
← Voltar à lista de fanfics
0 curtida
Me and Pond
Fandom: PondPhuwin
Criado: 22/05/2026
Tags
RomanceDramaAngústiaOmegaversoCrimeEstudo de PersonagemCiúmesPsicológico
O Gosto Amargo da Possessão
O estúdio fotográfico sempre foi o santuário de Peach. Entre o zumbido dos flashes, o ajuste milimétrico das lentes e o cheiro de café forte, ele detinha o controle absoluto. Ali, ele não era um ômega; era Peachayarat, o olhar que transformava marcas comuns em ícones de desejo. Mas, naquela manhã, o ar parecia saturado de algo que nenhum sistema de ventilação conseguia filtrar: o rastro de sândalo e couro de Theerakit Kian Lee.
Peach ajustou o foco da câmera com uma agressividade desnecessária. Fazia três dias desde o "incidente" no evento da Arseni. Três dias desde que o calor súbito e avassalador de seu corpo o traiu, e Thee, em um surto de instinto protetor e possessividade bruta, cravou os dentes na curvatura de seu pescoço para selar uma marca temporária.
A marca ainda pulsava sob o curativo discreto que Peach usava. Era como uma coleira invisível que queimava sempre que ele pensava no alfa.
— Peach, a luz no canto esquerdo está estourando um pouco — comentou sua assistente, soando hesitante.
— Eu sei, Ploy. Eu tenho olhos — rebateu Peach, o tom seco e sarcástico cortando o silêncio do estúdio. — Só estou esperando o modelo entender que "olhar de luxo" não é a mesma coisa que "olhar de quem está com dor de barriga".
Ele bufou, afastando-se da câmera e passando a mão pelos cabelos escuros, visivelmente frustrado. O problema não era o modelo. O problema era o homem parado na sombra do mezanino, observando cada movimento seu como um predador avaliando sua presa.
Thee não tinha negócios a tratar no set hoje. A campanha da Arseni já estava em fase de finalização das fotos conceituais. No entanto, lá estava ele, vestindo um terno sob medida que abraçava seus ombros largos, os braços cruzados sobre o peito poderoso.
Peach tentou ignorar a presença esmagadora do alfa, mas seus próprios feromônios o traíam, agitando-se em uma mistura de irritação e uma submissão biológica que ele desprezava com todas as suas forças.
— Pausa de dez minutos — anunciou Peach, largando a câmera sobre a mesa de equipamentos. — E alguém, por favor, peça para o "segurança" ali em cima descer. Ele está distraindo a equipe.
Thee não esperou ser convidado. Ele desceu as escadas de metal com uma elegância letal, o som de seus sapatos ecoando no chão de concreto. Os funcionários se afastaram instintivamente, abrindo caminho para o alfa dominante cuja linhagem mafiosa, embora oficialmente deixada para trás, ainda transparecia em seu olhar gélido.
— Eu não sabia que minha presença distraía você, Peach — disse Thee, sua voz profunda vibrando no peito de Peach de uma forma que o fez cerrar os dentes. — Achei que você fosse um profissional capaz de trabalhar sob qualquer pressão.
Peach virou-se, cruzando os braços e encarando o homem que era quase dez centímetros mais alto que ele.
— Eu sou um profissional. O que eu não sou é uma peça de exibição em um zoológico particular — Peach retrucou, a voz baixa e carregada de veneno. — Por que você está aqui, Theerakit? E por que tem quatro homens de preto parados na porta do meu estúdio?
Thee deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal de Peach. O cheiro de sândalo intensificou-se, envolvendo o ômega como um abraço forçado.
— Você sofreu um pré-cio em público, Peach. A marca temporária vai desaparecer em alguns dias, mas até lá, seu cheiro está... instável. — Thee inclinou a cabeça, os olhos escuros fixos na lateral do pescoço de Peach. — Outros alfas podem se sentir encorajados. Eu não permitirei que ninguém chegue perto do que é meu.
Peach soltou uma risada curta e sem humor, seus olhos brilhando com uma inteligência afiada e uma fúria contida.
— "Do que é seu"? — Peach deu um passo à frente, batendo com o dedo indicador no peito firme de Thee. — Escute bem, Sr. Kian Lee. Eu aceitei um contrato de trabalho, não um contrato de propriedade. Essa marca foi um erro de percurso, uma conveniência biológica para evitar um desastre maior. Ela não te dá o direito de policiar minha vida ou meu estúdio.
