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Duas
Fandom: Nenhum
Criado: 23/05/2026
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DramaAngústiaDor/ConfortoPsicológicoRealismoEstudo de PersonagemCiúmesSombrioAbuso de ÁlcoolSuspenseHistória Doméstica
Entre o Brilho e o Caos
O ar dentro da cobertura de Emanuel estava saturado, pesado como o vapor antes de uma tempestade. O apartamento, um exemplo minimalista de luxo industrial que refletia perfeitamente a personalidade prática e bem-sucedida do tatuador, parecia pequeno demais para abrigar as três personalidades que ali viviam. De um lado, o mármore frio da cozinha; do outro, o fogo vivo de uma discussão que já durava horas.
No centro da sala, sobre a mesa de centro de vidro, repousava uma pequena caixa de veludo negro. Dentro dela, um colar de prata envelhecida com um pingente de ônix lapidado em formas geométricas precisas, quase góticas, mas de uma elegância minimalista que gritava exclusividade. Era uma peça única, comprada em um leilão privado de um designer europeu.
Sara, com seus cabelos loiros impecavelmente escovados e um vestido de seda vermelho que abraçava cada curva de seu corpo esculpido, gesticulava de forma expansiva. O brilho do silicone sob o tecido fino e a maquiagem carregada davam a ela uma aura de predadora pronta para o bote.
— É ridículo, Emanuel! Simplesmente ridículo! — Sara exclamou, a voz cortante ecoando pelo pé-direito alto. — Olhe para essa joia. Ela tem presença, ela tem força. É uma peça para uma mulher que sabe administrar um império, não para alguém que mal consegue pedir um café sem gaguejar.
Eduarda, sentada no canto do sofá de couro, parecia ainda menor do que era. Vestia um cardigã de tricô bege por cima de um vestido floral leve. Seus olhos grandes e expressivos estavam marejados, e a ponta de seu nariz estava levemente avermelhada. Ela não gritava. Ela apenas existia ali, em uma fragilidade que parecia clamar por proteção.
— Eu não… eu só achei que ela combinava com os meus estudos — sussurrou Eduarda, a voz falhando propositalmente, enquanto seus dedos longos e finos brincavam com a barra do cardigã. — A História da Arte… a geometria da peça me lembrou o movimento expressionista…
— Ah, poupe-me do discurso de faculdade! — Sara interrompeu com uma risada anasalada e vulgar. — Você quer a joia porque sabe que eu a quero. Você é uma sonsa, Eduarda. Usa essa carinha de santa, esse jeito de cadelinha abandonada, só para manipular o Emanuel. Você é falsa, menina. Falsa e calculista sob essa camada de timidez.
Emanuel, parado junto à janela que dava para o skyline da cidade, fechou os olhos e massageou as têmporas. Ele ainda vestia a camisa preta de trabalho, as mangas dobradas revelando as tatuagens intrincadas que subiam por seus braços. Ele era o porto seguro daquela casa, o homem que construiu um império com agulhas e tinta, mas ali, no meio daquela guerra de egos e hormônios, ele se sentia exausto.
— Chega, Sara — disse Emanuel, a voz grave e contida, mas carregada de uma tensão perigosa.
— Chega nada! — Sara se aproximou dele, o perfume importado e forte inundando o espaço dele. — Eu administro suas contas de marketing, Emanuel. Eu estou ao seu lado nos eventos, brilhando. Eu mereço aquela peça. Ela foi feita para o meu pescoço.
Eduarda soltou um soluço baixo. Foi um som quase inaudível, mas para os ouvidos de Emanuel, foi como um sinal de alerta. Ele se virou e viu a jovem de vinte anos encolhida, uma lágrima solitária escorrendo por seu rosto delicado. Ela não olhou para ele; manteve os olhos fixos nos próprios pés, os ombros tremendo levemente.
— Eu… eu posso ficar sem ela, Emanuel — disse Eduarda, a voz carregada de uma doçura melancólica. — Se a Sara precisa tanto de algo para se sentir bonita… eu não me importo. Só não queria que ela gritasse comigo de novo. Minha cabeça dói…
Sara soltou uma gargalhada sarcástica, batendo as unhas longas e decoradas no balcão.
— Viu? Viu o teatro? Ela é profissional nisso! Ela te ganha no cansaço e na pena, Emanuel. Acorda!
Emanuel caminhou até o sofá. Sua mente racional analisava a situação. Ele sabia que Sara tinha razão sobre a manipulação, ao menos em parte. Eduarda sabia exatamente como usar sua vulnerabilidade. No entanto, sua natureza protetora falava mais alto. Quando ele olhava para Eduarda, ele via algo que precisava ser preservado, uma suavidade que o mundo exterior tentava esmagar. E, esteticamente, ele não podia negar: a joia, com sua elegância discreta e sombria, era o reflexo exato de Eduarda. Em Sara, a peça desapareceria em meio a tanto brilho e excesso. Na pele clara e esguia de Eduarda, ela seria o destaque.
