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O amor entre traição e romance

Fandom: Sn,Ana julia,mãe de sn,mãe dos gêmeos ,Antônio,João pedro,e outras meninas

Criado: 22/05/2026

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RomanceFatias de VidaHistória DomésticaFofuraRealismoCiúmesEstudo de PersonagemCenário CanônicoDramaDor/ConfortoAngústia
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Três Semanas Sob o Mesmo Teto

A mala de S/n estava aberta sobre a cama, uma bagunça de roupas de verão e moletons que ela tentava organizar sem muito sucesso. O som do salto alto de sua mãe ecoava pelo corredor, indicando que o tempo de despedida estava se esgotando. S/n suspirou, passando a mão pelos seus longos cabelos ondulados castanhos escuros, sentindo o frio na barriga que a acompanhava desde que o plano fora anunciado.

Sua mãe, uma executiva dedicada, havia conseguido um contrato importante que exigia uma viagem de três semanas. A coincidência? A mãe dos gêmeos, melhor amiga e sócia de sua mãe, iria junto. A solução "perfeita" que encontraram foi hospedar S/n na casa dos meninos para que ela não ficasse sozinha e para que pudessem cuidar uns dos outros. O problema era que S/n nunca tinha visto Antônio ou João Pedro pessoalmente, apenas em fotos borradas de redes sociais e nos relatos entusiasmados de sua mãe.

— S/n, querida, vamos logo! — chamou a mãe da porta do quarto. — A Lúcia já está nos esperando com os meninos. Você vai adorar a casa deles, é enorme e tem piscina.

— Eu sei, mãe, você já disse isso dez vezes — S/n riu, fechando o zíper da mala com esforço. — Só acho estranho cair de paraquedas na casa de dois estranhos.

— Eles não são estranhos, são os filhos da Lúcia! — a mãe rebateu, pegando uma das bolsas. — O João Pedro é um doce, namora uma menina adorável, a Ana Júlia. E o Antônio... bom, o Antônio é mais reservado, mas tem um coração de ouro. Você vai ficar bem.

O trajeto até a mansão da família dos gêmeos foi preenchido por recomendações de segurança e conselhos sobre como se comportar. Quando o carro parou diante dos portões automáticos, S/n sentiu o coração acelerar. A casa era moderna, com grandes fachadas de vidro e um jardim impecável.

Assim que desceram, foram recebidas por Lúcia e um rapaz loiro de sorriso fácil que S/n presumiu ser João Pedro.

— Sejam bem-vindas! — exclamou Lúcia, abraçando a mãe de S/n. — E você deve ser a S/n. Meu Deus, como você é linda! As fotos não fazem justiça a esses olhos castanhos.

— Obrigada, Dona Lúcia — S/n sorriu timidamente.

— Por favor, só Lúcia! — Ela gesticulou para o rapaz ao seu lado. — Este é o João Pedro.

— Prazer, S/n! — João Pedro estendeu a mão, simpático. — Pode ficar tranquila que a gente não morde. A Ana Júlia, minha namorada, deve chegar daqui a pouco para nos ajudar com o jantar, então você já vai conhecendo todo mundo.

— O prazer é meu — respondeu S/n, sentindo-se um pouco mais relaxada.

— E onde está o Antônio? — perguntou a mãe de S/n, olhando ao redor.

— Provavelmente enfurnado no estúdio ou na biblioteca — Lúcia revirou os olhos de forma carinhosa. — Antônio! Desça aqui agora!

Alguns segundos se passaram até que um vulto apareceu no topo da escada de madeira nobre. Se João Pedro transmitia uma energia solar e aberta, o rapaz que descia as escadas era o oposto. Antônio tinha os mesmos traços do irmão, mas havia algo mais intenso em seu olhar. Ele vestia uma camiseta preta básica que contrastava com sua pele clara, e seus movimentos eram calmos, quase calculados.

Quando seus olhos encontraram os de S/n, ele parou por um breve segundo antes de continuar a descida. S/n sentiu um formigamento estranho na nuca. Ele era, sem dúvida, o rapaz mais bonito que ela já vira pessoalmente.

— Oi — disse ele, com uma voz profunda, ao chegar perto do grupo.

— Antônio, esta é a S/n — apresentou Lúcia. — Ela vai ficar com vocês enquanto estivermos fora. Trate de ser um bom anfitrião.

Ele apenas assentiu, mantendo o contato visual com S/n por um tempo que pareceu longo demais para ser apenas educação.

— Oi, Antônio — S/n conseguiu dizer, tentando manter a voz firme apesar da altura dele a intimidar um pouco.

— Vou levar suas malas para o quarto de hóspedes — ele disse, sem esperar por uma resposta, pegando a bagagem pesada como se não pesasse nada.

A despedida das mães foi rápida e cheia de recomendações de última hora. Em menos de trinta minutos, os portões se fecharam e o silêncio se instalou na sala, quebrado apenas pelo som da TV que João Pedro ligara.

— Bom, eu vou para a cozinha — anunciou João Pedro. — A Ana Júlia mandou mensagem dizendo que está no portão. S/n, sinta-se em casa. O Antônio está lá em cima se precisar de ajuda com as roupas.

S/n subiu as escadas lentamente. O corredor era comprido e decorado com quadros abstratos. Ela encontrou a porta do quarto de hóspedes aberta. Antônio estava encostado no batente da janela, observando o jardim lá fora.

— O quarto é confortável — disse ele, sem se virar. — Tem um banheiro privativo e a senha do Wi-Fi está escrita naquele papel em cima da mesa.

