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Duas
Fandom: Nenhum
Criado: 23/05/2026
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DramaAngústiaPsicológicoSombrioNoir GóticoEstudo de PersonagemCiúmesRealismoLinguagem ExplícitaRomanceHistória DomésticaFatias de Vida
Entre o Silêncio e o Grito
O ar no luxuoso apartamento de cobertura em São Paulo estava pesado, saturado com o cheiro de perfume caro e a tensão elétrica que precedia uma tempestade. Emanuel massageava as têmporas, sentado no sofá de couro italiano, sentindo cada um de seus trinta e poucos anos pesarem como séculos. Ser um tatuador de renome internacional e gerir um império de estúdios pelo mundo era fichinha perto do desafio logístico e emocional de manter a paz entre suas duas namoradas.
— Eu já disse, Emanuel! Eu não vou enfiar meus pés naquele lugar úmido, cinzento e cheio de gente esquisita vestida de bruxa! — O grito de Sara ecoou pela sala ampla, cortando o silêncio como uma navalha.
Sara estava de pé no centro do tapete persa, os braços cruzados sobre o busto avantajado pelo silicone, que parecia saltar do decote profundo de seu vestido de seda vermelha. O cabelo loiro, impecavelmente escovado e platinado, balançava conforme ela gesticulava.
— Miami é o lugar. Sol, iates, festas de verdade. Eu já até separei os biquínis novos que comprei com o seu cartão. A gente merece diversão, não um retiro espiritual para historiadores frustrados! — Ela disparou, lançando um olhar de puro desprezo para o canto oposto da sala.
Lá, encolhida na poltrona de veludo, estava Eduarda. Ela parecia minúscula em seu cardigã de tricô bege e uma saia leve. Os olhos grandes e expressivos estavam marejados, e ela apertava um livro de História da Arte contra o peito, como se fosse um escudo.
— Eu... eu só achei que seria romântico... — a voz de Eduarda saiu num fio, trêmula e manhosa. — Salem tem tanta história, Emanuel. É calmo, as paisagens são lindas nesta época do ano... Eu queria tanto ver as galerias de lá com você.
— Romântico? — Sara soltou uma risada anasalada e vulgar, aproximando-se de Eduarda com passos predadores. — Você é uma sonsa, garota. Fica aí com essa cara de quem não quebra um prato, choramingando pelos cantos só para ele ter pena de você. Você é falsa, manipuladora. Acha que o mundo gira em torno da sua sensibilidade de porcelana?
Eduarda abaixou a cabeça, permitindo que uma lágrima solitária rolasse por seu rosto pálido e delicado. Ela não respondeu. O silêncio era sua arma favorita, o vácuo que forçava Emanuel a intervir.
— Sara, chega — Emanuel disse, a voz grave e carregada de uma fadiga que ele não tentava mais esconder. — Não precisa falar assim com ela.
— Ah, pronto! — Sara jogou as mãos para o alto, irritada. — Vai defender a "coitadinha" de novo? É sempre assim. Ela faz esse biquinho, começa a fungar e você corre para proteger a princesinha. Ela faz faculdade de História da Arte, mas a maior obra dela é essa atuação de vítima!
Emanuel levantou-se, sua presença alta e firme dominando o espaço. Ele vestia uma camiseta preta simples que deixava à mostra as tatuagens que subiam pelo pescoço, marcas de uma vida dedicada à arte e ao controle.
— Eu não estou defendendo ninguém. Eu só quero cinco minutos de paz nesta casa antes de decidir para onde vamos. Eu tenho reuniões para alinhar com o estúdio de Londres amanhã e não consigo pensar com vocês berrando.
— Eu não estou berrando, eu estou exigindo o que é justo! — Sara rebateu, aproximando-se de Emanuel e passando as mãos pelo peito dele, tentando mudar de tática para a sedução. — Pensa bem, Manu... Miami. Nós dois, o sol, a bebida... a gente pode aproveitar muito mais.
Eduarda levantou-se silenciosamente, sem dizer uma palavra. Ela lançou um olhar magoado para Emanuel, um olhar que dizia que ela estava profundamente ferida, e caminhou em direção ao corredor, desaparecendo na direção do escritório dele.
— Viu só? — Sara apontou. — Agora ela vai se trancar e ficar de luto. Deixa ela lá. Vamos focar no que importa.
Emanuel suspirou, afastando gentilmente as mãos de Sara.
— Eu preciso trabalhar um pouco, Sara. Me dê um tempo.
— Você é um frouxo com ela, Emanuel. Um dia essa paciência ainda vai te custar caro.
