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Fandom: Nenhum
Criado: 24/05/2026
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RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoHistória DomésticaCiúmesGravidez Não Planejada/IndesejadaEstudo de PersonagemPsicológicoRealismoFatias de VidaSátiraHumorPWP (Enredo? Que enredo?)Linguagem Explícita
Entre o Sagrado e o Profano
O silêncio do estúdio de tatuagem de Emanuel, geralmente preenchido pelo zumbido rítmico das agulhas, parecia pesado naquela tarde. Emanuel, com seus vinte e cinco anos e uma fortuna construída sobre tinta e pele, era um homem que gostava de ter o controle. No entanto, o controle estava escorrendo por entre seus dedos como água.
Tudo começou com o desejo silencioso de Eduarda. Aos vinte anos, a estudante de História da Arte era a personificação da doçura. Com seus olhos grandes e expressivos que pareciam sempre pedir um abraço, ela era o porto seguro de Emanuel, o contraste perfeito para a vida caótica que ele levava. Mas por trás daquela timidez e do jeito manhoso, havia uma determinação férrea. Ela queria um filho. Ela queria um menino que tivesse os traços sérios de Emanuel, os mesmos olhos observadores e a mesma postura firme.
Emanuel, prático e protetor, havia sido claro: primeiro o diploma, depois os bebês. Ele não queria sobrecarregá-la. Mas Eduarda, em um ato de rebeldia silenciosa que ninguém esperaria de alguém tão delicada, decidiu tomar o destino em suas mãos. Com as mãos trêmulas e o coração disparado, ela usou um alfinete de costura para furar as camisinhas que Emanuel guardava na gaveta do criado-mudo. Cada pequeno furo era uma promessa, um segredo que ela guardava enquanto se aninhava no peito dele após as noites de amor, sentindo-se vitoriosa em sua mansidão.
O plano funcionou. Duas semanas depois, o teste de farmácia confirmou o que ela já sentia. Mas o destino gosta de pregar peças. Sara, a outra ponta do triângulo amoroso de Emanuel, também apareceu grávida.
Sara era o oposto de Eduarda em todos os sentidos. Loira, com curvas acentuadas por silicone e um guarda-roupa que gritava por atenção, ela era vulgar, barulhenta e competitiva. Formada em Administração, mas preferindo viver do luxo que Emanuel proporcionava, ela não recebeu a notícia da gravidez de Eduarda com ódio, mas sim com um senso de disputa.
— Você acha que esse seu jeito de sonsa vai te dar vantagem, não é, queridinha? — Sara disparou, enquanto desfilava pelo apartamento de Emanuel em um vestido justo demais para uma gestante inicial. — Mas o meu filho vai ser o herdeiro de tudo isso aqui. Eu sei como administrar um império, você só sabe olhar para quadros velhos.
Eduarda, sentada no sofá com as mãos protegendo o ventre ainda plano, apenas desviou o olhar, sentindo os olhos marejarem.
— Eu só quero que ele seja feliz, Sara — sussurrou Eduarda, com a voz embargada.
A situação escalou quando os pais de Eduarda descobriram. Apesar de serem intelectuais de esquerda, modernos e progressistas, havia tradições que eles não negociavam. A notícia de que a filha havia perdido a virgindade e engravidado fora do casamento caiu como uma bomba. Para eles, a honra de Eduarda exigia reparação. Eles exigiram que Emanuel se casasse com ela na igreja e no cartório, com toda a pompa que a tradição exigia.
Emanuel, embora estressado com a pressão, não odiou a ideia. Havia algo em ver Eduarda de branco, subindo ao altar para se tornar oficialmente sua, que acalmava seu lado mais racional. O problema, claro, era Sara. Como um homem com duas mulheres e dois filhos a caminho poderia resolver aquele impasse jurídico e emocional?
— Eu não vou ser a "outra", Emanuel! — gritou Sara, jogando uma almofada de grife na direção dele. — Se aquela mosca morta vai ter um papel assinado, eu quero algo maior! Eu quero uma cerimônia que faça o casamento dela parecer um batizado de subúrbio!
Emanuel esfregou as têmporas, sentindo a dor de cabeça latejar.
