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Eu e ele
Fandom: Romance
Criado: 22/05/2026
Tags
RomanceHistória DomésticaFofuraAlmas GêmeasRealismoNovelaFatias de VidaLirismo
Reflexos de Prata Sob o Temporal
O céu sobre a cidade havia desistido de lutar contra o peso das nuvens. O que começou como um mormaço sufocante de fim de tarde transformou-se, em questão de minutos, em um desabamento de água que lavava as telhas e transformava o quintal de Lis em um refúgio isolado do resto do mundo. Dentro de casa, o silêncio era absoluto, mas do lado de fora, a música da chuva batendo nas folhas das árvores era um convite que nenhum dos dois conseguiu ignorar.
Lis estava parada na varanda, observando as gotas pesadas criarem poças sobre o gramado. Ela sentiu a presença dele antes mesmo de ouvir seus passos. Rodrigo aproximou-se, os ombros largos quase bloqueando a luz que vinha da cozinha. Aos dezenove anos, ele tinha aquela beleza que parecia esculpida com paciência: alto, com mãos de dedos longos e firmes que Lis adorava observar, e um cabelo liso, tão negro e hidratado que brilhava mesmo sob a luz pálida do temporal.
— Você não está pensando em ir lá fora, está? — perguntou Rodrigo, com um sorriso de canto que fazia seus olhos impecáveis, de um castanho profundo e magnético, brilharem com diversão.
Lis virou-se para ele, a ponta do nariz perfeito levemente úmida pela névoa da chuva. Ela era mais baixa que ele, o que a obrigava a inclinar a cabeça para encontrar aquele olhar que sempre a desarmava. Seus cabelos longos e castanhos caíam em ondas sobre os ombros, e o brilho em seus olhos denunciava que a resposta já estava dada.
— E quem vai me impedir? — desafiou ela, rindo.
Sem esperar por uma resposta, Lis deu um passo para fora da proteção do telhado. O choque da água fria contra sua pele foi imediato, arrancando-lhe um suspiro de surpresa seguido por uma gargalhada cristalina. Em segundos, suas roupas estavam coladas ao corpo e seu cabelo, antes perfeitamente alinhado, pesava em suas costas.
Rodrigo hesitou por apenas um segundo antes de segui-la. Quando a chuva atingiu seu cabelo liso, os fios se moldaram ao seu rosto, acentuando o maxilar definido e a intensidade de sua expressão. Ele parecia um príncipe de algum conto de fadas moderno, perdido em um quintal de subúrbio.
— Você enlouqueceu, Lis! — exclamou ele, embora já estivesse correndo atrás dela.
— Me pega se for capaz! — gritou ela, saltando sobre uma pequena poça e correndo em direção ao centro do gramado.
A brincadeira começou como um jogo de perseguição infantil, cheio de adrenalina e alegria pura. Lis corria com a agilidade de quem conhecia cada canto daquele jardim, enquanto Rodrigo, com suas pernas longas, tentava alcançá-la sem escorregar na grama ensopada. Ela pulava, girava e zombava dele, sentindo-se mais viva do que nunca. A chuva era uma cortina que os separava da realidade, das responsabilidades e do tempo.
Finalmente, Rodrigo conseguiu cercá-la perto da grande mangueira. Com um movimento rápido, ele a envolveu pela cintura, tirando-a do chão por um momento. Lis soltou um grito de surpresa que logo se transformou em uma risada abafada contra o pescoço dele.
— Te peguei — sussurrou ele, a voz vibrando contra a pele dela.
— Foi sorte — rebateu ela, ofegante, sentindo o calor do corpo dele contrastar com o frio da água que caía sem parar.
Ele a colocou no chão, mas não a soltou. Pelo contrário, Rodrigo pegou uma de suas mãos com aquela delicadeza característica de suas mãos lindas, enquanto a outra repousava firmemente na base das costas dela.
— Concede-me esta dança, senhorita? — perguntou ele, fazendo uma reverência exagerada que o deixou com o rosto nivelado ao dela por um instante.
— Na chuva, Rodrigo? — Lis arqueou uma sobrancelha, embora já estivesse se posicionando.
— Especialmente na chuva.
Eles começaram a dançar uma valsa improvisada. Não havia música, exceto pelo ritmo percussivo do temporal e o som de seus corações batendo em uníssono. Rodrigo a conduzia com uma elegância natural, seus pés deslizando na lama e na grama como se estivessem em um salão de mármore. Lis se deixava levar, fechando os olhos e sentindo a segurança dos braços dele. Ele a girou, e por um momento, o mundo foi apenas um borrão de verde, cinza e o brilho dos olhos de Rodrigo.