Thee segurou o pulso de Peach com uma rapidez impressionante. Não foi um aperto doloroso, mas era firme, inabalável.
— Não foi apenas conveniência — murmurou Thee, sua expressão suavizando-se por um breve segundo antes de endurecer novamente. — Meu lobo não aceita distância. E, a julgar pela forma como seu coração está disparado agora, o seu também não.
— Meu coração está disparado de raiva — mentiu Peach, embora soubesse que Thee podia sentir a verdade através do vínculo temporário.
— Mentiroso — Thee sussurrou, aproximando o rosto do ouvido de Peach. — Você é tão dedicado ao seu trabalho, tão perfeccionista... Por que não aplica esse mesmo rigor para aceitar a realidade? Você é meu ômega, Peachayarat. Pelo menos enquanto essa marca durar. E depois que ela sumir... eu farei questão de te conquistar novamente.
Peach sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ele odiava o quanto Thee era confiante, o quanto ele parecia ler seus pensamentos mais íntimos. O fotógrafo puxou o braço, e desta vez Thee o soltou.
— Você é louco. Um mafioso obcecado que não entende a palavra "não".
— Eu entendo a palavra. Só escolho ignorá-la quando o prêmio vale o esforço — Thee deu um meio sorriso, um gesto que misturava diversão e uma possessividade perigosa. — Agora, continue seu trabalho. Eu vou ficar ali, em silêncio. Mas se aquele modelo tocar em você para "ajustar a pose" de novo, eu vou quebrar os dedos dele.
— Thee! — Peach exclamou, horrorizado.
— É um aviso, não uma ameaça — disse o alfa, voltando calmamente para o mezanino.
Peach soltou um suspiro pesado, sentindo a têmpora latejar. Ele odiava o fato de que, apesar de toda a arrogância de Thee, ele se sentia estranhamente seguro com a presença dele ali. Era uma traição de seus próprios instintos. Ele era um homem moderno, independente, um engenheiro de sua própria vida que por acaso tinha um talento nato para a fotografia. Ele não deveria precisar de um alfa territorialista rosnando para qualquer um que cruzasse seu caminho.
— Ploy! — Peach gritou. — Traga o próximo figurino. E diga ao modelo que, se ele não melhorar a expressão, eu mesmo vou chutá-lo para fora daqui.
As próximas duas horas foram um exercício de autocontrole. Peach trabalhava com uma precisão cirúrgica, mas sua consciência estava permanentemente dividida. Ele sentia o olhar de Thee em suas costas, pesado e constante. Era como se houvesse um fio invisível conectando-os, puxando-o sempre na direção do alfa.
Quando a sessão finalmente terminou e a equipe começou a desmontar o equipamento, Peach sentiu o cansaço o atingir. O estresse de manter os feromônios sob controle estava exaurindo suas energias.
— Você precisa comer — a voz de Thee surgiu logo atrás dele, desta vez sem o tom de comando, mas com uma nota de preocupação genuína.
— Eu tenho edição para fazer — Peach respondeu automaticamente, guardando sua lente favorita na maleta acolchoada.
— A edição pode esperar. Seu corpo está pedindo descanso. — Thee colocou a mão no ombro de Peach. — Venha. Eu reservei um lugar.
— Eu não vou a lugar nenhum com você cercado por seguranças. Parece que estou sendo preso.
Thee soltou um suspiro baixo e, para a surpresa de Peach, fez um sinal com a mão para os homens na porta. Eles assentiram e se retiraram para o corredor, desaparecendo de vista.
— Melhor? — perguntou Thee, um brilho divertido nos olhos. — Apenas eu e você. Sem guardas, sem flashes.
Peach olhou para ele, tentando encontrar uma falha, um sinal de que aquilo era apenas mais um jogo de poder. Mas o que viu foi o rosto de Naravit, o homem por trás da máscara de herdeiro da máfia. Havia uma suavidade ali, uma vulnerabilidade que Thee só parecia mostrar quando estavam a sós.
— Eu escolho o lugar — Peach cedeu, embora sua mente gritasse que aquilo era um erro.
— Desde que não seja um lugar onde eu tenha que matar alguém por olhar demais para você, aceito qualquer coisa — Thee sorriu, e Peach não pôde evitar o revirar de olhos sarcástico que se tornou sua marca registrada.
— Você é impossível.
— E você é persistente. É por isso que combinamos.