— Sara, saia um pouco — pediu Emanuel, sem olhar para a loira.
— O quê? Você vai dar razão para essa… essa songa-monga? — Sara cruzou os braços, os seios fartos saltando pelo decote.
— Eu disse para sair — Emanuel repetiu, agora olhando nos olhos dela. A autoridade em sua voz era absoluta. — Vá para o quarto ou saia para beber. Agora.
Sara bufou, bufando de ódio, e saiu pisando fundo, o som de seus saltos estalando contra o chão até que a porta do quarto batesse com força.
O silêncio que se seguiu foi quase desconfortável. Emanuel sentou-se ao lado de Eduarda e sentiu o calor do corpo dela enquanto ela se inclinava, quase que instintivamente, em sua direção.
— Ela me odeia — murmurou Eduarda, escondendo o rosto no ombro de Emanuel. — Eu só queria que fôssemos uma família, mas ela me trata como se eu fosse um lixo.
— Ela só é explosiva, Duda — Emanuel suspirou, passando o braço pelos ombros dela, sentindo a leveza de sua estrutura óssea. — Você sabe como a Sara é. Ela quer tudo para ontem.
— Mas aquela joia… — Eduarda levantou o rosto, os olhos úmidos brilhando sob a luz da sala. — Ela é tão especial. Ela parece contar uma história. Me desculpe por ser tão fraca, Emanuel.
Emanuel olhou para a caixa sobre a mesa. A lógica lhe dizia para dar a joia a Sara e evitar semanas de brigas e gastos ainda maiores. Mas o coração — e seu senso estético de artista — o traíam. Ele pegou a caixa, abriu-a e retirou o colar.
— Vem cá — ele disse suavemente.
Eduarda se virou, afastando o cabelo longo e natural do pescoço. Emanuel prendeu o fecho de prata. O ônix negro pousou exatamente na base do pescoço dela, destacando a palidez da pele e a delicadeza de seus traços. Era perfeito.
— É sua — ele sentenciou.
Eduarda soltou um suspiro de satisfação, um pequeno sorriso vitorioso e doce surgindo em seus lábios. Ela se virou e o abraçou com força, o corpo macio pressionado contra o dele, agindo de forma manhosa.
— Obrigada, meu amor… você é o único que me entende de verdade.
— Eu vou ter que lidar com o furacão agora — Emanuel murmurou, já antecipando o custo financeiro e emocional de acalmar Sara.
— Você dá um jeito — Eduarda ronronou, beijando o pescoço dele. — Você sempre dá.
Minutos depois, Emanuel caminhou até o quarto principal. Sara estava deitada de bruços na cama king-size, mexendo furiosamente no celular, provavelmente olhando sites de bolsas de grife.
— Ela ficou com o colar, não foi? — Sara perguntou, sem se virar. A voz estava carregada de veneno.
Emanuel sentou-se na beira da cama e colocou a mão nas costas dela, sentindo a tensão nos músculos da loira.
— Combina mais com o estilo dela, Sara. Você é solar, chamativa. Aquela peça ia sumir em você.
Sara virou-se bruscamente, sentando-se com os olhos faiscando.
— Não venha com papo de artista para cima de mim, Emanuel! Você mima aquela garota como se ela fosse de porcelana.
— Escuta — ele a interrompeu, puxando-a para perto pela cintura, usando a firmeza que ela tanto respeitava. — Eu vou levar você à Cartier amanhã. Escolha o que quiser. Algo que brilhe tanto quanto você. O colar da Duda foi uma pechincha perto do que eu vou te dar. Mas eu quero paz nesta casa. Entendido?
Sara semicerrou os olhos, a ganância e o orgulho lutando dentro dela. Por fim, um sorriso de canto de boca apareceu em seu rosto perfeitamente maquiado. Ela adorava ganhar, mas adorava ainda mais saber que custaria caro a ele.
— Quero um anel com diamante cravejado. E quero que você a leve para jantar em um lugar barato depois, só para ela saber o lugar dela — Sara disse, passando os braços pelo pescoço dele, a vulgaridade de seu toque sendo um contraste gritante com a doçura de Eduarda.
— Veremos — Emanuel respondeu, exausto.