— Sara, eu só posso casar legalmente com uma pessoa. Você sabe disso. Vou organizar uma união simbólica para nós. Vai ser luxuoso, vai ser o que você quiser, mas o papel... o papel tem que ser da Eduarda. Os pais dela não aceitam menos.
Sara cedeu, mas com um brilho vingativo nos olhos. Se ela não teria o cartório, ela teria o espetáculo.
O dia do casamento de Eduarda amanheceu nublado, mas o interior da igreja estava radiante. Eduarda estava deslumbrante em um vestido de renda francesa, com mangas longas e um corte romântico que realçava sua fragilidade. Ela parecia uma pintura renascentista saindo da moldura.
No altar, Emanuel estava impecável em um terno escuro, embora a tensão em seus ombros fosse visível para quem o conhecesse bem. Quando Eduarda caminhou em sua direção, ele sentiu um aperto no peito. Ela era tão jovem, tão dependente dele. Ele prometeu a si mesmo que cuidaria dela e daquela criança com sua própria vida.
— Você está linda — sussurrou Emanuel, quando ela chegou ao seu lado.
Eduarda sorriu, uma lágrima solitária escorrendo por sua bochecha.
— Eu te amo, Emanuel. Obrigada por fazer isso por nós.
A cerimônia foi tradicional, carregada de simbolismo e da aprovação emocionada dos pais da noiva. No momento do "sim", Eduarda sentiu uma paz profunda. Ela sabia que, legalmente e perante Deus, ela era a esposa. Sara poderia ter o luxo, mas ela tinha o compromisso.
No entanto, a paz durou pouco. A festa de recepção mal havia começado quando Sara fez sua entrada triunfal. Ela não estava convidada para a cerimônia religiosa, mas Emanuel não teve forças para impedi-la de aparecer na festa. Ela chegou usando um vestido dourado, tão curto e decotado que fazia os convidados mais velhos desviarem o olhar.
— Parabéns ao casal! — Sara exclamou, sua voz cortando a música suave do ambiente como uma navalha. — Espero que tenham aproveitado a missa. Agora, Emanuel, vamos falar sobre a minha festa? Já contratei o buffet internacional. A união simbólica vai ser na praia, com fogos de artifício e cobertura da imprensa social.
Emanuel segurou o braço de Sara, puxando-a para um canto.
— Sara, hoje é o dia da Eduarda. Tenha respeito.
— Respeito? — ela riu, sarcástica. — Eu estou carregando um filho seu também, querido. E o meu evento vai apagar esse casamento sem graça da memória de todo mundo.
Eduarda, que observava de longe, sentiu a habitual insegurança subir pela garganta. Ela se aproximou lentamente, segurando a taça de água com as mãos trêmulas.
— Sara, por favor... — começou Eduarda, com a voz baixa. — Eu não quero competir com você. Eu só quero viver em paz com o Emanuel.
Sara mediu Eduarda de cima a baixo, um sorriso de escárnio nos lábios perfeitamente pintados de vermelho.
— Paz, docinho? Você furou as camisinhas dele para conseguir o que queria. Não venha posar de santa para cima de mim. Eu sou vulgar, eu sou direta, mas pelo menos eu não sou uma manipuladora silenciosa.
O rosto de Eduarda empalideceu. Emanuel olhou de uma para a outra, o choque estampado em suas feições.
— O que você disse, Sara? — Emanuel perguntou, sua voz ficando perigosamente baixa.
— Ah, você não sabia? — Sara deu uma risadinha, deliciando-se com o caos. — A sua "menininha" é muito mais esperta do que você pensa. Ela sabia que você não queria filhos agora. Como você acha que ela engravidou tão rápido? Sorte?
Emanuel olhou para Eduarda. A timidez dela, que ele sempre viu como fragilidade, agora parecia uma máscara. Eduarda baixou a cabeça, as lágrimas começando a cair de verdade.
— Emanuel, eu... eu só queria tanto um bebê nosso... — ela soluçou, tentando tocar o braço dele.