Eles saíram do estúdio pelo elevador de serviço, evitando os paparazzi que Thee mencionara estarem à espreita. No carro — um SUV preto blindado que Thee insistiu em dirigir pessoalmente — o silêncio não era desconfortável, mas carregado de uma eletricidade estática.
Peach observava o perfil de Thee enquanto ele dirigia. O maxilar definido, as mãos grandes e firmes no volante, a expressão concentrada. Ele era, sem dúvida, o homem mais atraente que Peach já vira, o que tornava tudo ainda mais difícil.
— Por que eu? — Peach perguntou de repente, quebrando o silêncio. — Você poderia ter qualquer ômega da cidade. Alguém que ficaria feliz em ser sua "propriedade", alguém que não reclamaria dos seus seguranças ou do seu gênio difícil.
Thee parou o carro em um sinal vermelho e virou-se para Peach. A intensidade em seus olhos era o suficiente para fazer os joelhos de qualquer um tremerem.
— Porque nenhum outro cheira como você — disse Thee, a voz rouca. — Nenhum outro me olha com esse desdém inteligente que me dá vontade de te calar com um beijo e, ao mesmo tempo, ouvir você falar por horas. E porque, Peach... no momento em que meus olhos encontraram os seus através daquela lente, eu soube. Não é sobre biologia. É sobre o fato de que eu passei a vida inteira construindo um império, e só agora percebi que ele estava vazio.
Peach desviou o olhar, sentindo o rosto esquentar. Ele não estava acostumado com esse tipo de sinceridade. Ele preferia o sarcasmo, a distância, o trabalho.
— Você é muito dramático — Peach murmurou, embora seu coração estivesse batendo contra as costelas como um pássaro engaiolado.
— E você é muito teimoso — Thee rebateu, voltando a acelerar o carro. — Mas temos a vida inteira para resolver isso.
— Eu não disse que ficaria com você pelo resto da vida.
— Você não precisa dizer. Eu já decidi por nós dois.
Peach abriu a boca para protestar, mas a interrompeu. Sabia que discutir com Thee naquele estado era inútil. Além disso, uma parte pequena, mas barulhenta de sua mente, começou a se perguntar como seria se ele simplesmente... parasse de lutar.
O restaurante era um lugar pequeno e reservado, longe do burburinho das áreas nobres. Peach o escolhera justamente por ser frequentado por artistas e intelectuais que não se importavam com quem estava na mesa ao lado.
Enquanto comiam, a conversa fluiu de forma surpreendentemente fácil. Thee ouvia atentamente enquanto Peach falava sobre sua paixão pela engenharia e como isso influenciava sua percepção de geometria na fotografia. Por sua vez, Thee contou histórias de sua infância, omitindo as partes sangrentas, mas deixando claro que sua proteção obsessiva vinha de um lugar de perda.
— Minha família sempre teve tudo, Peach. Mas nunca tivemos paz — disse Thee, girando a taça de vinho. — Eu saí do negócio ilegal porque queria algo que fosse meu, algo construído com inteligência, não com medo. Mas o instinto de proteger o que é valioso... isso eu nunca vou perder.
Peach sentiu uma pontada de empatia. Ele também construíra sua carreira do zero, lutando contra os estereótipos de que um ômega com sua aparência deveria estar na frente das câmeras, não atrás delas.
— Eu entendo o desejo de proteger o que é seu — disse Peach, sua voz mais suave agora. — Mas você precisa entender que eu não sou um objeto valioso, Thee. Eu sou uma pessoa. Eu tenho vontade própria. Se você tentar me prender, eu vou quebrar a gaiola, mesmo que ela seja feita de ouro.
Thee esticou a mão sobre a mesa, cobrindo a mão de Peach com a sua. O calor do contato fez a marca no pescoço de Peach pulsar em reconhecimento.
— Então eu não vou te prender. Vou construir um mundo onde você queira ficar por vontade própria.
Antes que Peach pudesse responder, seu celular vibrou intensamente sobre a mesa. Era uma notificação de um site de fofocas famoso. Ele sentiu o sangue fugir do rosto ao ler a manchete:
"O NOVO CAPRICHO DO HERDEIRO KIAN LEE: Quem é o fotógrafo misterioso que conquistou o coração do ex-mafioso?"
Abaixo, uma foto granulada, mas clara o suficiente, mostrava Thee carregando Peach para fora do evento da Arseni, o pescoço de Peach visivelmente exposto, a marca de Thee brilhando sob as luzes.
