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Babá da Herdeira Encrenqueira
Fandom: EngLot
Criado: 17/05/2026
Tags
RomanceDramaPsicológicoEstudo de PersonagemCiúmesHistória DomésticaRealismoFatias de VidaAbuso de ÁlcoolLinguagem ExplícitaAngústia
Regras, Jaquetas de Couro e o Aroma de Café
O som dos saltos agulha de Charlotte Austin ecoava pelo corredor de mármore da Waraha Enterprise como uma contagem regressiva para o desastre. Ela ajustou os óculos de armação fina no rosto, segurando o tablet contra o peito com uma postura que exalava uma autoridade gélida. Charlotte era a personificação da ordem: cada fio de seu cabelo castanho-claro ondulado estava no lugar, e seu cronograma para o dia era uma obra de arte da eficiência.
Infelizmente, seu maior desafio não era o mercado de ações ou a fusão com os investidores europeus. Seu maior desafio tinha 26 anos, usava uma jaqueta de couro sobre um vestido de grife e, naquele exato momento, estava sentada em cima da mesa da presidência, balançando as pernas e rindo de algo no celular.
Charlotte parou à porta, observando a cena. O escritório cheirava a um perfume caro e rebelde, uma mistura de sândalo e adrenalina que só Engfa Waraha possuía.
— Srtª Waraha, são nove e quinze da manhã — começou Charlotte, sua voz calma, mas carregada de uma advertência silenciosa. — A reunião com o conselho começou há quinze minutos. Por que você ainda está ocupada assistindo a vídeos de lutas de Muay Thai?
Engfa bloqueou o celular e deslizou para fora da mesa com uma graça felina. Ela caminhou até Charlotte, diminuindo a distância entre as duas até que a diferença de altura de três centímetros fizesse Charlotte ter que inclinar levemente a cabeça para trás. Engfa sorriu, um sorriso torto e carregado de ironia que já tinha estampado as capas de tabloides por motivos muito menos nobres.
— Bom dia para você também, querida — Engfa ronronou, enfatizando a última palavra apenas para ver o tique nervoso no maxilar de Charlotte. — Você fica tão adorável quando está prestes a ter um aneurisma por causa de horários. Relaxa. O conselho vai esperar. Eles adoram o meu sobrenome, não adoram?
— Eles respeitam o seu pai, Engfa — rebateu Charlotte, sem recuar. — E o Sr. Waraha me contratou para garantir que você não transforme o legado dele em um circo de fofocas. Agora, por favor, coloque um blazer por cima dessa jaqueta e vamos.
Engfa soltou uma risada seca, cruzando os braços.
— Você é tão certinha, Austin. Às vezes me pergunto se você tem sangue nas veias ou apenas café e planilhas de Excel. O que aconteceria se eu simplesmente... não fosse? — Ela deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal de Charlotte. — Você vai me colocar de castigo? Vai me dar uma palmada?
Charlotte não desviou o olhar. Seus olhos castanhos encontraram os de Engfa com uma firmeza que poucas pessoas ousavam manter.
— Se você não for àquela reunião, eu vou confiscar as chaves da sua Ducati e avisar ao segurança que o Kiew não pode vir ao escritório pelo resto da semana — Charlotte disse, sua voz num tom perigosamente baixo. — E sabemos que você prefere perder um braço do que ficar longe do seu cachorro.
O sorriso de Engfa sumiu instantaneamente, substituído por uma expressão de indignação genuína.
— Você não ousaria envolver o Kiew nisso. Isso é golpe baixo, até para uma babá de luxo como você.
— Eu não sou sua babá, Engfa. Sou a COO desta empresa e sua assistente pessoal. Meu trabalho é fazer você agir como a adulta que seu RG diz que você é — Charlotte deu as costas, caminhando em direção à porta. — Três minutos. No conselho. Ou o Kiew vai dormir no canil hoje.
Engfa bufou, pegando um blazer preto que estava jogado no sofá e vestindo-o por cima da jaqueta de couro, recusando-se a tirá-la. Ela seguiu Charlotte pelo corredor, observando o balanço decidido dos quadris da mulher mais velha. Havia algo na rigidez de Charlotte que irritava Engfa profundamente, mas, ao mesmo tempo, despertava uma obsessão que ela não conseguia controlar. Ninguém nunca tinha dito "não" para Engfa Waraha. Ninguém nunca tinha ignorado seus charmes ou suas birras. Até Charlotte chegar.