Ele tinha o que queria: o controle momentâneo da situação. Eduarda estava feliz e protegida em seu casulo de sensibilidade; Sara estava satisfeita com a promessa de ostentação. Mas, enquanto observava o reflexo de si mesmo no espelho do quarto, o tatuador rico e poderoso se perguntava até quando conseguiria manter o equilíbrio entre o veludo e o espinho, entre a paz silenciosa de uma e o caos vibrante da outra. No fim, ele era apenas o mediador de uma guerra que nunca teria vencedores, apenas sobreviventes adornados com joias caras.
No centro da sala, sobre a mesa de centro de vidro, repousava uma pequena caixa de veludo negro. Dentro dela, um colar de prata envelhecida com um pingente de ônix lapidado em formas geométricas precisas, quase góticas, mas de uma elegância minimalista que gritava exclusividade. Era uma peça única, comprada em um leilão privado de um designer europeu.
Sara, com seus cabelos loiros impecavelmente escovados e um vestido de seda vermelho que abraçava cada curva de seu corpo esculpido, gesticulava de forma expansiva. O brilho do silicone sob o tecido fino e a maquiagem carregada davam a ela uma aura de predadora pronta para o bote.
— É ridículo, Emanuel! Simplesmente ridículo! — Sara exclamou, a voz cortante ecoando pelo pé-direito alto. — Olhe para essa joia. Ela tem presença, ela tem força. É uma peça para uma mulher que sabe administrar um império, não para alguém que mal consegue pedir um café sem gaguejar.
Eduarda, sentada no canto do sofá de couro, parecia ainda menor do que era. Vestia um cardigã de tricô bege por cima de um vestido floral leve. Seus olhos grandes e expressivos estavam marejados, e a ponta de seu nariz estava levemente avermelhada. Ela não gritava. Ela apenas existia ali, em uma fragilidade que parecia clamar por proteção.
— Eu não… eu só achei que ela combinava com os meus estudos — sussurrou Eduarda, a voz falhando propositalmente, enquanto seus dedos longos e finos brincavam com a barra do cardigã. — A História da Arte… a geometria da peça me lembrou o movimento expressionista…
— Ah, poupe-me do discurso de faculdade! — Sara interrompeu com uma risada anasalada e vulgar. — Você quer a joia porque sabe que eu a quero. Você é uma sonsa, Eduarda. Usa essa carinha de santa, esse jeito de cadelinha abandonada, só para manipular o Emanuel. Você é falsa, menina. Falsa e calculista sob essa camada de timidez.
Emanuel, parado junto à janela que dava para o skyline da cidade, fechou os olhos e massageou as têmporas. Ele ainda vestia a camisa preta de trabalho, as mangas dobradas revelando as tatuagens intrincadas que subiam por seus braços. Ele era o porto seguro daquela casa, o homem que construiu um império com agulhas e tinta, mas ali, no meio daquela guerra de egos e hormônios, ele se sentia exausto.
— Chega, Sara — disse Emanuel, a voz grave e contida, mas carregada de uma tensão perigosa.
— Chega nada! — Sara se aproximou dele, o perfume importado e forte inundando o espaço dele. — Eu administro suas contas de marketing, Emanuel. Eu estou ao seu lado nos eventos, brilhando. Eu mereço aquela peça. Ela foi feita para o meu pescoço.
Eduarda soltou um soluço baixo. Foi um som quase inaudível, mas para os ouvidos de Emanuel, foi como um sinal de alerta. Ele se virou e viu a jovem de vinte anos encolhida, uma lágrima solitária escorrendo por seu rosto delicado. Ela não olhou para ele; manteve os olhos fixos nos próprios pés, os ombros tremendo levemente.
— Eu… eu posso ficar sem ela, Emanuel — disse Eduarda, a voz carregada de uma doçura melancólica. — Se a Sara precisa tanto de algo para se sentir bonita… eu não me importo. Só não queria que ela gritasse comigo de novo. Minha cabeça dói…
Sara soltou uma gargalhada sarcástica, batendo as unhas longas e decoradas no balcão.
— Viu? Viu o teatro? Ela é profissional nisso! Ela te ganha no cansaço e na pena, Emanuel. Acorda!
Emanuel caminhou até o sofá. Sua mente racional analisava a situação. Ele sabia que Sara tinha razão sobre a manipulação, ao menos em parte. Eduarda sabia exatamente como usar sua vulnerabilidade. No entanto, sua natureza protetora falava mais alto. Quando ele olhava para Eduarda, ele via algo que precisava ser preservado, uma suavidade que o mundo exterior tentava esmagar. E, esteticamente, ele não podia negar: a joia, com sua elegância discreta e sombria, era o reflexo exato de Eduarda. Em Sara, a peça desapareceria em meio a tanto brilho e excesso. Na pele clara e esguia de Eduarda, ela seria o destaque.
— Sara, saia um pouco — pediu Emanuel, sem olhar para a loira.
