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Bertie e Lizzie
Fandom: Família real britânica
Criado: 19/05/2026
Tags
RomanceDramaFatias de VidaFofuraHistóricoEstudo de PersonagemCenário CanônicoRecontarHistória DomésticaDor/ConfortoCiúmes
O Perfume das Rosas em Glamis
A luz do sol poente filtrava-se pelas janelas altas do Castelo de Glamis, tingindo as paredes de pedra com tons de âmbar e ouro. Elizabeth Bowes-Lyon, com seus vinte anos e uma vivacidade que parecia iluminar qualquer ambiente, ajustava as luvas de seda enquanto observava o movimento no jardim através da vidraça. O ar da Escócia tinha um frescor que ela preferia mil vezes à atmosfera abafada dos salões de Londres.
Havia um convidado especial naquela semana, e Elizabeth sentia um misto de afeição e apreensão. O Príncipe Alberto, Duque de York — carinhosamente chamado de Bertie pela família —, não era um estranho, mas sua presença sempre trazia um peso de protocolo que ela, em sua natureza livre, tentava ignorar.
— Ele chegou, Elizabeth — anunciou sua mãe, a Condessa de Strathmore, entrando no quarto com um sorriso suave. — E parece mais tímido do que o habitual. Tente ser gentil, querida.
Elizabeth sorriu, seus olhos azuis brilhando com uma pitada de travessura.
— Eu sou sempre gentil, mamãe. Mas o pobre Bertie carrega o mundo nos ombros. Alguém precisa ensiná-lo a rir das pequenas coisas.
Ao descer as escadas, Elizabeth o viu. Bertie estava parado no hall de entrada, segurando o chapéu com uma força desnecessária, enquanto conversava com o Conde. Ele parecia impecável em seu terno, mas havia uma tensão em sua mandíbula que denunciava seu desconforto.
— Alteza Real — disse ela, fazendo uma reverência graciosa que terminava com um sorriso acolhedor. — Que prazer tê-lo novamente em nossa casa.
Bertie virou-se rapidamente, e Elizabeth notou o leve rubor subindo pelas bochechas dele. Ele tentou formular uma resposta, mas a hesitação característica de sua fala o traiu por um momento.
— La... Lady Elizabeth — gaguejou ele, lutando contra as palavras. — O prazer é... é todo meu. Glamis continua tão... esplêndida quanto me lembrava.
— É a hospitalidade escocesa, senhor — respondeu ela, aproximando-se e oferecendo o braço de forma informal, tentando quebrar o gelo. — Ou talvez seja apenas o ar da montanha. Venha, o chá será servido no terraço.
Enquanto caminhavam, o silêncio entre eles não era desconfortável, mas carregado de uma expectativa silenciosa. Bertie sempre se sentira atraído por Elizabeth, não apenas por sua beleza, mas pela maneira como ela parecia não se impressionar com o seu título. Para ela, ele não era o filho do Rei Jorge V; ele era apenas Bertie, o jovem que gostava de caçar e que tinha um coração bondoso, embora escondido sob camadas de dever e insegurança.
Sentados no terraço, com a vista para os jardins perfeitamente cuidados, Elizabeth serviu o chá.
— Soube que teve uma temporada exaustiva em Londres — comentou ela, entregando-lhe a xícara. — Muitas cerimônias oficiais?
— Mais do que eu gostaria — admitiu Bertie, parecendo relaxar um pouco sob o olhar atento dela. — Às vezes sinto que sou apenas um... um suporte para as medalhas e as faixas.
— Um suporte muito elegante, devo dizer — brincou ela, fazendo-o soltar uma risada curta e genuína.
— Você sempre sabe o que dizer, Elizabeth — disse ele, olhando-a fixamente. — Eu, por outro lado... as palavras parecem fugir de mim quando mais preciso delas.
Elizabeth pousou sua xícara e inclinou-se um pouco para frente.
— As palavras são superestimadas, Bertie. Às vezes, o que sentimos é muito maior do que qualquer dicionário pode expressar.
Ele desviou o olhar para o horizonte, o perfil marcado contra o céu escurecido.
— Meu pai quer que eu assuma mais responsabilidades. David... bem, David é o herdeiro, mas o Rei insiste que eu também devo ser um exemplo de estabilidade.
— E você é — afirmou ela com convicção. — Você é a pessoa mais constante que conheço.
— Mas sinto-me sozinho nessa constância — sussurrou ele, quase para si mesmo.
