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Fandom: one direction

Criado: 17/05/2026

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A Teoria das Cores e o Cheiro de Alecrim

O auditório da Universidade de Londres estava mergulhado em um burburinho constante, aquele som característico de centenas de estudantes folheando cadernos e ajustando mochilas antes do início da aula de História da Arte. Louis Tomlinson, no entanto, parecia querer se fundir à madeira da última fileira. Com seus vinte e dois anos e uma estatura que o fazia parecer mais jovem, ele era o que muitos chamariam de um "alfa atípico". Não havia nele a arrogância expansiva ou a necessidade de dominar o ambiente. Louis preferia o silêncio, o conforto de seus moletons largos e a segurança de seus desenhos de observação.

Ser um alfa tímido era, em muitos aspectos, um desafio social. As pessoas esperavam que ele rosnasse ou que exalasse um aroma de madeira queimada e poder, mas Louis cheirava suavemente a chá de camomila e papel velho. Ele suspirou, ajeitando a franja sobre os olhos azuis, e abriu seu caderno de esboços, tentando ignorar a sensação de que não pertencia àquele lugar barulhento.

Foi então que o ar mudou.

Não foi um estalo ou um barulho alto, mas sim uma mudança sensorial. Um aroma vibrante de alecrim fresco e limão invadiu o ambiente, cortando o cheiro de café barato e suor adolescente. Louis levantou os olhos do papel e o viu.

Harry Styles entrou na sala como se o sol tivesse decidido tirar férias e se materializar em um corpo humano. Ele tinha vinte e cinco anos, mas carregava uma aura de confiança que o fazia parecer eterno. Seus cabelos castanhos e ondulados estavam cortados curtos, emoldurando um rosto que parecia esculpido em mármore, mas com a suavidade que só um ômega confiante possuía. Seus olhos verdes brilhavam enquanto ele ria de algo que um colega dizia, e ele vestia uma camisa de seda estampada que desafiava qualquer norma de vestuário acadêmico.

Harry não apenas ocupava o espaço; ele o celebrava.

— Com licença, este lugar está ocupado? — A voz era profunda, aveludada, e vinha de muito mais perto do que Louis esperava.

Louis piscou, percebendo que Harry estava parado bem na sua frente, apontando para a cadeira vazia ao seu lado, na última e mais isolada fileira.

— N-não — gaguejou Louis, sentindo o rosto esquentar instantaneamente. — Está livre. Pode sentar.

Harry deu um sorriso largo, revelando covinhas que Louis teve o impulso imediato de desenhar.

— Obrigado. Sou o Harry, a propósito. — Ele se acomodou, espalhando seus pertences com uma energia caótica e alegre. — Eu perdi o ônibus e achei que teria que assistir à aula sentado no chão do corredor.

— Eu sou o Louis — respondeu o alfa em um sussurro, voltando sua atenção para o caderno, embora sua mão tremesse levemente sobre o lápis.

— Louis. Nome bonito — disse Harry, sem parecer se importar com a timidez do outro. — Você é do curso de Artes ou só está aqui pela eletiva de História da Arte?

— Artes Visuais — Louis respondeu, sentindo o cheiro de alecrim de Harry se intensificar. Era um cheiro feliz. — E você?

— Design de Moda. Mas sou apaixonado por Renascimento. — Harry se inclinou um pouco, tentando espiar o caderno de Louis. — Uau, isso é um estudo de anatomia? É incrível.

Louis fechou o caderno rapidamente, o coração batendo contra as costelas como um pássaro engaiolado.

— É só um rascunho. Nada demais.

— Não seja modesto — Harry riu, um som rico que fez Louis se sentir estranhamente calmo, apesar do nervosismo. — Eu mal consigo desenhar um boneco de palito sem que ele pareça estar sofrendo uma crise existencial.

A aula começou, mas para Louis, as palavras do professor sobre o uso da luz em Caravaggio pareciam distantes. Ele estava agudamente consciente da presença de Harry ao seu lado. O ômega não parava quieto; ele rabiscava corações nas margens de suas anotações, batia o pé levemente no ritmo de uma música que só ele ouvia e, ocasionalmente, soltava pequenos comentários sobre as pinturas projetadas no telão.

— Você não acha que ele parece entediado? — Harry sussurrou, apontando para um santo em uma pintura barroca. — Se eu estivesse sendo martirizado, eu pelo menos faria uma cara mais dramática.

Louis não conseguiu evitar. Um pequeno riso escapou de seus lábios.

— É o estilo da época, Harry. A dignidade no sofrimento era considerada uma virtude.

— Pois eu prefiro o drama — Harry retrucou com uma piscadela. — O mundo já é cinza demais para sermos contidos, você não acha?

Louis olhou para Harry e, pela primeira vez, não desviou os olhos azuis imediatamente. Ele viu a confiança genuína, a falta de medo de ser julgado e, acima de tudo, a aceitação. Harry sabia que Louis era um alfa — o instinto de ômega devia estar gritando isso para ele —, mas ele não parecia esperar que Louis agisse como um "macho alfa" tradicional. Ele estava apenas conversando com Louis, o estudante de artes.

— Às vezes, o cinza é seguro — Louis disse, sua voz um pouco mais firme.

— O seguro é tedioso, Louis Tomlinson — Harry respondeu, seus olhos verdes fixos nos dele. — Onde está a diversão em se esconder?

A aula terminou antes que Louis pudesse formular uma resposta. Enquanto os outros alunos saíam apressados, Louis começou a guardar seu material com a lentidão habitual, esperando que a multidão se dissipasse para que ele pudesse caminhar pelos corredores sem esbarrar em ninguém. Para sua surpresa, Harry não saiu correndo.

