sentimentos.

Foi então que um rastro de poeira dourada e um deslocamento de ar quase imperceptível anunciaram a chegada de alguém. Hermes surgiu ao lado dela como se sempre estivesse ali, encostado em uma pilastra com a casualidade de quem não deve nada a ninguém. Seu sorriso era de soslaio, e os olhos escuros brilhavam com uma inteligência que ia além da embriaguez da festa.

— Uma competição de bebida entre os filhos da guerra e do amor? — Hermes comentou, a voz leve como uma brisa de verão. — Parece um desperdício de um talento tão precioso, Lysíandra.

A deusa virou-se para ele, o sangue fervendo de uma forma diferente. Hermes sempre teve esse efeito sobre ela; ele era rápido demais para ser capturado, esperto demais para ser enganado e irritantemente charmoso.

— O que sugere, mensageiro? — ela perguntou, estreitando os olhos. — Quer entrar na disputa ou veio apenas entregar algum recado tedioso de meu avô?

— Zeus tem seus próprios problemas hoje — Hermes inclinou-se para mais perto, o cheiro de viagem e liberdade emanando dele. — Na verdade, vim salvá-la. Ouvi dizer que Ares planeja fazê-la treinar com as fúrias amanhã cedo se ele a vir nesse estado. E, entre nós, o jardim das Hespérides está muito mais interessante sob a luz da lua do que este salão barulhento.

Lysíandra olhou para Eros, que já parecia mais interessado em uma ninfa das águas do que na taça de vinho. Ela voltou sua atenção para Hermes. O desejo de desafiar as regras — e de estar perto daquele deus que nunca parava — falou mais alto que seu orgulho.

— Leve-me, então. Antes que eu decida transformar esta festa em um campo de batalha.

Com um movimento ágil, Hermes segurou a mão dela. Em um piscar de olhos, o som da música e as risadas dos deuses desapareceram. O ar frio da noite grega chicoteou seu rosto por um breve segundo antes de seus pés tocarem a grama macia e úmida. Eles estavam em um terraço isolado, onde as videiras de uvas prateadas cresciam sob o luar, longe dos olhos vigilantes do Olimpo.

— Você é rápido — Lysíandra disse, recuperando o fôlego, sentindo a adrenalina de Ares e a paixão de Aphrodite se misturarem em seu peito.

— Sou o mais rápido — corrigiu Hermes, aproximando-se dela com passos silenciosos. — Mas por você, eu poderia considerar diminuir o passo.

A deusa soltou uma risada baixa, um som que fez as flores ao redor se abrirem instantaneamente. Ela estendeu a mão e tocou o rosto dele, os dedos traçando a linha da mandíbula de Hermes. O poder dela fluiu; ela queria que ele sentisse o que ela sentia — aquela obsessão ardente, aquela faísca que precedia o golpe de uma espada.

— Você não sabe no que está se metendo, Hermes — sussurrou ela. — Eu sou o caos entre dois mundos.

— Eu vivo no caos, Lysíandra — respondeu ele, a voz subitamente séria. — E nunca vi nada tão belo quanto o seu incêndio.

Ele a puxou para perto, e o beijo que se seguiu foi uma colisão. Tinha o gosto do vinho roubado e a urgência de uma batalha. Lysíandra sentiu o mundo girar, sua vontade de lutar derretendo-se em uma necessidade visceral de ser dele.

Enquanto isso, de volta ao salão, Aphrodite flutuava entre os convidados, seu vestido de seda mudando de cor conforme a luz. Ela parou, seus olhos azuis-celestes percorrendo a multidão. Ela não via a cabeleira escura da filha em lugar nenhum. Um sorriso cúmplice surgiu em seus lábios, mas logo foi substituído por uma expressão de leve preocupação ao ver Ares.

O deus da guerra estava encostado em um trono, observando o salão com um mau humor característico. Sua armadura brilhava com um tom avermelhado sinistro.

— Ares, querido — disse Aphrodite, aproximando-se e pousando uma mão delicada no ombro dele. — Você viu Lysíandra? Ela estava aqui com Eros agora mesmo.

Ares rosnou, o som vindo do fundo do peito.

— Aquela menina tem o sangue muito quente. Provavelmente foi arrumar briga com algum titã esquecido.

— Ou talvez — Aphrodite ronronou, os olhos brilhando — ela tenha encontrado algo mais... estimulante. Eu vi Hermes rondando por aqui.

A expressão de Ares mudou instantaneamente de tédio para fúria pura. Seus olhos pareceram se incendiar.

— O ladrão? Aquele moleque de sandálias aladas? Se ele tocar na minha filha, eu vou pendurá-lo pelos calcanhares no Tártaro!

Sem esperar por outra palavra, Ares marchou pelo salão, sua presença fazendo os músicos pararem e os convidados se afastarem. Aphrodite o seguiu, achando a situação deliciosamente dramática.

