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O amor

Fandom: Jujutsu Kaisen

Criado: 24/05/2026

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RomanceDramaFatias de VidaDor/ConfortoHistória DomésticaCenário CanônicoLinguagem Explícita
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Entre a Ansiedade e o Asfalto Molhado

O relógio digital no painel do carro marcava quase meia-noite. Guilherme encostou a cabeça no vidro frio da janela, observando as luzes de Tóquio passarem como borrões neon sob a chuva fina. Ele estava exausto. A rotina de trabalhar oito horas em um escritório de advocacia como estagiário e depois correr para a faculdade de Direito estava drenando sua alma. Aos dezoito anos, ele sentia que tinha o cansaço de um homem de oitenta.

No banco do motorista, a figura impecável de Ijichi Kiyotaka mantinha as mãos firmes no volante. Ijichi não era apenas um motorista particular; ele era o assistente de supervisão da Escola Jujutsu e, por algum motivo que Guilherme ainda não entendia completamente, seu pai — um feiticeiro de alto escalão — havia designado Ijichi para ser seu "tutor de logística" e segurança ocasional.

Guilherme olhou de soslaio para o homem de vinte e sete anos. Ijichi parecia sempre à beira de um colapso nervoso, com as olheiras profundas e a postura rígida, mas havia algo naquela vulnerabilidade profissional que atraía Guilherme de forma avassaladora.

— Porra, esse trânsito não anda nunca — resmungou Guilherme, a voz rouca de cansaço.

Ijichi se sobressaltou levemente, ajustando os óculos no rosto fino.

— Peço desculpas, Guilherme-kun. Houve um incidente com uma cortina não muito longe daqui. O fluxo foi desviado.

— Não é sua culpa, Ijichi-san — Guilherme suspirou, fechando os olhos. — É só que hoje foi um dia de merda. Meu chefe é um arrombado e eu quase dormi na aula de Processo Civil.

— Entendo... — Ijichi murmurou, sua voz suave e um tanto trêmula, como sempre. — A vida acadêmica e profissional simultânea é... deveras estressante.

Guilherme abriu um olho e sorriu de lado. Era um sorriso raro, que misturava sua natureza ansiosa com um brilho de deboche carinhoso.

— Você também vive estressado, Kiyotaka. Às vezes acho que você vai desmaiar só de olhar para o Gojo-sensei.

Ijichi engoliu em seco, as bochechas ganhando um leve tom rosado.

— O Sr. Gojo é... uma força da natureza. É difícil não se sentir sobrecarregado.

— Você é muito certinho — Guilherme continuou, sentindo o coração acelerar. — Devia relaxar um pouco.

O silêncio caiu sobre o carro, quebrado apenas pelo som rítmico dos limpadores de para-brisa. Guilherme sentia a tensão crescer. Ele tinha uma queda por Ijichi desde o primeiro mês em que o conheceu. Havia algo no jeito desajeitado e na gentileza extrema do mais velho que fazia o garoto de dezoito anos querer protegê-lo e, ao mesmo tempo, ser dominado por ele.

Quando o carro finalmente parou em frente ao prédio de Guilherme, a chuva havia apertado.

— Chegamos — anunciou Ijichi, olhando pelo retrovisor.

Guilherme não se mexeu. Ele encarou a nuca de Ijichi, os cabelos negros bem cortados. A ansiedade, sua velha amiga, começou a martelar em seu peito, mas o desejo era mais forte.

— Tá chovendo pra caralho — Guilherme disse, a voz subitamente mais baixa. — Não quer subir? Toma um café, ou sei lá. Você parece que vai ter um treco se dirigir mais dez minutos.

Ijichi hesitou, os dedos apertando o volante.

— Eu não deveria... tenho relatórios para entregar ao Diretor Yaga e...

— Foda-se os relatórios por meia hora, Ijichi — cortou Guilherme, abrindo a porta do carro e sentindo o ar úmido. — Vem logo. É uma ordem do filho de um figurão, se isso ajudar sua consciência.

Ijichi suspirou, uma mistura de derrota e alívio, e desligou o motor.

O apartamento de Guilherme era pequeno e bagunçado, cheio de livros de direito e roupas jogadas. Ao entrarem, o ambiente parecia subitamente apertado com a presença de Ijichi. O mais velho retirou o paletó escuro, revelando a camisa social branca que delineava seu corpo magro, mas surpreendentemente firme.

