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Recomeço,Amor,vida e....Morte
Fandom: Harry Potter,Michael Jackson (singer)
Criado: 22/05/2026
Tags
RomanceUA (Universo Alternativo)Dor/ConfortoFantasiaConsertoViagem no TempoAlmas GêmeasDivergênciaHistória Doméstica
O Último Ensaio e o Primeiro Despertar
O silêncio do Rancho Neverland em 2026 era absoluto, interrompido apenas pelo farfalhar das folhas de carvalho e o eco distante de uma lembrança que nunca morria. Hesperia Potter Black, a Senhora da Morte, caminhava pelos corredores de sua mansão com a elegância sombria que apenas séculos de isolamento e poder poderiam conferir. Seus saltos estalavam contra o piso polido. Ela parou diante do espelho, observando a mulher de quarenta e cinco anos que a encarava de volta. O rosto era belo, marcado por uma maturidade fria e olhos verdes que brilhavam com o conhecimento de mundos que a maioria dos mortais jamais ousaria imaginar.
Ela acabara de voltar do cinema. Assistir ao filme biográfico de Michael fora uma tortura necessária. Cada cena, cada nota musical, cada erro cometido por aqueles que deveriam protegê-lo rasgava sua alma imortal. Michael Jackson. O homem que ela amara através de discos de vinil nas masmorras de Hogwarts e de fitas cassete no Largo Grimmauld. O único homem que sua maldição permitira que ela amasse.
Ao chegar em casa, ela ligou o computador e mergulhou no abismo de 2009. Viu a entrevista do empresário, ouviu as últimas palavras de Michael para a equipe: "Eu amo vocês... verei vocês amanhã".
— Amanhã — sussurrou Hesperia, a voz suave e profunda, carregada de um desprezo gelado pelo destino. — Não houve um amanhã para você, meu amor. Mas eu sou a Morte. E a Morte não aceita "não" como resposta.
A magia em sua alma, agora totalmente assentada após décadas de maturação, pulsou. O tempo e o espaço não eram mais barreiras, eram fios de um tapete que ela poderia desfiar e tecer novamente. Ela não sentia remorso. O Mundo Bruxo fora reconstruído, seus deveres como heroína estavam cumpridos. Agora, ela queria o que era seu por direito de alma.
Hesperia fechou os olhos. O ritual não exigia cânticos ou sangue, apenas a vontade absoluta da Mestre. A realidade ao redor de Neverland começou a se fragmentar. O ar estalou com o poder de mil trovões silenciosos. O mundo se autodestruiu e se reconstruiu em um piscar de olhos, reescrevendo memórias, criando passados, inserindo uma existência onde antes havia apenas um vácuo.
***
24 de junho de 2009 – Staples Center, Los Angeles.
O som da bateria ecoava como batidas de um coração gigante. No palco, a figura magra, quase etérea de Michael Jackson executava movimentos que desafiavam a física. Ele estava exausto. Hesperia, agora em um corpo de vinte e nove anos, com curvas generosas sob um corset de veludo negro e uma saia justa, observava das sombras laterais do palco.
Nesta nova realidade, ela era sua secretária e camareira pessoal. Eles estavam namorando há um mês. Para Michael, ela era sua Hess, a mulher pagã de voz calma que aparecera em sua vida como um anjo sombrio e se tornara seu porto seguro. Para todos os outros, ela era a herdeira de uma fortuna britânica antiga que, por algum motivo fascinante, decidira cuidar do Rei do Pop.
Michael terminou "Earth Song". Ele estava ofegante, o peito subindo e descendo com dificuldade sob a camisa encharcada. Ele se despediu da equipe com a doçura habitual, mas Hesperia viu o tremor em suas mãos.
— Bill — Michael murmurou para o segurança enquanto descia as escadas do palco —, eu estou tão cansado. Eu preciso dormir, Bill. Se eu não dormir, não vou aguentar amanhã.