— Você vai para a cafeteria agora? — perguntou Harry, pendurando uma bolsa de couro transversal sobre o ombro.

— Eu... eu ia para a biblioteca — mentiu Louis. A última coisa que ele queria era enfrentar a fila barulhenta do café.

— A biblioteca não vai fugir — Harry disse, inclinando a cabeça para o lado, um cacho teimoso caindo sobre sua testa. — E eu estou morrendo de vontade de um chá de hortelã. Além disso, eu realmente quero ver o resto daquele seu desenho.

Louis hesitou. Ele sentia o peso de sua própria timidez, a âncora que sempre o mantinha no fundo do oceano social. Mas Harry era como uma corrente de água quente, convidando-o a subir para a superfície.

— Tudo bem — Louis cedeu, sentindo um pequeno sorriso surgir em seu rosto. — Mas eu não prometo que o desenho esteja terminado.

— Promessas são superestimadas — Harry exclamou, começando a caminhar e gesticulando para que Louis o seguisse. — O processo é que é a parte divertida.

Enquanto caminhavam pelo campus, a dinâmica entre eles era fascinante para quem olhasse de fora. Louis, o alfa baixo e de ombros encolhidos, caminhava um passo atrás de Harry, o ômega alto e radiante que parecia comandar a atenção de todos sem sequer tentar. Harry cumprimentava metade das pessoas que passavam, distribuindo sorrisos e elogios rápidos, enquanto Louis mantinha o olhar fixo no chão ou no perfil de Harry.

Na cafeteria, Harry insistiu em pagar os pedidos.

— Harry, eu sou o alfa aqui, tecnicamente eu deveria... — Louis começou, sentindo a pressão das normas sociais pesarem sobre ele.

Harry parou e olhou para ele, não com deboche, mas com uma curiosidade gentil.

— Louis, você quer me pagar um café porque quer ser gentil ou porque sente que tem um papel a desempenhar?

Louis ficou em silêncio por um momento, processando a pergunta.

— Porque... eu não sei. É o que as pessoas esperam.

— Bem, eu não sou "as pessoas" — Harry disse, voltando-se para o balcão. — E eu decidi que hoje é o meu dia de sorte por ter conhecido um artista talentoso. Então, o chá é por minha conta.

Eles se sentaram em uma mesa de canto, perto da janela. O sol da tarde filtrava-se através do vidro, iluminando as partículas de poeira no ar e fazendo os olhos de Harry parecerem quase translúcidos.

— Então — Harry começou, soprando seu chá quente —, o que faz um alfa como você se esconder na última fileira? Você tem medo de que a gente te morda?

Louis riu, sentindo-se mais relaxado do que jamais se sentira perto de um desconhecido.

— Eu só não gosto de barulho. E não sou muito bom com... bom, com nada disso. Conversar, ser notado. Eu prefiro observar.

— Observar é uma forma de arte — Harry concordou, apoiando o queixo na mão. — Mas às vezes, o objeto de observação quer ser visto de volta. Você desenha as pessoas porque as acha interessantes ou porque quer entendê-las?

— Acho que um pouco dos dois — Louis respondeu, abrindo o caderno e deslizando-o pela mesa para que Harry pudesse ver. — As pessoas revelam muito quando acham que ninguém está olhando. A forma como alguém aperta o copo de café, ou como o ombro cai quando estão cansados.

Harry olhou para os desenhos com uma expressão de puro encantamento. Eram traços finos, precisos, capturando emoções cruas em rostos anônimos.

— Você é incrível, Louis. De verdade. Você tem uma alma muito sensível.

— É o que dizem para os alfas que não sabem lutar — Louis brincou, embora houvesse uma ponta de verdade amarga em sua voz.

Harry esticou a mão sobre a mesa e, por um breve segundo, tocou os dedos de Louis. O toque foi elétrico. O aroma de alecrim de Harry pareceu florescer, envolvendo Louis em uma sensação de segurança que ele raramente experimentava fora de seu próprio quarto.

— A força não está em quanto você consegue gritar ou em quão grande você é — Harry disse, sua voz baixa e séria. — A força está em ser exatamente quem você é em um mundo que tenta te dizer para ser outra coisa. Eu acho você o alfa mais corajoso que já conheci por permitir-se ser suave.

Louis sentiu um nó na garganta. Ele passou anos tentando se endurecer, tentando se encaixar no molde de um líder forte e inabalável, apenas para falhar repetidamente e se sentir inadequado. E ali estava Harry, um ômega que brilhava mais do que qualquer alfa que Louis já conhecera, dizendo-lhe que sua suavidade era uma virtude.

— Obrigado, Harry — Louis sussurrou.

— Não me agradeça ainda — Harry sorriu, o brilho brincalhão voltando aos seus olhos. — Agora que eu sei onde você se esconde na aula, vou te obrigar a sentar comigo todos os dias. E eu falo muito, Louis. Espero que você esteja preparado.

— Acho que posso lidar com isso — Louis respondeu, sentindo uma onda de confiança inédita percorrer seu corpo.

— Ótimo! — Harry bateu palmas, animado. — Agora, me mostre como você desenharia esse momento. Como é o cheiro da nossa conversa?

Louis pegou o lápis, olhou para o verde vibrante dos olhos de Harry e começou a desenhar. Ele não desenhou apenas o rosto de Harry; ele desenhou a luz, o movimento dos cachos e a sensação de alecrim no ar. Pela primeira vez em muito tempo, Louis não estava apenas observando a vida do lado de fora. Ele estava nela.

— O cheiro da conversa? — Louis perguntou enquanto o grafite deslizava pelo papel. — É verde. Como o início da primavera depois de um inverno muito longo.

Harry sorriu, e Louis soube, naquele instante, que a última fileira do auditório nunca mais seria um lugar solitário.
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