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Sob a luz do medo e do amor

Fandom: Jikook

Criado: 10/05/2026

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OmegaversoFantasiaSombrioRomanceAngústiaDor/ConfortoDramaSobrevivênciaPsicológicoAçãoEstudo de Personagem
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O Aroma do Medo e o Sangue nas Sombras

A Floresta do Medo não recebia esse nome por uma superstição tola dos anciãos da vila. O ar ali era pesado, carregado com o cheiro de terra úmida, musgo antigo e algo muito mais sinistro que espreitava entre as árvores de troncos retorcidos. A neblina se arrastava pelo chão como dedos fantasmagóricos, subindo pelas pernas de Jimin enquanto ele corria, tropeçando em raízes que pareciam ganhar vida apenas para derrubá-lo.

Jimin era um ômega pequeno, de pele alva como a lua que raramente conseguia penetrar a copa densa das árvores. Seus olhos, grandes e expressivos, estavam inundados de lágrimas de puro pavor. Ele não deveria ter se afastado tanto da trilha segura. Ele só queria colher as raras flores de lavanda silvestre que cresciam na orla, mas um ruído, um vulto e o instinto de sobrevivência o empurraram para o coração do território proibido.

O som de galhos quebrando atrás dele era como tiros em meio ao silêncio sepulcral.

— Por favor... — sussurrou ele para si mesmo, a voz falhando enquanto o ar queimava em seus pulmões. — Por favor, que seja apenas o vento.

Mas não era o vento. O cheiro que inundou suas narinas era metálico, denso e terrivelmente poderoso. Era o cheiro de um alfa dominante, mas não um qualquer. Era um aroma que exalava perigo, couro velho e o frio da morte.

Jimin tropeçou em uma pedra saliente e caiu de joelhos. O impacto cortou sua pele delicada, e o cheiro de seu sangue ômega, doce e fresco, espalhou-se pelo ar como um convite. Ele tentou se levantar, mas o corpo tremia tanto que suas forças pareciam ter se esvaído.

— Onde pensa que vai, coisinha pequena? — A voz surgiu das sombras, profunda como um trovão distante, vibrando nos ossos de Jimin.

O ômega congelou. Ele conhecia aquela voz pelas histórias contadas ao redor das fogueiras, histórias que serviam para manter as crianças obedientes. Era a voz de Jeon Jungkook, o Alfa de Sangue, o governante implacável da alcateia das sombras, um homem cuja crueldade era tão vasta quanto as terras que dominava.

Jimin virou-se lentamente, ainda caído, e viu uma figura emergir da escuridão. Jungkook era imponente. Seus ombros eram largos, envoltos em uma capa de pele escura, e seus olhos brilhavam com um tom carmesim predatório sob a luz fraca. Ele não parecia um homem; parecia uma força da natureza que não conhecia a misericórdia.

— Eu... eu me perdi — gaguejou Jimin, encolhendo-se, tentando parecer o menor possível. — Eu não queria invadir... Senhor, por favor.

Jungkook deu um passo à frente, o som de suas botas pesadas esmagando as folhas secas. Ele parou a poucos centímetros de Jimin, forçando o ômega a olhar para cima até que seu pescoço doesse. A aura de Jungkook era sufocante, uma pressão invisível que exigia submissão imediata.

— Você cheira a medo — observou o alfa, inclinando a cabeça para o lado. — E a flores. Uma combinação patética para alguém que ousa entrar no meu domínio sem permissão.

Jungkook se agachou, ficando na altura de Jimin. Ele estendeu uma mão enluvada e segurou o queixo do ômega com uma firmeza que beirava a dor, forçando-o a encarar seu rosto esculpido em gelo e desdém.

— Olhe para mim quando eu falar com você — ordenou Jungkook, a voz baixa e perigosa.

— Perdão... — Jimin soluçou, uma lágrima solitária escorrendo por sua bochecha e molhando os dedos do alfa. — Eu só queria voltar para casa.

Jungkook apertou o aperto por um segundo antes de soltá-lo bruscamente, como se o toque do ômega o queimasse. Ele se levantou, sua silhueta bloqueando qualquer esperança de fuga.

— Não há volta para casa para aqueles que cruzam a fronteira da Floresta do Medo — disse o alfa, um sorriso cruel curvando seus lábios. — O que entra aqui, pertence a mim. Ou vira carniça para os lobos, ou torna-se um brinquedo para o meu entretenimento.

— Eu não sou um brinquedo — Jimin murmurou, tentando encontrar um pingo de coragem em seu peito fragilizado.

Jungkook soltou uma risada seca, um som sem alegria que fez os pelos da nuca de Jimin se arrepiarem.