Hesperia não esperou. Ela se moveu com a agilidade de um predador, deslizando em direção ao camarim privativo antes que ele chegasse. Com um movimento imperceptível da mão, sem varinha, ela materializou uma jarra de suco de laranja fresco. De um compartimento oculto em seu anel de ônix, ela derramou duas gotas de um líquido incolor e inodoro.
Uma gota para a cura celular lenta. Outra para o sono profundo e restaurador, uma poção de paz que nenhum médico trouxa jamais conseguiria sintetizar.
A porta se abriu. Michael entrou, parecendo mais uma sombra do que um homem. Ele usava uma de suas perucas impecáveis, mas Hesperia sabia o que havia por baixo: as cicatrizes, a dor, o couro cabeludo castigado. Seus olhos encontraram os dela, e um brilho de alívio genuíno cruzou seu rosto pálido.
— Hess... — Ele disse, a voz num sussurro rouco.
— Venha aqui, meu amor — ela disse, sua voz marcante agindo como um bálsamo.
Michael caminhou até ela e praticamente desabou em seus braços. Hesperia o segurou com firmeza, sentindo quão magro ele estava. Cinquenta e um quilos distribuídos em um metro e setenta e oito de altura. Era um crime. Ela beijou sua têmpora, sentindo o calor da febre de exaustão.
— Você foi brilhante, Michael. Mais do que brilhante.
— Eles querem tanto de mim, Hess... — Ele murmurou, escondendo o rosto no pescoço dela, aspirando o perfume de sândalo e magia. — Eu não sei se tenho tudo isso para dar.
— Você tem a mim — ela respondeu, afastando-se apenas o suficiente para pegar o copo de suco. — Beba isso. Você precisa se hidratar antes de irmos para a casa de North Carolwood.
Michael pegou o copo, suas mãos tocando as dela. Ele olhou para o suco com uma leve hesitação, mas a confiança que sentia por Hesperia era absoluta, algo que a própria Morte havia selado em sua alma naquela nova linha temporal. Ele bebeu tudo, limpando os lábios com as costas da mão.
— Obrigado, docinho. Você sempre cuida de mim.
Ele se sentou no sofá de couro, tentando desamarrar os sapatos, mas seus movimentos estavam ficando lentos. O efeito da poção de sono era suave, como uma névoa descendo sobre uma montanha.
— Sabe... — Michael começou, um brilho travesso surgindo em seus olhos apesar do cansaço. Ele olhou para o decote do corset de Hesperia, onde seus seios grandes eram realçados pela renda negra. — Esse seu estilo "bruxa gótica" é muito... estimulante.
Hesperia arqueou uma sobrancelha, fingindo uma severidade que não sentia.
— Michael Joseph Jackson, você está exausto demais para ser um libertino.
— Como ousa me acusar de coisas tão absurdas?! — Ele exclamou, arregalando os olhos e colocando a mão no peito em um gesto de falsa indignação. — Sou um cavalheiro, garanto! Eu estava apenas... admirando o bordado da renda. É um trabalho manual fascinante.
Hesperia soltou uma risada curta e deliciada.
— Sei exatamente o que você estava admirando, seu santinho do pau oco.
Michael riu, um som fraco mas genuíno, e esticou a mão para puxá-la pela cintura, forçando-a a se sentar ao lado dele. Ele apertou sua coxa com uma possessividade que sempre a surpreendia. Atrás das câmeras, Michael não era o ídolo tímido; era um homem que reivindicava o que amava.
— Eu adoro quando você é atrevida — ele sussurrou, aproximando o rosto do dela. O hálito dele cheirava a laranja e algo doce. — Quando eu acordar amanhã... eu vou mostrar para você quem é o libertino.
Ele a beijou. Foi um beijo profundo, cheio de promessas e de uma fome que a saúde debilitada ainda não conseguira apagar. Mas, no meio do beijo, Hesperia sentiu o corpo dele relaxar. A poção estava vencendo a adrenalina do palco.
Michael se afastou, piscando pesadamente.
