Fanfy
.studio
Carregando...
Imagem de fundo

Entre medo e Seda

Fandom: Jikook

Criado: 15/05/2026

Tags

RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoPsicológicoMistérioEstudo de PersonagemNoirLirismoUA (Universo Alternativo)Fatias de Vida
Índice

Sombras e Algodão-Doce

O corredor leste do Colégio High Seoul costumava ser o refúgio silencioso de Park Jimin. Enquanto a maioria dos alunos se acotovelava no refeitório principal durante o intervalo, Jimin preferia a luz suave que entrava pelas janelas altas da ala das artes, onde o cheiro de tinta a óleo e madeira velha parecia abraçá-lo. Ele caminhava com passos leves, quase como se pedisse desculpas ao chão por pisar nele, segurando seu caderno de desenhos contra o peito como se fosse um escudo.

Jimin era o tipo de pessoa que as pessoas notavam pela aura, não pelo barulho. Seus cabelos loiros eram macios, caindo levemente sobre os olhos expressivos que sempre pareciam carregar um brilho de admiração pelo mundo. Ele era gentil demais para aquele ambiente escolar competitivo, delicado como uma peça de porcelana que todos tinham medo de quebrar, ou pior, que ninguém se importava em proteger.

Naquele dia, porém, o silêncio que ele tanto amava foi interrompido por um som seco. Um baque.

Jimin parou, o coração dando um pequeno salto no peito. Ele deveria dar meia-volta, seu instinto de preservação sussurrava isso, mas sua curiosidade — ou talvez sua preocupação inerente com os outros — o fez caminhar mais um pouco até a curva do corredor.

Lá estava ele.

Jeon Jungkook.

O nome por si só já era capaz de baixar a temperatura de qualquer sala. Jungkook não era apenas um aluno; ele era uma força da natureza, fria e devastadora. Sentado casualmente em cima de uma das mesas de mármore, com uma perna balançando e o olhar perdido em algum ponto sombrio da parede, ele parecia um rei em um trono de gelo. Sua postura era imponente, os ombros largos cobertos pelo uniforme impecavelmente passado, embora a gravata estivesse frouxa, um sinal de seu desdém pelas regras.

Aos seus pés, um aluno do primeiro ano recolhia apressadamente os livros que haviam sido derrubados. Jungkook não se deu ao trabalho de olhar para baixo.

— Você está no meu caminho — disse Jungkook. Sua voz era baixa, um barítono que vibrava no ar, desprovida de qualquer emoção que não fosse o tédio.

— Des-desculpe, Jeon... eu não vi... — o garoto gaguejou, as mãos tremendo tanto que os livros caíram novamente.

Jungkook finalmente baixou o olhar. Não havia piedade ali. Apenas uma crueldade silenciosa e cortante.

— Seus olhos servem para quê, então? — Jungkook perguntou, inclinando o corpo para frente. — Da próxima vez que esbarrar em mim, garanta que tenha um bom motivo para continuar respirando no mesmo espaço que o meu. Saia.

O garoto não precisou ouvir duas vezes. Ele agarrou o que pôde e saiu correndo, quase tropeçando nos próprios pés.

Jimin, escondido atrás de uma pilastra, sentiu um aperto no peito. Ele odiava injustiças, mas o medo de Jungkook era algo compartilhado por toda a escola. Diziam que ele não tinha coração, que era filho de um império empresarial tão vasto que o tornava intocável. No entanto, enquanto Jimin observava Jungkook voltar a olhar para o vazio, ele não viu apenas um monstro. Ele viu uma solidão tão profunda que o assustou.

Infelizmente, a distração de Jimin teve um preço. Ao tentar recuar silenciosamente, seu pé prendeu na alça da mochila e ele tropeçou. O caderno de desenhos escorregou de suas mãos, deslizando pelo chão polido até parar exatamente aos pés de Jeon Jungkook.

O mundo pareceu parar.

Jimin congelou. Sua respiração ficou curta e ele sentiu o rosto esquentar de pura vergonha e pânico.

Jungkook moveu a cabeça lentamente. Seus olhos escuros, profundos como abismos, encontraram os de Jimin. Por um momento, nenhum dos dois se moveu. O contraste era gritante: a delicadeza trêmula de Jimin contra a rigidez gélida de Jungkook.

Lentamente, Jungkook saltou da mesa. Cada passo que ele dava em direção a Jimin parecia ressoar como um trovão no corredor vazio. Ele se abaixou, pegando o caderno.

— É seu? — perguntou Jungkook, sua voz agora mais próxima, mais perigosa.

Jimin engoliu em seco, as mãos juntas à frente do corpo, os dedos brincando nervosamente uns com os outros.

— É... sim. Me desculpe, eu... eu não queria atrapalhar — sussurrou Jimin, a voz tão baixa que era quase um suspiro.

Jungkook não devolveu o caderno imediatamente. Em vez disso, ele o abriu.

— Não! — Jimin deu um passo à frente, instintivamente, mas parou assim que Jungkook ergueu uma sobrancelha.

— "Não" o quê? — Jungkook folheou as páginas.

Ali estavam desenhos de flores, de nuvens, de pequenos detalhes da escola que ninguém mais notava. E, na última página terminada, havia um esboço de um pássaro preso em uma gaiola de vidro. O traço de Jimin era fluido, suave, cheio de uma sensibilidade que Jungkook não compreendia, mas que, por algum motivo, o irritava.

— Você gasta seu tempo desenhando essas coisas inúteis? — Jungkook perguntou, fechando o caderno com um estalo seco. — O mundo não é feito de flores e passarinhos, Park Jimin.

Jimin piscou, surpreso por ele saber seu nome.

