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Idas e vindas

Fandom: FayeYoko

Criado: 19/05/2026

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RomanceDramaAngústiaPsicológicoSombrioCiúmesLinguagem ExplícitaViolência GráficaAbuso de Álcool
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Cinzas e Adrenalina

O som do motor da Kawasaki Ninja H2R de Faye Malisorn cortava o silêncio da madrugada de Bangkok como um grito de guerra. O vento chicoteava seu cabelo vermelho, agora desordenado por baixo do capacete, enquanto ela acelerava acima do limite permitido. A adrenalina era a única coisa capaz de silenciar a voz em sua cabeça — a voz que repetia, em looping, a imagem de Yoko Apasra sorrindo para um fotógrafo qualquer em um evento de moda horas antes.

Faye estacionou a moto de qualquer jeito na garagem da cobertura. Suas mãos tremiam levemente, não de frio, mas de uma fúria contida que fervia em seu sangue. Ao entrar no apartamento luxuoso, o cheiro de perfume caro e álcool a recebeu.

Yoko estava sentada no sofá de couro, segurando uma taça de vinho tinto. O vestido de seda preta estava levemente subido nas coxas, e seus olhos escuros brilhavam com uma mistura de tédio e agressividade.

— Onde você estava, Faye? — A voz de Yoko era baixa, mas carregada de veneno. — Ou devo perguntar com quem? Engfa ou Charlotte? Ou será que as duas decidiram te entreter ao mesmo tempo hoje?

Faye soltou uma risada seca, irônica, enquanto jogava as chaves sobre a mesa de centro, quase derrubando um vaso de cristal.

— Não comece, Yoko. Eu não tenho paciência para o seu drama de modelo mirim hoje. — Faye caminhou até o bar, ignorando o olhar mortal da namorada. — Eu saio com quem eu quiser. Você sabe como funciona.

Yoko levantou-se num salto, a taça de vinho sendo esquecida sobre o móvel. Ela caminhou até Faye, seu corpo pequeno mas imponente parando a poucos centímetros da mulher mais alta.

— Você é uma stalker desgraçada, Faye! — Yoko gritou, empurrando o ombro da ruiva. — Acha que eu não vi a sua moto rondando o set fotográfico hoje à tarde? Você me persegue, me controla, e depois corre para a cama daquelas duas para se sentir superior!

Faye virou-se bruscamente, seus olhos brilhando com uma frieza perigosa. Ela segurou os pulsos de Yoko com força, prendendo-os entre seus corpos.

— Eu te protejo, Yoko. Porque se eu não estiver lá, você se perde na primeira mão boba que algum idiota colocar em você. — Faye sibilou, o rosto a milímetros do de Yoko. — E não venha falar de Engfa. Pelo menos ela não me olha com esse desdém de quem se acha a dona do mundo.

— Solta o meu braço! — Yoko se debateu, a raiva explodindo em seu peito.

Em um movimento impulsivo, Yoko conseguiu libertar uma das mãos e desferiu um tapa estalado no rosto de Faye. O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Faye virou o rosto lentamente de volta, um sorriso sombrio surgindo em seus lábios enquanto sentia o ardor na bochecha.

— Você adora isso, não adora? — Faye perguntou, a voz rouca. — Adora me levar ao limite.

— Eu odeio você — Yoko cuspiu as palavras, embora seus olhos estivessem cheios de lágrimas de frustração. — Eu odeio como você me faz sentir. Eu odeio que você saia para essas festas e me deixe aqui surtando, imaginando quem está tocando em você.

— Você faz o mesmo! — Faye explodiu, empurrando Yoko contra a parede de vidro que dava vista para a cidade. — Acha que eu não sei da Grace? Acha que eu não sinto o cheiro dela em você quando você volta para casa fingindo que nada aconteceu?

As duas se encararam, a respiração ofegante misturando-se no ar. Era um campo de batalha. O relacionamento delas era feito de destroços, de marcas roxas escondidas sob roupas de grife e de uma dependência emocional que as sufocava.

Yoko avançou novamente, tentando acertar outro golpe, mas Faye foi mais rápida. Ela agarrou o pescoço de Yoko com uma mão, não para machucar seriamente, mas para imobilizá-la, deixando as pontas dos dedos pressionarem a pele delicada onde já existiam marcas avermelhadas de brigas anteriores.

— Você é minha, Yoko. — Faye sussurrou, a possessividade transbordando. — Pode gritar, pode sair com a Grace, pode me bater... mas no final do dia, é o meu nome que você chama.

— Eu não sou um objeto, Faye... — Yoko tentou dizer, mas sua voz falhou quando Faye pressionou o corpo contra o dela.

— Não, você é muito pior. Você é o meu vício. — Faye soltou o pescoço dela, apenas para puxá-la pelo cabelo para um beijo violento, carregado de raiva e desejo.