— Minha cabeça... está ficando pesada. Acho que o ensaio realmente acabou comigo hoje.
— Deite-se, Michael. O carro ainda vai demorar uns minutos para ser posicionado.
Ele não discutiu. Deitou-se no sofá, acomodando a cabeça no colo de Hesperia. Ela começou a acariciar seus cabelos, passando os dedos pela nuca, onde sabia que a tensão se acumulava.
— Hess? — Ele chamou, quase num fio de voz, os olhos já fechados.
— Sim, meu bem?
— Me conte uma fofoca... algo bobo... para eu esquecer o mundo.
Hesperia sorriu, sabendo que ele amava um bom drama de bastidores.
— Bem, ouvi dizer que um certo diretor de cinema, que se diz muito sério, foi pego no camarim usando o vestido da atriz principal para "entrar no personagem".
Michael soltou um "hum" abafado, um sorriso brincando em seus lábios.
— Sério? Que escândalo... mas quem somos nós para julgar, não é? — Ele murmurou a frase clássica, embora o tom de diversão fosse evidente.
Poucos minutos depois, a respiração de Michael tornou-se lenta e rítmica. Ele estava em um sono profundo, o primeiro sono verdadeiramente natural e restaurador que tivera em anos. Não havia Propofol aqui. Não havia benzodiazepínicos. Apenas a magia da vida contida em um suco de laranja.
A porta do camarim se abriu suavemente. Bill Whitfield, o segurança, e Frank DiLeo entraram, a expressão carregada de preocupação.
— Michael, o carro está... — Frank parou abruptamente ao ver a cena.
Hesperia colocou um dedo sobre os lábios, seus olhos verdes brilhando com uma intensidade que fez os dois homens recuarem um passo, instintivamente intimidados.
— Ele dormiu — ela disse, a voz baixa e firme. — E não vai ser acordado.
— Mas temos que ir para casa, o Dr. Murray está esperando para... — Bill começou.
— O Dr. Murray não vai tocar nele esta noite — Hesperia interrompeu, e havia algo em seu tom que não admitia contestações. — Michael está exausto. Ele encontrou a paz aqui. Digam ao médico que ele já dormiu sob minha supervisão e que não precisa de assistência médica esta noite. Eu ficarei com ele.
Frank DiLeo olhou para o patrão. Michael parecia mais jovem enquanto dormia, a tensão saindo de seu rosto.
— Ele parece... bem — Frank admitiu, surpreso. — Ele nunca dorme assim, tão rápido.
— É o meu toque, Frank — Hesperia mentiu com a facilidade de quem já viveu mil vidas. — Agora, por favor, saiam e fechem a porta. Trarei Michael para casa pela manhã, ou ficaremos aqui se ele preferir.
Quando os dois saíram, Hesperia usou um feitiço silencioso para trancar a porta e outro para ajustar a temperatura do quarto. Ela conjurou um cobertor de lã de seda invisível para os olhos comuns, mas quente e reconfortante para Michael.
Ela passou o resto da noite observando-o. Com sua visão mágica, ela podia ver a poção de cura trabalhando em suas veias, selando as marcas de injeção nos braços, fortalecendo as paredes de seu coração sobrecarregado, limpando seus pulmões. Seria um processo lento. Ela não podia curá-lo de uma vez sem levantar suspeitas, mas ela tinha todo o tempo do mundo. Ela era a dona do tempo, afinal.
***
O sol da manhã de 25 de junho de 2009 começou a filtrar-se pelas frestas das cortinas do camarim. Michael Jackson abriu os olhos lentamente. Por um momento, ele ficou confuso. Não havia a névoa pesada dos remédios, não havia aquela náusea seca que o perseguia todas as manhãs.
Ele sentiu algo macio sob sua bochecha. O colo de Hesperia. Ela estava encostada no encosto do sofá, dormindo levemente, com a mão pequena e pálida ainda entrelaçada na dele.