Emanuel recuou um passo, o estresse acumulado de meses finalmente transbordando. Ele estava cercado: de um lado, a esposa oficial que o havia enganado por amor; do outro, a amante que transformava sua vida em um campo de batalha por status.
— Chega — disse Emanuel, a voz rouca. — Hoje era para ser o dia em que eu colocaria ordem na minha vida. Mas parece que nenhum de vocês se importa com o que eu quero.
Ele olhou para o salão de festas, para os pais de Eduarda que sorriam ao longe, alheios ao drama, e para a opulência que ele mesmo havia financiado.
— Eduarda, nós estamos casados. Eu vou cumprir meu papel. Mas não pense que o que você fez foi certo. E Sara... sua festa simbólica vai acontecer, mas se você abrir a boca para provocar a Eduarda mais uma vez, eu cancelo tudo e você vai ter esse filho bem longe do meu dinheiro.
Sara bufou, cruzando os braços sobre os seios siliconados, mas o brilho de triunfo ainda estava lá. Ela sabia que tinha plantado a semente da discórdia no casamento perfeito.
Eduarda se encolheu, sentindo o peso da coroa de flores em sua cabeça. Ela havia conseguido o casamento, havia conseguido o bebê, mas o olhar de Emanuel para ela havia mudado. Não era mais apenas proteção; havia uma sombra de desconfiança.
A festa continuou, uma fachada de felicidade para os convidados. Emanuel passou o resto da noite bebendo uísque, observando as duas mulheres que carregavam seu futuro. Eduarda, sentada em um canto, manhosamente esperando que ele voltasse para perto dela; e Sara, no centro da pista de dança, garantindo que todos soubessem que, embora não tivesse o anel de ouro, ela ainda era a rainha do drama.
— Eu vou ter o meu menino — sussurrou Eduarda para si mesma, acariciando a barriga sob o tecido caro do vestido de noiva. — E ele vai ser a cara do pai. E o Emanuel vai me perdoar. Ele sempre perdoa.
Enquanto isso, Sara já digitava no celular, detalhando para o cerimonialista que o altar da sua união simbólica deveria ser mais alto que o da igreja, para que ela pudesse olhar para todos de cima.
O casamento havia terminado, mas a guerra entre o sagrado e o profano estava apenas começando. Emanuel, o tatuador que costumava marcar a pele dos outros com histórias eternas, agora percebia que sua própria história estava sendo escrita com uma tinta que nunca secava, manchando tudo o que ele tentava manter limpo.
Tudo começou com o desejo silencioso de Eduarda. Aos vinte anos, a estudante de História da Arte era a personificação da doçura. Com seus olhos grandes e expressivos que pareciam sempre pedir um abraço, ela era o porto seguro de Emanuel, o contraste perfeito para a vida caótica que ele levava. Mas por trás daquela timidez e do jeito manhoso, havia uma determinação férrea. Ela queria um filho. Ela queria um menino que tivesse os traços sérios de Emanuel, os mesmos olhos observadores e a mesma postura firme.
Emanuel, prático e protetor, havia sido claro: primeiro o diploma, depois os bebês. Ele não queria sobrecarregá-la. Mas Eduarda, em um ato de rebeldia silenciosa que ninguém esperaria de alguém tão delicada, decidiu tomar o destino em suas mãos. Com as mãos trêmulas e o coração disparado, ela usou um alfinete de costura para furar as camisinhas que Emanuel guardava na gaveta do criado-mudo. Cada pequeno furo era uma promessa, um segredo que ela guardava enquanto se aninhava no peito dele após as noites de amor, sentindo-se vitoriosa em sua mansidão.
O plano funcionou. Duas semanas depois, o teste de farmácia confirmou o que ela já sentia. Mas o destino gosta de pregar peças. Sara, a outra ponta do triângulo amoroso de Emanuel, também apareceu grávida.
Sara era o oposto de Eduarda em todos os sentidos. Loira, com curvas acentuadas por silicone e um guarda-roupa que gritava por atenção, ela era vulgar, barulhenta e competitiva. Formada em Administração, mas preferindo viver do luxo que Emanuel proporcionava, ela não recebeu a notícia da gravidez de Eduarda com ódio, mas sim com um senso de disputa.
