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Brincadeiras na cozinha

Fandom: Sla

Criado: 22/05/2026

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RomanceFantasiaFofuraFatias de VidaHistória DomésticaCiúmesAventura
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O Brilho da Raposa e o Calor da Mariposa

A cozinha estava impregnada com o aroma doce de ervas e o chiado reconfortante de uma panela de ferro. Nilah, a pequena mariposa de um metro e sessenta, movia-se com uma graciosidade contida, suas asas delicadas e translúcidas dobradas firmemente contra as costas para não esbarrar em nada. Ela vestia uma das camisas de linho de Yuki, que nela parecia um vestido despojado, as mangas dobradas várias vezes para que suas mãos pudessem manejar a colher de pau.

O silêncio da tarde foi subitamente quebrado por um ruído de garras na madeira e uma risada rouca e vibrante. Yuki surgiu na janela, pulando para o parapeito com a agilidade de quem acabara de pregar uma peça em meio mundo. Seus 1,88m de altura preencheram o espaço, e as duas caudas de raposa balançavam freneticamente atrás dele, soltando pequenas faíscas de ar gélido que contrastavam com o calor do fogão.

— Você não acredita na cara que aquele mercador fez quando percebeu que o amuleto dele tinha "sumido" para o topo da árvore mais alta! — Yuki exclamou, ainda rindo, mas o som morreu em sua garganta no instante em que seus olhos focaram em Nilah.

Ele ficou estático, sentado no parapeito, observando como a camisa dele caía pelos ombros dela, revelando a pele clara e as antenas sensíveis que tremiam levemente no topo da cabeça. O olhar dele, geralmente brincalhão, tornou-se profundo e intenso.

— Yuki? — Nilah murmurou, sentindo o peso daquele olhar. — Por que está me olhando assim? É estranho... sinto-me como se fosse uma flor prestes a ser colhida.

A raposa não respondeu com palavras. Em um movimento fluido, ele saltou para dentro e, antes que ela pudesse reagir, envolveu-a por trás. O contraste era imediato: o corpo dele era naturalmente frio como a neve das montanhas, mas o abraço era protetor. Suas mãos grandes encontraram a cintura dela, e ele começou a distribuir ataques rápidos de cócegas.

— Yuki! Para! — Nilah soltou um guincho agudo, rindo desesperadamente enquanto tentava proteger os flancos. — O fogo está ligado! Vai queimar tudo!

Com um movimento casual de uma de suas caudas, Yuki alcançou o botão do fogão e o girou, desligando a chama sem sequer desviar a atenção de sua "borboleta". Entre os risos e o contorcer de Nilah, a camisa larga acabou subindo, e Yuki, aproveitando a oportunidade com a audácia de um ladrão veterano, deslizou as mãos para cima, sentindo a maciez do corpo dela.

— Yuki! — Ela exclamou, o rosto explodindo em um tom de carmesim que rivalizava com o pôr do sol. — Você fez toda essa bagunça só para isso? Seu pervertido!

— Absolutamente — confirmou ele, sem um pingo de vergonha, enterrando o rosto na curvatura do pescoço dela. — Eu adoro como você é macia. É muito melhor do que qualquer tesouro que eu já tenha roubado.

Nilah fez um bico, empurrando-o com as mãos pequenas, embora não fizesse força real.

— Você é impossível — ela resmungou, batendo levemente no topo da cabeça dele. — Mas... tudo bem. Pode continuar, só um pouco... enquanto eu termino de preparar isso. Mas só um pouco!

Yuki sorriu vitorioso, mantendo as mãos onde estavam, apertando-a com carinho enquanto ela voltava a mexer a comida. Nilah, para tentar mudar o foco da sua própria timidez, pegou uma colher pequena, soprou o caldo quente e levou-o aos lábios dele.

— Experimente. Está bom?

Yuki provou, fechando os olhos e soltando um suspiro de satisfação que vibrou contra as costas dela.

— Você cozinha muito melhor do que eu, Nilah. Se dependesse de mim, comeríamos apenas frutas congeladas e o que eu conseguisse surrupiar das vilas.

Nilah sorriu, o coração aquecido pelo elogio, mas o momento de paz foi interrompido por um movimento brusco. Yuki se afastou subitamente, e o ambiente, que antes era fresco devido à natureza gélida da raposa, começou a esquentar de forma antinatural.

Nilah franziu o cenho, sentindo as antenas vibrarem. Quando Yuki ficava irritado ou com ciúmes, ele perdia o controle sobre sua temperatura interna, e o ar ao redor dele começava a ferver.

— O que foi? — perguntou ela, virando-se.

Yuki estava olhando para a mesa da cozinha. Lá, repousava um pequeno embrulho de seda azul que Nilah havia recebido mais cedo de um vizinho, um espírito da floresta que agradecera por ela ter cuidado de suas flores.

— Quem te deu isso? — A voz de Yuki saiu mais grave, e ele estreitou os olhos cor de âmbar.

— Ah, foi o Sr. Pip. Ele apenas quis agradecer por... — Nilah parou de falar quando viu Yuki caminhar até a mesa e bufar, fazendo o papel de seda quase chamuscar.