Michael se sentou devagar, esperando a tontura habitual, mas ela não veio. Seu corpo parecia... leve. Suas articulações não doíam tanto. A dor de cabeça crônica que ele carregava como uma coroa de espinhos havia desaparecido.
— Hess? — Ele chamou suavemente.
Ela abriu os olhos e sorriu para ele.
— Bom dia, meu amor. Como se sente?
Michael esticou os braços, ouvindo os ossos estalarem, mas de um jeito bom.
— Eu me sinto... maravilhoso. Hess, eu dormi. Eu realmente dormi a noite inteira. Sem interrupções. Sem pesadelos.
Ele a puxou para um abraço apertado, enterrando o rosto em seus cabelos negros.
— Foi você, não foi? — Ele murmurou contra o pescoço dela. — Sua presença... você tem uma energia tão calma. Você é minha pequena bruxa pagã, salvando minha alma.
Hesperia sorriu contra o ombro dele, os olhos brilhando com um segredo que ele só descobriria muito além daquela vida.
— Eu disse que cuidaria de você, Michael. Eu sempre vou cuidar.
— Eu não quero ir para aquela casa em Carolwood agora — Michael disse, afastando-se para olhar nos olhos dela. — As crianças estão com minha mãe em Neverland esta semana. Vamos para lá? Quero ver o sol nascer no rancho. Quero sentir que estou vivo.
Hesperia acariciou o rosto dele, sentindo a pele mais firme sob seus dedos. O destino havia sido alterado. O dia 25 de junho, que deveria ser o dia de sua morte, agora seria o primeiro dia de sua verdadeira vida.
— Vamos para casa, Michael.
Enquanto caminhavam em direção à saída, Michael parou e olhou para ela, aquele brilho possessivo e atrevido retornando aos seus olhos.
— E Hess?
— Sim?
— Sobre aquela conversa de ontem... sobre eu ser um libertino... — Ele deu um sorriso de lado, aquele que derretia milhões de corações, mas que agora pertencia apenas a ela. — Minhas energias estão totalmente renovadas. Espero que você esteja preparada para o que vem a seguir.
Hesperia riu, sentindo o peso da imortalidade tornar-se leve como uma pluma.
— Eu sou uma Potter Black, Michael. Eu sempre estou preparada.
Eles saíram para a luz do dia, deixando para trás a sombra da morte que nunca os alcançaria. A Mestre da Morte havia feito sua escolha, e o Rei do Pop tinha, finalmente, todo o tempo do mundo para amar.
Ela acabara de voltar do cinema. Assistir ao filme biográfico de Michael fora uma tortura necessária. Cada cena, cada nota musical, cada erro cometido por aqueles que deveriam protegê-lo rasgava sua alma imortal. Michael Jackson. O homem que ela amara através de discos de vinil nas masmorras de Hogwarts e de fitas cassete no Largo Grimmauld. O único homem que sua maldição permitira que ela amasse.
Ao chegar em casa, ela ligou o computador e mergulhou no abismo de 2009. Viu a entrevista do empresário, ouviu as últimas palavras de Michael para a equipe: "Eu amo vocês... verei vocês amanhã".
— Amanhã — sussurrou Hesperia, a voz suave e profunda, carregada de um desprezo gelado pelo destino. — Não houve um amanhã para você, meu amor. Mas eu sou a Morte. E a Morte não aceita "não" como resposta.
A magia em sua alma, agora totalmente assentada após décadas de maturação, pulsou. O tempo e o espaço não eram mais barreiras, eram fios de um tapete que ela poderia desfiar e tecer novamente. Ela não sentia remorso. O Mundo Bruxo fora reconstruído, seus deveres como heroína estavam cumpridos. Agora, ela queria o que era seu por direito de alma.
Hesperia fechou os olhos. O ritual não exigia cânticos ou sangue, apenas a vontade absoluta da Mestre. A realidade ao redor de Neverland começou a se fragmentar. O ar estalou com o poder de mil trovões silenciosos. O mundo se autodestruiu e se reconstruiu em um piscar de olhos, reescrevendo memórias, criando passados, inserindo uma existência onde antes havia apenas um vácuo.