A reunião foi, para os padrões de Engfa, um tédio absoluto. Ela passou o tempo todo desenhando caricaturas dos conselheiros em seu bloco de notas e enviando mensagens provocativas para o celular de Charlotte, que estava sentada ao seu lado, ignorando-as olimpicamente.
"Você fica sexy quando finge que está prestando atenção em logística internacional, querida", dizia uma das mensagens.
Charlotte sentiu o celular vibrar pela décima vez, mas não se moveu. Ela conhecia o jogo de Engfa. Engfa era impulsiva, sociopata em seus níveis de empatia corporativa e perigosamente obcecada em testar limites.
Quando a reunião finalmente terminou, Engfa praticamente saltou da cadeira.
— Liberdade! — exclamou ela, antes mesmo de os conselheiros saírem da sala. — Charlotte, cancele tudo para a tarde. Vou levar o Kiew para passear e depois tenho treino.
— Negativo — Charlotte disse, fechando o tablet com um estalo seco. — Você tem uma sessão de fotos para a revista Forbes às duas e, às quatro, uma reunião de conciliação com o departamento jurídico sobre aquela sua... confusão na boate na sexta-feira passada.
Engfa parou no meio do caminho, seus olhos escurecendo.
— Aquele cara mereceu. Ele estava sendo um idiota com uma das garçonetes. Eu só dei a ele uma lição de Muay Thai gratuita.
— Você quebrou o nariz dele e três garrafas de uísque de dois mil dólares, Engfa — Charlotte suspirou, massageando as têmporas por baixo dos óculos. — A mídia está chamando você de "A Herdeira Indomável" novamente. Seu pai está furioso.
— Meu pai está sempre furioso. É o estado natural dele — Engfa se aproximou de Charlotte, encurralando-a contra a mesa de conferências vazia. — E você? Você está furiosa, querida? Ou está apenas decepcionada porque eu não sigo suas regrinhas perfeitas?
Charlotte sentiu o calor emanando do corpo de Engfa. A proximidade era elétrica, uma tensão que beirava o insuportável. Engfa tinha esse efeito; ela era um incêndio florestal e Charlotte era a linha de contenção tentando desesperadamente não ser consumida.
— Eu não sinto nada além de cansaço profissional, Engfa — mentiu Charlotte, mantendo a voz firme. — Agora, afaste-se. Temos trabalho a fazer.
Engfa inclinou-se mais, o nariz quase roçando o de Charlotte.
— Você mente tão mal. Eu consigo ouvir seu coração daqui. Ele está acelerado. É medo... ou é outra coisa?
— É a minha paciência acabando — Charlotte rebateu, colocando a mão no ombro de Engfa para empurrá-la levemente. — E se você não se comportar na sessão de fotos, eu vou contar ao seu pai sobre a festa clandestina que você pretende ir hoje à noite.
Engfa paralisou.
— Como você sabe disso?
— Eu sou sua assistente, Engfa. Eu sei até a marca da pasta de dente que você usa — Charlotte deu um sorriso raro e vitorioso, um brilho de sarcasmo em seus olhos. — Agora, vá se trocar. E nada de jaquetas de couro para a Forbes. Eles querem "elegância executiva", não "rebelde sem causa".
Engfa observou Charlotte sair da sala, sentindo uma mistura de ódio e admiração. Charlotte era a única pessoa que conseguia desarmá-la com apenas algumas palavras. Era irritante. Era excitante.
O restante do dia foi uma batalha de vontades. Engfa tentou provocar Charlotte de todas as formas possíveis: derramou café (acidentalmente, ela jurou) em um relatório importante, insistiu em ouvir rock pesado no volume máximo durante o trajeto para a sessão de fotos e passou metade do tempo fazendo piadas irônicas sobre a aparência impecável de Charlotte.
No final da tarde, ambas estavam de volta à cobertura de Engfa. O cachorro, Kiew, correu para recebê-las, pulando nas pernas de Charlotte. Apesar de sua postura rígida, Charlotte amoleceu instantaneamente, agachando-se para acariciar o animal.
— Oi, garoto. Pelo menos alguém nesta casa tem educação — murmurou ela.
Engfa, jogada no sofá com uma taça de vinho na mão, observou a cena com um ciúme mal disfarçado.
— Ei, ele é meu cachorro. Não gaste todo o seu carinho nele. Reserve um pouco para a sua chefe.