Ele não respondeu. Caminhou pelo corredor, sentindo a pulsação nas têmporas diminuir conforme se afastava da voz estridente de Sara. Ao chegar à porta do seu escritório particular — um santuário de madeira escura, livros de arte e rascunhos de tatuagens —, ele hesitou. Sabia que Eduarda estaria lá dentro.
Ao abrir a porta, o cenário que encontrou não era o de uma menina chorando num canto.
Eduarda estava sentada sobre a sua mesa de carvalho maciço, bem em cima de alguns croquis importantes. Ela havia retirado o cardigã. A luz suave do abajur realçava a pele alva e os traços finos de seu rosto. Quando ela o viu entrar, não houve soluços. O olhar sensível ainda estava lá, mas havia algo diferente nas profundezas de suas pupilas — uma centelha de malícia que raramente mostrava a outros, mas que Emanuel conhecia bem.
— Eduarda... — ele começou, fechando a porta atrás de si e encostando-se nela. — Eu disse que precisava de um momento sozinho.
— Eu sei, meu amor — ela disse, a voz agora arrastada, doce e perigosamente manhosa. — Mas eu sei que você está estressado. A Sara... ela é tão barulhenta, não é? Ela não entende que você precisa de suavidade.
Ela se inclinou para trás, apoiando o peso nos cotovelos. A saia leve subiu pelas coxas esguias. Eduarda era a personificação da delicadeza, mas naquele momento, ela exalava uma sensualidade silenciosa e devastadora.
— Salem é o lugar certo para nós — ela sussurrou, enquanto suas mãos pequenas subiam pela própria saia. — Lá é frio... a gente ia ficar o tempo todo abraçadinho no hotel. Sem gritos. Só eu e você.
Emanuel sentiu a garganta secar. A racionalidade que ele tanto pregava começava a falhar diante daquela visão. Eduarda, com movimentos lentos e deliberados, abriu as pernas, revelando que não usava nada por baixo da saia leve.
— Olha para mim, Manu — ela pediu, a voz infantilizada contrastando com o gesto obsceno.
Ela levou os dedos longos e finos até a própria intimidade, acariciando-se devagar enquanto mantinha os olhos fixos nos dele. A expressão de Eduarda era de uma entrega absoluta, uma vulnerabilidade que ela usava como uma coleira em volta do pescoço de Emanuel.
— Você não quer ir para Miami e ver ela se exibindo para todo mundo, quer? — Eduarda continuou, ofegando levemente enquanto enfiava dois dedos em si mesma, os olhos brilhando com uma luxúria contida. — Em Salem, eu vou ser só sua. Eu vou ser tão boazinha... vou fazer tudo o que você pedir, do jeitinho que você gosta, sem ninguém para interromper.
Emanuel caminhou até a mesa, sua postura firme vacilando. Ele segurou o rosto dela com uma das mãos, o polegar pressionando o lábio inferior de Eduarda.
— Você sabe exatamente o que está fazendo, não sabe? — ele murmurou, a voz rouca.
— Eu só quero o meu namorado feliz — ela respondeu, arqueando as costas e gemendo baixinho quando ele pressionou o corpo contra o dela. — Escolhe Salem, Manu... por favor. Eu preciso que você me leve para lá.
O contraste entre a Eduarda que chorava na sala e a Eduarda que se oferecia com uma sem-vergonhice calculada no escritório era o que mais fascinava Emanuel. Sara era óbvia, explosiva e física. Eduarda era psicológica, profunda e, de certa forma, muito mais perigosa.
Ele a puxou pela cintura, sentindo a maciez de seu corpo contra o seu. O cheiro de baunilha da pele dela o embriagava.
— Se formos para Salem — Emanuel disse, a voz autoritária voltando aos poucos —, você vai ter que me compensar por cada minuto de reclamação que eu vou ouvir da Sara até lá.
Eduarda sorriu, um sorriso vitorioso e doce, enquanto envolvia as pernas na cintura dele e o puxava para mais perto.
— Eu vou compensar, meu amor. Eu prometo.
Lá fora, na sala, o som da TV ligada em algum reality show de moda indicava que Sara ainda estava lá, alheia à derrota iminente. Ela achava que seus gritos e suas curvas siliconadas eram suficientes para dobrar Emanuel, mas não entendia que, no jogo da manipulação, o silêncio e o toque certo de Eduarda eram armas muito mais letais.