***
24 de junho de 2009 – Staples Center, Los Angeles.
O som da bateria ecoava como batidas de um coração gigante. No palco, a figura magra, quase etérea de Michael Jackson executava movimentos que desafiavam a física. Ele estava exausto. Hesperia, agora em um corpo de vinte e nove anos, com curvas generosas sob um corset de veludo negro e uma saia justa, observava das sombras laterais do palco.
Nesta nova realidade, ela era sua secretária e camareira pessoal. Eles estavam namorando há um mês. Para Michael, ela era sua Hess, a mulher pagã de voz calma que aparecera em sua vida como um anjo sombrio e se tornara seu porto seguro. Para todos os outros, ela era a herdeira de uma fortuna britânica antiga que, por algum motivo fascinante, decidira cuidar do Rei do Pop.
Michael terminou "Earth Song". Ele estava ofegante, o peito subindo e descendo com dificuldade sob a camisa encharcada. Ele se despediu da equipe com a doçura habitual, mas Hesperia viu o tremor em suas mãos.
— Bill — Michael murmurou para o segurança enquanto descia as escadas do palco —, eu estou tão cansado. Eu preciso dormir, Bill. Se eu não dormir, não vou aguentar amanhã.
Hesperia não esperou. Ela se moveu com a agilidade de um predador, deslizando em direção ao camarim privativo antes que ele chegasse. Com um movimento imperceptível da mão, sem varinha, ela materializou uma jarra de suco de laranja fresco. De um compartimento oculto em seu anel de ônix, ela derramou duas gotas de um líquido incolor e inodoro.
Uma gota para a cura celular lenta. Outra para o sono profundo e restaurador, uma poção de paz que nenhum médico trouxa jamais conseguiria sintetizar.
A porta se abriu. Michael entrou, parecendo mais uma sombra do que um homem. Ele usava uma de suas perucas impecáveis, mas Hesperia sabia o que havia por baixo: as cicatrizes, a dor, o couro cabeludo castigado. Seus olhos encontraram os dela, e um brilho de alívio genuíno cruzou seu rosto pálido.
— Hess... — Ele disse, a voz num sussurro rouco.
— Venha aqui, meu amor — ela disse, sua voz marcante agindo como um bálsamo.
Michael caminhou até ela e praticamente desabou em seus braços. Hesperia o segurou com firmeza, sentindo quão magro ele estava. Cinquenta e um quilos distribuídos em um metro e setenta e oito de altura. Era um crime. Ela beijou sua têmpora, sentindo o calor da febre de exaustão.
— Você foi brilhante, Michael. Mais do que brilhante.
— Eles querem tanto de mim, Hess... — Ele murmurou, escondendo o rosto no pescoço dela, aspirando o perfume de sândalo e magia. — Eu não sei se tenho tudo isso para dar.
— Você tem a mim — ela respondeu, afastando-se apenas o suficiente para pegar o copo de suco. — Beba isso. Você precisa se hidratar antes de irmos para a casa de North Carolwood.
Michael pegou o copo, suas mãos tocando as dela. Ele olhou para o suco com uma leve hesitação, mas a confiança que sentia por Hesperia era absoluta, algo que a própria Morte havia selado em sua alma naquela nova linha temporal. Ele bebeu tudo, limpando os lábios com as costas da mão.
— Obrigado, docinho. Você sempre cuida de mim.
Ele se sentou no sofá de couro, tentando desamarrar os sapatos, mas seus movimentos estavam ficando lentos. O efeito da poção de sono era suave, como uma névoa descendo sobre uma montanha.
— Sabe... — Michael começou, um brilho travesso surgindo em seus olhos apesar do cansaço. Ele olhou para o decote do corset de Hesperia, onde seus seios grandes eram realçados pela renda negra. — Esse seu estilo "bruxa gótica" é muito... estimulante.