— Você acha que esse seu jeito de sonsa vai te dar vantagem, não é, queridinha? — Sara disparou, enquanto desfilava pelo apartamento de Emanuel em um vestido justo demais para uma gestante inicial. — Mas o meu filho vai ser o herdeiro de tudo isso aqui. Eu sei como administrar um império, você só sabe olhar para quadros velhos.
Eduarda, sentada no sofá com as mãos protegendo o ventre ainda plano, apenas desviou o olhar, sentindo os olhos marejarem.
— Eu só quero que ele seja feliz, Sara — sussurrou Eduarda, com a voz embargada.
A situação escalou quando os pais de Eduarda descobriram. Apesar de serem intelectuais de esquerda, modernos e progressistas, havia tradições que eles não negociavam. A notícia de que a filha havia perdido a virgindade e engravidado fora do casamento caiu como uma bomba. Para eles, a honra de Eduarda exigia reparação. Eles exigiram que Emanuel se casasse com ela na igreja e no cartório, com toda a pompa que a tradição exigia.
Emanuel, embora estressado com a pressão, não odiou a ideia. Havia algo em ver Eduarda de branco, subindo ao altar para se tornar oficialmente sua, que acalmava seu lado mais racional. O problema, claro, era Sara. Como um homem com duas mulheres e dois filhos a caminho poderia resolver aquele impasse jurídico e emocional?
— Eu não vou ser a "outra", Emanuel! — gritou Sara, jogando uma almofada de grife na direção dele. — Se aquela mosca morta vai ter um papel assinado, eu quero algo maior! Eu quero uma cerimônia que faça o casamento dela parecer um batizado de subúrbio!
Emanuel esfregou as têmporas, sentindo a dor de cabeça latejar.
— Sara, eu só posso casar legalmente com uma pessoa. Você sabe disso. Vou organizar uma união simbólica para nós. Vai ser luxuoso, vai ser o que você quiser, mas o papel... o papel tem que ser da Eduarda. Os pais dela não aceitam menos.
Sara cedeu, mas com um brilho vingativo nos olhos. Se ela não teria o cartório, ela teria o espetáculo.
O dia do casamento de Eduarda amanheceu nublado, mas o interior da igreja estava radiante. Eduarda estava deslumbrante em um vestido de renda francesa, com mangas longas e um corte romântico que realçava sua fragilidade. Ela parecia uma pintura renascentista saindo da moldura.
No altar, Emanuel estava impecável em um terno escuro, embora a tensão em seus ombros fosse visível para quem o conhecesse bem. Quando Eduarda caminhou em sua direção, ele sentiu um aperto no peito. Ela era tão jovem, tão dependente dele. Ele prometeu a si mesmo que cuidaria dela e daquela criança com sua própria vida.
— Você está linda — sussurrou Emanuel, quando ela chegou ao seu lado.
Eduarda sorriu, uma lágrima solitária escorrendo por sua bochecha.
— Eu te amo, Emanuel. Obrigada por fazer isso por nós.
A cerimônia foi tradicional, carregada de simbolismo e da aprovação emocionada dos pais da noiva. No momento do "sim", Eduarda sentiu uma paz profunda. Ela sabia que, legalmente e perante Deus, ela era a esposa. Sara poderia ter o luxo, mas ela tinha o compromisso.
No entanto, a paz durou pouco. A festa de recepção mal havia começado quando Sara fez sua entrada triunfal. Ela não estava convidada para a cerimônia religiosa, mas Emanuel não teve forças para impedi-la de aparecer na festa. Ela chegou usando um vestido dourado, tão curto e decotado que fazia os convidados mais velhos desviarem o olhar.
— Parabéns ao casal! — Sara exclamou, sua voz cortando a música suave do ambiente como uma navalha. — Espero que tenham aproveitado a missa. Agora, Emanuel, vamos falar sobre a minha festa? Já contratei o buffet internacional. A união simbólica vai ser na praia, com fogos de artifício e cobertura da imprensa social.
Emanuel segurou o braço de Sara, puxando-a para um canto.
— Sara, hoje é o dia da Eduarda. Tenha respeito.