— Eu... eu sei que não é — Jimin respondeu, ganhando uma pitada de coragem em meio à sua timidez. — Mas se eu não desenhar o que é bonito, o mundo fica um pouco mais escuro, não acha?

Jungkook soltou uma risada curta, sem nenhum humor. Ele deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal de Jimin. O loiro era consideravelmente menor, e teve que inclinar a cabeça para trás para manter o contato visual. O cheiro de Jungkook — algo como sândalo e chuva — o envolveu.

— O mundo já é escuro — disse Jungkook, a voz agora um sussurro cruel perto do ouvido de Jimin. — Pessoas como você, tão macias e gentis, são as primeiras a serem devoradas por ele. Você deveria aprender a se esconder melhor.

Jimin sentiu um calafrio percorrer sua espinha, mas não desviou o olhar. Ele viu, por um breve segundo, uma rachadura na máscara de gelo de Jungkook. Não era ódio o que havia ali; era uma espécie de aviso amargo.

— Talvez eu não queira me esconder — Jimin disse, embora sua voz ainda tremesse um pouco.

Jungkook estreitou os olhos. Ele estendeu o caderno, segurando-o com força antes de Jimin poder pegá-lo.

— Você é um idiota — Jungkook declarou, soltando o caderno bruscamente. — Um idiota fofo e patético que vai acabar se machucando.

Jimin pegou o caderno, abraçando-o novamente.

— Obrigado por devolver — disse ele, fazendo uma pequena reverência, sua natureza gentil vencendo o medo.

Jungkook pareceu desestabilizado pela cortesia. Ele deu um passo para trás, recuperando sua postura imponente e fria.

— Não cruze meu caminho de novo, Park. Eu não costumo ser paciente duas vezes.

Sem esperar por uma resposta, Jungkook deu as costas e caminhou pelo corredor, seus passos ecoando com autoridade. Jimin ficou parado ali por um longo tempo, o coração martelando contra as costelas. Ele olhou para o caderno e depois para as costas largas que desapareciam na curva do corredor.

Ele sabia que deveria estar aterrorizado. Jeon Jungkook era perigoso, era cruel e não tinha escrúpulos. Mas, enquanto Jimin voltava para sua sala, ele não conseguia tirar da cabeça a sensação de que, sob todo aquele gelo, havia alguém que precisava desesperadamente de um pouco de cor.

E Jimin, em toda a sua doçura e timidez, sempre teve cores de sobra para oferecer.

— Ele é assustador — murmurou Jimin para si mesmo, sentando-se em sua mesa minutos depois.

— Quem é assustador? — perguntou Taehyung, seu melhor amigo, debruçando-se sobre a mesa dele com um sorriso quadrado.

— O Jeon... — Jimin hesitou. — Eu esbarrei com ele no corredor.

Taehyung arregalou os olhos, a expressão de brincadeira sumindo instantaneamente. Ele puxou a cadeira e sentou-se de frente para o amigo, a voz caindo para um tom de conspiração.

— Você está inteiro? Ele te disse alguma coisa? Jimin, aquele cara é problema puro. No mês passado, dizem que ele fez um veterano pedir transferência só porque o cara respirou perto demais dele durante um treino.

Jimin olhou para o desenho do pássaro na gaiola de vidro em seu caderno.

— Ele só... me devolveu o caderno. E disse que eu sou um idiota.

Taehyung suspirou, aliviado, mas ainda preocupado.

— Bom, ser chamado de idiota pelo Jeon é quase um elogio, considerando o histórico dele. Mas sério, Jiminie, fique longe. Ele não é como nós. Ele não tem sentimentos.

Jimin assentiu, mas seus pensamentos estavam longe. Ele se lembrou da intensidade do olhar de Jungkook. Havia algo ali que não condizia com a descrição de "alguém sem sentimentos". Parecia mais alguém que sentia tudo com tanta força que decidiu enterrar cada emoção sob camadas de crueldade para não ser destruído.

Enquanto isso, em outra parte do colégio, Jeon Jungkook estava sentado na última fileira da aula de literatura, ignorando completamente a análise do professor sobre poesia romântica. Suas mãos, as mesmas que todos temiam, estavam escondidas nos bolsos da calça.

Ele ainda conseguia sentir o cheiro de baunilha que emanava de Jimin. Era um cheiro doce, irritantemente doce, que parecia ter grudado em suas roupas.

— Patético — Jungkook murmurou para o vazio, fechando os olhos.

Mas, em sua mente, a imagem do garoto loiro com olhos brilhantes e mãos pequenas não desaparecia. Pela primeira vez em muito tempo, o gelo ao redor de seu coração parecia ter sofrido uma leve, quase imperceptível, rachadura. E isso o irritava mais do que qualquer outra coisa.

O encontro por acaso no corredor tinha sido breve, mas o eco dele estava apenas começando a ressoar nos corredores silenciosos de suas vidas tão opostas. Jimin era algodão-doce e luz; Jungkook era sombra e aço. E, no ecossistema frágil do colégio, o encontro entre esses dois mundos prometia mudar tudo o que eles acreditavam sobre si mesmos.

Jimin abriu seu caderno novamente e, em um canto escondido da página, começou a esboçar uma nova figura. Não era um pássaro, nem uma flor. Eram apenas olhos. Olhos escuros, profundos e terrivelmente solitários.

Ele não sabia por que estava fazendo aquilo, mas sentia que, de alguma forma, precisava capturar aquela escuridão antes que ela o consumisse. Ou antes que ele decidisse entrar nela por vontade própria.
Índice

Quer criar seu próprio fanfic?

Cadastre-se na Fanfy e crie suas próprias histórias!

Criar meu fanfic