Emanuel sabia que a viagem seria um caos. Sabia que as brigas continuariam e que ele teria que mediar cada conflito entre a vulgaridade agressiva de uma e a carência calculada da outra. Mas, enquanto Eduarda sussurrava promessas pecaminosas em seu ouvido e o guiava para dentro de sua doçura úmida, ele decidiu que Salem, com todo o seu cinza e sua história, era exatamente para onde eles iriam.
Afinal, ele era um homem prático. E a praticidade, naquele momento, dizia que o prazer silencioso de Eduarda valia qualquer barulho que Sara pudesse fazer.
— Eu já disse, Emanuel! Eu não vou enfiar meus pés naquele lugar úmido, cinzento e cheio de gente esquisita vestida de bruxa! — O grito de Sara ecoou pela sala ampla, cortando o silêncio como uma navalha.
Sara estava de pé no centro do tapete persa, os braços cruzados sobre o busto avantajado pelo silicone, que parecia saltar do decote profundo de seu vestido de seda vermelha. O cabelo loiro, impecavelmente escovado e platinado, balançava conforme ela gesticulava.
— Miami é o lugar. Sol, iates, festas de verdade. Eu já até separei os biquínis novos que comprei com o seu cartão. A gente merece diversão, não um retiro espiritual para historiadores frustrados! — Ela disparou, lançando um olhar de puro desprezo para o canto oposto da sala.
Lá, encolhida na poltrona de veludo, estava Eduarda. Ela parecia minúscula em seu cardigã de tricô bege e uma saia leve. Os olhos grandes e expressivos estavam marejados, e ela apertava um livro de História da Arte contra o peito, como se fosse um escudo.
— Eu... eu só achei que seria romântico... — a voz de Eduarda saiu num fio, trêmula e manhosa. — Salem tem tanta história, Emanuel. É calmo, as paisagens são lindas nesta época do ano... Eu queria tanto ver as galerias de lá com você.
— Romântico? — Sara soltou uma risada anasalada e vulgar, aproximando-se de Eduarda com passos predadores. — Você é uma sonsa, garota. Fica aí com essa cara de quem não quebra um prato, choramingando pelos cantos só para ele ter pena de você. Você é falsa, manipuladora. Acha que o mundo gira em torno da sua sensibilidade de porcelana?
Eduarda abaixou a cabeça, permitindo que uma lágrima solitária rolasse por seu rosto pálido e delicado. Ela não respondeu. O silêncio era sua arma favorita, o vácuo que forçava Emanuel a intervir.
— Sara, chega — Emanuel disse, a voz grave e carregada de uma fadiga que ele não tentava mais esconder. — Não precisa falar assim com ela.
— Ah, pronto! — Sara jogou as mãos para o alto, irritada. — Vai defender a "coitadinha" de novo? É sempre assim. Ela faz esse biquinho, começa a fungar e você corre para proteger a princesinha. Ela faz faculdade de História da Arte, mas a maior obra dela é essa atuação de vítima!
Emanuel levantou-se, sua presença alta e firme dominando o espaço. Ele vestia uma camiseta preta simples que deixava à mostra as tatuagens que subiam pelo pescoço, marcas de uma vida dedicada à arte e ao controle.
— Eu não estou defendendo ninguém. Eu só quero cinco minutos de paz nesta casa antes de decidir para onde vamos. Eu tenho reuniões para alinhar com o estúdio de Londres amanhã e não consigo pensar com vocês berrando.
— Eu não estou berrando, eu estou exigindo o que é justo! — Sara rebateu, aproximando-se de Emanuel e passando as mãos pelo peito dele, tentando mudar de tática para a sedução. — Pensa bem, Manu... Miami. Nós dois, o sol, a bebida... a gente pode aproveitar muito mais.
Eduarda levantou-se silenciosamente, sem dizer uma palavra. Ela lançou um olhar magoado para Emanuel, um olhar que dizia que ela estava profundamente ferida, e caminhou em direção ao corredor, desaparecendo na direção do escritório dele.
— Viu só? — Sara apontou. — Agora ela vai se trancar e ficar de luto. Deixa ela lá. Vamos focar no que importa.
Emanuel suspirou, afastando gentilmente as mãos de Sara.
— Eu preciso trabalhar um pouco, Sara. Me dê um tempo.
— Você é um frouxo com ela, Emanuel. Um dia essa paciência ainda vai te custar caro.
Ele não respondeu. Caminhou pelo corredor, sentindo a pulsação nas têmporas diminuir conforme se afastava da voz estridente de Sara. Ao chegar à porta do seu escritório particular — um santuário de madeira escura, livros de arte e rascunhos de tatuagens —, ele hesitou. Sabia que Eduarda estaria lá dentro.
Ao abrir a porta, o cenário que encontrou não era o de uma menina chorando num canto.