— Respeito? — ela riu, sarcástica. — Eu estou carregando um filho seu também, querido. E o meu evento vai apagar esse casamento sem graça da memória de todo mundo.
Eduarda, que observava de longe, sentiu a habitual insegurança subir pela garganta. Ela se aproximou lentamente, segurando a taça de água com as mãos trêmulas.
— Sara, por favor... — começou Eduarda, com a voz baixa. — Eu não quero competir com você. Eu só quero viver em paz com o Emanuel.
Sara mediu Eduarda de cima a baixo, um sorriso de escárnio nos lábios perfeitamente pintados de vermelho.
— Paz, docinho? Você furou as camisinhas dele para conseguir o que queria. Não venha posar de santa para cima de mim. Eu sou vulgar, eu sou direta, mas pelo menos eu não sou uma manipuladora silenciosa.
O rosto de Eduarda empalideceu. Emanuel olhou de uma para a outra, o choque estampado em suas feições.
— O que você disse, Sara? — Emanuel perguntou, sua voz ficando perigosamente baixa.
— Ah, você não sabia? — Sara deu uma risadinha, deliciando-se com o caos. — A sua "menininha" é muito mais esperta do que você pensa. Ela sabia que você não queria filhos agora. Como você acha que ela engravidou tão rápido? Sorte?
Emanuel olhou para Eduarda. A timidez dela, que ele sempre viu como fragilidade, agora parecia uma máscara. Eduarda baixou a cabeça, as lágrimas começando a cair de verdade.
— Emanuel, eu... eu só queria tanto um bebê nosso... — ela soluçou, tentando tocar o braço dele.
Emanuel recuou um passo, o estresse acumulado de meses finalmente transbordando. Ele estava cercado: de um lado, a esposa oficial que o havia enganado por amor; do outro, a amante que transformava sua vida em um campo de batalha por status.
— Chega — disse Emanuel, a voz rouca. — Hoje era para ser o dia em que eu colocaria ordem na minha vida. Mas parece que nenhum de vocês se importa com o que eu quero.
Ele olhou para o salão de festas, para os pais de Eduarda que sorriam ao longe, alheios ao drama, e para a opulência que ele mesmo havia financiado.
— Eduarda, nós estamos casados. Eu vou cumprir meu papel. Mas não pense que o que você fez foi certo. E Sara... sua festa simbólica vai acontecer, mas se você abrir a boca para provocar a Eduarda mais uma vez, eu cancelo tudo e você vai ter esse filho bem longe do meu dinheiro.
Sara bufou, cruzando os braços sobre os seios siliconados, mas o brilho de triunfo ainda estava lá. Ela sabia que tinha plantado a semente da discórdia no casamento perfeito.
Eduarda se encolheu, sentindo o peso da coroa de flores em sua cabeça. Ela havia conseguido o casamento, havia conseguido o bebê, mas o olhar de Emanuel para ela havia mudado. Não era mais apenas proteção; havia uma sombra de desconfiança.
A festa continuou, uma fachada de felicidade para os convidados. Emanuel passou o resto da noite bebendo uísque, observando as duas mulheres que carregavam seu futuro. Eduarda, sentada em um canto, manhosamente esperando que ele voltasse para perto dela; e Sara, no centro da pista de dança, garantindo que todos soubessem que, embora não tivesse o anel de ouro, ela ainda era a rainha do drama.
— Eu vou ter o meu menino — sussurrou Eduarda para si mesma, acariciando a barriga sob o tecido caro do vestido de noiva. — E ele vai ser a cara do pai. E o Emanuel vai me perdoar. Ele sempre perdoa.
Enquanto isso, Sara já digitava no celular, detalhando para o cerimonialista que o altar da sua união simbólica deveria ser mais alto que o da igreja, para que ela pudesse olhar para todos de cima.
O casamento havia terminado, mas a guerra entre o sagrado e o profano estava apenas começando. Emanuel, o tatuador que costumava marcar a pele dos outros com histórias eternas, agora percebia que sua própria história estava sendo escrita com uma tinta que nunca secava, manchando tudo o que ele tentava manter limpo.
