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Abbie !

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 24/05/2026

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DramaAngústiaFatias de VidaHumorPsicológicoCrack / Humor ParódicoCenário Canônico
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O Segredo de Algodão e o Gosto de Sabão

Os corredores da Paper School sempre pareciam mais longos e assustadores quando se estava fugindo de alguém. Para Abbie, cada sombra projetada pelas paredes de papel e cada eco de passos distantes soavam como uma sentença de morte. Ele apertava as alças de sua mochila, os nós dos dedos brancos de tanta força, enquanto tentava passar despercebido pelas portas das salas de aula.

Abbie era o tipo de aluno que as pessoas mal notavam, a menos que estivessem procurando um alvo fácil. Ele era tímido, seus olhos estavam sempre alertas, movendo-se de um lado para o outro como os de um animal acuado na floresta. E, infelizmente para ele, Oliver era o predador mais persistente daquela escola.

Oliver não era apenas um valentão comum. Ele era excêntrico, travesso e possuía hábitos que desafiavam a lógica, como o fato de carregar barras de sabão no bolso e comê-las como se fossem barras de chocolate importado. Para Oliver, o medo alheio era o tempero perfeito para o seu lanche alcalino.

Naquela tarde, Abbie cometeu o erro de tentar esconder algo no fundo de seu armário, algo que ele não deveria ter levado para a escola, mas que era seu único conforto durante as noites de ansiedade.

— Ora, ora, se não é o nosso pequeno broto de maçã — uma voz arrastada e sarcástica ecoou logo atrás de Abbie.

O garoto deu um pulo, o coração batendo tão forte que ele sentia o peito doer. Ele se virou lentamente, encontrando Oliver encostado nos armários vizinhos. Oliver tinha aquele sorriso torto e cruel no rosto, e suas mandíbulas se moviam ritmadamente enquanto ele mastigava um pedaço de sabão de lavanda. Um rastro de espuma branca escapava pelo canto de sua boca.

— O-Oi, Oliver... — gaguejou Abbie, tentando fechar a porta do armário com o corpo. — Eu já estava de saída.

— Tão cedo? — Oliver deu um passo à frente, diminuindo a distância. O cheiro de limpeza artificial e química era forte vindo dele. — Eu vi você tentando enfiar algo aí dentro, Abbie. Parecia... grande. E macio. O que você está escondendo? Um corpo?

— N-Nada! É só... material extra! — Abbie sentiu o suor frio escorrer por sua nuca.

Oliver soltou uma risada anasalada e, com um movimento rápido e inesperado, empurrou Abbie para o lado. O garoto, sendo muito mais fraco, tropeçou e caiu sentadinho no chão de papel. Com um puxão violento, Oliver escancarou a porta do armário.

Lá dentro, enrolado de forma desajeitada, estava um objeto que Abbie jurou que ninguém jamais veria. Era um dakimakura — um travesseiro de corpo inteiro. Mas não era um travesseiro comum. A estampa era detalhada, mostrando uma figura em uma pose íntima, acolhedora e, para os padrões de Abbie, extremamente embaraçosa. O tecido brilhava sob a luz fluorescente do corredor, e o travesseiro parecia emanar um calor próprio, quase como se estivesse vivo.

O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Abbie sentiu o rosto esquentar tanto que achou que sua pele de papel fosse entrar em combustão espontânea. Ele queria cavar um buraco e desaparecer.

Oliver puxou o dakimakura para fora, segurando-o com uma mão enquanto usava a outra para levar mais um pedaço de sabão à boca. Ele analisou a estampa com um olhar crítico, as sobrancelhas erguidas.

— Mas o que temos aqui? — Oliver assobiou, o som saindo abafado pela espuma em sua boca. — Abbie, eu sabia que você era estranho, mas isso aqui? Isso é outro nível de carência.

— Por favor, Oliver... me devolve... — Abbie implorou, a voz falhando. Ele tentou se levantar, mas suas pernas pareciam gelatina.

Oliver ignorou o pedido. Ele abraçou o travesseiro de forma exagerada, fingindo um carinho romântico, antes de girá-lo no ar.

— É macio — comentou Oliver, apertando o enchimento. — E está quente. Por que está quente, Abbie? Você estava abraçado com isso no meio da aula de matemática?

— Não! — gritou Abbie, embora o volume de sua voz não passasse de um sussurro desesperado. — Eu só... eu preciso dele para dormir! Me dá isso!

Oliver deu um passo para trás, mantendo o objeto fora do alcance do garoto. Ele limpou a espuma da boca com a manga do uniforme e olhou para Abbie com uma diversão renovada. O contraste entre a timidez extrema de Abbie e a natureza íntima daquele travesseiro era a coisa mais engraçada que Oliver tinha visto em semanas.

— Sabe, Abbie — disse Oliver, aproximando-se novamente, desta vez com um brilho diferente nos olhos —, eu poderia mostrar isso para a Miss Circle. Ou melhor, para a escola inteira. Imagine só a Alice vendo isso.

