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Um amor tímido.

Fandom: Nenhum. Apenas um casal

Criado: 16/05/2026

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RomanceFatias de VidaFofuraHistória DomésticaCenário CanônicoRealismo
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Entre Sombras e Batimentos Cardíacos

O quarto de João sempre teve o cheiro característico de incenso de baunilha e livros antigos, um refúgio que ele raramente abria para o mundo. Mas Eloá não era o mundo; ela era o centro do universo dele, embora ele ainda se sentisse um tanto indigno dessa órbita. Sentados lado a lado na beira da cama, o brilho azulado da televisão iluminava o rosto animado dela enquanto assistiam a um anime de luta que ela insistira em ver.

João, com sua estatura alta que o fazia parecer um gigante gentil, estava encolhido, os ombros levemente curvados para não ocupar espaço demais. Ele olhava para a tela, mas sua consciência estava totalmente voltada para o calor do braço de Eloá roçando no seu. Cada vez que ela ria de uma cena cômica, seu coração dava um solavanco, uma mistura de adoração e o eterno nervosismo de quem teme quebrar algo precioso.

— Olha só isso, João! — exclamou ela, gesticulando com as mãos pequenas. — Ele nunca desiste, é exatamente como você quando tenta terminar aqueles seus desenhos.

— Eu não sou tão persistente assim — murmurou ele, sentindo as bochechas esquentarem. — Eu só... gosto de terminar o que começo.

Eloá virou-se para ele, os olhos brilhando com aquela vivacidade que sempre o deixava sem fôlego. Ela se inclinou, diminuindo a distância entre eles, e João sentiu a garganta secar.

— Você é incrível, sabia? — disse ela, a voz subitamente mais suave.

Antes que ele pudesse responder, o mundo mergulhou na escuridão total. O som da televisão foi cortado abruptamente, e o silêncio que se seguiu foi quase ensurdecedor.

— Ah, não! — Eloá soltou um gemido de frustração. — Logo agora que ia ficar bom?

— Parece que a luz acabou no bairro todo — comentou João, a voz saindo um pouco trêmula na escuridão. — Deixa eu procurar meu celular...

Ele tateou o lençol, mas sentiu a mão de Eloá encontrar a sua no escuro. Os dedos dela eram pequenos, mas a pegada era firme e decidida.

— Deixa pra lá, João. Não precisa de luz agora.

Eles se acomodaram melhor na cama, guiados apenas pelo tato. João sentou-se encostado na cabeceira, e Eloá, com sua energia habitual, não hesitou em se aninhar entre as pernas dele, apoiando as costas no peito largo do rapaz. Ele hesitou por um segundo, as mãos pairando no ar, até que finalmente as descansou com delicadeza sobre a cintura dela.

— Você está bem? — perguntou ele, a voz baixa, quase um sussurro próximo ao ouvido dela.

— Estou ótima. É até mais aconchegante assim — respondeu ela, virando o rosto ligeiramente para trás. — Sabe, às vezes é bom não ter distrações. Só a gente.

O silêncio do quarto começou a ser preenchido pelo som das respirações sincronizadas. João sentia o perfume do shampoo de morango dela, e a proximidade física estava fazendo seu pulso acelerar. Ele era sempre tão cuidadoso, sempre tão cauteloso para não ultrapassar limites, mas Eloá tinha um jeito de desarmar todas as suas defesas.

— No que você está pensando? — perguntou ela, a voz agora carregada de uma nota diferente, mais profunda.

— Em como você consegue ser tão... — João buscou a palavra, sentindo-se desajeitado — ...tão confiante. Eu sempre fico com medo de fazer algo errado.

— Comigo você nunca faz nada errado, João — disse ela, virando-se completamente para ficar de frente para ele, mesmo que mal pudesse ver seus traços. — Você é a pessoa mais carinhosa que eu já conheci. Às vezes, eu só queria que você soubesse o quanto eu te desejo.

A confissão pairou no ar como eletricidade. João sentiu um frio na barriga. O jeito como ela disse "desejo" não foi infantil ou fofo; foi direto, uma afirmação de mulher.

— Eloá... — ele começou, mas as palavras sumiram.

Ela se aproximou mais, as mãos subindo pelo peito dele até encontrarem a nuca, puxando-o gentilmente para baixo.

— Eu gosto quando você toma a frente — sussurrou ele, a voz falhando.

— E eu gosto quando você se deixa levar — respondeu ela, antes de selar seus lábios nos dele.