— Desculpe a bagunça — disse Guilherme, jogando a mochila no sofá de qualquer jeito. — Quer água ou algo mais forte?

— Água está ótimo, obrigado — respondeu Ijichi, permanecendo de pé, parecendo um tanto deslocado.

Guilherme foi até a cozinha americana, mas parou no caminho. Ele se virou e viu Ijichi limpando as lentes dos óculos com um lenço. Sem os óculos, os olhos de Ijichi pareciam mais cansados, porém mais humanos, mais expostos.

— Você é muito bonito, sabia? — A frase saiu da boca de Guilherme antes que ele pudesse filtrar.

Ijichi paralisou. Ele recolocou os óculos rapidamente, as mãos tremendo visivelmente.

— Guilherme-kun, por favor, não brinque com essas coisas...

— Eu não estou brincando, porra — Guilherme deu um passo à frente, encurtando a distância. — Eu passo o dia inteiro pensando em como você fica sério dirigindo esse carro. E em como você é a única pessoa que me escuta sem me julgar.

— Eu sou quase dez anos mais velho que você... — Ijichi gaguejou, recuando até suas costas baterem na parede do corredor. — E eu trabalho para sua família. Isso é... altamente inapropriado.

— Inapropriado é eu querer te beijar desde que fiz dezoito anos e ter que ficar fingindo que não sinto nada — Guilherme estava agora a poucos centímetros dele.

A altura de Guilherme, ligeiramente superior à de Ijichi devido à postura, tornava o momento ainda mais imponente. O garoto colocou as mãos na parede, uma de cada lado da cabeça de Ijichi, cercando-o.

— Guilherme... — o nome saiu como um suspiro quebrado dos lábios de Ijichi.

— Você me quer? — Guilherme perguntou, os olhos negros fixos nos dele. — Seja sincero comigo, Kiyotaka. Pelo menos uma vez, esqueça o profissionalismo.

Ijichi fechou os olhos, a respiração ofegante. A ansiedade que sempre o acompanhava parecia ter mudado de natureza; não era mais medo de falhar no trabalho, era o desejo reprimido de anos de solidão.

— Sim — confessou Ijichi em um sussurro quase inaudível. — Eu... eu sinto.

Guilherme não esperou mais. Ele avançou, selando seus lábios nos de Ijichi. O beijo começou urgente, quase desesperado. O gosto de café e cansaço se misturava à doçura da entrega. Ijichi soltou um gemido baixo contra a boca de Guilherme, suas mãos finalmente subindo para agarrar a cintura do garoto, puxando-o para mais perto.

— Caralho... — Guilherme murmurou entre os beijos, descendo os lábios para o pescoço de Ijichi. — Você não tem noção de como eu imaginei isso.

As mãos de Guilherme foram para os botões da camisa social de Ijichi, abrindo-os com uma pressa desajeitada. Por baixo da fachada de funcionário exemplar, a pele de Ijichi era quente e sensível. Quando a camisa caiu pelos ombros, Guilherme admirou a silhueta do homem à sua frente.

— Para o quarto — comandou Guilherme, a voz carregada de uma autoridade que ele não sabia que possuía.

No quarto mal iluminado, a chuva batendo na janela criava uma sinfonia isolada do resto do mundo. Guilherme empurrou Ijichi gentilmente para a cama. O mais velho parecia em transe, os olhos brilhando atrás das lentes dos óculos que ele ainda não tinha tirado.

Guilherme se livrou de suas próprias roupas rapidamente, revelando o corpo jovem e magro, mas definido. Ele se posicionou entre as pernas de Ijichi, sentindo o volume evidente nas calças sociais do motorista.

— Deixa eu tirar isso — disse Guilherme, removendo os óculos de Ijichi e colocando-os na cabeceira. — Quero que você me veja. De verdade.

Sem os óculos, a visão de Ijichi estava um pouco embaçada, mas a sensação do corpo de Guilherme contra o seu era mais nítida do que qualquer coisa. Guilherme começou a desabotoar o cinto de Ijichi, os dedos roçando na pele da barriga, fazendo o mais velho estremecer.

— Guilherme... tem certeza? — Ijichi perguntou, a voz falhando.

