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Um amor fora de cena

Fandom: Off campus

Criado: 21/05/2026

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RomanceDramaFatias de VidaDor/ConfortoFofuraEstudo de PersonagemCenário Canônico
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O Enquadramento Perfeito

Beau Maxwell estava acostumado a ser o centro das atenções. Como quarterback titular da Briar University, seu rosto estava em todos os cartazes do campus, e sua reputação como a alma de todas as festas da fraternidade era quase tão sólida quanto seu braço de passe. Ele vivia a vida no volume máximo, cercado por música alta, risadas e a companhia constante de seu melhor amigo, Dean Di Laurentis. Mas, naquela noite de sexta-feira, o barulho da festa na casa dos jogadores de hóquei parecia apenas um ruído de fundo.

Seus olhos estavam fixos em um ponto específico da sala. Ou melhor, em uma pessoa específica.

— Cara, você está encarando de novo — Dean comentou, surgindo ao lado dele com um copo vermelho na mão e aquele sorriso convencido que só um Di Laurentis conseguia sustentar. — Se continuar assim, vai abrir um buraco na testa da ruiva.

Beau desviou o olhar por um segundo, sentindo o calor subir pelo pescoço.

— Eu não estou encarando, Dean. Estou... observando a técnica dela.

— Técnica? Ela está segurando uma câmera, Maxwell. Não é um passe para o touchdown.

Olive Hayes estava encostada em uma das paredes, quase camuflada pelas sombras, com uma câmera de vídeo profissional em mãos. Ela usava uma saia longa florida que balançava conforme ela mudava o peso do corpo e botas de couro que pareciam ter visto muitos festivais de música. Seus cabelos ruivos estavam presos em um coque frouxo, deixando algumas mechas caírem sobre as sardas que pontilhavam seu nariz. Ela parecia estar em seu próprio mundo, capturando a essência da festa através da lente.

— Ela é amiga da Sabrina, não é? — Beau perguntou, tentando soar casual.

— Melhor amiga — Dean confirmou, dando um gole em sua bebida. — E também é muito próxima do Logan, do Tucker e do Garrett. Ela é como a mascote oficial do time de hóquei, mas sem o uniforme ridículo. Ex-patinadora artística, estuda cinema e história. Boa sorte, campeão. Ela não costuma dar bola para caras como nós.

Beau franziu o cenho.

— Caras como nós?

— Jogadores, Beau. Ela tem um radar para problemas, e convenhamos, nós somos o problema em pessoa.

Beau sabia que Dean tinha razão, mas havia algo em Olive que o puxava como um ímã. Talvez fosse o fato de ela ser a única pessoa na Briar que parecia não se importar com quem ele era. Ou talvez fosse a maneira como ela sorria apenas para a câmera, um sorriso genuíno e secreto que ele morria de vontade de direcionar para si.

Ele decidiu que era hora de agir. Atravessou a sala, desviando de calouros bêbados e casais se agarrando, até parar a poucos metros dela.

— Você vai perder o melhor ângulo se ficar parada aí — Beau disse, inclinando a cabeça.

Olive não baixou a câmera imediatamente. Ela ajustou o foco, filmou Beau por dois segundos e só então abaixou o equipamento, deixando-o pendurado no pescoço. Seus olhos verdes eram intensos e um pouco cautelosos.

— Eu prefiro capturar a realidade, Maxwell — disse ela, com uma voz suave, mas firme. — E a realidade é que a maioria das pessoas aqui vai esquecer essa noite amanhã de manhã. Eu só estou garantindo que os registros sejam honestos.

— Então eu faço parte da sua "realidade honesta"? — Ele abriu seu sorriso mais carismático, aquele que costumava derreter defesas.

Olive não derreteu. Ela apenas deu de ombros.

— Você faz parte da paisagem da Briar. É difícil te ignorar quando você está em todo lugar.

— Vou levar isso como um elogio. Sou Beau.

— Eu sei quem você é — ela respondeu, retocando a alça da câmera. — Sou Olive. Mas acho que você também já sabia disso, considerando que passou os últimos vinte minutos perguntando de mim para o Dean.

Beau sentiu um baque de surpresa. Ela era observadora. Muito observadora.

— Pego no flagra — ele admitiu, levantando as mãos em sinal de rendição. — Eu vi você nos jogos de hóquei gravando os meninos. Achei que fosse para algum projeto da faculdade de cinema.

