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Fandom: Sense Life é uma popular HQ (mangá brasileiro) criada por Glitch_Tellend.

Criado: 22/05/2026

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FantasiaMistérioAçãoDramaSuspenseSobrevivênciaEstudo de PersonagemCrimeBiopunk
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Ecos do Sangue e do Passado

O sol da tarde filtrava-se pelas janelas do antigo casarão, lançando sombras alongadas sobre o piso de madeira que Eveen conhecia tão bem. Ela ajustou a camisa folgada do *Fullmetal Alchemist* que usava, sentindo o tecido familiar contra a pele. Com seus 1,69m de altura e a postura relaxada de quem sempre parece estar três passos à frente em qualquer raciocínio, ela caminhava pelo corredor com uma familiaridade nostálgica. Seus cabelos castanhos claros, ondulados até a altura dos ombros, balançavam levemente a cada passo.

Eveen tinha vinte anos agora, mas, ao cruzar aquela porta, sentia-se novamente como a garotinha que corria por ali para encontrar seu melhor amigo. Noah era a constante em sua vida, a âncora em um mundo onde os Tributos — aquelas habilidades sobrenaturais que mudavam o destino das pessoas — tornavam tudo perigoso e imprevisível.

Ela parou diante da porta da sala de estar, seus olhos verde-escuros captando o movimento lá dentro. Antes de entrar, ela puxou levemente a manga da camisa, cobrindo parte das tatuagens que adornavam seus braços. Não que tivesse vergonha delas, mas cada marca em sua pele contava uma história, e nem todas as histórias eram para serem lidas hoje.

— Você demorou, Eveen. Eu quase achei que tinha se perdido no caminho, o que seria irônico, considerando que você vem aqui desde os cinco anos.

A voz de Noah era calorosa, carregada com aquela ironia leve que só os amigos de longa data compartilham. Ele estava sentado em uma poltrona, mas não estava sozinho. No sofá oposto, um rapaz que Eveen não reconhecia de imediato a observava com uma intensidade curiosa.

— O trânsito estava um caos, e eu parei para comprar rosquinhas — respondeu Eveen, entrando na sala com um sorriso de canto. — Mas vejo que você já tem companhia.

— Eveen, este é o Kaleb — disse Noah, levantando-se para cumprimentá-la com um abraço rápido. — Kaleb, esta é a Eveen. A pessoa mais inteligente e perigosa que eu conheço, embora ela prefira fingir que só se importa com animes e shorts jeans confortáveis.

Eveen arqueou uma sobrancelha, seus olhos focando em Kaleb. Ele tinha uma aura diferente, algo que a fazia ficar em alerta. Como portadora de um dos Tributos mais peculiares e temidos — a capacidade de copiar habilidades alheias através da ingestão de sangue —, ela desenvolvera um instinto aguçado para identificar outros usuários.

— Prazer, Kaleb — disse ela, mantendo o tom de voz calmo e controlado.

— O prazer é todo meu — respondeu Kaleb, levantando-se. Ele era alto e possuía um olhar que parecia analisar cada detalhe da fisionomia de Eveen. — Noah fala muito de você. Mas ele esqueceu de mencionar que você irradia uma energia... interessante.

Eveen soltou um riso curto, quase imperceptível.

— É apenas o cansaço. Ou talvez o açúcar das rosquinhas.

— Não seja modesta — interrompeu Noah, gesticulando para que ela se sentasse. — Kaleb está me ajudando com algumas pesquisas sobre a origem dos Tributos. Ele tem um conhecimento vasto sobre a linhagem de Sense Life.

A atmosfera na sala mudou sutilmente. O nome "Sense Life" sempre trazia um peso consigo. Para Eveen, não era apenas um conceito ou uma organização; era a realidade crua de um mundo onde o poder definia quem você era. Ela se sentou na beirada de uma cadeira, cruzando as pernas e deixando que seus olhos verdes escaneassem Kaleb mais uma vez.

— Pesquisas, é? — perguntou ela, inclinando a cabeça. — E o que exatamente você espera encontrar, Kaleb? A maioria das pessoas que busca a origem dos Tributos acaba encontrando apenas problemas que não consegue resolver.