O beijo começou lento, uma exploração tateante no escuro. João era delicado, seus lábios mal pressionando os dela, como se ela fosse feita de vidro. Mas Eloá queria mais. Ela aprofundou o beijo, a língua encontrando a dele com uma urgência que o fez soltar um suspiro baixo.

As mãos de João, antes hesitantes, ganharam confiança. Ele a puxou para mais perto, sentindo a diferença de tamanho entre seus corpos; ela era tão pequena e perfeita em seus braços. O calor começou a subir, transformando o clima antes inocente em algo carregado de tensão sexual.

— João... — murmurou ela entre os beijos, a respiração ofegante. — Tira a camisa.

Ele obedeceu, os movimentos um pouco desajeitados pela timidez, mas quando sentiu a pele nua de Eloá contra a sua, qualquer hesitação desapareceu. Suas mãos grandes desceram pelas costas dela, sentindo a suavidade da pele, enquanto ela explorava os músculos definidos do peito dele.

— Você é tão lindo — disse ela, as mãos descendo para o cós da calça dele. — Não precisa ter medo de mim.

— Eu não tenho medo de você — respondeu ele, a voz agora rouca e firme. — Eu só quero que seja perfeito para você.

— Já é perfeito porque é com você.

O clima no quarto mudou drasticamente. A conversa doce deu lugar a sussurros de desejo e ao som de roupas sendo descartadas. João, apesar de sua timidez inerente, deixou que seu instinto carinhoso guiasse seus movimentos. Ele a deitou com cuidado sobre os lençóis, cobrindo seu corpo com o dele, tendo o cuidado de não depositar todo o seu peso sobre ela.

Cada toque dele era uma carícia, cada beijo uma promessa. Ele explorou o corpo de Eloá com uma reverência que a fazia se sentir a mulher mais amada do mundo. Ela, por sua vez, guiava as mãos dele, incentivando-o a ser mais ousado, a perder o medo de sua própria força.

— Pode me tocar, João — incentivou ela, a voz entrecortada. — Eu quero sentir você.

Quando finalmente se tornaram um só, o tempo pareceu parar. Não era apenas sobre o prazer físico, embora este fosse intenso e avassalador; era sobre a conexão entre duas almas que se completavam. João movia-se com uma doçura que contrastava com a intensidade do momento, sempre atento às reações dela, aos pequenos sons que ela soltava.

— Você está bem? — perguntou ele, parando por um segundo para olhar nos olhos dela, que começavam a se acostumar com a penumbra.

— Sim... por favor, não para — pediu ela, puxando-o para um beijo apaixonado.

O ritmo aumentou, a entrega tornou-se total. No silêncio do quarto sem luz, os sentidos estavam aguçados. O cheiro da pele, o som da carne contra a carne, o calor que emanava de ambos. João sentia-se vivo de uma forma que nunca sentira antes, perdendo-se no prazer que Eloá lhe proporcionava e na alegria de vê-la tão entregue a ele.

Quando o ápice chegou, foi como uma explosão silenciosa que os deixou exaustos e trêmulos. João desabou ao lado dela, puxando-a para o seu abraço protetor. O coração dele batia forte contra as costas dela, e ele beijou o topo de sua cabeça com uma ternura infinita.

— Eu te amo, Eloá — sussurrou ele, a voz cheia de emoção.

— Eu também te amo, meu gigante bobo — respondeu ela, sorrindo e se aconchegando ainda mais no peito dele.

Eles ficaram ali, em silêncio, por um longo tempo. A luz acabou não voltando naquela noite, mas nenhum dos dois se importou. No escuro do quarto, eles haviam encontrado uma claridade muito mais profunda, uma que não vinha de lâmpadas ou telas, mas do fogo que haviam acendido um no outro.

— João? — chamou ela, já com a voz pesada de sono.

— Oi?

— Podemos fazer isso mais vezes? Mesmo quando tiver luz?

João soltou uma risada baixa, uma das poucas vezes em que se sentia completamente relaxado.

— Quantas vezes você quiser.

Ele a apertou um pouco mais, sentindo-se o homem mais sortudo do mundo. A timidez ainda estaria lá no dia seguinte, ele sabia disso, mas agora havia algo novo sob sua pele: a certeza de que, entre quatro paredes e nos braços de Eloá, ele não precisava ter medo de ser exatamente quem era.

A noite continuou calma, o silêncio apenas quebrado pelo som da chuva que começava a cair lá fora, abafando o mundo e deixando apenas os dois naquela bolha de afeto e descoberta. João fechou os olhos, grato pela escuridão que os unira de uma forma que a luz jamais conseguiria.
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