Peach sentiu uma onda de pânico. Sua privacidade, sua carreira meticulosamente construída, tudo estava sendo reduzido a um "capricho".
— O que foi? — Thee perguntou, sua expressão tornando-se instantaneamente gélida ao notar a mudança no ômega.
Peach virou o celular para ele. Thee leu a manchete e seus olhos brilharam com uma fúria que fez o ar ao redor deles parecer pesado.
— Eu vou cuidar disso — disse Thee, sua voz soando como um trovão distante.
— Não! — Peach exclamou, levantando-se. — Você não entende? É exatamente isso que eu temia. Agora eu sou "o ômega do Thee". Minha carreira, meu trabalho... tudo vai ser visto através desse filtro.
— Peach, escute...
— Não, Thee. Você disse que queria me proteger, mas sua simples presença na minha vida é o que mais me coloca em perigo. — Peach pegou sua bolsa, as mãos tremendo levemente. — Eu preciso ir.
— Peachayarat, espere! — Thee levantou-se para segui-lo, mas Peach já estava na porta.
— Não me siga. Por favor. Se você realmente quer me proteger, me dê espaço.
Thee parou no meio do restaurante, seus instintos gritando para que ele corresse atrás do ômega, para que o pegasse nos braços e o levasse para algum lugar onde ninguém pudesse vê-lo ou falar dele. Mas ele viu a expressão de dor e frustração no rosto de Peach. Pela primeira vez na vida, o alfa dominante sentiu o peso de suas escolhas.
Ele observou Peach desaparecer na noite, o cheiro de pêssego e chuva desaparecendo lentamente, deixando apenas o gosto amargo da possessão em sua boca.
— Você quer que eu o siga, senhor? — um de seus seguranças apareceu silenciosamente ao seu lado.
Thee apertou os punhos, os nós dos dedos ficando brancos.
— Mantenha a distância. Proteja-o das sombras. E descubra quem vazou aquela foto. Eu quero o nome da agência e do fotógrafo em minha mesa em uma hora.
Thee olhou para a cadeira vazia onde Peach estivera sentado. O vínculo entre eles ainda vibrava, uma corda esticada que ameaçava romper. Ele sabia que Peach era diferente de tudo o que ele já conhecera. E sabia que, para ter o fotógrafo de volta, ele teria que aprender a ser mais do que apenas um alfa dominante. Teria que ser o homem que Peach merecia.
Mas, enquanto isso, o mundo descobriria que mexer com o que pertencia a Theerakit Kian Lee era o erro mais caro que alguém poderia cometer.
Peach ajustou o foco da câmera com uma agressividade desnecessária. Fazia três dias desde o "incidente" no evento da Arseni. Três dias desde que o calor súbito e avassalador de seu corpo o traiu, e Thee, em um surto de instinto protetor e possessividade bruta, cravou os dentes na curvatura de seu pescoço para selar uma marca temporária.
A marca ainda pulsava sob o curativo discreto que Peach usava. Era como uma coleira invisível que queimava sempre que ele pensava no alfa.
— Peach, a luz no canto esquerdo está estourando um pouco — comentou sua assistente, soando hesitante.
— Eu sei, Ploy. Eu tenho olhos — rebateu Peach, o tom seco e sarcástico cortando o silêncio do estúdio. — Só estou esperando o modelo entender que "olhar de luxo" não é a mesma coisa que "olhar de quem está com dor de barriga".
Ele bufou, afastando-se da câmera e passando a mão pelos cabelos escuros, visivelmente frustrado. O problema não era o modelo. O problema era o homem parado na sombra do mezanino, observando cada movimento seu como um predador avaliando sua presa.
Thee não tinha negócios a tratar no set hoje. A campanha da Arseni já estava em fase de finalização das fotos conceituais. No entanto, lá estava ele, vestindo um terno sob medida que abraçava seus ombros largos, os braços cruzados sobre o peito poderoso.
Peach tentou ignorar a presença esmagadora do alfa, mas seus próprios feromônios o traíam, agitando-se em uma mistura de irritação e uma submissão biológica que ele desprezava com todas as suas forças.
— Pausa de dez minutos — anunciou Peach, largando a câmera sobre a mesa de equipamentos. — E alguém, por favor, peça para o "segurança" ali em cima descer. Ele está distraindo a equipe.