Não foi difícil encontrá-los. O rastro de emoções intensas deixado por Lysíandra era como uma trilha de fogo para quem soubesse seguir. Quando Ares e Aphrodite chegaram ao terraço escondido, a cena era clara: Lysíandra estava envolta nos braços de Hermes, e o beijo deles era tudo, menos casto.

— SOLTE-A! — o grito de Ares ecoou pelas montanhas, fazendo a terra tremer.

O casal se separou bruscamente. Hermes, com seus reflexos divinos, deu um passo para trás, mas manteve um sorriso insolente, embora uma gota de suor frio escorresse por sua têmpora. Lysíandra, no entanto, não recuou. Seus olhos âmbar brilharam com uma fúria que rivalizava com a do pai.

— Pai! O que pensa que está fazendo? — ela gritou, a voz carregada de uma autoridade que faria exércitos se ajoelharem.

— O que eu estou fazendo? — Ares avançou, a mão fechada no punho de sua espada. — Eu vou acabar com esse mensageiro de recados antes que ele possa dizer "Zeus"!

— Ah, vamos lá, Ares — Hermes disse, tentando recuperar sua postura leve. — Foi apenas um momento de... apreciação mútua. Não há necessidade de desembainhar o aço.

— Apreciação? — Ares rugiu. — Eu conheço seus truques, Hermes! Você rouba gado, rouba tesouros e agora acha que pode roubar a minha filha?

Nesse momento, Eros, Fobos e Deimos apareceram nas sombras, atraídos pela confusão. Fobos e Deimos, os deuses do medo e do pânico, começaram a rir baixo, cutucando um ao outro.

— Veja só, o mensageiro finalmente encontrou alguém que pode matá-lo antes que ele corra — zombou Deimos.

— Eu aposto dez dracmas que ele não dura dois minutos contra o velho — sussurrou Fobos, rindo.

Eros, encostado em uma coluna, apenas observava com um sorriso divertido.

— Pelo menos ele tem bom gosto — comentou o cupido. — Lysíandra sempre foi a mais difícil de atingir com minhas flechas, mas parece que Hermes usou métodos mais... diretos.

Lysíandra virou-se para os irmãos, sua paciência esgotando-se. A aura ao redor dela se expandiu, uma onda de obsessão e raiva que fez até os deuses do medo darem um passo atrás.

— Se vocês não calarem a boca agora — Lysíandra disse, apontando o dedo para Eros —, eu vou garantir que sua próxima flecha o atinja e você se apaixone por um asno de três pernas!

Eros engoliu em seco e ergueu as mãos em sinal de rendição, o riso morrendo em sua garganta. Ela não estava brincando.

— Lysíandra, querida, acalme-se — Aphrodite interveio, aproximando-se com um olhar de puro deleite. — Ares, pare de ser tão arcaico. Olhe para eles! Não é absolutamente adorável? O deus mais rápido e a deusa mais intensa... as canções que os mortais farão sobre isso serão divinas!

— Não haverá canções! — Ares gritou, embora parecesse um pouco menos propenso a decapitar Hermes agora que a esposa estava por perto. — Haverá apenas dor se ele não sumir da minha frente!

Hermes olhou para Lysíandra, deu-lhe uma piscadela rápida e, antes que Ares pudesse dar mais um passo, ele desapareceu em um borrão dourado, deixando apenas o som de sua risada no ar.

— Covarde! — Ares gritou para o vazio.

Lysíandra bufou, cruzando os braços sobre o peito, a aparência angelical contrastando com a expressão carrancuda.

— Ele não é covarde, pai. Ele é esperto. Algo que você deveria tentar ser às vezes.

Ares virou-se para ela, pronto para continuar a discussão, mas Aphrodite o abraçou pelo braço, puxando-o de volta para o salão.

— Deixe a menina, Ares. Ela tem o seu fogo. Você deveria estar orgulhoso. E, Lysíandra... — a deusa da beleza piscou para a filha — ...da próxima vez, escolha um lugar onde o seu pai não consiga ouvir os trovões do Olimpo.

Os pais se afastaram, Ares ainda resmungando sobre "deuses mensageiros insolentes", enquanto os irmãos de Lysíandra se dispersavam, ainda rindo baixinho, mas longe do alcance de suas mãos.

Lysíandra ficou sozinha no terraço por um momento. O silêncio da noite retornou, mas seu sangue ainda pulsava. Ela olhou para a palma da mão, onde ainda podia sentir o calor de Hermes.

— Ele volta — ela sussurrou para si mesma, um sorriso surgindo em seus lábios.

E, de algum lugar nas sombras das árvores, uma brisa leve soprou, trazendo consigo o aroma de sândalo e o eco de uma risada travessa. Hermes não estava longe. Ele nunca estava. E para uma deusa que era metade guerra e metade amor, a caçada estava apenas começando.
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