— Você não é minha chefe, Engfa. Seu pai é — Charlotte levantou-se, recuperando sua compostura. — Eu vou para o meu quarto preparar os documentos de amanhã. Por favor, tente não incendiar a casa ou se envolver em um escândalo internacional nas próximas oito horas.
— Charlotte? — Engfa chamou, sua voz perdendo um pouco do tom sarcástico por um momento.
Charlotte parou na porta e olhou para trás.
— Sim?
— Por que você aceitou esse emprego? — Engfa perguntou, girando o vinho na taça. — Você tem um currículo brilhante. Poderia ser CEO de qualquer empresa. Por que aceitar ser a "babá" de uma sociopata impulsiva?
Charlotte ficou em silêncio por um longo tempo. Ela observou a figura de Engfa — a mulher que tinha tudo, mas parecia estar sempre procurando por algo que a fizesse sentir viva, mesmo que fosse através do caos.
— Porque eu gosto de desafios, Engfa — Charlotte respondeu finalmente. — E porque, por trás de toda essa sua armadura de jaquetas de couro e ironia, eu acho que há algo que vale a pena salvar.
Engfa soltou uma risada curta, mas seus olhos não acompanharam o som.
— Você é uma romântica incurável sob esse disfarce de robô, Austin. Cuidado. Você pode acabar se queimando.
— Eu não me queimo, Engfa. Eu controlo o fogo — Charlotte disse calmamente antes de sair.
Engfa ficou sozinha na sala, o silêncio sendo preenchido apenas pela respiração de Kiew. Ela olhou para a porta por onde Charlotte passara, um sorriso possessivo brincando em seus lábios.
— Vamos ver até quando você consegue controlar, querida — sussurrou para si mesma.
A noite caiu sobre Bangkok, e enquanto Charlotte mergulhava em seus livros e na paz de seu quarto, Engfa Waraha planejava sua próxima jogada. Ela não queria apenas que Charlotte fizesse o seu trabalho; ela queria que Charlotte perdesse o controle. Ela queria ver a máscara de perfeição cair e descobrir o que acontecia quando a ordem encontrava o caos absoluto.
Engfa pegou o celular e enviou uma última mensagem antes de dormir.
"Sonhe com as minhas regras hoje à noite. Porque amanhã, eu vou quebrá-las todas."
Charlotte, no quarto ao lado, viu a notificação brilhar. Ela não respondeu, mas não conseguiu evitar que um pequeno sorriso surgisse no canto de seus lábios antes de apagar a luz. A guerra entre elas estava apenas começando, e nenhuma das duas pretendia se render.
Infelizmente, seu maior desafio não era o mercado de ações ou a fusão com os investidores europeus. Seu maior desafio tinha 26 anos, usava uma jaqueta de couro sobre um vestido de grife e, naquele exato momento, estava sentada em cima da mesa da presidência, balançando as pernas e rindo de algo no celular.
Charlotte parou à porta, observando a cena. O escritório cheirava a um perfume caro e rebelde, uma mistura de sândalo e adrenalina que só Engfa Waraha possuía.
— Srtª Waraha, são nove e quinze da manhã — começou Charlotte, sua voz calma, mas carregada de uma advertência silenciosa. — A reunião com o conselho começou há quinze minutos. Por que você ainda está ocupada assistindo a vídeos de lutas de Muay Thai?
Engfa bloqueou o celular e deslizou para fora da mesa com uma graça felina. Ela caminhou até Charlotte, diminuindo a distância entre as duas até que a diferença de altura de três centímetros fizesse Charlotte ter que inclinar levemente a cabeça para trás. Engfa sorriu, um sorriso torto e carregado de ironia que já tinha estampado as capas de tabloides por motivos muito menos nobres.
— Bom dia para você também, querida — Engfa ronronou, enfatizando a última palavra apenas para ver o tique nervoso no maxilar de Charlotte. — Você fica tão adorável quando está prestes a ter um aneurisma por causa de horários. Relaxa. O conselho vai esperar. Eles adoram o meu sobrenome, não adoram?
— Eles respeitam o seu pai, Engfa — rebateu Charlotte, sem recuar. — E o Sr. Waraha me contratou para garantir que você não transforme o legado dele em um circo de fofocas. Agora, por favor, coloque um blazer por cima dessa jaqueta e vamos.
Engfa soltou uma risada seca, cruzando os braços.