— O quê? Você vai dar razão para essa… essa songa-monga? — Sara cruzou os braços, os seios fartos saltando pelo decote.
— Eu disse para sair — Emanuel repetiu, agora olhando nos olhos dela. A autoridade em sua voz era absoluta. — Vá para o quarto ou saia para beber. Agora.
Sara bufou, bufando de ódio, e saiu pisando fundo, o som de seus saltos estalando contra o chão até que a porta do quarto batesse com força.
O silêncio que se seguiu foi quase desconfortável. Emanuel sentou-se ao lado de Eduarda e sentiu o calor do corpo dela enquanto ela se inclinava, quase que instintivamente, em sua direção.
— Ela me odeia — murmurou Eduarda, escondendo o rosto no ombro de Emanuel. — Eu só queria que fôssemos uma família, mas ela me trata como se eu fosse um lixo.
— Ela só é explosiva, Duda — Emanuel suspirou, passando o braço pelos ombros dela, sentindo a leveza de sua estrutura óssea. — Você sabe como a Sara é. Ela quer tudo para ontem.
— Mas aquela joia… — Eduarda levantou o rosto, os olhos úmidos brilhando sob a luz da sala. — Ela é tão especial. Ela parece contar uma história. Me desculpe por ser tão fraca, Emanuel.
Emanuel olhou para a caixa sobre a mesa. A lógica lhe dizia para dar a joia a Sara e evitar semanas de brigas e gastos ainda maiores. Mas o coração — e seu senso estético de artista — o traíam. Ele pegou a caixa, abriu-a e retirou o colar.
— Vem cá — ele disse suavemente.
Eduarda se virou, afastando o cabelo longo e natural do pescoço. Emanuel prendeu o fecho de prata. O ônix negro pousou exatamente na base do pescoço dela, destacando a palidez da pele e a delicadeza de seus traços. Era perfeito.
— É sua — ele sentenciou.
Eduarda soltou um suspiro de satisfação, um pequeno sorriso vitorioso e doce surgindo em seus lábios. Ela se virou e o abraçou com força, o corpo macio pressionado contra o dele, agindo de forma manhosa.
— Obrigada, meu amor… você é o único que me entende de verdade.
— Eu vou ter que lidar com o furacão agora — Emanuel murmurou, já antecipando o custo financeiro e emocional de acalmar Sara.
— Você dá um jeito — Eduarda ronronou, beijando o pescoço dele. — Você sempre dá.
Minutos depois, Emanuel caminhou até o quarto principal. Sara estava deitada de bruços na cama king-size, mexendo furiosamente no celular, provavelmente olhando sites de bolsas de grife.
— Ela ficou com o colar, não foi? — Sara perguntou, sem se virar. A voz estava carregada de veneno.
Emanuel sentou-se na beira da cama e colocou a mão nas costas dela, sentindo a tensão nos músculos da loira.
— Combina mais com o estilo dela, Sara. Você é solar, chamativa. Aquela peça ia sumir em você.
Sara virou-se bruscamente, sentando-se com os olhos faiscando.
— Não venha com papo de artista para cima de mim, Emanuel! Você mima aquela garota como se ela fosse de porcelana.
— Escuta — ele a interrompeu, puxando-a para perto pela cintura, usando a firmeza que ela tanto respeitava. — Eu vou levar você à Cartier amanhã. Escolha o que quiser. Algo que brilhe tanto quanto você. O colar da Duda foi uma pechincha perto do que eu vou te dar. Mas eu quero paz nesta casa. Entendido?
Sara semicerrou os olhos, a ganância e o orgulho lutando dentro dela. Por fim, um sorriso de canto de boca apareceu em seu rosto perfeitamente maquiado. Ela adorava ganhar, mas adorava ainda mais saber que custaria caro a ele.
— Quero um anel com diamante cravejado. E quero que você a leve para jantar em um lugar barato depois, só para ela saber o lugar dela — Sara disse, passando os braços pelo pescoço dele, a vulgaridade de seu toque sendo um contraste gritante com a doçura de Eduarda.
— Veremos — Emanuel respondeu, exausto.
Ele tinha o que queria: o controle momentâneo da situação. Eduarda estava feliz e protegida em seu casulo de sensibilidade; Sara estava satisfeita com a promessa de ostentação. Mas, enquanto observava o reflexo de si mesmo no espelho do quarto, o tatuador rico e poderoso se perguntava até quando conseguiria manter o equilíbrio entre o veludo e o espinho, entre a paz silenciosa de uma e o caos vibrante da outra. No fim, ele era apenas o mediador de uma guerra que nunca teria vencedores, apenas sobreviventes adornados com joias caras.