Quando o giro terminou, ele a puxou para perto com força, eliminando qualquer espaço que restasse entre eles. O rosto dele estava a milímetros do dela, gotas de água escorrendo de suas mechas lisas e caindo sobre as bochechas de Lis.
— Você é a coisa mais linda que eu já vi — disse ele, a voz agora baixa e carregada de uma seriedade que fez o estômago de Lis dar voltas.
— E você está todo encharcado — brincou ela, tentando disfarçar o quanto o comentário a afetara, mas suas mãos já subiam para o pescoço dele, os dedos se perdendo nos fios úmidos e macios.
Rodrigo não respondeu com palavras. Ele inclinou a cabeça e selou seus lábios nos dela. O beijo começou calmo, um encontro de reconhecimento sob o temporal, mas rapidamente se transformou em algo muito mais profundo. Era um beijo que provava a chuva e o desejo, uma mistura de frescor e calor. A língua dele explorava a dela com uma urgência gentil, e Lis sentiu seus joelhos fraquejarem. Ela se agarrou aos ombros dele, puxando-o para mais perto, querendo fundir-se a ele. As mãos de Rodrigo, aquelas mãos que ela tanto admirava, desceram pelas suas costas, espalhando arrepios que nada tinham a ver com o frio da água.
Eles se separaram apenas o suficiente para recuperar o fôlego, as testas coladas, ambos ofegantes. O olhar de Rodrigo estava fixo nos lábios de Lis, que agora estavam vermelhos e inchados.
— Eu amo você — sussurrou ele, a intensidade em seus olhos impecáveis quase insuportável.
— Eu também amo você, Rodrigo. Mais do que consigo dizer.
Ele sorriu, um sorriso que iluminou o dia cinzento, e então, com um brilho travesso voltando ao olhar, ele se abaixou subitamente. Lis soltou um gritinho de surpresa quando sentiu as mãos fortes dele segurarem suas coxas e a erguerem do chão, sentando-a em seu ombro como se ela não pesasse nada.
— Rodrigo! Me coloca no chão! — gritou ela, rindo e batendo levemente em suas costas, enquanto ele começava a girar novamente, fazendo-a ver o quintal de uma perspectiva totalmente nova.
— Nunca! Agora você é minha prisioneira — declarou ele, a risada dele se misturando ao som dos trovões distantes.
Ele a baixou devagar, mas em vez de deixá-la em pé, ele a manteve em seus braços, carregando-a no estilo noiva enquanto caminhava em direção à varanda coberta. A brincadeira havia dado lugar a uma intimidade vibrante e elétrica. Ao chegarem à área seca, ele a colocou cuidadosamente sobre o banco de madeira, mas não se afastou.
Rodrigo ajoelhou-se entre as pernas dela, as mãos repousando nos joelhos de Lis. Ele olhou para cima, e a luz da varanda refletiu-se em seus olhos, criando uma constelação de brilhos dourados. Com uma das mãos, ele afastou uma mecha de cabelo molhado do rosto dela, o polegar acariciando a maçã do rosto de Lis com uma ternura que a fez estremecer.
— Você está tremendo — notou ele, a preocupação surgindo em seu rosto.
— É só o efeito que você tem sobre mim — admitiu ela em um sussurro, inclinando-se para frente para que suas mãos pudessem emoldurar o rosto dele.
Rodrigo fechou os olhos ao sentir o toque dela, inclinando a cabeça para beijar a palma de sua mão. Aquele gesto simples, carregado de devoção, dizia mais do que qualquer poema. Ele se levantou lentamente, sem nunca quebrar o contato visual, e a puxou para um abraço apertado, onde o único som era o da chuva lá fora e o da respiração compartilhada.
— Vamos entrar — disse ele suavemente contra o ouvido dela —, antes que você pegue um resfriado e eu tenha que passar o resto da semana cuidando de você.
— E isso seria tão ruim assim? — perguntou Lis, com um sorriso brincalhão enquanto se afastava apenas o suficiente para olhar para ele.
Rodrigo sorriu de volta, o tipo de sorriso que prometia uma vida inteira de tardes chuvosas e momentos como aquele.