— Obrigada, Antônio — S/n entrou, deixando sua bolsa sobre a poltrona. — Desculpe o incômodo, sei que deve ser chato ter uma desconhecida em casa por três semanas.

Ele se virou finalmente, cruzando os braços.

— Você não é uma desconhecida. Minha mãe fala de você há anos. S/n, a filha prodígio. S/n, a menina dos cabelos de onda.

S/n sentiu o rosto esquentar.

— Ela exagera muito.

— Talvez — ele deu um passo em direção a ela, e S/n notou o perfume amadeirado que ele exalava. — Mas sobre o cabelo, ela estava certa. É bonito.

Antes que ela pudesse reagir ao elogio inesperado, uma voz feminina e estridente ecoou do andar de baixo.

— João! Cheguei! Cadê a menina nova?

— É a Ana Júlia — Antônio murmurou, com um leve sorriso de canto. — Prepare-se. Ela é... intensa.

Eles desceram juntos. Na cozinha, uma garota loira e muito animada estava pendurada no pescoço de João Pedro. Assim que viu S/n, ela se soltou e correu para um abraço.

— Ai meu Deus, você é muito alta! — exclamou Ana Júlia, soltando S/n e analisando-a de cima a baixo. — Prazer, eu sou a Ana. O João falou que você vinha, eu já fiz uma lista de lugares que a gente tem que ir. Tem umas amigas minhas que morrem de vontade de conhecer gente nova.

— Prazer, Ana — S/n riu da energia da garota. — Calma, eu acabei de chegar.

— Não liga para ela — João Pedro disse, cortando alguns legumes. — A Ana não tem botão de "pausa". Antônio, você vai ajudar no jantar ou vai ficar aí fazendo pose de misterioso?

— Vou ajudar — Antônio respondeu, mas seus olhos ainda buscavam os de S/n com uma curiosidade silenciosa.

O jantar foi mais agradável do que S/n imaginava. João Pedro e Ana Júlia formavam um casal vibrante e trocavam carinhos constantes, o que deixava claro que o romance ali era sólido. S/n se viu conversando sobre a faculdade e seus hobbies, sentindo-se acolhida. No entanto, era a presença silenciosa de Antônio ao seu lado que mais a afetava. Ele não falava muito, mas sempre que ela dizia algo interessante, ele inclinava a cabeça levemente, prestando atenção em cada detalhe.

Mais tarde, após Ana Júlia ir embora e João Pedro se recolher para o quarto para jogar videogame, S/n decidiu ir até a varanda dos fundos para respirar um pouco de ar fresco. A noite estava fresca e o som dos grilos trazia uma paz necessária.

Para sua surpresa, Antônio já estava lá, sentado em um dos sofás externos com um livro no colo, mas ele não estava lendo. Ele olhava para a lua.

— Perdeu o sono? — perguntou ele, notando a presença dela.

— Só um pouco de adrenalina pelo dia cheio — S/n se aproximou e sentou-se na poltrona oposta. — Sua casa é muito silenciosa à noite.

— É o único momento em que consigo pensar — ele fechou o livro. — O João e a Ana são ótimos, mas às vezes o barulho cansa.

— Eu entendo — S/n sorriu. — Eu gosto do silêncio também.

Eles ficaram em silêncio por alguns minutos, mas não era um silêncio desconfortável. Era como se estivessem se reconhecendo sem precisar de palavras.

— Minha mãe disse que você gosta de fotografia — Antônio comentou, quebrando o gelo.

— Gosto sim. Como ela sabe disso?

— Ela e minha mãe trocam fotos de tudo o que vocês fazem desde que eram crianças. Eu já vi fotos suas de quando tinha cinco anos e usava maria-chiquinha.

S/n cobriu o rosto com as mãos, envergonhada.

— Ai, não! Aquilo é terrível!

Antônio soltou uma risada baixa e rouca, um som que fez o coração de S/n dar um salto.

— Não era terrível. Era fofo. Mas prefiro a versão atual.

S/n baixou as mãos, encontrando o olhar intenso de Antônio. Havia uma eletricidade pairando entre eles, algo que ela não esperava encontrar tão cedo, muito menos com o irmão do namorado da menina que acabara de conhecer.

— Você é bem diferente do que eu imaginei, Antônio.

— E o que você imaginou? — ele se inclinou para frente, apoiando os cotovelos nos joelhos.

— Não sei... alguém mais fechado, talvez até um pouco arrogante por causa das descrições da minha mãe sobre você ser "o gênio da família".

— Eu sou fechado — ele admitiu. — Mas não com todo mundo. Só com quem não me desperta interesse.

O tom de voz dele deixou implícito que ela, definitivamente, despertava seu interesse. S/n sentiu um frio na barriga. Três semanas eram muito tempo. Ou talvez, pensou ela enquanto observava o brilho nos olhos de Antônio, fosse pouco tempo demais.

— Acho melhor eu ir dormir — S/n disse, levantando-se um pouco apressada, sentindo que se ficasse ali mais cinco minutos, acabaria fazendo algo impulsivo.

— Boa noite, S/n — Antônio disse, sua voz soando como uma carícia no ar noturno.

— Boa noite, Antônio.

Enquanto caminhava de volta para o quarto, S/n passou pela porta do quarto de João Pedro e ouviu o som abafado de sua risada enquanto falava ao telefone com Ana Júlia. Ela sorriu. João e Ana estavam bem resolvidos.

Ao deitar em sua cama nova, S/n olhou para o teto, processando as últimas horas. Ela viera para passar três semanas tranquila, mas a forma como Antônio a olhava sugeria que aquelas seriam as semanas mais intensas de sua vida. E, no fundo, ela mal podia esperar pelo amanhecer para vê-lo novamente.
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