Thee não esperou ser convidado. Ele desceu as escadas de metal com uma elegância letal, o som de seus sapatos ecoando no chão de concreto. Os funcionários se afastaram instintivamente, abrindo caminho para o alfa dominante cuja linhagem mafiosa, embora oficialmente deixada para trás, ainda transparecia em seu olhar gélido.
— Eu não sabia que minha presença distraía você, Peach — disse Thee, sua voz profunda vibrando no peito de Peach de uma forma que o fez cerrar os dentes. — Achei que você fosse um profissional capaz de trabalhar sob qualquer pressão.
Peach virou-se, cruzando os braços e encarando o homem que era quase dez centímetros mais alto que ele.
— Eu sou um profissional. O que eu não sou é uma peça de exibição em um zoológico particular — Peach retrucou, a voz baixa e carregada de veneno. — Por que você está aqui, Theerakit? E por que tem quatro homens de preto parados na porta do meu estúdio?
Thee deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal de Peach. O cheiro de sândalo intensificou-se, envolvendo o ômega como um abraço forçado.
— Você sofreu um pré-cio em público, Peach. A marca temporária vai desaparecer em alguns dias, mas até lá, seu cheiro está... instável. — Thee inclinou a cabeça, os olhos escuros fixos na lateral do pescoço de Peach. — Outros alfas podem se sentir encorajados. Eu não permitirei que ninguém chegue perto do que é meu.
Peach soltou uma risada curta e sem humor, seus olhos brilhando com uma inteligência afiada e uma fúria contida.
— "Do que é seu"? — Peach deu um passo à frente, batendo com o dedo indicador no peito firme de Thee. — Escute bem, Sr. Kian Lee. Eu aceitei um contrato de trabalho, não um contrato de propriedade. Essa marca foi um erro de percurso, uma conveniência biológica para evitar um desastre maior. Ela não te dá o direito de policiar minha vida ou meu estúdio.
Thee segurou o pulso de Peach com uma rapidez impressionante. Não foi um aperto doloroso, mas era firme, inabalável.
— Não foi apenas conveniência — murmurou Thee, sua expressão suavizando-se por um breve segundo antes de endurecer novamente. — Meu lobo não aceita distância. E, a julgar pela forma como seu coração está disparado agora, o seu também não.
— Meu coração está disparado de raiva — mentiu Peach, embora soubesse que Thee podia sentir a verdade através do vínculo temporário.
— Mentiroso — Thee sussurrou, aproximando o rosto do ouvido de Peach. — Você é tão dedicado ao seu trabalho, tão perfeccionista... Por que não aplica esse mesmo rigor para aceitar a realidade? Você é meu ômega, Peachayarat. Pelo menos enquanto essa marca durar. E depois que ela sumir... eu farei questão de te conquistar novamente.
Peach sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ele odiava o quanto Thee era confiante, o quanto ele parecia ler seus pensamentos mais íntimos. O fotógrafo puxou o braço, e desta vez Thee o soltou.
— Você é louco. Um mafioso obcecado que não entende a palavra "não".
— Eu entendo a palavra. Só escolho ignorá-la quando o prêmio vale o esforço — Thee deu um meio sorriso, um gesto que misturava diversão e uma possessividade perigosa. — Agora, continue seu trabalho. Eu vou ficar ali, em silêncio. Mas se aquele modelo tocar em você para "ajustar a pose" de novo, eu vou quebrar os dedos dele.
— Thee! — Peach exclamou, horrorizado.
— É um aviso, não uma ameaça — disse o alfa, voltando calmamente para o mezanino.
Peach soltou um suspiro pesado, sentindo a têmpora latejar. Ele odiava o fato de que, apesar de toda a arrogância de Thee, ele se sentia estranhamente seguro com a presença dele ali. Era uma traição de seus próprios instintos. Ele era um homem moderno, independente, um engenheiro de sua própria vida que por acaso tinha um talento nato para a fotografia. Ele não deveria precisar de um alfa territorialista rosnando para qualquer um que cruzasse seu caminho.
— Ploy! — Peach gritou. — Traga o próximo figurino. E diga ao modelo que, se ele não melhorar a expressão, eu mesmo vou chutá-lo para fora daqui.
As próximas duas horas foram um exercício de autocontrole. Peach trabalhava com uma precisão cirúrgica, mas sua consciência estava permanentemente dividida. Ele sentia o olhar de Thee em suas costas, pesado e constante. Era como se houvesse um fio invisível conectando-os, puxando-o sempre na direção do alfa.
