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Luz, câmera, ação

Fandom: OC

Criado: 08/05/2026

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RomanceFatias de VidaFofuraHistóricoEstudo de PersonagemCiúmesNoir
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Entre Microfones e Rubores

As luzes de tungstênio do Estúdio 4 brilhavam intensamente, criando uma atmosfera elétrica que cheirava a laquê, café forte e o leve aroma de tabaco que flutuava dos corredores da emissora. Era 1974, e a televisão vivia sua era de ouro. No centro de tudo, estava Evangeline Kostova.

Sentada em sua poltrona de veludo mostarda, Eva retocava o batom vermelho enquanto observava, pelo reflexo do espelho de mão, a movimentação frenética dos câmeras. Seu cabelo escuro, cortado em um chanel impecável com aquela franja lateral que remetia às divas de décadas passadas, emoldurava seu rosto de traços eslavos. Os olhos azuis-acinzentados brilhavam com uma malícia natural.

— Cinco minutos, Eva! — gritou um assistente de produção.

— Eu estou sempre pronta, querido — respondeu ela, a voz aveludada carregando aquele leve rastro de confiança que só alguém com três irmãos russos e uma carreira meteórica poderia ter.

Ela se levantou, ajeitando o vestido de jérsei que abraçava suas curvas de forma generosa, e caminhou em direção à mesa de som. Lá estava ele. Thomas Bennett, o novo diretor-chefe, parecia estar em um duelo mortal com uma pilha de roteiros e um fone de ouvido que insistia em escorregar.

Thomas era o oposto de tudo o que o ambiente televisivo costumava atrair. Ele era doce, quase dolorosamente tímido. Seus cabelos escuros e levemente ondulados estavam, como de costume, perfeitamente alinhados, exceto por um único cacho rebelde que teimava em cair sobre a testa. Naquele momento, ele usava seus óculos de leitura, o que só acentuava o ar de inocência em seus olhos avelã.

Eva se aproximou silenciosamente, deslizando as unhas pintadas de carmim pelas costas da cadeira dele.

— Você parece tenso, Tommy — sussurrou ela, inclinando-se o suficiente para que o perfume de jasmim o atingisse em cheio. — Se apertar esses papéis com mais força, eles vão virar confete.

Thomas deu um pulo, os óculos escorregando pelo nariz. Ele olhou para cima e, imediatamente, suas bochechas ganharam um tom de rosa que rivalizava com o pôr do sol.

— E-Evangeline! — Ele gaguejou, tentando ajeitar os óculos com pressa. — Eu só estava conferindo as marcações das câmeras. O bloco dois está um pouco apertado.

— Esqueça o bloco dois por um segundo — disse ela, dando a volta na mesa e sentando-se na borda, cruzando as pernas de forma lenta. — Você fica tão fofo quando está concentrado. Sabia que esse cacho no seu rosto me dá vontade de...

Ela estendeu a mão e, com as pontas dos dedos, puxou a mecha de cabelo para trás da orelha dele. Thomas prendeu a respiração, os olhos arregalados.

— Eu... eu preciso trabalhar — murmurou ele, fazendo um bico involuntário, os lábios se projetando para frente como uma criança que não queria ser interrompida.

— Ah, não faça esse bico — Eva riu, uma risada baixa e rouca. — Sabe que eu não resisto.

— Eva, por favor — ele implorou, a voz suave. — O Johnny já está no set. Você deveria ir para o seu lugar.

O nome de Johnny fez o sorriso de Eva vacilar por apenas um milésimo de segundo antes de se tornar ainda mais travesso. Johnny era o co-apresentador, um homem loiro, bronzeado e excessivamente confiante que adorava flertar com as câmeras — e com Eva.

— O Johnny pode esperar — afirmou ela, levantando-se. — Mas não se preocupe, diretor. Vou dar o show que você merece.

Ela piscou para ele e caminhou em direção ao palco, balançando os quadris com uma elegância calculada. Thomas ficou parado, observando-a ir, sentindo o coração martelar contra as costelas. Ele odiava como ela conseguia desarmá-lo com apenas uma frase, mas, ao mesmo tempo, não conseguia imaginar o estúdio sem aquela energia vibrante.

— Posições! — Thomas gritou, sua voz falhando levemente no início antes de recuperar a autoridade necessária. Ele tirou os óculos e os guardou no bolso do paletó marrom. Para o público e para a equipe, ele precisava parecer o diretor implacável, mesmo que por dentro estivesse derretendo.

