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Friends to Lovers

Fandom: Pokémon Horizon

Criado: 23/05/2026

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RomanceFatias de VidaFofuraHumorCenário CanônicoAventuraEstudo de Personagem
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Cinzas, Café e Confusões Não Planejadas

O despertador no quarto 302 da ala masculina da Academia Índigo não teve a menor chance. Antes mesmo de completar o terceiro toque estridente, Roy já havia arremessado um travesseiro com a precisão de quem lança uma Pokébola de elite, silenciando o aparelho. O problema era que o travesseiro ricocheteou na parede e caiu direto na cara de Ult, que dormia o sono dos justos, ou melhor, dos irônicos.

— Cara, se você fizer isso de novo, eu juro que mando o Sableye esconder as chaves da sua vida — resmungou Ult, a voz abafada pelo travesseiro, enquanto seus cabelos verdes pareciam um ninho de Hoothoot bagunçado.

— Foi mal, Ult! É que hoje tem treino prático de campo e eu tô pilhado! — Roy saltou da beliche de cima com uma energia que beirava o insuportável para as sete da manhã. Ele vestia apenas uma bermuda de moletom, deixando à mostra o físico de quem passava tempo demais correndo atrás de um crocodilo de fogo gigante.

— Pilhado? Roy, você tá com essa cara de quem tomou dez latas de energético desde que a Liko mencionou que ia treinar novos movimentos com a Meowscarada hoje. Assume logo que seu coração faz "Overheat" só de ouvir o nome dela.

Roy parou no meio do caminho para o banheiro, o rosto ficando quase da mesma cor da franja vermelha em seu cabelo preto.

— Nada a ver, mano! A Liko é minha melhor amiga. A gente só... se entende bem nas batalhas. — Ele tentou rir, mas soou como um Geodude engasgado. — E para de falar merda, vai escovar esses dentes.

— "Amiga". Sei. — Ult sentou-se na cama, dando um sorriso de canto enquanto seu Sableye surgia das sombras, mastigando uma pedra preciosa qualquer. — Você é tão transparente que parece um tipo Fantasma, Roy. Só que mais burro emocionalmente.

Enquanto isso, do outro lado do campus, no dormitório feminino, o clima era consideravelmente mais tenso, porém mais silencioso. Liko estava sentada em sua escrivaninha, encarando um caderno de anotações como se ele contivesse os segredos do universo, quando na verdade eram apenas esboços de estratégias de batalha que sempre terminavam com um desenho malfeito do Skeledirge de Roy.

— Liko, você tá encarando essa página faz vinte minutos. Ou você descobriu como solar a Elite Four com um Magikarp, ou tá pensando no Roy de novo — disse Dot, sem tirar os olhos das três telas de monitor à sua frente.

Dot era a personificação do caos organizado. Seus cabelos roxos e rosa estavam presos em um coque frouxo e ela usava um fone de ouvido gigante. No mundo real, ela era a universitária que evitava contato visual com o reitor, mas em duas horas ela se transformaria na Nidotina para uma live de "Como não ser um noob".

— Eu não estava pensando nele! — Liko exclamou, fechando o caderno com força excessiva. — Eu só estava... preocupada com o treino. A Meowscarada está num nível alto, e o Skeledirge é tipo Fogo. É uma desvantagem natural, sabe?

Meowscarada, que estava elegantemente sentada no pé da cama, soltou um ruído que soou estranhamente como uma risada de deboche, ajeitando a flor em seu pescoço.

— Aham, desvantagem natural. Sei bem — ironizou Dot, girando na cadeira. — Engraçado que essa "desvantagem" faz você ficar vermelha toda vez que ele ri de uma piada sem graça sua. Liko, a gente se conhece desde o fundamental. Você é péssima em esconder as coisas. Seu furacão interno tá dando pra ver daqui.

— Não é nada disso, Dot! É só que... o Roy é muito intenso. Ele fala as coisas sem pensar, ele me abraça do nada, ele... ele é o Roy! — Liko escondeu o rosto nas mãos. — Ontem ele disse que meu cabelo cheirava a flores de Galar e depois perguntou se eu queria dividir um combo de nuggets. Como eu devo reagir a isso?

— Com terapia. Ou com um beijo. Mas como você é a Liko, vai provavelmente gaguejar e pedir os nuggets — concluiu Dot, voltando a digitar furiosamente. — Agora sai daqui, o Quaquaval precisa de espaço pra praticar a coreografia de entrada da live e ele não gosta de plateia antes do show.