Abbie sentiu o mundo girar. Se aquele segredo se espalhasse, ele nunca mais conseguiria olhar para ninguém. As lágrimas começaram a arder em seus olhos.

— Por favor... eu faço qualquer coisa. Só não mostra para ninguém.

Oliver parou. Ele olhou para o travesseiro e depois para o garoto trêmulo no chão. Por um segundo, a maldade pura em seu rosto deu lugar a uma curiosidade travessa. Ele se agachou, ficando na altura dos olhos de Abbie, e estendeu o dakimakura para ele.

— Calma, pequeno. Eu não vou contar... ainda — Oliver sorriu, entregando o travesseiro nos braços de Abbie. — Mas agora eu sei o seu segredo. Você é um romântico incurável, não é?

Abbie agarrou o travesseiro contra o peito, escondendo o rosto na estampa íntima que tanto o envergonhava. Ele estava tão vermelho que parecia uma das maçãs que costumava comer no lanche.

— O-Obrigado... — sussurrou Abbie, sem entender por que Oliver estava sendo "gentil" de repente.

— Não me agradeça — Oliver se levantou, tirando uma nova barra de sabão do bolso, desta vez com aroma de rosas. — Só achei que você fica muito mais engraçado quando está assim, todo encolhido com esse travesseiro ridículo. É como ver um passarinho tentando se esconder em uma nuvem.

Abbie não sabia se aquilo era um elogio ou um insulto, mas o medo de ser exposto era maior do que qualquer confusão mental. Ele se levantou rapidamente, limpando a poeira de sua roupa de papel, ainda abraçado ao dakimakura como se sua vida dependesse disso.

— Agora, saia daqui antes que eu mude de ideia e resolva usar esse seu travesseiro como guardanapo — ordenou Oliver, dando uma mordida barulhenta no sabão de rosas. — E Abbie?

O garoto parou no meio do caminho, os ombros tensos.

— Sim?

— Da próxima vez, tente um com estampa de sabonete. Seria muito mais atraente — Oliver soltou uma gargalhada alta que ecoou pelo corredor vazio.

Abbie não esperou por mais nada. Ele disparou pelo corredor, o dakimakura balançando em seus braços, o coração ainda disparado. Ele só queria chegar em casa, trancar a porta e nunca mais olhar para Oliver.

Enquanto isso, Oliver observava o garoto desaparecer na esquina do corredor. Ele mastigava o sabão pensativo, sentindo o gosto floral invadir seu paladar.

— Que garoto estranho — murmurou Oliver para si mesmo, limpando uma bolha de sabão que flutuava diante de seu nariz. — Mas, pelo menos, ele tem bom gosto para travesseiros macios.

Oliver deu de ombros e seguiu seu caminho, deixando para trás apenas o cheiro de rosas e o eco de sua própria diversão. Na Paper School, os segredos eram moedas de troca, e ele acabara de encontrar uma mina de ouro no armário do garoto mais tímido da escola.

Longe dali, Abbie finalmente alcançou a segurança do banheiro masculino, trancando-se em uma cabine. Ele encostou a testa no tecido quente do dakimakura, tentando acalmar a respiração.

— Por que ele tinha que ver? — ele perguntou ao silêncio.

O travesseiro, é claro, não respondeu. Mas o calor que emanava dele parecia, pela primeira vez, menos um conforto e mais um lembrete constante de que, a partir daquele dia, Oliver tinha o controle sobre ele. E para alguém como Abbie, isso era muito mais assustador do que qualquer nota baixa.

Ele olhou para a estampa íntima e suspirou, sentindo o rosto esquentar novamente. Oliver era imprevisível, barulhento e comia sabão, mas, por algum motivo, ele não tinha destruído o travesseiro. Ele o devolvera.

— Talvez... — Abbie começou, mas balançou a cabeça negativamente. — Não, ele ainda é um monstro.

Ele guardou o dakimakura cuidadosamente dentro da mochila, certificando-se de que nada ficasse de fora. Ele teria que ser muito mais cuidadoso de agora em diante. Porque na Paper School, as paredes tinham ouvidos, os armários tinham segredos e os valentões... bem, os valentões tinham um apetite insaciável por sabão e drama.

Ao sair do banheiro, Abbie olhou para os dois lados antes de seguir para a saída. O corredor estava silencioso, mas no chão, perto de seu armário, ele viu um pequeno pedaço de papel. Ele se abaixou e o pegou.

No papel, escrito com uma caligrafia desleixada e manchado de algo que cheirava a limão, estava escrito: "Até amanhã, Bolinho de Papel. Não esqueça o travesseiro."

Abbie amassou o papel e o guardou no bolso, sentindo um arrepio percorrer sua espinha. A perseguição estava longe de terminar, e ele sabia que, para Oliver, a brincadeira estava apenas começando.
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