O momento foi interrompido pelo som de risadas vindo do jardim. Os irmãos de Elizabeth e outros convidados estavam organizando um jogo de croquet. Elizabeth levantou-se, estendendo a mão para ele.
— Chega de política e deveres por hoje. Vamos, Bertie. Vamos ver se sua pontaria é tão boa quanto dizem.
— Elizabeth, eu não tenho certeza se... — começou ele, mas ela já o puxava pelo braço.
— Ora, não seja um príncipe tão sério. É apenas um jogo.
Nas horas seguintes, o que se viu foi um lado de Bertie que poucos conheciam. Longe dos olhares críticos da corte, ele ria das trapaças inocentes de Elizabeth e se esforçava para ganhar, embora ela fosse claramente a mestre do campo. Quando a noite finalmente caiu e os convidados se recolheram para se preparar para o jantar, os dois se viram sozinhos por um momento no corredor ladeado por armaduras antigas.
— Obrigado — disse Bertie, sua voz agora mais firme.
— Pelo quê? Por ter vencido você no croquet? — perguntou ela, ajustando uma mecha de cabelo que caíra sobre o rosto.
— Por me tratar como... como um homem comum — respondeu ele seriamente. — Por me fazer esquecer, mesmo que por uma tarde, que sou o Duque de York.
Elizabeth sentiu o coração acelerar. Ela sempre soube do interesse dele, mas a vulnerabilidade em sua voz naquele momento a tocou profundamente.
— Você nunca será comum para mim, Bertie — disse ela suavemente. — Mas sempre será alguém com quem posso ser eu mesma. E espero que sinta o mesmo.
Ele deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles. O perfume de rosas que ela usava parecia preencher o espaço.
— Elizabeth, eu... eu gostaria de visitá-la mais vezes. Se sua família permitir. Se você permitir.
— Glamis estará sempre de portas abertas para você — respondeu ela com um sorriso que não chegava a ser um "sim" definitivo, mas que carregava toda a promessa de um futuro. — E eu também.
— Eu não sou como David — continuou ele, como se precisasse se justificar. — Não tenho o charme dele, nem a facilidade com as multidões.
— Graças a Deus por isso — interrompeu ela, rindo baixo. — O mundo já tem pavões suficientes, Bertie. O que precisamos são de pessoas que saibam onde fincar os pés.
Ele sorriu, um sorriso largo que iluminou seu rosto e apagou, por um instante, as linhas de cansaço.
— Você é extraordinária, Elizabeth Bowes-Lyon.
— E você é persistente, Alberto de York.
Eles ficaram ali, sob a luz bruxuleante das velas, dois jovens cujos destinos estavam prestes a se entrelaçar de uma forma que mudaria a história de um império. Mas, naquela noite, no silêncio de um castelo escocês, eles eram apenas Lizzie e Bertie, descobrindo que, entre o dever e a coroa, havia espaço para algo tão simples e avassalador quanto o amor.
— O jantar será servido em breve — lembrou ela, começando a se afastar. — Não se atrase. Mamãe detesta sopa fria.
— Eu estarei lá — prometeu ele, observando-a subir a escadaria. — Não perderia por nada.
Enquanto Elizabeth subia, ela sentiu o olhar dele em suas costas. Ela sabia que a vida ao lado de um príncipe não seria feita apenas de bailes e flores; haveria sombras, sacrifícios e a vigilância constante do público. No entanto, ao olhar para trás e ver Bertie ainda parado ali, observando-a com uma devoção silenciosa, ela percebeu que, talvez, aquele fosse um fardo que valeria a pena carregar.
No quarto, diante do espelho, ela tocou o próprio rosto, sentindo o calor nas bochechas.
— Um Duque — murmurou ela para o seu reflexo. — Um Duque que precisa de uma Duquesa que saiba manejar um taco de croquet e um coração teimoso.
Lá embaixo, Bertie respirou fundo, sentindo-se mais leve do que em anos. Ele ainda tinha um longo caminho pela frente, e sabia que Elizabeth não aceitaria sua mão facilmente — ela valorizava sua liberdade acima de tudo. Mas ele estava disposto a esperar. Ele esperaria o tempo que fosse necessário para que aquela rosa escocesa decidisse florescer em seu jardim real.
O jantar transcorreu entre conversas animadas e o som de talheres de prata contra a porcelana fina. Bertie, pela primeira vez em muito tempo, não precisou se esforçar para participar. A presença de Elizabeth ao seu lado era um bálsamo.