Quando a sessão finalmente terminou e a equipe começou a desmontar o equipamento, Peach sentiu o cansaço o atingir. O estresse de manter os feromônios sob controle estava exaurindo suas energias.
— Você precisa comer — a voz de Thee surgiu logo atrás dele, desta vez sem o tom de comando, mas com uma nota de preocupação genuína.
— Eu tenho edição para fazer — Peach respondeu automaticamente, guardando sua lente favorita na maleta acolchoada.
— A edição pode esperar. Seu corpo está pedindo descanso. — Thee colocou a mão no ombro de Peach. — Venha. Eu reservei um lugar.
— Eu não vou a lugar nenhum com você cercado por seguranças. Parece que estou sendo preso.
Thee soltou um suspiro baixo e, para a surpresa de Peach, fez um sinal com a mão para os homens na porta. Eles assentiram e se retiraram para o corredor, desaparecendo de vista.
— Melhor? — perguntou Thee, um brilho divertido nos olhos. — Apenas eu e você. Sem guardas, sem flashes.
Peach olhou para ele, tentando encontrar uma falha, um sinal de que aquilo era apenas mais um jogo de poder. Mas o que viu foi o rosto de Naravit, o homem por trás da máscara de herdeiro da máfia. Havia uma suavidade ali, uma vulnerabilidade que Thee só parecia mostrar quando estavam a sós.
— Eu escolho o lugar — Peach cedeu, embora sua mente gritasse que aquilo era um erro.
— Desde que não seja um lugar onde eu tenha que matar alguém por olhar demais para você, aceito qualquer coisa — Thee sorriu, e Peach não pôde evitar o revirar de olhos sarcástico que se tornou sua marca registrada.
— Você é impossível.
— E você é persistente. É por isso que combinamos.
Eles saíram do estúdio pelo elevador de serviço, evitando os paparazzi que Thee mencionara estarem à espreita. No carro — um SUV preto blindado que Thee insistiu em dirigir pessoalmente — o silêncio não era desconfortável, mas carregado de uma eletricidade estática.
Peach observava o perfil de Thee enquanto ele dirigia. O maxilar definido, as mãos grandes e firmes no volante, a expressão concentrada. Ele era, sem dúvida, o homem mais atraente que Peach já vira, o que tornava tudo ainda mais difícil.
— Por que eu? — Peach perguntou de repente, quebrando o silêncio. — Você poderia ter qualquer ômega da cidade. Alguém que ficaria feliz em ser sua "propriedade", alguém que não reclamaria dos seus seguranças ou do seu gênio difícil.
Thee parou o carro em um sinal vermelho e virou-se para Peach. A intensidade em seus olhos era o suficiente para fazer os joelhos de qualquer um tremerem.
— Porque nenhum outro cheira como você — disse Thee, a voz rouca. — Nenhum outro me olha com esse desdém inteligente que me dá vontade de te calar com um beijo e, ao mesmo tempo, ouvir você falar por horas. E porque, Peach... no momento em que meus olhos encontraram os seus através daquela lente, eu soube. Não é sobre biologia. É sobre o fato de que eu passei a vida inteira construindo um império, e só agora percebi que ele estava vazio.
Peach desviou o olhar, sentindo o rosto esquentar. Ele não estava acostumado com esse tipo de sinceridade. Ele preferia o sarcasmo, a distância, o trabalho.
— Você é muito dramático — Peach murmurou, embora seu coração estivesse batendo contra as costelas como um pássaro engaiolado.
— E você é muito teimoso — Thee rebateu, voltando a acelerar o carro. — Mas temos a vida inteira para resolver isso.
— Eu não disse que ficaria com você pelo resto da vida.
— Você não precisa dizer. Eu já decidi por nós dois.
Peach abriu a boca para protestar, mas a interrompeu. Sabia que discutir com Thee naquele estado era inútil. Além disso, uma parte pequena, mas barulhenta de sua mente, começou a se perguntar como seria se ele simplesmente... parasse de lutar.
O restaurante era um lugar pequeno e reservado, longe do burburinho das áreas nobres. Peach o escolhera justamente por ser frequentado por artistas e intelectuais que não se importavam com quem estava na mesa ao lado.