O encontro nos jardins da academia aconteceu por volta das dez da manhã. O sol de Kanto estava forte, o tipo de dia que fazia o tipo Fogo se sentir em casa. Roy já estava lá, chutando uma pedra enquanto Skeledirge soltava pequenas labaredas pelas narinas, parecendo entediado.

Quando Liko apareceu, vestindo uma regata esportiva e calças legging que acentuavam sua postura de treinadora, Roy sentiu aquele soco familiar no estômago. Não era fome. Era algo que ele tentava abafar com barulho.

— Ei, Liko! Demorou, hein? Achei que a Meowscarada tinha te prendido num "Magical Leaf" pra você não vir perder pra mim! — Roy gritou, acenando freneticamente com um sorriso que iluminava o pátio inteiro.

Liko respirou fundo, tentando manter a dignidade enquanto seu coração martelava contra as costelas.

— Sonha, Roy! A gente estava só revisando a estratégia. — Ela se aproximou, sentindo o calor natural que parecia emanar dele. — Pronta, Meowscarada?

A gata mágica saltou para a frente, pronta para o combate. Mas, antes que o primeiro comando fosse dado, Ult e Dot apareceram, caminhando juntos (sob protestos silenciosos de Dot).

— Ora, ora, se não é o casal dinâmico pronto para destruir o patrimônio público da universidade — provocou Ult, cruzando os braços. — Viemos assistir. Quero ver quanto tempo o Roy leva pra fazer alguma burrada e pedir desculpas com aquela cara de cachorrinho que caiu do caminhão de mudança.

— Cala a boca, Ult! — Roy e Liko gritaram em uníssono, o que só serviu para deixar ambos mais sem graça.

— Sincronia de milhões — murmurou Dot, ajustando os óculos escuros. — Comecem logo isso. Quaquaval quer ver sangue, ou pelo menos um pouco de drama.

A batalha começou intensa. Roy era puro instinto.

— Skeledirge, use o Tocha de Canção! — comandou ele, a voz carregada de adrenalina.

O enorme crocodilo soltou um rugido melódico, lançando uma rajada de fogo em forma de pássaro. Liko, porém, era puro cálculo.

— Meowscarada, evasiva com Acrobacia e use o Garra Sombria!

A Pokémon de planta se moveu como um vulto, desviando das chamas com uma elegância quase irritante e atingindo as costas de Skeledirge.

— Boa! — Roy exclamou, os olhos brilhando de uma forma que fez Liko perder o foco por um milésimo de segundo. — Você tá rápida, Liko! Mas não o suficiente! Skeledirge, use o Superaquecimento!

O campo de batalha foi tomado por uma onda de calor absurda. Liko sentiu o suor escorrer pela nuca. Ela tentou recuar, mas tropeçou em uma raiz saliente de uma árvore próxima.

— Cuidado! — Roy gritou.

No seu estilo clássico de agir antes de pensar, ele não deu um comando ao Pokémon; ele simplesmente correu em direção a ela. Skeledirge interrompeu o ataque bruscamente, dispersando a energia, enquanto Roy se lançava para segurar Liko antes que ela atingisse o chão.

O resultado foi um emaranhado de braços, pernas e respirações ofegantes. Roy caiu de costas na grama, com Liko caída diretamente sobre seu peito.

O silêncio que se seguiu foi interrompido apenas pelo som distante de um Pidgey. Liko conseguia sentir o batimento cardíaco acelerado de Roy sob sua palma, que estava espalmada no peito dele. O cheiro de Roy — uma mistura de fumaça, sabonete barato e sol — a atingiu em cheio.

Roy, por sua vez, estava paralisado. Os olhos azuis de Liko, tão perto dos seus, pareciam dois oceanos onde ele se afogaria fácil, sem nem lutar contra.

— Você... você tá bem? — Roy perguntou, a voz saindo dois tons abaixo do normal, perdendo toda a rouquidão energética de costume.

— Tô... eu acho — sussurrou Liko, sem conseguir se mexer. — Você é um idiota, Roy. Podia ter se queimado se o Skeledirge não tivesse parado.

— Eu não ia deixar você cair. — Ele disse isso com uma sinceridade tão desarmadora que Liko sentiu os olhos arderem. — Nunca.

— Que fofo — a voz de Ult cortou o momento como uma navalha de gelo. — Se quiserem, eu busco um quarto ou um balde de água pra apagar esse fogo todo.