— Seria o meu maior prazer, mas prefiro você saudável para a gente poder dançar de novo na próxima tempestade.
Eles entraram na casa, deixando para trás as pegadas na grama e o eco de suas risadas, mas levando consigo a certeza de que, não importava o quanto o mundo lá fora estivesse tempestuoso, dentro daquele abraço, o sol sempre encontraria uma maneira de brilhar.
Lis estava parada na varanda, observando as gotas pesadas criarem poças sobre o gramado. Ela sentiu a presença dele antes mesmo de ouvir seus passos. Rodrigo aproximou-se, os ombros largos quase bloqueando a luz que vinha da cozinha. Aos dezenove anos, ele tinha aquela beleza que parecia esculpida com paciência: alto, com mãos de dedos longos e firmes que Lis adorava observar, e um cabelo liso, tão negro e hidratado que brilhava mesmo sob a luz pálida do temporal.
— Você não está pensando em ir lá fora, está? — perguntou Rodrigo, com um sorriso de canto que fazia seus olhos impecáveis, de um castanho profundo e magnético, brilharem com diversão.
Lis virou-se para ele, a ponta do nariz perfeito levemente úmida pela névoa da chuva. Ela era mais baixa que ele, o que a obrigava a inclinar a cabeça para encontrar aquele olhar que sempre a desarmava. Seus cabelos longos e castanhos caíam em ondas sobre os ombros, e o brilho em seus olhos denunciava que a resposta já estava dada.
— E quem vai me impedir? — desafiou ela, rindo.
Sem esperar por uma resposta, Lis deu um passo para fora da proteção do telhado. O choque da água fria contra sua pele foi imediato, arrancando-lhe um suspiro de surpresa seguido por uma gargalhada cristalina. Em segundos, suas roupas estavam coladas ao corpo e seu cabelo, antes perfeitamente alinhado, pesava em suas costas.
Rodrigo hesitou por apenas um segundo antes de segui-la. Quando a chuva atingiu seu cabelo liso, os fios se moldaram ao seu rosto, acentuando o maxilar definido e a intensidade de sua expressão. Ele parecia um príncipe de algum conto de fadas moderno, perdido em um quintal de subúrbio.
— Você enlouqueceu, Lis! — exclamou ele, embora já estivesse correndo atrás dela.
— Me pega se for capaz! — gritou ela, saltando sobre uma pequena poça e correndo em direção ao centro do gramado.
A brincadeira começou como um jogo de perseguição infantil, cheio de adrenalina e alegria pura. Lis corria com a agilidade de quem conhecia cada canto daquele jardim, enquanto Rodrigo, com suas pernas longas, tentava alcançá-la sem escorregar na grama ensopada. Ela pulava, girava e zombava dele, sentindo-se mais viva do que nunca. A chuva era uma cortina que os separava da realidade, das responsabilidades e do tempo.
Finalmente, Rodrigo conseguiu cercá-la perto da grande mangueira. Com um movimento rápido, ele a envolveu pela cintura, tirando-a do chão por um momento. Lis soltou um grito de surpresa que logo se transformou em uma risada abafada contra o pescoço dele.
— Te peguei — sussurrou ele, a voz vibrando contra a pele dela.
— Foi sorte — rebateu ela, ofegante, sentindo o calor do corpo dele contrastar com o frio da água que caía sem parar.
Ele a colocou no chão, mas não a soltou. Pelo contrário, Rodrigo pegou uma de suas mãos com aquela delicadeza característica de suas mãos lindas, enquanto a outra repousava firmemente na base das costas dela.
— Concede-me esta dança, senhorita? — perguntou ele, fazendo uma reverência exagerada que o deixou com o rosto nivelado ao dela por um instante.
— Na chuva, Rodrigo? — Lis arqueou uma sobrancelha, embora já estivesse se posicionando.
— Especialmente na chuva.
Eles começaram a dançar uma valsa improvisada. Não havia música, exceto pelo ritmo percussivo do temporal e o som de seus corações batendo em uníssono. Rodrigo a conduzia com uma elegância natural, seus pés deslizando na lama e na grama como se estivessem em um salão de mármore. Lis se deixava levar, fechando os olhos e sentindo a segurança dos braços dele. Ele a girou, e por um momento, o mundo foi apenas um borrão de verde, cinza e o brilho dos olhos de Rodrigo.