Enquanto comiam, a conversa fluiu de forma surpreendentemente fácil. Thee ouvia atentamente enquanto Peach falava sobre sua paixão pela engenharia e como isso influenciava sua percepção de geometria na fotografia. Por sua vez, Thee contou histórias de sua infância, omitindo as partes sangrentas, mas deixando claro que sua proteção obsessiva vinha de um lugar de perda.
— Minha família sempre teve tudo, Peach. Mas nunca tivemos paz — disse Thee, girando a taça de vinho. — Eu saí do negócio ilegal porque queria algo que fosse meu, algo construído com inteligência, não com medo. Mas o instinto de proteger o que é valioso... isso eu nunca vou perder.
Peach sentiu uma pontada de empatia. Ele também construíra sua carreira do zero, lutando contra os estereótipos de que um ômega com sua aparência deveria estar na frente das câmeras, não atrás delas.
— Eu entendo o desejo de proteger o que é seu — disse Peach, sua voz mais suave agora. — Mas você precisa entender que eu não sou um objeto valioso, Thee. Eu sou uma pessoa. Eu tenho vontade própria. Se você tentar me prender, eu vou quebrar a gaiola, mesmo que ela seja feita de ouro.
Thee esticou a mão sobre a mesa, cobrindo a mão de Peach com a sua. O calor do contato fez a marca no pescoço de Peach pulsar em reconhecimento.
— Então eu não vou te prender. Vou construir um mundo onde você queira ficar por vontade própria.
Antes que Peach pudesse responder, seu celular vibrou intensamente sobre a mesa. Era uma notificação de um site de fofocas famoso. Ele sentiu o sangue fugir do rosto ao ler a manchete:
"O NOVO CAPRICHO DO HERDEIRO KIAN LEE: Quem é o fotógrafo misterioso que conquistou o coração do ex-mafioso?"
Abaixo, uma foto granulada, mas clara o suficiente, mostrava Thee carregando Peach para fora do evento da Arseni, o pescoço de Peach visivelmente exposto, a marca de Thee brilhando sob as luzes.
Peach sentiu uma onda de pânico. Sua privacidade, sua carreira meticulosamente construída, tudo estava sendo reduzido a um "capricho".
— O que foi? — Thee perguntou, sua expressão tornando-se instantaneamente gélida ao notar a mudança no ômega.
Peach virou o celular para ele. Thee leu a manchete e seus olhos brilharam com uma fúria que fez o ar ao redor deles parecer pesado.
— Eu vou cuidar disso — disse Thee, sua voz soando como um trovão distante.
— Não! — Peach exclamou, levantando-se. — Você não entende? É exatamente isso que eu temia. Agora eu sou "o ômega do Thee". Minha carreira, meu trabalho... tudo vai ser visto através desse filtro.
— Peach, escute...
— Não, Thee. Você disse que queria me proteger, mas sua simples presença na minha vida é o que mais me coloca em perigo. — Peach pegou sua bolsa, as mãos tremendo levemente. — Eu preciso ir.
— Peachayarat, espere! — Thee levantou-se para segui-lo, mas Peach já estava na porta.
— Não me siga. Por favor. Se você realmente quer me proteger, me dê espaço.
Thee parou no meio do restaurante, seus instintos gritando para que ele corresse atrás do ômega, para que o pegasse nos braços e o levasse para algum lugar onde ninguém pudesse vê-lo ou falar dele. Mas ele viu a expressão de dor e frustração no rosto de Peach. Pela primeira vez na vida, o alfa dominante sentiu o peso de suas escolhas.
Ele observou Peach desaparecer na noite, o cheiro de pêssego e chuva desaparecendo lentamente, deixando apenas o gosto amargo da possessão em sua boca.
— Você quer que eu o siga, senhor? — um de seus seguranças apareceu silenciosamente ao seu lado.
Thee apertou os punhos, os nós dos dedos ficando brancos.
— Mantenha a distância. Proteja-o das sombras. E descubra quem vazou aquela foto. Eu quero o nome da agência e do fotógrafo em minha mesa em uma hora.
Thee olhou para a cadeira vazia onde Peach estivera sentado. O vínculo entre eles ainda vibrava, uma corda esticada que ameaçava romper. Ele sabia que Peach era diferente de tudo o que ele já conhecera. E sabia que, para ter o fotógrafo de volta, ele teria que aprender a ser mais do que apenas um alfa dominante. Teria que ser o homem que Peach merecia.
Mas, enquanto isso, o mundo descobriria que mexer com o que pertencia a Theerakit Kian Lee era o erro mais caro que alguém poderia cometer.