Eduarda estava sentada sobre a sua mesa de carvalho maciço, bem em cima de alguns croquis importantes. Ela havia retirado o cardigã. A luz suave do abajur realçava a pele alva e os traços finos de seu rosto. Quando ela o viu entrar, não houve soluços. O olhar sensível ainda estava lá, mas havia algo diferente nas profundezas de suas pupilas — uma centelha de malícia que raramente mostrava a outros, mas que Emanuel conhecia bem.
— Eduarda... — ele começou, fechando a porta atrás de si e encostando-se nela. — Eu disse que precisava de um momento sozinho.
— Eu sei, meu amor — ela disse, a voz agora arrastada, doce e perigosamente manhosa. — Mas eu sei que você está estressado. A Sara... ela é tão barulhenta, não é? Ela não entende que você precisa de suavidade.
Ela se inclinou para trás, apoiando o peso nos cotovelos. A saia leve subiu pelas coxas esguias. Eduarda era a personificação da delicadeza, mas naquele momento, ela exalava uma sensualidade silenciosa e devastadora.
— Salem é o lugar certo para nós — ela sussurrou, enquanto suas mãos pequenas subiam pela própria saia. — Lá é frio... a gente ia ficar o tempo todo abraçadinho no hotel. Sem gritos. Só eu e você.
Emanuel sentiu a garganta secar. A racionalidade que ele tanto pregava começava a falhar diante daquela visão. Eduarda, com movimentos lentos e deliberados, abriu as pernas, revelando que não usava nada por baixo da saia leve.
— Olha para mim, Manu — ela pediu, a voz infantilizada contrastando com o gesto obsceno.
Ela levou os dedos longos e finos até a própria intimidade, acariciando-se devagar enquanto mantinha os olhos fixos nos dele. A expressão de Eduarda era de uma entrega absoluta, uma vulnerabilidade que ela usava como uma coleira em volta do pescoço de Emanuel.
— Você não quer ir para Miami e ver ela se exibindo para todo mundo, quer? — Eduarda continuou, ofegando levemente enquanto enfiava dois dedos em si mesma, os olhos brilhando com uma luxúria contida. — Em Salem, eu vou ser só sua. Eu vou ser tão boazinha... vou fazer tudo o que você pedir, do jeitinho que você gosta, sem ninguém para interromper.
Emanuel caminhou até a mesa, sua postura firme vacilando. Ele segurou o rosto dela com uma das mãos, o polegar pressionando o lábio inferior de Eduarda.
— Você sabe exatamente o que está fazendo, não sabe? — ele murmurou, a voz rouca.
— Eu só quero o meu namorado feliz — ela respondeu, arqueando as costas e gemendo baixinho quando ele pressionou o corpo contra o dela. — Escolhe Salem, Manu... por favor. Eu preciso que você me leve para lá.
O contraste entre a Eduarda que chorava na sala e a Eduarda que se oferecia com uma sem-vergonhice calculada no escritório era o que mais fascinava Emanuel. Sara era óbvia, explosiva e física. Eduarda era psicológica, profunda e, de certa forma, muito mais perigosa.
Ele a puxou pela cintura, sentindo a maciez de seu corpo contra o seu. O cheiro de baunilha da pele dela o embriagava.
— Se formos para Salem — Emanuel disse, a voz autoritária voltando aos poucos —, você vai ter que me compensar por cada minuto de reclamação que eu vou ouvir da Sara até lá.
Eduarda sorriu, um sorriso vitorioso e doce, enquanto envolvia as pernas na cintura dele e o puxava para mais perto.
— Eu vou compensar, meu amor. Eu prometo.
Lá fora, na sala, o som da TV ligada em algum reality show de moda indicava que Sara ainda estava lá, alheia à derrota iminente. Ela achava que seus gritos e suas curvas siliconadas eram suficientes para dobrar Emanuel, mas não entendia que, no jogo da manipulação, o silêncio e o toque certo de Eduarda eram armas muito mais letais.
Emanuel sabia que a viagem seria um caos. Sabia que as brigas continuariam e que ele teria que mediar cada conflito entre a vulgaridade agressiva de uma e a carência calculada da outra. Mas, enquanto Eduarda sussurrava promessas pecaminosas em seu ouvido e o guiava para dentro de sua doçura úmida, ele decidiu que Salem, com todo o seu cinza e sua história, era exatamente para onde eles iriam.
Afinal, ele era um homem prático. E a praticidade, naquele momento, dizia que o prazer silencioso de Eduarda valia qualquer barulho que Sara pudesse fazer.