Hesperia arqueou uma sobrancelha, fingindo uma severidade que não sentia.
— Michael Joseph Jackson, você está exausto demais para ser um libertino.
— Como ousa me acusar de coisas tão absurdas?! — Ele exclamou, arregalando os olhos e colocando a mão no peito em um gesto de falsa indignação. — Sou um cavalheiro, garanto! Eu estava apenas... admirando o bordado da renda. É um trabalho manual fascinante.
Hesperia soltou uma risada curta e deliciada.
— Sei exatamente o que você estava admirando, seu santinho do pau oco.
Michael riu, um som fraco mas genuíno, e esticou a mão para puxá-la pela cintura, forçando-a a se sentar ao lado dele. Ele apertou sua coxa com uma possessividade que sempre a surpreendia. Atrás das câmeras, Michael não era o ídolo tímido; era um homem que reivindicava o que amava.
— Eu adoro quando você é atrevida — ele sussurrou, aproximando o rosto do dela. O hálito dele cheirava a laranja e algo doce. — Quando eu acordar amanhã... eu vou mostrar para você quem é o libertino.
Ele a beijou. Foi um beijo profundo, cheio de promessas e de uma fome que a saúde debilitada ainda não conseguira apagar. Mas, no meio do beijo, Hesperia sentiu o corpo dele relaxar. A poção estava vencendo a adrenalina do palco.
Michael se afastou, piscando pesadamente.
— Minha cabeça... está ficando pesada. Acho que o ensaio realmente acabou comigo hoje.
— Deite-se, Michael. O carro ainda vai demorar uns minutos para ser posicionado.
Ele não discutiu. Deitou-se no sofá, acomodando a cabeça no colo de Hesperia. Ela começou a acariciar seus cabelos, passando os dedos pela nuca, onde sabia que a tensão se acumulava.
— Hess? — Ele chamou, quase num fio de voz, os olhos já fechados.
— Sim, meu bem?
— Me conte uma fofoca... algo bobo... para eu esquecer o mundo.
Hesperia sorriu, sabendo que ele amava um bom drama de bastidores.
— Bem, ouvi dizer que um certo diretor de cinema, que se diz muito sério, foi pego no camarim usando o vestido da atriz principal para "entrar no personagem".
Michael soltou um "hum" abafado, um sorriso brincando em seus lábios.
— Sério? Que escândalo... mas quem somos nós para julgar, não é? — Ele murmurou a frase clássica, embora o tom de diversão fosse evidente.
Poucos minutos depois, a respiração de Michael tornou-se lenta e rítmica. Ele estava em um sono profundo, o primeiro sono verdadeiramente natural e restaurador que tivera em anos. Não havia Propofol aqui. Não havia benzodiazepínicos. Apenas a magia da vida contida em um suco de laranja.
A porta do camarim se abriu suavemente. Bill Whitfield, o segurança, e Frank DiLeo entraram, a expressão carregada de preocupação.
— Michael, o carro está... — Frank parou abruptamente ao ver a cena.
Hesperia colocou um dedo sobre os lábios, seus olhos verdes brilhando com uma intensidade que fez os dois homens recuarem um passo, instintivamente intimidados.
— Ele dormiu — ela disse, a voz baixa e firme. — E não vai ser acordado.
— Mas temos que ir para casa, o Dr. Murray está esperando para... — Bill começou.
— O Dr. Murray não vai tocar nele esta noite — Hesperia interrompeu, e havia algo em seu tom que não admitia contestações. — Michael está exausto. Ele encontrou a paz aqui. Digam ao médico que ele já dormiu sob minha supervisão e que não precisa de assistência médica esta noite. Eu ficarei com ele.
Frank DiLeo olhou para o patrão. Michael parecia mais jovem enquanto dormia, a tensão saindo de seu rosto.
— Ele parece... bem — Frank admitiu, surpreso. — Ele nunca dorme assim, tão rápido.
