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Não queria admitir mas te amo

Fandom: HOUSE MD

Criado: 16/05/2026

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RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoHistória DomésticaEstudo de PersonagemCenário CanônicoUso de DrogasPsicológicoAçãoCrime
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Turbulência em Solo Firme

— Isso é ridículo, House. Completamente ridículo. — Cuddy bufou, jogando sua bolsa de grife sobre o banco de plástico desconfortável do Portão 4.

House, que estava ocupado tentando equilibrar sua bengala contra o joelho enquanto abria um frasco de Vicodin, nem sequer olhou para cima. Ele engoliu a pílula a seco, fazendo uma careta que acentuava as rugas de dor e sarcasmo em seu rosto.

— O que é ridículo é o fato de você acreditar que o clima respeitaria o seu cronograma de "mulher perfeita que precisa chegar em casa para checar as cortinas" — ele retrucou, a voz rouca e carregada de cinismo. — O céu está desabando lá fora. Até os patos estão pegando táxis.

— Eu não me importo com as cortinas, House! Eu tenho uma reunião de diretoria amanhã cedo e, mais importante, eu tenho uma vida. Algo que você claramente desconhece, já que parece estar se divertindo com o fato de estarmos presos neste aeroporto há cinco horas.

Cuddy cruzou os braços, o blazer azul-marinho perfeitamente ajustado parecendo uma armadura contra a irritação que House sempre conseguia despertar nela. O aeroporto de Newark estava um caos. A tempestade de neve que atingira a costa leste havia cancelado todos os voos, transformando o terminal em um purgatório de luzes fluorescentes e café ruim.

House finalmente olhou para ela. Seus olhos azuis, sempre analíticos e muitas vezes cruéis, percorreram o rosto de Cuddy. Ele notou o leve tremor em suas mãos e a maneira como ela evitava olhar para as janelas escurecidas, onde os raios cortavam o céu.

— Você está nervosa — constatou ele, com um sorriso de lado que não chegava aos olhos. — Não é pela reunião. É pelo sequestro, não é? O fantasma do Sr. Kovic ainda está rondando sua cabecinha perfeita?

Cuddy estancou. O trauma de ter sido mantida como refém em seu próprio escritório apenas um mês atrás, por um homem a quem ela negara um exame caríssimo e desnecessário, ainda era uma ferida aberta. Ela tentava esconder, fingir que a eficiência administrativa havia curado o medo, mas House... House sempre via através das camadas.

— Eu não quero falar sobre isso — disse ela, a voz subitamente baixa.

— Claro que não. Prefere falar sobre como a logística do hospital vai entrar em colapso se você não estiver lá para assinar formulários de gaze — House se levantou com dificuldade, a perna direita protestando violentamente contra o tempo frio e úmido. — Vou buscar algo para comer. E antes que você pergunte, não, não vou trazer uma salada de quinoa. Vou trazer algo que entupa as artérias, porque se vamos morrer neste aeroporto, quero que meu colesterol esteja alto o suficiente para o legista ter trabalho.

Ele se afastou mancando, a bengala batendo ritmicamente contra o chão de granito. Cuddy o observou ir, sentindo uma mistura familiar de fúria e uma dependência que ela odiava admitir. House era um imbecil, um misantropo e um viciado, mas ele era a única pessoa que não a tratava como se ela fosse quebrar. E, naquele momento, era disso que ela precisava.

Vinte minutos depois, House voltou com dois sanduíches de triângulo e duas xícaras de café em copos de papel. Ele se sentou ao lado dela, mais perto do que o estritamente necessário.

— Coma — ordenou ele, estendendo o sanduíche.

— Eu não estou com fome.

— É uma ordem médica. Você está pálida e começando a ficar com aquela expressão de mártir que me dá urticária. Coma ou eu vou começar a analisar em voz alta a sua necessidade patológica de controle diante de todos esses estranhos.

Cuddy pegou o sanduíche, soltando um suspiro longo.

— Por que você é assim, House? Por que cada interação tem que ser um campo de batalha?

— Porque a paz é entediante, Cuddy. E porque se eu for legal com você, você vai começar a pensar que eu me importo. E se você pensar que eu me importo, vai querer falar sobre sentimentos. E se falarmos sobre sentimentos, o próximo passo é escolhermos o nome do nosso Golden Retriever.

Cuddy deu uma mordida pequena no sanduíche, um sorriso involuntário surgindo nos lábios.