— Um presente? Para você? — Ele cruzou os braços, as caudas chicoteando o ar com violência. — Eu sou o único que traz coisas para você. Eu trouxe aquela pedra brilhante ontem! E o galho de cerejeira na semana passada!

— Yuki, você trouxe um pomo de ouro que claramente pertencia ao altar da vila vizinha — Nilah lembrou, tentando não rir do ciúmes evidente dele. — E o galho de cerejeira tinha um ninho de vespas nele!

— Eram vespas raras! — ele rebateu, embora o calor no ambiente tenha diminuído um pouco com a vergonha. — O ponto é que eu sou o seu provedor. Eu sou fiel, Nilah. Não preciso de outros espíritos rondando minha mariposa.

Nilah suspirou, mas seus lábios se curvaram em um sorriso terno. Ela caminhou até ele, e suas asas se abriram por um momento, batendo com força — um sinal de que ela também estava ficando estressada com o drama dele.

— Pare de derreter minha cozinha, Yuki. Se você quer ser o único a me dar presentes, então terá que se esforçar mais do que trazer objetos roubados que me deixam em apuros com a guarda da floresta.

Yuki bufou, mas a temperatura voltou ao normal instantaneamente. Ele odiava quando ela tinha razão. Para se redimir, ele estalou os dedos, e pequenas partículas de gelo começaram a dançar no ar. Com a precisão de um mestre artesão, ele moldou o gelo até formar uma pequena escultura de uma mariposa pousada sobre uma lua crescente.

A escultura brilhava intensamente, refletindo a luz da tarde. Nilah, sendo uma criatura atraída pelo brilho, sentiu seus olhos dilatarem. Suas antenas inclinaram-se para a frente, e ela estendeu a mão, hipnotizada.

— É linda... — sussurrou ela.

— Melhor que o presente do Sr. Pip? — ele perguntou, com um sorriso convencido voltando ao rosto.

— Muito melhor — ela admitiu, tocando o gelo frio.

Yuki aproveitou a distração dela para ser travesso novamente. Ele se aproximou e, com um movimento rápido dos dedos, tocou as antenas de Nilah.

— Ah! — Nilah deu um pulinho, o corpo todo estremecendo. — Yuki, não! Você sabe que elas são sensíveis!

— Eu sei — ele riu, fazendo de novo. — Adoro como você treme. Parece que vai levantar voo a qualquer momento.

— Pare! Isso faz cócegas... e é... — Ela ficou vermelha, sem terminar a frase. As antenas eram seu ponto fraco, e a manipulação habilidosa de Yuki a deixava sem defesas.

— É o quê? — provocou ele, aproximando o rosto do dela, o hálito frio refrescando sua pele quente.

— É irritante! — Ela mentiu, tentando manter a dignidade enquanto suas asas batiam freneticamente de nervosismo.

Para se vingar, Nilah avançou e agarrou as duas caudas felpudas de Yuki. Ele soltou um ganido de surpresa. As caudas eram a parte favorita dela, e ela sabia que ele amava quando ela as segurava, mas também o deixava vulnerável.

— Se você não parar de mexer nas minhas antenas, eu vou usar suas caudas como travesseiro agora mesmo e você não vai conseguir sair do lugar para buscar o jantar — ameaçou ela, embora o tom fosse de carinho.

Yuki relaxou imediatamente, o corpo cedendo ao toque dela.

— Isso não é uma ameaça, Nilah. É um convite.

Ele a pegou no colo, ignorando os protestos leves dela sobre a comida que ainda precisava ser servida. Ele a carregou até o grande divã perto da janela, onde o sol batia suavemente. Yuki deitou-se e puxou-a para cima de si. Nilah, como sempre fazia quando estava carente ou exausta das brincadeiras dele, aninhou-se no peito largo da raposa, abraçando as caudas macias contra o rosto.

— Você é um ladrão terrível — murmurou ela, fechando os olhos enquanto sentia o cheiro de pinheiro e neve que emanava dele. — Roubou minha paciência, meu espaço na cozinha e meu coração.

Yuki a envolveu com seus braços fortes, uma das caudas cobrindo-os como um cobertor de pele viva.

— E pretendo nunca devolver — respondeu ele, beijando o topo da cabeça dela, bem entre as antenas. — Agora durma, minha borboleta. Mais tarde eu te levo para voar enquanto eu pulo entre as copas das árvores. Eu vi um reflexo estranho no lago sul... acho que é um cristal de luz que você vai adorar.

Nilah sorriu contra a pelagem dele. Ela sabia que o "reflexo" provavelmente pertencia a algum viajante distraído, mas com Yuki, a vida era sempre uma aventura brilhante, gelada e estranhamente aquecida pelo amor de uma raposa fiel.

— Só se você prometer não brigar com o reflexo se ele brilhar demais — ela brincou, já pegando no sono.

Yuki apenas ronronou, um som baixo que vibrou no peito, enquanto observava sua pequena mariposa descansar em segurança em seus braços, vestindo sua camisa e segurando suas caudas como se fossem o tesouro mais precioso do mundo. E, para Yuki, elas realmente eram, desde que estivessem nas mãos dela.
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