Liko se levantou em um pulo, limpando a grama da roupa e tentando ignorar o fato de que suas mãos estavam tremendo. Roy se levantou logo em seguida, coçando a nuca e rindo de nervoso.

— Qual é, Ult! Foi só um reflexo! — Roy tentou recuperar a postura. — A Liko é desastrada, eu só salvei a pele dela.

— Desastrada? — Liko virou-se para ele, a irritação servindo como uma ótima máscara para o constrangimento. — Você que interrompeu a batalha! Eu tinha tudo sob controle!

— Tinha nada! Você ia beijar o chão se eu não estivesse lá!

— Eu preferia o chão do que a sua cara de tacho! — mentiu ela, sentindo o coração doer um pouquinho pela própria grosseria.

— Ah, é? Então da próxima vez eu deixo você virar adubo pra Meowscarada! — Roy retrucou, embora seus olhos não tivessem a raiva que suas palavras sugeriam.

Dot suspirou, olhando para o céu.

— Eles são exaustivos. Quaquaval, vamos voltar pro dormitório. O nível de tensão sexual aqui tá interferindo no sinal do meu Wi-Fi.

Ult acompanhou Dot, deixando os dois sozinhos no campo de treino com seus Pokémon, que se olhavam com uma mistura de tédio e compreensão.

— Liko... — Roy chamou, quando os outros já estavam longe. O tom de briga tinha sumido.

— O quê? — Ela não se virou.

— Eu não quis dizer aquilo. Sabe que eu nunca deixaria nada acontecer com você. É que... às vezes eu não sei o que dizer quando você me olha daquele jeito.

Liko finalmente se virou. Roy estava chutando o chão, parecendo subitamente muito menor do que sua personalidade sugeria.

— Que jeito, Roy?

— Como se eu fosse alguém importante. Tipo, de verdade. — Ele deu um passo à frente, diminuindo a distância. — Eu sou só o Roy. O cara que fala demais e faz merda. Mas quando eu tô com você, eu sinto que... que eu tenho que ser melhor.

Liko sentiu o furacão emocional dentro dela atingir a categoria cinco. Ela queria abraçá-lo, queria gritar com ele por ser tão vulnerável do nada, e queria, acima de tudo, entender por que ele tinha que ser tão sincero o tempo todo.

— Você já é importante, seu burro — ela disse, a voz suave. — E você não precisa "ser melhor". Só precisa... continuar sendo o Roy que me segura quando eu tropeço.

Roy abriu um sorriso largo, aquele que ia de orelha a orelha e que fazia os olhos vermelhos dele brilharem.

— Então a gente tá bem?

— Estamos bem. Mas você ainda me deve um jantar por ter estragado meu treino.

— Justo! — Ele deu um soco leve no ombro dela. — Pizza no refeitório? Ouvi dizer que hoje tem aquela de pepperoni que a gente gosta.

— Pode ser. Mas você paga.

— Fechado! — Roy começou a correr em direção aos dormitórios, chamando Skeledirge. — O último a chegar é um Slowpoke!

Liko riu, correndo logo atrás dele com Meowscarada ao seu lado. Por um momento, a confusão da faculdade, as pressões das batalhas e as provocações de Ult e Dot não importavam.

No entanto, ao entrarem no prédio principal, Roy parou bruscamente, fazendo Liko quase atropelá-lo de novo.

— O que foi agora? — ela perguntou, arfante.

Roy olhou para ela, a expressão subitamente séria, mas com um brilho travesso.

— Esqueci de dizer uma coisa.

— O quê?

— Você fica muito bonita quando tá brava. Tipo, muito mesmo.

Antes que Liko pudesse processar a informação ou lançar um contra-ataque verbal, Roy saiu correndo novamente, rindo alto e deixando-a parada no corredor, com o rosto em chamas e um sorriso impossível de esconder.

— Idiota... — ela sussurrou para o corredor vazio, enquanto Meowscarada apenas balançava a cabeça, sabendo que aquela amizade estava com os dias contados para se tornar algo muito mais complicado — e muito mais interessante.

A noite na Academia Índigo estava apenas começando, e entre as paredes de pedra e os campos de batalha, dois corações universitários tentavam entender que, às vezes, a evolução mais difícil não é a de um Pokémon, mas a de um sentimento que sempre esteve ali, esperando o momento certo para usar o "Move" definitivo.
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