— Você parece diferente hoje, Bertie — comentou o Conde de Strathmore, observando o convidado. — O ar da Escócia realmente lhe faz bem.
— É mais do que o ar, senhor — respondeu o Príncipe, lançando um olhar rápido para Elizabeth. — É a companhia.
Elizabeth baixou os olhos para o prato, escondendo um sorriso vitorioso. A caçada havia começado, e embora o Príncipe fosse o pretendente, era ela quem ditaria o ritmo daquela dança.
Após o jantar, enquanto os convidados se dispersavam pela biblioteca e pela sala de música, Elizabeth aproximou-se do piano. Seus dedos dançaram sobre as teclas, uma melodia suave que parecia ecoar os pensamentos que não ousava dizer em voz alta.
Bertie aproximou-se e ficou de pé ao lado do instrumento.
— Essa música... eu a conheço? — perguntou ele.
— É uma canção antiga das Highlands — explicou ela sem parar de tocar. — Fala sobre alguém que encontra o caminho de casa através da névoa.
— É bonita — disse ele. — E um pouco triste.
— A beleza e a tristeza caminham juntas, Bertie. Como a coroa e a responsabilidade.
Ele assentiu, compreendendo a metáfora.
— Eu espero que, algum dia, a névoa se dissipe para mim também.
Elizabeth parou de tocar e olhou para cima, encontrando os olhos cinzentos dele.
— Ela vai se dissipar. Só precisa encontrar a luz certa para seguir.
Naquela noite, sob o teto de Glamis, o compromisso não foi selado com anéis ou documentos, mas com uma promessa silenciosa trocada entre dois olhares. O caminho para o trono e para o coração de Elizabeth Bowes-Lyon seria longo e tortuoso, mas o Príncipe Alberto de York finalmente sentia que tinha uma bússola.
E Elizabeth, a debutante que desafiava as convenções com sua alegria, sabia que sua vida jamais seria a mesma. O perfume das rosas de Glamis a acompanharia, mas agora, misturado ao aroma de tabaco e couro que emanava do Príncipe que decidira amá-la.
— Boa noite, Bertie — disse ela, ao se despedirem no topo da escada.
— Boa noite, Elizabeth — respondeu ele, curvando-se levemente. — Até amanhã.
— Até amanhã — repetiu ela, sabendo que muitos "amanhãs" ainda viriam.
Enquanto as luzes do castelo se apagavam uma a uma, o silêncio da noite escocesa guardava o segredo de um romance que, em breve, se tornaria a base de uma nação. Mas, por enquanto, era apenas o começo da história de Lizzie e Bertie.
Havia um convidado especial naquela semana, e Elizabeth sentia um misto de afeição e apreensão. O Príncipe Alberto, Duque de York — carinhosamente chamado de Bertie pela família —, não era um estranho, mas sua presença sempre trazia um peso de protocolo que ela, em sua natureza livre, tentava ignorar.
— Ele chegou, Elizabeth — anunciou sua mãe, a Condessa de Strathmore, entrando no quarto com um sorriso suave. — E parece mais tímido do que o habitual. Tente ser gentil, querida.
Elizabeth sorriu, seus olhos azuis brilhando com uma pitada de travessura.
— Eu sou sempre gentil, mamãe. Mas o pobre Bertie carrega o mundo nos ombros. Alguém precisa ensiná-lo a rir das pequenas coisas.
Ao descer as escadas, Elizabeth o viu. Bertie estava parado no hall de entrada, segurando o chapéu com uma força desnecessária, enquanto conversava com o Conde. Ele parecia impecável em seu terno, mas havia uma tensão em sua mandíbula que denunciava seu desconforto.
— Alteza Real — disse ela, fazendo uma reverência graciosa que terminava com um sorriso acolhedor. — Que prazer tê-lo novamente em nossa casa.
Bertie virou-se rapidamente, e Elizabeth notou o leve rubor subindo pelas bochechas dele. Ele tentou formular uma resposta, mas a hesitação característica de sua fala o traiu por um momento.
— La... Lady Elizabeth — gaguejou ele, lutando contra as palavras. — O prazer é... é todo meu. Glamis continua tão... esplêndida quanto me lembrava.
— É a hospitalidade escocesa, senhor — respondeu ela, aproximando-se e oferecendo o braço de forma informal, tentando quebrar o gelo. — Ou talvez seja apenas o ar da montanha. Venha, o chá será servido no terraço.