O beijo era uma luta de línguas, um choque de dentes que logo resultou em um gosto metálico de sangue. Yoko correspondeu com a mesma intensidade, suas unhas cravando-se nos braços de Faye, exatamente sobre os hematomas que ela mesma havia causado na noite anterior.

Elas se separaram por um segundo, os olhares ainda em chamas.

— Eu te odeio tanto — Yoko murmurou, a voz trêmula, enquanto começava a desabotoar a jaqueta de couro de Faye.

— Mentira. Você me ama porque eu sou a única que aguenta esse seu jeito desequilibrado — Faye rebateu, sendo sarcástica mesmo naquele momento. — Você é instável, Yoko. E eu sou a única âncora que não deixa você flutuar para longe.

Yoko riu, uma risada histérica e curta.

— Uma âncora que me afoga. É isso que você é.

As roupas começaram a ser espalhadas pelo chão da cobertura. No meio do caminho para o quarto, Sunny, o pequeno cachorrinho de Faye, latiu, confuso com a agitação, mas logo se recolheu em seu canto, acostumado com as tempestades que passavam por aquela casa.

Ao chegarem na cama, o clima mudou de agressividade pura para uma obsessão palpável. Faye jogou Yoko sobre os lençóis de seda cinza, observando as marcas que suas mãos haviam deixado no pescoço da modelo. Um sentimento de culpa misturado com proteção e posse a atingiu. Ela passou os dedos suavemente sobre as marcas, o contraste de sua frieza habitual com aquele toque quase carinhoso.

— Eu vou matar qualquer um que olhar para você amanhã no trabalho — Faye declarou, a voz baixa e metódica.

— Então você vai ter que matar o mundo inteiro, Faye. — Yoko puxou a ruiva para cima de si. — Porque eu sou linda, e você é a única que tem o privilégio de me ter assim... destruída.

O ato que se seguiu foi uma extensão da briga. Não havia delicadeza, apenas a necessidade desesperada de se sentirem, de provarem que, apesar de todo o caos, elas ainda pertenciam uma à outra. O fogo das intrigas transformava-se em suor e gemidos abafados contra o travesseiro.

Horas depois, quando a adrenalina finalmente baixou e o silêncio retornou à cobertura, Faye estava deitada de costas, observando o teto. Yoko estava aninhada em seu peito, uma das mãos repousando sobre uma cicatriz recente no quadril de Faye.

— Ize e Marissa me disseram que eu deveria te deixar — Yoko quebrou o silêncio, sua voz agora suave, sem o veneno de antes.

— Elas estão certas — Faye respondeu, sendo honesta pela primeira vez na noite. — Eu sou um desastre, Yoko. Meus pais se destruíram na minha frente, e eu não sei amar de outro jeito.

Yoko levantou a cabeça, olhando para Faye. Os olhos da ruiva estavam distantes, perdidos em traumas que ela raramente mencionava.

— Eu também não sou fácil, Faye. Eu surto, eu te persigo, eu tento te ferir para ver se você ainda sente algo por mim. — Yoko suspirou, deitando a cabeça novamente. — Nós somos doentes.

— Somos. — Faye passou o braço em volta dos ombros de Yoko, puxando-a para mais perto. — Mas eu não quero ser curada se isso significar não ter você.

— Amanhã vamos brigar de novo? — perguntou Yoko, já sentindo o sono chegar.

— Provavelmente antes do café da manhã — Faye ironizou, mas beijou o topo da cabeça da namorada. — Você vai reclamar que eu passei a noite fora e eu vou dizer que você é possessiva demais.

— E depois?

— E depois eu vou te buscar no trabalho e a gente vai fingir que o resto do mundo não existe.

O ciclo era vicioso. Faye voltaria a sair com Engfa e Charlotte quando a pressão de Yoko se tornasse insuportável. Yoko buscaria refúgio nos braços de Grace ou Atom quando Faye explodisse por um motivo fútil. Elas quebrariam pratos, gritariam ofensas e deixariam novas marcas na pele uma da outra.

Mas ali, sob a luz fraca da lua que entrava pela janela, elas eram apenas duas almas quebradas que se encaixavam perfeitamente em suas imperfeições. O amor delas não era um conto de fadas; era um incêndio florestal — destrutivo, incontrolável e terrivelmente hipnotizante.

Faye fechou os olhos, sentindo o peso reconfortante de Yoko sobre si. Ela sabia que os amigos tinham razão, que aquele relacionamento as consumiria até não sobrar nada além de cinzas. Mas, enquanto o fogo ardesse daquele jeito, ela não tinha a menor intenção de apagar a chama.

— Durma, Yoko — Faye sussurrou. — Amanhã a gente se destrói de novo.

— Mal posso esperar — murmurou Yoko, antes de finalmente adormecer.

No final, entre o sarcasmo e a obsessão, o que restava era aquela dependência absoluta. Elas eram o veneno e o antídoto uma da outra, presas em uma cobertura de luxo que servia tanto de palácio quanto de prisão, aguardando o próximo nascer do sol para recomeçar a guerra que chamavam de amor.
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