— Cala a boca e me beija, Kiyotaka — Guilherme respondeu, unindo seus lábios novamente enquanto deslizava as calças de Ijichi para baixo.

Quando ambos estavam nus, o contraste era visível. Guilherme tinha a energia pulsante da juventude, enquanto Ijichi carregava uma elegância melancólica. Guilherme começou a explorar o corpo de Ijichi com a língua, descendo pelo peito, passando pelo abdômen, até chegar à intimidade do mais velho.

Ijichi arqueou as costas, os dedos enterrando-se nos cabelos negros de Guilherme.

— Ah... Guilherme... por favor...

O prazer era avassalador. Guilherme trabalhava com uma dedicação que beirava a adoração, querendo compensar cada momento de estresse que Ijichi passava. Ele queria que, naquele momento, Ijichi esquecesse Gojo, esquecesse as maldições e o peso do mundo.

Depois de alguns minutos, Guilherme subiu novamente, ficando por cima de Ijichi. Ele buscou uma camisinha na gaveta da cabeceira, as mãos tremendo levemente pela adrenalina.

— Eu vou... — Guilherme começou, mas Ijichi o puxou para um beijo profundo, as pernas se enroscando na cintura do garoto.

— Só continue — pediu Ijichi, a voz agora firme com o desejo. — Por favor.

A entrada foi lenta, um preenchimento que fez ambos perderem o fôlego. Guilherme parou por um segundo, observando o rosto de Ijichi. O assistente estava com os olhos cerrados, uma expressão de dor e prazer misturados, o peito subindo e descendo rapidamente.

— Você está bem? — perguntou Guilherme, preocupado.

— Sim... é só que... é você — Ijichi abriu os olhos, e neles Guilherme viu uma afeição que ia além do físico.

Guilherme começou a se mover. No início, movimentos lentos e rítmicos, sentindo o aperto de Ijichi ao redor dele. A cada estocada, a ansiedade de Guilherme parecia se dissipar, transformada em pura conexão. Ijichi soltava gemidos curtos, o nome de Guilherme escapando de seus lábios como uma prece.

— Mais... mais forte — pediu Ijichi, as unhas cravando-se nos ombros de Guilherme.

Guilherme obedeceu. O som da carne batendo contra a carne e os gemidos abafados preenchiam o quarto. O ritmo acelerou, a urgência tomando conta. Guilherme sentia que estava prestes a explodir. Ele enterrou o rosto no pescoço de Ijichi, sentindo o cheiro de sabonete neutro e suor.

— Kiyotaka... eu vou... — Guilherme arfou, aumentando a velocidade.

Ijichi não respondeu com palavras, apenas apertou Guilherme com mais força, atingindo seu próprio ápice momentos antes. Guilherme o seguiu logo depois, um grito de libertação morrendo em sua garganta enquanto ele desabava sobre o peito do mais velho.

O silêncio que se seguiu não era desconfortável. A chuva lá fora continuava, mas dentro do quarto, o tempo parecia ter parado. Guilherme sentia o coração de Ijichi bater forte contra o seu.

Depois de alguns minutos, Guilherme se afastou um pouco, olhando para Ijichi. O motorista parecia exausto, mas havia uma serenidade em seu rosto que Guilherme nunca tinha visto antes.

— Você ainda vai me levar para a faculdade amanhã? — Guilherme brincou, tentando quebrar o clima de vulnerabilidade extrema.

Ijichi soltou uma risada curta e genuína, o que fez o coração de Guilherme dar um salto.

— Acho que não tenho escolha, Guilherme-kun. Mas talvez... eu possa passar para te buscar um pouco mais cedo. Para o café.

Guilherme sorriu, um sorriso largo e positivo, sem a sombra da cara fechada que costumava carregar.

— Eu ia adorar isso, Kiyotaka.

Ele se aninhou ao lado de Ijichi, puxando o cobertor sobre ambos. Pela primeira vez em muito tempo, a ansiedade de Guilherme estava silenciosa. Ele sabia que a rotina continuaria exaustiva e que o mundo lá fora era perigoso, mas ali, naquele pequeno espaço, ele tinha encontrado algo que valia a pena o cansaço. E Ijichi, fechando os olhos enquanto sentia o calor do garoto ao seu lado, finalmente sentiu que o peso dos relatórios e das responsabilidades era um pouco mais leve.
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