Enquanto caminhavam, o silêncio entre eles não era desconfortável, mas carregado de uma expectativa silenciosa. Bertie sempre se sentira atraído por Elizabeth, não apenas por sua beleza, mas pela maneira como ela parecia não se impressionar com o seu título. Para ela, ele não era o filho do Rei Jorge V; ele era apenas Bertie, o jovem que gostava de caçar e que tinha um coração bondoso, embora escondido sob camadas de dever e insegurança.
Sentados no terraço, com a vista para os jardins perfeitamente cuidados, Elizabeth serviu o chá.
— Soube que teve uma temporada exaustiva em Londres — comentou ela, entregando-lhe a xícara. — Muitas cerimônias oficiais?
— Mais do que eu gostaria — admitiu Bertie, parecendo relaxar um pouco sob o olhar atento dela. — Às vezes sinto que sou apenas um... um suporte para as medalhas e as faixas.
— Um suporte muito elegante, devo dizer — brincou ela, fazendo-o soltar uma risada curta e genuína.
— Você sempre sabe o que dizer, Elizabeth — disse ele, olhando-a fixamente. — Eu, por outro lado... as palavras parecem fugir de mim quando mais preciso delas.
Elizabeth pousou sua xícara e inclinou-se um pouco para frente.
— As palavras são superestimadas, Bertie. Às vezes, o que sentimos é muito maior do que qualquer dicionário pode expressar.
Ele desviou o olhar para o horizonte, o perfil marcado contra o céu escurecido.
— Meu pai quer que eu assuma mais responsabilidades. David... bem, David é o herdeiro, mas o Rei insiste que eu também devo ser um exemplo de estabilidade.
— E você é — afirmou ela com convicção. — Você é a pessoa mais constante que conheço.
— Mas sinto-me sozinho nessa constância — sussurrou ele, quase para si mesmo.
O momento foi interrompido pelo som de risadas vindo do jardim. Os irmãos de Elizabeth e outros convidados estavam organizando um jogo de croquet. Elizabeth levantou-se, estendendo a mão para ele.
— Chega de política e deveres por hoje. Vamos, Bertie. Vamos ver se sua pontaria é tão boa quanto dizem.
— Elizabeth, eu não tenho certeza se... — começou ele, mas ela já o puxava pelo braço.
— Ora, não seja um príncipe tão sério. É apenas um jogo.
Nas horas seguintes, o que se viu foi um lado de Bertie que poucos conheciam. Longe dos olhares críticos da corte, ele ria das trapaças inocentes de Elizabeth e se esforçava para ganhar, embora ela fosse claramente a mestre do campo. Quando a noite finalmente caiu e os convidados se recolheram para se preparar para o jantar, os dois se viram sozinhos por um momento no corredor ladeado por armaduras antigas.
— Obrigado — disse Bertie, sua voz agora mais firme.
— Pelo quê? Por ter vencido você no croquet? — perguntou ela, ajustando uma mecha de cabelo que caíra sobre o rosto.
— Por me tratar como... como um homem comum — respondeu ele seriamente. — Por me fazer esquecer, mesmo que por uma tarde, que sou o Duque de York.
Elizabeth sentiu o coração acelerar. Ela sempre soube do interesse dele, mas a vulnerabilidade em sua voz naquele momento a tocou profundamente.
— Você nunca será comum para mim, Bertie — disse ela suavemente. — Mas sempre será alguém com quem posso ser eu mesma. E espero que sinta o mesmo.
Ele deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles. O perfume de rosas que ela usava parecia preencher o espaço.
— Elizabeth, eu... eu gostaria de visitá-la mais vezes. Se sua família permitir. Se você permitir.
— Glamis estará sempre de portas abertas para você — respondeu ela com um sorriso que não chegava a ser um "sim" definitivo, mas que carregava toda a promessa de um futuro. — E eu também.
— Eu não sou como David — continuou ele, como se precisasse se justificar. — Não tenho o charme dele, nem a facilidade com as multidões.
— Graças a Deus por isso — interrompeu ela, rindo baixo. — O mundo já tem pavões suficientes, Bertie. O que precisamos são de pessoas que saibam onde fincar os pés.
Ele sorriu, um sorriso largo que iluminou seu rosto e apagou, por um instante, as linhas de cansaço.
— Você é extraordinária, Elizabeth Bowes-Lyon.
— E você é persistente, Alberto de York.