— Nós nunca teríamos um cachorro. Você o usaria para experimentos diagnósticos.

— E você o vestiria com roupinhas de tricô — rebateu House, bebendo o café e fazendo uma careta. — Isso tem gosto de água de pneu.

O silêncio se instalou entre eles, mas não era o silêncio desconfortável de antes. Era pesado, carregado com a eletricidade da tempestade lá fora e algo mais antigo e profundo que fervilhava entre os dois há anos.

— Eu tive medo, House — confessou ela subitamente, olhando para o café. — Quando ele encostou a arma na minha cabeça... eu só conseguia pensar que não tinha construído nada real. O hospital, os prêmios... nada disso importava. Eu só queria ter tido a chance de ter uma família. De ser feliz fora daquela maldita mesa de carvalho.

House parou de brincar com o frasco de remédios. O cinismo desapareceu de seu rosto por um breve segundo, revelando o homem que sentia cada centímetro da dor em sua perna e a solidão que ele mesmo cultivara.

— Você é a diretora de um dos melhores hospitais do país — disse ele, a voz desprovida de sarcasmo. — Você salva vidas todos os dias por procuração. Isso é real.

— Para você, talvez — ela virou o rosto para ele, os olhos brilhando com lágrimas contidas. — Mas eu quero mais. Eu quero alguém que me espere em casa. Alguém que não precise de um exame de lúpus para me dar atenção.

House soltou uma risada curta e seca.

— Lúpus? Você sabe que nunca é lúpus.

— House, eu estou falando sério!

— Eu também — ele se inclinou para frente, a proximidade agora fazendo o coração de Cuddy acelerar. — Você acha que é a única que quer algo? Você acha que eu gosto de ir para casa e tocar piano para as paredes? Eu sou um aleijado amargo, Cuddy. Eu afasto as pessoas antes que elas percebam que eu sou um desastre.

— Você não me afastou — sussurrou ela.

— Eu tento. Todos os dias. Mas você é irritantemente persistente.

A tensão entre eles era quase palpável, uma corda esticada ao máximo. House estendeu a mão, o polegar roçando levemente o rosto de Cuddy, limpando uma lágrima que havia escapado. O toque era áspero, mas estranhamente gentil.

— Você é uma idiota por querer alguém como eu — murmurou ele, o rosto a centímetros do dela.

— E você é um idiota por achar que tem escolha sobre quem eu quero — retrucou ela.

House não esperou por mais argumentos. Ele selou a distância entre eles em um beijo que era tudo menos gentil. Era uma colisão de anos de negação, discussões de corredor e uma atração que ambos tentavam enterrar sob sarcasmo e burocracia. O gosto era de café barato e desespero, mas para Cuddy, era a coisa mais real que ela sentira em meses.

As mãos de House, grandes e firmes, seguraram o rosto dela com uma urgência que traía sua fachada de indiferença. Cuddy se inclinou para ele, as mãos agarrando a gola do seu casaco amassado, puxando-o para mais perto, querendo preencher o vazio que o medo do sequestro havia deixado em seu peito.

Quando se separaram, ambos estavam ofegantes. House a encarou, os olhos azuis agora escurecidos por algo que ele não conseguia diagnosticar.

— Isso não muda o fato de que você ainda é minha chefe — disse ele, tentando recuperar o tom cínico, embora sua voz estivesse trêmula.

— E isso não muda o fato de que você ainda vai ser processado por insubordinação na segunda-feira — ela respondeu, ajeitando o cabelo, mas com um sorriso que iluminava o rosto cansado.

House recostou-se no banco, soltando um suspiro pesado e esticando a perna dolorida.

— Ótimo. Detesto mudanças na rotina.

Cuddy encostou a cabeça no ombro dele, fechando os olhos enquanto o som da chuva batendo no teto do aeroporto continuava.

— House?

— Hum?

— Se sairmos vivos deste aeroporto... não ouse fingir que isso foi apenas o efeito da baixa pressão atmosférica.

House deu um meio sorriso, fechando os olhos também.

— Eu não prometo nada, Cuddy. Mas... talvez o Golden Retriever possa se chamar Wilson. Só para irritar o verdadeiro Wilson.

Cuddy riu baixo, sentindo pela primeira vez em muito tempo que, apesar da tempestade e do caos, ela estava exatamente onde precisava estar. Ao lado do homem mais insuportável do mundo, que, no fundo, era o único que sabia exatamente como curá-la.
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