— Luzes! Câmera um em close na Eva. Câmera dois, prepare o plano médio com o Johnny. Em cinco, quatro, três...

A luz vermelha da câmera acendeu.

— Boa noite, Londres! — A voz de Johnny ecoou, vibrante. Ele passou um braço pelos ombros de Eva, puxando-a para perto. — Eu sou Johnny Miller, e ao meu lado, a única, a deslumbrante, Evangeline Kostova.

Eva sorriu para a lente, profissional e magnética.

— Boa noite a todos. Hoje temos um programa recheado de novidades, incluindo uma entrevista exclusiva com os astros do novo musical do West End.

Thomas, na cabine de controle, observava o monitor principal. Ele sentiu uma pontada familiar no peito ao ver a mão de Johnny repousar na cintura de Eva. Ele sabia que era apenas o "personagem" de Johnny, a dinâmica de "casal de ouro da TV" que os produtores amavam, mas isso não impedia seu estômago de dar um nó.

— Olhe para eles — comentou o assistente ao lado de Thomas. — Formam um belo par, não?

Thomas não respondeu. Ele apenas apertou os lábios em um bico emburrado, cruzando os braços sobre o peito.

— A iluminação no Johnny está muito forte — resmungou Thomas. — Ele está parecendo uma lâmpada de 100 watts. Corta para a Eva. Só para a Eva.

— Mas o roteiro pede... — começou o assistente.

— Eu sou o diretor — cortou Thomas, o tom de voz subindo um oitavo. — Corta para a Eva. Agora.

No palco, Eva percebeu a mudança nas câmeras. Ela conhecia Thomas bem o suficiente para saber que, quando a câmera fechava nela de forma abrupta enquanto Johnny falava, era porque o homem na cabine estava perdendo a paciência. Ela olhou diretamente para a lente, imaginando que estava olhando nos olhos avelã de Thomas, e soltou um sorriso cúmplice.

Durante o intervalo comercial, o estúdio relaxou por alguns minutos. Johnny se inclinou para Eva, rindo de algo que um dos convidados dissera nos bastidores.

— Você está radiante hoje, Eva — disse Johnny, pegando a mão dela e dando um beijo galanteador nos nós dos dedos. — O que acha de irmos jantar depois que as luzes se apagarem?

Eva viu Thomas saindo da cabine e descendo a pequena escada em direção ao set. Ele trazia uma prancheta e parecia estar em uma missão.

— Oh, Johnny, você é um doce — disse Eva, mantendo a voz alta o suficiente para ser ouvida por quem se aproximava. — Mas receio que meu coração já tenha dono esta noite.

Thomas parou a poucos metros de distância, as orelhas ficando vermelhas instantaneamente.

— Bennett! — Johnny chamou, soltando a mão de Eva. — O que achou do primeiro bloco? Fui brilhante, não fui?

Thomas olhou para Johnny, depois para Eva, que o encarava com um olhar desafiador e divertido.

— Foi... aceitável — murmurou Thomas. — Mas você está saindo da marcação, Johnny. Se você se inclinar tanto para cima da Eva de novo, vai acabar derrubando o microfone dela. Ou o cenário.

— Ora, diretor, não seja tão rígido — Johnny riu, dando um tapinha amigável no ombro de Thomas, que quase cambaleou. — É televisão! O público quer ver proximidade.

— O público quer ver um programa organizado — rebateu Thomas, fazendo o bico novamente. Ele se virou para Eva, tentando ignorar o fato de que ela estava encostada na mesa, observando-o como um gato observa um passarinho. — Evangeline, precisamos revisar suas falas para o próximo segmento. A sós.

— Claro, Tommy — disse ela, levantando-se com graça. — Johnny, querido, nos dê um minuto?

Johnny deu de ombros e se afastou para conversar com a maquiadora. Assim que ficaram sozinhos em um canto mais escuro do estúdio, atrás de uma das câmeras desligadas, o ar pareceu mudar.

— Você estava com ciúmes? — perguntou ela, a voz baixa e carregada de diversão.

— Eu? Não. Eu sou o diretor. Estou preocupado com a qualidade técnica do programa — respondeu Thomas rapidamente, mas ele não conseguia sustentar o olhar dela.

— Mentiroso — cantarolou Eva. — Você fica tão adorável quando tenta ser mandão. Sabia que suas orelhas denunciam você? Elas estão quase da cor do meu batom.