— É para o meu portfólio — ela explicou, relaxando um pouco a postura. — E porque eu gosto da estética do gelo. Tem algo de melancólico e bonito na patinação e no hóquei que o futebol americano simplesmente não tem. O futebol é muito... barulhento.

— Ei! O futebol é estratégico, é uma arte — Beau defendeu, embora estivesse se divertindo com a sinceridade dela. — Mas entendo o que quer dizer. Você era patinadora, não era?

O brilho nos olhos de Olive vacilou por um milésimo de segundo, uma sombra cruzando seu rosto antes de ela recuperar a compostura.

— Faz muito tempo. Agora eu prefiro ficar atrás das câmeras. É mais seguro.

Houve uma pausa carregada de algo que Beau não conseguiu identificar. Ele queria perguntar mais, queria entender o que a fazia se esconder atrás de saias longas e lentes de vidro, mas sentiu que, se pressionasse, ela desapareceria na noite.

— Eu trabalho em uma lanchonete na cidade vizinha — ela disse, mudando de assunto abruptamente. — É temática dos anos 50. Se quiser ver uma estética realmente interessante, deveria aparecer por lá. Mas não amanhã. Amanhã eu não vou.

— Por que não? Folga?

— É meu aniversário — ela disse, o tom de voz ficando seco. — E eu odeio aniversários.

Beau piscou, surpreso.

— Como alguém pode odiar aniversários? É o dia de ganhar bolo e ser o centro das atenções.

— Exatamente — Olive suspirou. — Ser o centro das atenções é superestimado, Maxwell. E bolos de aniversário têm gosto de obrigação social. Prefiro passar o dia editando vídeos ou estudando para a aula de história.

— Você também faz história? — Beau sentiu uma conexão instantânea. — É o meu curso! Como nunca te vi nas aulas?

— Porque eu sento no fundo e você senta... bem, onde quer que as pessoas possam te ver — ela deu um sorrisinho de canto, o primeiro que ele realmente ganhou naquela noite. — Além disso, eu faço as aulas extras de cronologia antiga.

— Eu também! — Beau exclamou, genuinamente animado. — A professora Higgins é um pesadelo, mas o conteúdo é incrível.

Olive soltou uma risada curta, um som que Beau decidiu que queria ouvir pelo resto da vida.

— Ela é um dragão. Mas um dragão que sabe muito sobre o Império Romano.

Eles conversaram por mais alguns minutos, um diálogo fluido que flutuava entre cinema clássico e as táticas de guerra da antiguidade. Beau estava fascinado. Olive era inteligente, sarcástica e tinha uma profundidade que ele raramente encontrava nas festas da Briar. Mas, toda vez que ele tentava dar um passo à frente, fisicamente ou emocionalmente, ele notava que ela recuava imperceptivelmente. Havia uma barreira ali, um muro invisível construído com traumas que ele ainda não conhecia.

— Olive! — A voz de Sabrina James ecoou pelo corredor. A loira se aproximou, lançando um olhar desconfiado para Beau antes de abraçar a amiga. — O Tucker está chamando. Vamos embora? O Logan já está tentando convencer todo mundo a comer pizza de madrugada.

Olive pareceu aliviada com a interrupção.

— Claro, Bri. Já terminei de filmar o que precisava.

Ela olhou para Beau uma última vez.

— Foi bom conversar com você, Maxwell. Tente não quebrar nenhum osso no treino de amanhã.

— Eu vou tentar. E Olive? — Ele a chamou antes que ela se afastasse. — Feliz aniversário. Mesmo que você odeie.

Ela não respondeu, apenas deu um aceno curto e seguiu Sabrina.

Beau ficou parado no mesmo lugar, observando-a sair. Dean se aproximou novamente, balançando a cabeça.

— E aí? Conseguiu o número dela?

— Não — Beau respondeu, ainda olhando para a porta. — Mas descobri onde ela trabalha.

— Cara, você está com aquela cara — Dean suspirou.

— Que cara?

— A cara de quem vai fazer uma idiotice romântica e acabar com o coração na mão. Ela é amiga do grupo, Beau. Se você magoar a Olive, o Tucker te mata, o Logan te enterra e o Garrett ajuda a esconder o corpo. Sem contar a Sabrina, que provavelmente cortaria suas cordas vocais enquanto você dorme.

Beau sorriu, um brilho determinado nos olhos.