Quando o giro terminou, ele a puxou para perto com força, eliminando qualquer espaço que restasse entre eles. O rosto dele estava a milímetros do dela, gotas de água escorrendo de suas mechas lisas e caindo sobre as bochechas de Lis.
— Você é a coisa mais linda que eu já vi — disse ele, a voz agora baixa e carregada de uma seriedade que fez o estômago de Lis dar voltas.
— E você está todo encharcado — brincou ela, tentando disfarçar o quanto o comentário a afetara, mas suas mãos já subiam para o pescoço dele, os dedos se perdendo nos fios úmidos e macios.
Rodrigo não respondeu com palavras. Ele inclinou a cabeça e selou seus lábios nos dela. O beijo começou calmo, um encontro de reconhecimento sob o temporal, mas rapidamente se transformou em algo muito mais profundo. Era um beijo que provava a chuva e o desejo, uma mistura de frescor e calor. A língua dele explorava a dela com uma urgência gentil, e Lis sentiu seus joelhos fraquejarem. Ela se agarrou aos ombros dele, puxando-o para mais perto, querendo fundir-se a ele. As mãos de Rodrigo, aquelas mãos que ela tanto admirava, desceram pelas suas costas, espalhando arrepios que nada tinham a ver com o frio da água.
Eles se separaram apenas o suficiente para recuperar o fôlego, as testas coladas, ambos ofegantes. O olhar de Rodrigo estava fixo nos lábios de Lis, que agora estavam vermelhos e inchados.
— Eu amo você — sussurrou ele, a intensidade em seus olhos impecáveis quase insuportável.
— Eu também amo você, Rodrigo. Mais do que consigo dizer.
Ele sorriu, um sorriso que iluminou o dia cinzento, e então, com um brilho travesso voltando ao olhar, ele se abaixou subitamente. Lis soltou um gritinho de surpresa quando sentiu as mãos fortes dele segurarem suas coxas e a erguerem do chão, sentando-a em seu ombro como se ela não pesasse nada.
— Rodrigo! Me coloca no chão! — gritou ela, rindo e batendo levemente em suas costas, enquanto ele começava a girar novamente, fazendo-a ver o quintal de uma perspectiva totalmente nova.
— Nunca! Agora você é minha prisioneira — declarou ele, a risada dele se misturando ao som dos trovões distantes.
Ele a baixou devagar, mas em vez de deixá-la em pé, ele a manteve em seus braços, carregando-a no estilo noiva enquanto caminhava em direção à varanda coberta. A brincadeira havia dado lugar a uma intimidade vibrante e elétrica. Ao chegarem à área seca, ele a colocou cuidadosamente sobre o banco de madeira, mas não se afastou.
Rodrigo ajoelhou-se entre as pernas dela, as mãos repousando nos joelhos de Lis. Ele olhou para cima, e a luz da varanda refletiu-se em seus olhos, criando uma constelação de brilhos dourados. Com uma das mãos, ele afastou uma mecha de cabelo molhado do rosto dela, o polegar acariciando a maçã do rosto de Lis com uma ternura que a fez estremecer.
— Você está tremendo — notou ele, a preocupação surgindo em seu rosto.
— É só o efeito que você tem sobre mim — admitiu ela em um sussurro, inclinando-se para frente para que suas mãos pudessem emoldurar o rosto dele.
Rodrigo fechou os olhos ao sentir o toque dela, inclinando a cabeça para beijar a palma de sua mão. Aquele gesto simples, carregado de devoção, dizia mais do que qualquer poema. Ele se levantou lentamente, sem nunca quebrar o contato visual, e a puxou para um abraço apertado, onde o único som era o da chuva lá fora e o da respiração compartilhada.
— Vamos entrar — disse ele suavemente contra o ouvido dela —, antes que você pegue um resfriado e eu tenha que passar o resto da semana cuidando de você.
— E isso seria tão ruim assim? — perguntou Lis, com um sorriso brincalhão enquanto se afastava apenas o suficiente para olhar para ele.
Rodrigo sorriu de volta, o tipo de sorriso que prometia uma vida inteira de tardes chuvosas e momentos como aquele.
— Seria o meu maior prazer, mas prefiro você saudável para a gente poder dançar de novo na próxima tempestade.
Eles entraram na casa, deixando para trás as pegadas na grama e o eco de suas risadas, mas levando consigo a certeza de que, não importava o quanto o mundo lá fora estivesse tempestuoso, dentro daquele abraço, o sol sempre encontraria uma maneira de brilhar.