— Você é tão certinha, Austin. Às vezes me pergunto se você tem sangue nas veias ou apenas café e planilhas de Excel. O que aconteceria se eu simplesmente... não fosse? — Ela deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal de Charlotte. — Você vai me colocar de castigo? Vai me dar uma palmada?
Charlotte não desviou o olhar. Seus olhos castanhos encontraram os de Engfa com uma firmeza que poucas pessoas ousavam manter.
— Se você não for àquela reunião, eu vou confiscar as chaves da sua Ducati e avisar ao segurança que o Kiew não pode vir ao escritório pelo resto da semana — Charlotte disse, sua voz num tom perigosamente baixo. — E sabemos que você prefere perder um braço do que ficar longe do seu cachorro.
O sorriso de Engfa sumiu instantaneamente, substituído por uma expressão de indignação genuína.
— Você não ousaria envolver o Kiew nisso. Isso é golpe baixo, até para uma babá de luxo como você.
— Eu não sou sua babá, Engfa. Sou a COO desta empresa e sua assistente pessoal. Meu trabalho é fazer você agir como a adulta que seu RG diz que você é — Charlotte deu as costas, caminhando em direção à porta. — Três minutos. No conselho. Ou o Kiew vai dormir no canil hoje.
Engfa bufou, pegando um blazer preto que estava jogado no sofá e vestindo-o por cima da jaqueta de couro, recusando-se a tirá-la. Ela seguiu Charlotte pelo corredor, observando o balanço decidido dos quadris da mulher mais velha. Havia algo na rigidez de Charlotte que irritava Engfa profundamente, mas, ao mesmo tempo, despertava uma obsessão que ela não conseguia controlar. Ninguém nunca tinha dito "não" para Engfa Waraha. Ninguém nunca tinha ignorado seus charmes ou suas birras. Até Charlotte chegar.
A reunião foi, para os padrões de Engfa, um tédio absoluto. Ela passou o tempo todo desenhando caricaturas dos conselheiros em seu bloco de notas e enviando mensagens provocativas para o celular de Charlotte, que estava sentada ao seu lado, ignorando-as olimpicamente.
"Você fica sexy quando finge que está prestando atenção em logística internacional, querida", dizia uma das mensagens.
Charlotte sentiu o celular vibrar pela décima vez, mas não se moveu. Ela conhecia o jogo de Engfa. Engfa era impulsiva, sociopata em seus níveis de empatia corporativa e perigosamente obcecada em testar limites.
Quando a reunião finalmente terminou, Engfa praticamente saltou da cadeira.
— Liberdade! — exclamou ela, antes mesmo de os conselheiros saírem da sala. — Charlotte, cancele tudo para a tarde. Vou levar o Kiew para passear e depois tenho treino.
— Negativo — Charlotte disse, fechando o tablet com um estalo seco. — Você tem uma sessão de fotos para a revista Forbes às duas e, às quatro, uma reunião de conciliação com o departamento jurídico sobre aquela sua... confusão na boate na sexta-feira passada.
Engfa parou no meio do caminho, seus olhos escurecendo.
— Aquele cara mereceu. Ele estava sendo um idiota com uma das garçonetes. Eu só dei a ele uma lição de Muay Thai gratuita.
— Você quebrou o nariz dele e três garrafas de uísque de dois mil dólares, Engfa — Charlotte suspirou, massageando as têmporas por baixo dos óculos. — A mídia está chamando você de "A Herdeira Indomável" novamente. Seu pai está furioso.
— Meu pai está sempre furioso. É o estado natural dele — Engfa se aproximou de Charlotte, encurralando-a contra a mesa de conferências vazia. — E você? Você está furiosa, querida? Ou está apenas decepcionada porque eu não sigo suas regrinhas perfeitas?
Charlotte sentiu o calor emanando do corpo de Engfa. A proximidade era elétrica, uma tensão que beirava o insuportável. Engfa tinha esse efeito; ela era um incêndio florestal e Charlotte era a linha de contenção tentando desesperadamente não ser consumida.
— Eu não sinto nada além de cansaço profissional, Engfa — mentiu Charlotte, mantendo a voz firme. — Agora, afaste-se. Temos trabalho a fazer.
Engfa inclinou-se mais, o nariz quase roçando o de Charlotte.
— Você mente tão mal. Eu consigo ouvir seu coração daqui. Ele está acelerado. É medo... ou é outra coisa?