— Você mal consegue ficar de pé, ômega. Suas mãos tremem, seu pescoço está exposto e você cheira a desespero. Você é exatamente o que eu decidir que você seja.

O alfa deu as costas, começando a caminhar em direção às profundezas ainda mais escuras da floresta.

— Levante-se — ordenou ele, sem olhar para trás.

— Para onde... para onde está me levando? — perguntou Jimin, limpando o sangue do joelho com a barra da túnica rasgada.

— Para o único lugar onde você estará seguro dos outros monstros — respondeu Jungkook, parando por um breve momento para olhar por cima do ombro. — E para o lugar onde você aprenderá que eu sou o monstro que você realmente deveria temer.

Jimin não teve escolha. O medo do que estava naquelas sombras era grande, mas a presença magnética e aterrorizante de Jungkook era como um fio invisível que o puxava. Ele se levantou com dificuldade, as pernas bambas, e começou a seguir o rastro de poder que o alfa deixava para trás.

Enquanto caminhavam, o silêncio da floresta era interrompido apenas pelo som de seus passos. Jimin observava as costas largas de Jungkook, o modo como ele se movia com uma graça letal, como se a própria floresta se curvasse à sua vontade.

— Por que não me matou ainda? — Jimin perguntou em um sussurro, a curiosidade superando por um instante o pavor. — Dizem que você não deixa ninguém sobreviver ao seu encontro.

Jungkook parou subitamente, fazendo com que Jimin quase colidisse com suas costas. O alfa virou-se, seus olhos brilhando intensamente na penumbra.

— Talvez eu esteja com fome — disse Jungkook, aproximando-se de Jimin até que seus peitos quase se tocassem. Ele se inclinou, o nariz roçando a curva do pescoço do ômega, aspirando o aroma de lavanda e sangue. — Ou talvez eu queira ver quanto tempo um ser tão frágil e delicado consegue durar sob o meu teto antes de quebrar.

Jimin estremeceu, sentindo o hálito quente do alfa contra sua pele. Era uma sensação confusa; o medo era paralisante, mas havia algo na intensidade de Jungkook que fazia seu lobo interior se encolher em uma submissão instintiva e estranha.

— Eu não vou quebrar — afirmou Jimin, embora sua voz tenha saído mais fraca do que ele pretendia.

Jungkook soltou um som que poderia ser um rosnado ou uma risada abafada.

— Veremos, pequeno ômega. Veremos.

Eles continuaram a jornada até que as árvores começaram a dar lugar a uma estrutura de pedra colossal, um castelo que parecia ter sido esculpido na própria montanha. Era escuro, frio e imponente, exatamente como seu dono.

Ao cruzarem o portão de ferro, Jimin sentiu o peso do seu destino. Ele estava no covil do lobo mais perigoso de todos, e a Floresta do Medo ficara para trás apenas para dar lugar a um tipo diferente de terror: a convivência com Jeon Jungkook.

— Entre — disse Jungkook, apontando para as portas duplas de madeira negra que se abriram sozinhas. — E lembre-se de uma coisa: nesta casa, a minha palavra é a única lei. Se você tentar fugir, eu caçarei você. E eu garanto que não serei tão paciente na segunda vez em que o encontrar na floresta.

Jimin engoliu em seco, seus olhos fixos no alfa.

— Sim, senhor.

— Não me chame de senhor — rosnou Jungkook, seus olhos fixos nos lábios trêmulos do ômega. — Chame-me de Jungkook. Quero que meu nome seja a última coisa que você pense antes de dormir e a primeira ao acordar.

Jimin assentiu, o coração batendo tão forte que parecia querer escapar do peito. Ele entrou no castelo, sentindo o ar frio do interior envolvê-lo. Ele era um prisioneiro, um troféu ou algo pior, mas ali, sob o olhar vigilante de Jeon Jungkook, ele sabia que sua vida nunca mais seria a mesma.

Jungkook observou o ômega entrar, seus olhos descendo pela figura delicada e parando no rastro de sangue que ainda manchava a perna de Jimin. Um instinto primitivo rugiu em seu peito, um desejo de proteger e destruir que ele não sentia há décadas.

— Tragam água e panos limpos para o quarto leste — ordenou Jungkook a um dos servos que apareceu nas sombras. — E não deixem ninguém chegar perto dele. Ele é meu.

A possessividade na voz do alfa era absoluta. Naquela noite, a Floresta do Medo estava silenciosa, mas dentro das paredes do castelo, uma nova tempestade estava apenas começando a se formar entre o lobo mais cruel e o ômega mais puro.
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