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Não queria admitir mas te amo

Fandom: HOUSE MD

Criado: 16/05/2026

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DramaAngústiaDor/ConfortoAçãoEstudo de PersonagemCenário CanônicoUso de Drogas
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O Peso do Silêncio

A dor na perna direita era uma presença constante, uma batida rítmica que acompanhava cada passo de Gregory House pelo linóleo brilhante do Princeton-Plainsboro. Para o mundo, ele era o gênio arrogante, o homem que preferia decifrar enigmas médicos a apertar as mãos de pacientes. O infarto muscular não tinha apenas levado parte de sua perna; tinha levado sua paciência para as sutilezas sociais. Ele mancava, ele tomava Vicodin como se fosse bala, e ele afastava todos com uma barreira de sarcasmo ácido.

No entanto, havia Lisa Cuddy.

Cuddy era o oposto. Ela era a ordem no caos dele, a mulher que gerenciava um hospital inteiro enquanto sonhava com o calor de uma família que ainda não tinha. Ela era a única que conseguia enxergar através da névoa de cinismo de House, e House, embora jamais admitisse sob tortura, sentia que o ar ficava um pouco mais leve quando ela estava por perto.

Naquela manhã, o clima na diretoria estava tenso. Um homem chamado Arthur Miller, cujo seguro saúde era tão inexistente quanto sua polidez, teve um exame de ressonância magnética de alta complexidade negado. Sem as garantias financeiras ou a documentação necessária, as regras do hospital — as mesmas regras que Cuddy protegia com unhas e dentes — impediam o procedimento.

— House, eu não vou autorizar — disse Cuddy, massageando as têmporas enquanto House girava sua bengala na frente da mesa dela.

— É um tumor, Cuddy. Ou talvez uma vasculite rara. Se não fizermos o exame, o cara morre. Mas ei, pelo menos o balanço financeiro do hospital vai estar impecável para o conselho — ironizou House, com o brilho azul dos olhos carregado de desprezo fingido.

— Existem protocolos, House! Eu tento manter este lugar funcionando enquanto você tenta explodi-lo todos os dias — rebateu ela, levantando-se. — O senhor Miller foi informado. Ele precisa de um fiador ou de uma transferência para o hospital público. Minha decisão está tomada.

House soltou um muxoxo e saiu mancando da sala, sem olhar para trás. Ele não viu a expressão de cansaço no rosto de Lisa, nem o modo como ela suspirou ao se sentar novamente.

Duas horas depois, o hospital mergulhou no caos.

House estava em sua sala, jogando uma bola de tênis contra a parede, quando as luzes de emergência começaram a piscar e um anúncio de "Código Prata" ecoou pelos alto-falantes. O som da bola parou. Código Prata significava uma pessoa armada.

Seu primeiro instinto foi fazer uma piada sobre como os pacientes de Wilson finalmente tinham perdido a paciência, mas algo em seu estômago revirou. Ele se levantou, a dor na perna protestando violentamente, e saiu para o corredor.

— O que está acontecendo? — rosnou House para uma enfermeira que corria em direção oposta.

— Um homem... ele entrou na sala da diretora Cuddy! Ele está armado, House! — gritou ela, sem parar.

House sentiu um frio gélido percorrer sua espinha, um sentimento que ele não permitia que ninguém visse. Ele não correu — sua perna não permitia —, mas caminhou o mais rápido que pôde em direção à ala administrativa. A polícia já estava isolando a área. Chase e Cameron estavam parados perto do bloqueio, com rostos pálidos.

— Ele a trancou lá dentro — disse Chase, a voz trêmula. — É o Miller. O homem do exame negado.

House ignorou a fita amarela e o policial que tentou impedi-lo.

— Saia da frente, eu trabalho aqui — disparou House, a voz carregada de uma autoridade perigosa.

— Senhor, recue! Existe um negociador a caminho — disse o policial.

— O negociador vai levar duas horas para ler o manual. Eu conheço o cara e conheço a mulher que ele está ameaçando — House empurrou o braço do oficial com a bengala.

Dentro da sala, o cenário era sombrio. Arthur Miller, um homem de meia-idade com olhos injetados de desespero e raiva, apontava uma pistola trêmula para Cuddy. Ela estava sentada em sua cadeira, as mãos sobre a mesa, tentando manter a voz estável que usava para acalmar médicos egocêntricos.

— Eu só precisava do exame! — gritava Miller. — Minha vida não vale nada para você? Você senta nesse trono de couro e decide quem vive e quem morre baseada em papéis!

— Senhor Miller, por favor — começou Cuddy, sua voz falhando levemente. — Eu entendo sua frustração. Podemos resolver isso. Eu posso ligar para o financeiro agora mesmo...

— Mentira! Você vai ligar para a polícia! — Ele engatilhou a arma.

A porta da diretoria se abriu com um estrondo seco. House entrou, mancando pesadamente, com uma expressão de tédio que escondia o fato de que seu coração martelava contra as costelas.

— Sabe, Miller, se você atirar nela, quem vai assinar a autorização do seu exame? — perguntou House, fechando a porta atrás de si, ignorando os gritos dos policiais lá fora.

— House! Saia daqui! — exclamou Cuddy, os olhos arregalados de terror.