Kaleb deu um passo à frente, as mãos nos bolsos da calça.

— Eu busco entender o limite. Por exemplo, ouvi rumores sobre alguém que não possui um Tributo fixo, mas que se torna o reflexo daqueles que toca... ou melhor, daqueles que "consome".

O silêncio caiu sobre a sala como um manto pesado. Noah olhou de Eveen para Kaleb, sentindo a tensão elétrica que subitamente preencheu o ar. Eveen não se moveu. Sua expressão permanecia uma máscara de calma absoluta, embora seu cérebro estivesse processando mil variáveis por segundo.

— Rumores são como fumaça, Kaleb — disse ela, finalmente. — Eles mudam de forma dependendo de quem sopra o vento.

— Mas a fumaça sempre indica um incêndio — retrucou Kaleb com um sorriso enigmático. — E eu sinto que você está queimando por dentro agora, Eveen.

Noah limpou a garganta, tentando dissipar o clima pesado.

— Certo, vamos baixar a guarda. Eveen é de confiança, Kaleb. E Kaleb tem me ajudado a entender melhor como os Tributos se manifestam em situações de estresse. Ele não é um inimigo.

— Eu não disse que ele era — afirmou Eveen, relaxando os ombros propositalmente. — Mas em nosso mundo, a curiosidade costuma ser o primeiro passo para o desastre.

— Eu concordo plenamente — disse Kaleb, voltando a se sentar. — Por isso, prefiro estar do lado de quem sabe o que está fazendo. Noah me disse que você tem uma mente analítica brilhante. Eu gostaria de ver isso em ação.

Eveen olhou para Noah, que lhe lançou um olhar suplicante. Ela suspirou. Noah sempre fora o coração daquela dupla, enquanto ela era a estratégia e a força oculta. Se ele confiava em Kaleb, ela daria uma chance, mas manteria seus sentidos em alerta máximo.

— Tudo bem — disse ela, pegando uma das rosquinhas da sacola que trouxera. — Mas se você começar a fazer perguntas demais sobre a minha dieta, a conversa acaba.

Noah riu, o som aliviando a pressão no ambiente.

— Viu? Eu disse que ela era calma.

— Calma, mas letal — murmurou Kaleb, quase para si mesmo, mas Eveen ouviu.

Eles passaram as horas seguintes conversando sobre as recentes movimentações na cidade. Kaleb trouxe informações sobre novos grupos de usuários de Tributos que estavam surgindo, alguns com intenções nada nobres. Eveen ouvia tudo em silêncio, conectando pontos que os outros dois ainda não haviam percebido.

— Então — disse Eveen, interrompendo uma explicação técnica de Kaleb —, você está dizendo que houve um aumento na frequência de manifestações espontâneas perto da zona leste?

— Exatamente — confirmou Kaleb. — É como se algo estivesse forçando o despertar dos Tributos.

— Ou alguém — corrigiu Eveen. — Tributos não despertam em massa sem um catalisador. Se isso está acontecendo, significa que o equilíbrio de Sense Life está sendo testado.

Noah franziu a testa, preocupado.

— Se isso for verdade, Eveen, você está em perigo. Alguém com a sua habilidade seria o alvo perfeito para qualquer organização que queira coletar poderes.

Eveen olhou para as próprias mãos. Ela conseguia sentir o eco dos Tributos que já havia copiado no passado. Eram como vozes distantes em sua mente, ferramentas guardadas em uma caixa de metal. A ideia de ingerir o sangue de alguém para obter poder sempre fora algo que ela tratava com pragmatismo, mas nunca com prazer. Era uma necessidade de sobrevivência.

— Eu sei me cuidar, Noah — disse ela suavemente. — Você sabe disso melhor do que ninguém.

— Eu sei — respondeu Noah. — Mas desta vez parece diferente. Kaleb, mostre a ela o que encontramos no porto.

Kaleb pegou um tablet e deslizou algumas fotos. Eram marcas na parede de um armazém, símbolos que pareciam veias negras queimadas no concreto. Eveen sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Ela conhecia aquele padrão.

— Isso não é uma manifestação natural — disse ela, a voz subitamente fria. — Isso é um rastro de drenagem. Alguém está fazendo o oposto do que eu faço. Eles não estão copiando; estão arrancando o Tributo da alma das pessoas.