— É o meu toque, Frank — Hesperia mentiu com a facilidade de quem já viveu mil vidas. — Agora, por favor, saiam e fechem a porta. Trarei Michael para casa pela manhã, ou ficaremos aqui se ele preferir.
Quando os dois saíram, Hesperia usou um feitiço silencioso para trancar a porta e outro para ajustar a temperatura do quarto. Ela conjurou um cobertor de lã de seda invisível para os olhos comuns, mas quente e reconfortante para Michael.
Ela passou o resto da noite observando-o. Com sua visão mágica, ela podia ver a poção de cura trabalhando em suas veias, selando as marcas de injeção nos braços, fortalecendo as paredes de seu coração sobrecarregado, limpando seus pulmões. Seria um processo lento. Ela não podia curá-lo de uma vez sem levantar suspeitas, mas ela tinha todo o tempo do mundo. Ela era a dona do tempo, afinal.
***
O sol da manhã de 25 de junho de 2009 começou a filtrar-se pelas frestas das cortinas do camarim. Michael Jackson abriu os olhos lentamente. Por um momento, ele ficou confuso. Não havia a névoa pesada dos remédios, não havia aquela náusea seca que o perseguia todas as manhãs.
Ele sentiu algo macio sob sua bochecha. O colo de Hesperia. Ela estava encostada no encosto do sofá, dormindo levemente, com a mão pequena e pálida ainda entrelaçada na dele.
Michael se sentou devagar, esperando a tontura habitual, mas ela não veio. Seu corpo parecia... leve. Suas articulações não doíam tanto. A dor de cabeça crônica que ele carregava como uma coroa de espinhos havia desaparecido.
— Hess? — Ele chamou suavemente.
Ela abriu os olhos e sorriu para ele.
— Bom dia, meu amor. Como se sente?
Michael esticou os braços, ouvindo os ossos estalarem, mas de um jeito bom.
— Eu me sinto... maravilhoso. Hess, eu dormi. Eu realmente dormi a noite inteira. Sem interrupções. Sem pesadelos.
Ele a puxou para um abraço apertado, enterrando o rosto em seus cabelos negros.
— Foi você, não foi? — Ele murmurou contra o pescoço dela. — Sua presença... você tem uma energia tão calma. Você é minha pequena bruxa pagã, salvando minha alma.
Hesperia sorriu contra o ombro dele, os olhos brilhando com um segredo que ele só descobriria muito além daquela vida.
— Eu disse que cuidaria de você, Michael. Eu sempre vou cuidar.
— Eu não quero ir para aquela casa em Carolwood agora — Michael disse, afastando-se para olhar nos olhos dela. — As crianças estão com minha mãe em Neverland esta semana. Vamos para lá? Quero ver o sol nascer no rancho. Quero sentir que estou vivo.
Hesperia acariciou o rosto dele, sentindo a pele mais firme sob seus dedos. O destino havia sido alterado. O dia 25 de junho, que deveria ser o dia de sua morte, agora seria o primeiro dia de sua verdadeira vida.
— Vamos para casa, Michael.
Enquanto caminhavam em direção à saída, Michael parou e olhou para ela, aquele brilho possessivo e atrevido retornando aos seus olhos.
— E Hess?
— Sim?
— Sobre aquela conversa de ontem... sobre eu ser um libertino... — Ele deu um sorriso de lado, aquele que derretia milhões de corações, mas que agora pertencia apenas a ela. — Minhas energias estão totalmente renovadas. Espero que você esteja preparada para o que vem a seguir.
Hesperia riu, sentindo o peso da imortalidade tornar-se leve como uma pluma.
— Eu sou uma Potter Black, Michael. Eu sempre estou preparada.
Eles saíram para a luz do dia, deixando para trás a sombra da morte que nunca os alcançaria. A Mestre da Morte havia feito sua escolha, e o Rei do Pop tinha, finalmente, todo o tempo do mundo para amar.