— Shhh, os adultos estão conversando, Cuddy — House caminhou até a poltrona em frente à mesa e sentou-se com dificuldade, esticando a perna ruim. — E então, Arthur? Você quer o exame ou quer passar o resto da vida na prisão onde o único exame que vai fazer é o de próstata com um guarda mal-humorado?

O homem apontou a arma para House.

— Você... você é o médico que disse que eu ia morrer.

— Eu disse que você *poderia* morrer se fosse um idiota. E olha só, você está se esforçando para provar que eu sou um profeta — disse House, tirando o frasco de Vicodin do bolso e sacudindo-o. — Quer um? Ajuda com a ansiedade. E com a dor. Eu sei o que é sentir dor, Arthur.

Miller hesitou, a arma oscilando entre House e Cuddy.

— Ela me negou ajuda — murmurou o homem, as lágrimas começando a descer. — Eu trabalhei a vida toda. Paguei impostos. E agora que meu cérebro está falhando, ela diz que eu não tenho os papéis certos?

House olhou para Cuddy por um breve segundo. Havia um pedido silencioso de desculpas em seus olhos azuis, algo que ele nunca diria em voz alta. Ele sabia que a culpa não era dela, mas sabia que o sistema que ela defendia era falho.

— Ela é uma burocrata chata — disse House, voltando-se para Miller. — Ela adora regras. Mas ela também é a única pessoa neste hospital que impede que eu seja demitido todos os dias porque, no fundo, ela se importa com pessoas patéticas como você. E como eu.

— House, pare — pediu Cuddy, a voz embargada.

— Se você atirar nela, Arthur, você mata a única pessoa que realmente estava tentando achar uma brecha legal para te ajudar enquanto eu só estava interessado em saber se o seu tumor era interessante o suficiente para o meu quadro branco — House se levantou, apoiando-se na bengala com força. Ele deu um passo à frente, ficando entre a arma e Cuddy.

— Saia da frente! — gritou Miller.

— Não. Minha perna já dói o suficiente, um tiro não faria tanta diferença — mentiu House. A verdade é que ele estava aterrorizado, não por si mesmo, mas pela ideia de um mundo onde Lisa Cuddy não estivesse lá para brigar com ele. — Me dê a arma. Eu te levo para a ressonância agora. Eu mesmo opero a máquina.

— Você está mentindo — soluçou Miller.

— Eu não minto sobre medicina. Eu minto sobre onde estava na noite passada, minto sobre ter comido o almoço do Wilson, mas sobre salvar sua vida? Eu sou bom demais para deixar um erro administrativo ganhar de mim.

O silêncio na sala era tão denso que se podia ouvir o tique-taque do relógio de parede. Lentamente, a mão de Miller cedeu. O desespero deu lugar à exaustão. Ele baixou a arma e começou a chorar convulsivamente.

Em um movimento rápido, House pegou a arma da mão trêmula do homem e a jogou para o canto da sala, longe do alcance de todos. Quase instantaneamente, a equipe da SWAT arrombou a porta, derrubando Miller no chão e algemando-o.

Cuddy ficou estática por um momento, a respiração saindo em espasmos. Ela olhou para House, que estava parado no meio da sala, parecendo mais pálido do que o normal, apoiado pesadamente em sua bengala.

A polícia retirou Miller da sala. O barulho e a confusão começaram a se dissipar, deixando apenas os dois no escritório bagunçado.

— Você é um idiota completo — sussurrou Cuddy, levantando-se com as pernas trêmulas.

— É o meu charme natural — respondeu House, tentando manter o tom sarcástico, mas sua voz falhou levemente.

Cuddy contornou a mesa e, antes que ele pudesse protestar com algum comentário ácido, ela o abraçou. Foi um abraço apertado, desesperado, o tipo de contato que House evitava a todo custo. Ele ficou rígido por um segundo, o cheiro do perfume dela invadindo seus sentidos, lembrando-o de que ela era real, de que ela estava viva.

Lentamente, com uma hesitação que ele nunca admitiria, House descansou a mão livre nas costas dela por um breve momento.

— Você me usou como escudo humano — brincou ele em seu ouvido, embora sua mão estivesse apertando levemente o tecido do blazer dela. — Vou querer um aumento por isso.

Cuddy se afastou, limpando uma lágrima solitária, e deu um sorriso fraco, recuperando sua postura de diretora.

— Você quase morreu, House. Por que você entrou aqui?

House deu de ombros, virando-se para a porta para esconder a expressão de vulnerabilidade que ameaçava surgir.

— Eu precisava que você assinasse meu cartão de horas. Não posso ser pago se minha chefe levar um tiro.

Ele começou a mancar em direção ao corredor, a bengala batendo ritmicamente no chão.

— House! — chamou ela.

Ele parou, mas não se virou.

— Obrigada — disse ela, sinceramente.

— O exame do Miller — disse House, a voz seca. — Eu vou fazer. E você vai cobrir os custos. Considere isso meu pagamento pelo serviço de guarda-costas.

Sem esperar uma resposta, ele seguiu pelo corredor. A dor na perna ainda estava lá, talvez pior do que antes devido ao esforço, mas, por um momento, o peso em seu peito parecia um pouco mais leve. Ele fingia que não se importava, ele fingia que o mundo era apenas um quebra-cabeça lógico, mas enquanto caminhava, Gregory House sabia que, se o mundo perdesse Lisa Cuddy, não haveria Vicodin no mundo capaz de anestesiar aquela dor.
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