Eles ficaram ali, sob a luz bruxuleante das velas, dois jovens cujos destinos estavam prestes a se entrelaçar de uma forma que mudaria a história de um império. Mas, naquela noite, no silêncio de um castelo escocês, eles eram apenas Lizzie e Bertie, descobrindo que, entre o dever e a coroa, havia espaço para algo tão simples e avassalador quanto o amor.
— O jantar será servido em breve — lembrou ela, começando a se afastar. — Não se atrase. Mamãe detesta sopa fria.
— Eu estarei lá — prometeu ele, observando-a subir a escadaria. — Não perderia por nada.
Enquanto Elizabeth subia, ela sentiu o olhar dele em suas costas. Ela sabia que a vida ao lado de um príncipe não seria feita apenas de bailes e flores; haveria sombras, sacrifícios e a vigilância constante do público. No entanto, ao olhar para trás e ver Bertie ainda parado ali, observando-a com uma devoção silenciosa, ela percebeu que, talvez, aquele fosse um fardo que valeria a pena carregar.
No quarto, diante do espelho, ela tocou o próprio rosto, sentindo o calor nas bochechas.
— Um Duque — murmurou ela para o seu reflexo. — Um Duque que precisa de uma Duquesa que saiba manejar um taco de croquet e um coração teimoso.
Lá embaixo, Bertie respirou fundo, sentindo-se mais leve do que em anos. Ele ainda tinha um longo caminho pela frente, e sabia que Elizabeth não aceitaria sua mão facilmente — ela valorizava sua liberdade acima de tudo. Mas ele estava disposto a esperar. Ele esperaria o tempo que fosse necessário para que aquela rosa escocesa decidisse florescer em seu jardim real.
O jantar transcorreu entre conversas animadas e o som de talheres de prata contra a porcelana fina. Bertie, pela primeira vez em muito tempo, não precisou se esforçar para participar. A presença de Elizabeth ao seu lado era um bálsamo.
— Você parece diferente hoje, Bertie — comentou o Conde de Strathmore, observando o convidado. — O ar da Escócia realmente lhe faz bem.
— É mais do que o ar, senhor — respondeu o Príncipe, lançando um olhar rápido para Elizabeth. — É a companhia.
Elizabeth baixou os olhos para o prato, escondendo um sorriso vitorioso. A caçada havia começado, e embora o Príncipe fosse o pretendente, era ela quem ditaria o ritmo daquela dança.
Após o jantar, enquanto os convidados se dispersavam pela biblioteca e pela sala de música, Elizabeth aproximou-se do piano. Seus dedos dançaram sobre as teclas, uma melodia suave que parecia ecoar os pensamentos que não ousava dizer em voz alta.
Bertie aproximou-se e ficou de pé ao lado do instrumento.
— Essa música... eu a conheço? — perguntou ele.
— É uma canção antiga das Highlands — explicou ela sem parar de tocar. — Fala sobre alguém que encontra o caminho de casa através da névoa.
— É bonita — disse ele. — E um pouco triste.
— A beleza e a tristeza caminham juntas, Bertie. Como a coroa e a responsabilidade.
Ele assentiu, compreendendo a metáfora.
— Eu espero que, algum dia, a névoa se dissipe para mim também.
Elizabeth parou de tocar e olhou para cima, encontrando os olhos cinzentos dele.
— Ela vai se dissipar. Só precisa encontrar a luz certa para seguir.
Naquela noite, sob o teto de Glamis, o compromisso não foi selado com anéis ou documentos, mas com uma promessa silenciosa trocada entre dois olhares. O caminho para o trono e para o coração de Elizabeth Bowes-Lyon seria longo e tortuoso, mas o Príncipe Alberto de York finalmente sentia que tinha uma bússola.
E Elizabeth, a debutante que desafiava as convenções com sua alegria, sabia que sua vida jamais seria a mesma. O perfume das rosas de Glamis a acompanharia, mas agora, misturado ao aroma de tabaco e couro que emanava do Príncipe que decidira amá-la.
— Boa noite, Bertie — disse ela, ao se despedirem no topo da escada.
— Boa noite, Elizabeth — respondeu ele, curvando-se levemente. — Até amanhã.
— Até amanhã — repetiu ela, sabendo que muitos "amanhãs" ainda viriam.
Enquanto as luzes do castelo se apagavam uma a uma, o silêncio da noite escocesa guardava o segredo de um romance que, em breve, se tornaria a base de uma nação. Mas, por enquanto, era apenas o começo da história de Lizzie e Bertie.