Kaleb assentiu, sua expressão tornando-se sombria.

— É por isso que eu precisava conhecer você. Se existe alguém capaz de rastrear e entender como um Tributo funciona apenas pelo "gosto" da energia, é você.

Eveen levantou-se, caminhando até a janela. O sol já havia se posto, e as luzes da cidade começavam a piscar como estrelas artificiais. O mundo parecia calmo lá fora, mas ela sabia que, sob a superfície, uma guerra estava começando.

— Vocês estão me pedindo para caçar — disse ela, sem se virar.

— Estamos pedindo para você nos ajudar a impedir que o pior aconteça — corrigiu Noah, aproximando-se dela. — Eveen, desde crianças, nós prometemos que cuidaríamos um do outro. Eu não posso fazer isso sozinho.

Eveen fechou os olhos por um momento. Ela pensou na sua infância, nas tardes brincando com Noah, antes de descobrirem o peso que carregavam. Ela pensou em como a inteligência dela sempre fora sua maior arma, mas seu Tributo era sua maior maldição.

— Eu vou ajudar — disse ela, virando-se para encarar os dois homens. — Mas sob as minhas condições.

— Quais seriam? — perguntou Kaleb, interessado.

— Primeiro: nada de segredos. Se você esconder uma vírgula sobre o que sabe sobre esses drenadores, Kaleb, eu vou descobrir, e não será agradável. Segundo: Noah, você fica fora da linha de frente. Sua habilidade é valiosa demais para ser arriscada em um confronto direto contra algo que drena poderes.

Noah abriu a boca para protestar, mas Eveen o cortou com um olhar severo.

— Não discuta comigo nisso, Noah. Você é a única coisa neste mundo que eu não posso me dar ao luxo de perder.

Noah suspirou e assentiu, derrotado pela lógica e pelo carinho dela.

— E a terceira condição? — indagou Kaleb.

Eveen caminhou até ele, parando a poucos centímetros de distância. Ela era menor que ele, mas naquele momento, sua presença parecia ocupar toda a sala.

— Se encontrarmos quem está por trás disso... e se eu precisar lutar... vocês não vão interferir no que eu tiver que fazer para vencer. Entendido?

Kaleb sustentou o olhar dela por um longo tempo. Ele viu a determinação nos olhos verdes escuros e entendeu que, por trás da camisa de anime folgada e do jeito calmo, existia uma predadora que faria qualquer coisa para proteger os seus.

— Entendido — respondeu ele.

Eveen relaxou a postura e voltou a pegar a sacola de rosquinhas, agora vazia de doces, mas cheia de novas responsabilidades.

— Ótimo. Agora, Noah, me conte mais sobre esse tal armazém. Eu quero saber cada detalhe do que vocês viram lá.

Enquanto a noite avançava, o trio mergulhou em mapas e teorias. Eveen liderava a conversa, sua mente trabalhando em alta velocidade, traçando rotas, analisando padrões de ataque e prevendo movimentos inimigos. Kaleb observava-a com uma mistura de respeito e cautela. Ele viera buscar uma aliada, mas percebeu que encontrara algo muito mais potente.

Noah, por sua vez, olhava para a amiga e sentia uma pontada de tristeza. Ele sabia que, toda vez que Eveen se envolvia em conflitos de Tributos, uma parte daquela garota calma e inteligente tinha que dar lugar à guerreira que não temia manchar as mãos de sangue.

— Eveen? — chamou Noah, quando houve uma pausa na discussão.

— Sim?

— Obrigado por estar aqui.

Ela deu um pequeno sorriso, o primeiro sorriso genuíno da noite.

— Eu sempre vou estar, Noah. É o que amigos fazem, certo?

Ela olhou para o horizonte urbano pela janela mais uma vez. O desafio que tinham pela frente era imenso, e as tatuagens em seus braços pareciam formigar sob a pele, como se antecipassem o conflito iminente. Ela sabia que, para proteger o futuro, teria que abraçar o que havia de mais perigoso em seu passado.

Sense Life era um jogo de sobrevivência, e Eveen Alves acabara de fazer sua jogada inicial.
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