— Eu não pretendo magoá-la, Dean. Eu pretendo fazer ela gostar de aniversários de novo.

No dia seguinte, Beau dirigiu até a cidade vizinha. A lanchonete se chamava "The Jukebox Diner" e parecia ter saído diretamente de um filme de 1955. O cheiro de milk-shake de morango e batatas fritas pairava no ar. Ele se sentou em um dos bancos de couro vermelho no balcão e esperou.

Ele sabia que ela não estava trabalhando, mas precisava de informações. Uma garçonete mais velha, com o nome "Dot" bordado no uniforme, aproximou-se.

— O que vai ser, bonitão?

— Um café preto e uma informação — Beau disse, colocando uma nota de dez dólares sobre o balcão. — Uma garota ruiva trabalha aqui, a Olive. Sabe se ela tem algum doce favorito? Sem ser bolo de aniversário.

Dot arqueou uma sobrancelha, guardando o dinheiro.

— A pequena Olive? Ela é um doce de menina, mas fechada como uma ostra. Ela não gosta de doces frescos. Mas vive roubando as tortas de maçã que sobram no final do turno. Diz que lembra a avó dela.

— Torta de maçã. Perfeito.

Beau passou o resto do dia em uma missão. Ele não era um mestre na cozinha, mas tinha o número de Grace, a namorada de Logan, que era praticamente uma santa. Com a ajuda dela por telefone, ele conseguiu comprar a melhor torta de maçã da região e uma pequena câmera vintage de 8mm que encontrou em um antiquário.

Naquela noite, ele não foi para a festa da fraternidade. Em vez disso, dirigiu até o pequeno prédio de apartamentos onde Sabrina e Olive moravam. Ele sabia que os meninos do hóquei estariam lá, comemorando o aniversário dela de forma contida, já que ela odiava festas grandes.

Quando ele bateu na porta, foi Tucker quem atendeu. O defensor do time de hóquei estreitou os olhos ao ver o quarterback.

— Maxwell? O que você está fazendo aqui?

— Vim trazer um presente de aniversário — Beau disse, mostrando a caixa da torta.

Tucker hesitou, mas abriu espaço.

— Entra. Mas se você fizer ela chorar, eu quebro seus dentes.

A sala estava decorada de forma simples. Logan, Garrett, Hannah e Sabrina estavam lá, sentados no chão com caixas de pizza. Olive estava no sofá, abraçada aos joelhos, parecendo um pouco desconfortável com a atenção. Quando viu Beau, seus olhos se arregalaram.

— Você... o que está fazendo aqui? — ela perguntou, a voz falhando levemente.

— Eu ouvi dizer que você odeia bolos — Beau disse, caminhando até ela e colocando a torta na mesa de centro. — Então trouxe uma torta de maçã. E algo para você registrar a realidade de um jeito diferente.

Ele entregou o pequeno embrulho com a câmera de 8mm. Olive abriu o presente lentamente. Seus dedos tocaram o metal frio da câmera antiga e, por um momento, o tempo pareceu parar.

— É linda — ela sussurrou, e Beau notou que seus olhos estavam marejados. — Por que fez isso?

— Porque todo mundo merece ser visto, Olive — Beau disse, baixando o tom de voz para que apenas ela ouvisse. — Especialmente alguém que passa o tempo todo vendo os outros.

Sabrina observava a cena com um olhar protetor, mas ao ver a expressão no rosto de Olive — uma mistura de choque e algo que parecia esperança — ela relaxou os ombros.

Olive olhou para Beau, e pela primeira vez, ele não viu a barreira. Viu apenas uma garota que tinha sido machucada pelo passado, mas que talvez, apenas talvez, estivesse pronta para deixar alguém entrar no seu enquadramento.

— Você quer um pedaço de torta? — ela perguntou, abrindo um espaço no sofá ao lado dela.

Beau Maxwell, o quarterback carismático que poderia estar em qualquer festa da Briar, sentou-se.

— Eu adoraria um pedaço de torta.

Naquela noite, Beau não marcou um touchdown, mas sentiu que tinha vencido o jogo mais importante da sua vida. Ele sabia que o caminho para o coração de Olive Hayes seria longo e cheio de obstáculos, mas ele sempre foi um jogador que gostava de desafios. E Olive, com suas saias longas, sua câmera e seu ódio por aniversários, era o prêmio que ele nunca soube que estava procurando.
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