Thomas levou as mãos às orelhas, cobrindo-as, o que só o fez parecer mais infantil e encantador.

— Você não deveria dizer essas coisas aqui — sussurrou ele. — Alguém pode ouvir.

— E se ouvirem? — Ela deu um passo à frente, entrando no espaço pessoal dele. — Eles saberiam que o grande diretor Thomas Bennett é, na verdade, um homem muito doce que não gosta de ver outros homens tocando na sua estrela principal.

— Eva... — ele suspirou, o nome dela saindo como um desabafo.

— Diga — provocou ela, aproximando o rosto do dele. — Diga que você quer que eu jante com você e não com o Johnny.

Thomas olhou para ela, os olhos avelã cheios de uma mistura de desejo e timidez. Ele sentiu o cacho de cabelo cair novamente sobre a testa. Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, Eva esticou a mão e ajeitou o cabelo dele com carinho.

— Eu... eu gostaria muito que você jantasse comigo — disse ele, a voz quase um sussurro. — Mas eu não sou tão divertido quanto o Johnny. Eu provavelmente vou falar sobre técnicas de edição ou sobre como o café da emissora é horrível.

Eva riu, e desta vez foi um som genuíno, sem a máscara da televisão.

— Tommy, o Johnny é um tédio. Ele só fala de si mesmo. Eu prefiro mil vezes ouvir você reclamar do café.

Um sorriso pequeno e tímido surgiu no rosto de Thomas.

— Sério?

— Absolutamente — afirmou ela. — Agora, volte para aquela cabine e termine de dirigir este programa. E tente não cortar o Johnny toda vez que ele respirar perto de mim, sim? Vai parecer suspeito.

Thomas assentiu, sentindo uma onda de confiança que raramente sentia. Ele endireitou a postura e limpou a garganta.

— Tudo bem. Mas se ele tentar te beijar de novo na bochecha, eu vou mandar fechar as cortinas antes da hora.

Eva soltou uma gargalhada alta, atraindo a atenção de alguns membros da equipe.

— Combinado, meu diretor.

Thomas voltou para a cabine com um passo mais leve. Quando o programa retornou ao ar, ele estava mais focado do que nunca. No entanto, sempre que a câmera focava em Eva, ele permitia que a imagem dela permanecesse no monitor principal por alguns segundos a mais do que o necessário, apenas para admirar a forma como ela brilhava.

Ao final da gravação, quando os créditos começaram a subir e a música tema preencheu o estúdio, Eva se despediu do público com seu habitual aceno elegante. Ela olhou diretamente para a cabine de comando e soprou um beijo discreto.

Thomas, escondido atrás do painel de controle, sentiu o rosto queimar mais uma vez. Ele rapidamente começou a organizar seus papéis, tentando esconder o sorriso bobo que insistia em aparecer.

— Ei, Bennett! — Johnny gritou do palco. — Vamos tomar uma cerveja no pub da esquina?

Thomas olhou para Eva, que já estava caminhando em sua direção, sua bolsa de couro pendurada no ombro e um casaco de pele sintética sobre o braço.

— Sinto muito, Johnny — disse Thomas, tentando soar o mais profissional possível enquanto descia as escadas. — Eu tenho um compromisso de trabalho importante com a senhorita Kostova. Precisamos... discutir o cronograma de amanhã.

Johnny arqueou uma sobrancelha, olhando de um para o outro com um sorriso malicioso.

— Sei. O cronograma. Divirtam-se com os horários, então.

Quando Johnny se afastou, Eva enganchou o braço no de Thomas.

— "Compromisso de trabalho", Tommy? Que desculpa mais formal.

— Foi a melhor que consegui pensar sob pressão — admitiu ele, fazendo o bico novamente.

— Não mude nunca — disse ela, puxando-o em direção à saída. — Agora, vamos. Eu conheço um lugar que serve um estrogonofe quase tão bom quanto o da minha mãe, e você vai me contar tudo sobre por que odeia a nova iluminação do estúdio.

Enquanto caminhavam pelo estacionamento sob o céu nublado de Londres, Thomas sentiu que, apesar de toda a sua timidez e do caos que era dirigir um programa ao vivo, ele era o homem mais sortudo daquela década. E Eva, com seu jeito atrevido e seu riso contagiante, sabia exatamente como mantê-lo assim: sempre um pouco vermelho, sempre um pouco bobo, e completamente dela.
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