— É a minha paciência acabando — Charlotte rebateu, colocando a mão no ombro de Engfa para empurrá-la levemente. — E se você não se comportar na sessão de fotos, eu vou contar ao seu pai sobre a festa clandestina que você pretende ir hoje à noite.
Engfa paralisou.
— Como você sabe disso?
— Eu sou sua assistente, Engfa. Eu sei até a marca da pasta de dente que você usa — Charlotte deu um sorriso raro e vitorioso, um brilho de sarcasmo em seus olhos. — Agora, vá se trocar. E nada de jaquetas de couro para a Forbes. Eles querem "elegância executiva", não "rebelde sem causa".
Engfa observou Charlotte sair da sala, sentindo uma mistura de ódio e admiração. Charlotte era a única pessoa que conseguia desarmá-la com apenas algumas palavras. Era irritante. Era excitante.
O restante do dia foi uma batalha de vontades. Engfa tentou provocar Charlotte de todas as formas possíveis: derramou café (acidentalmente, ela jurou) em um relatório importante, insistiu em ouvir rock pesado no volume máximo durante o trajeto para a sessão de fotos e passou metade do tempo fazendo piadas irônicas sobre a aparência impecável de Charlotte.
No final da tarde, ambas estavam de volta à cobertura de Engfa. O cachorro, Kiew, correu para recebê-las, pulando nas pernas de Charlotte. Apesar de sua postura rígida, Charlotte amoleceu instantaneamente, agachando-se para acariciar o animal.
— Oi, garoto. Pelo menos alguém nesta casa tem educação — murmurou ela.
Engfa, jogada no sofá com uma taça de vinho na mão, observou a cena com um ciúme mal disfarçado.
— Ei, ele é meu cachorro. Não gaste todo o seu carinho nele. Reserve um pouco para a sua chefe.
— Você não é minha chefe, Engfa. Seu pai é — Charlotte levantou-se, recuperando sua compostura. — Eu vou para o meu quarto preparar os documentos de amanhã. Por favor, tente não incendiar a casa ou se envolver em um escândalo internacional nas próximas oito horas.
— Charlotte? — Engfa chamou, sua voz perdendo um pouco do tom sarcástico por um momento.
Charlotte parou na porta e olhou para trás.
— Sim?
— Por que você aceitou esse emprego? — Engfa perguntou, girando o vinho na taça. — Você tem um currículo brilhante. Poderia ser CEO de qualquer empresa. Por que aceitar ser a "babá" de uma sociopata impulsiva?
Charlotte ficou em silêncio por um longo tempo. Ela observou a figura de Engfa — a mulher que tinha tudo, mas parecia estar sempre procurando por algo que a fizesse sentir viva, mesmo que fosse através do caos.
— Porque eu gosto de desafios, Engfa — Charlotte respondeu finalmente. — E porque, por trás de toda essa sua armadura de jaquetas de couro e ironia, eu acho que há algo que vale a pena salvar.
Engfa soltou uma risada curta, mas seus olhos não acompanharam o som.
— Você é uma romântica incurável sob esse disfarce de robô, Austin. Cuidado. Você pode acabar se queimando.
— Eu não me queimo, Engfa. Eu controlo o fogo — Charlotte disse calmamente antes de sair.
Engfa ficou sozinha na sala, o silêncio sendo preenchido apenas pela respiração de Kiew. Ela olhou para a porta por onde Charlotte passara, um sorriso possessivo brincando em seus lábios.
— Vamos ver até quando você consegue controlar, querida — sussurrou para si mesma.
A noite caiu sobre Bangkok, e enquanto Charlotte mergulhava em seus livros e na paz de seu quarto, Engfa Waraha planejava sua próxima jogada. Ela não queria apenas que Charlotte fizesse o seu trabalho; ela queria que Charlotte perdesse o controle. Ela queria ver a máscara de perfeição cair e descobrir o que acontecia quando a ordem encontrava o caos absoluto.
Engfa pegou o celular e enviou uma última mensagem antes de dormir.
"Sonhe com as minhas regras hoje à noite. Porque amanhã, eu vou quebrá-las todas."
Charlotte, no quarto ao lado, viu a notificação brilhar. Ela não respondeu, mas não conseguiu evitar que um pequeno sorriso surgisse no canto de seus lábios antes de apagar a luz. A guerra entre elas estava apenas começando, e nenhuma das duas pretendia se render.
