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Growls and silver weapons

Fandom: LMSY

Criado: 25/05/2026

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RomanceUA (Universo Alternativo)FantasiaHistória DomésticaDramaPsicológicoAção
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Presas e Lentes: O Inevitável Destino de uma Colisão

O corredor do bloco C da Universidade de Bangkok cheirava a cera de chão e a uma mistura caótica de perfumes baratos e ansiedade estudantil. Sonya Austin Waraha não estava apenas andando; ela estava voando. Seus pés mal tocavam o linóleo enquanto ela corria, a jaqueta de couro preta — uma relíquia favorita de sua mãe, Engfa — aberta e balançando atrás dela como uma capa. Ela estava atrasada para o treino de vôlei, e a capitã não podia se dar ao luxo de chegar depois das calouras.

— Sai da frente, Jeep! — gritou ela, passando por seu melhor amigo que tentava equilibrar três copos de café.

— Você vai acabar matando alguém, Sonya! — Jeep berrou de volta, mas a loba já estava longe, rindo com um brilho selvagem nos olhos.

Ela dobrou a esquina com a velocidade de quem tinha instintos predadores, mas o que ela não previu foi o obstáculo silencioso e estático parado bem no meio do caminho. O impacto foi inevitável.

Sonya sentiu o choque contra algo firme, mas consideravelmente menor que ela. Livros voaram, um estojo de couro caiu com um baque surdo e o cheiro de papel antigo e sândalo invadiu suas narinas, bagunçando seus sentidos lupinos.

— Caramba... — Sonya resmungou, sacudindo a cabeça. Seus olhos, um castanho profundo e o outro de um amarelo vibrante e hipnótico, focaram na figura caída à sua frente.

Lookmhee Armstrong Sarocha não parecia feliz. Seus óculos de armação fina estavam levemente tortos no rosto, e seu longo cabelo preto caía como uma cortina sobre os ombros. Com uma calma que beirava o aterrorizante, ela começou a recolher seus pertences, ignorando a mão estendida de Sonya.

— Você tem algum tipo de deficiência visual ou é apenas a falta de cérebro que te impede de ver um ser humano de um metro e sessenta e cinco parado no corredor? — A voz de Lookmhee era fria, cortante como o aço da adaga que ela carregava escondida sob a blusa de gola alta.

Sonya arqueou uma sobrancelha, o ego inflado sendo cutucado pela primeira vez no dia. Ela recolheu a mão e cruzou os braços, um sorriso sarcástico brincando em seus lábios, revelando levemente a ponta de seus caninos mais afiados que o normal.

— Além de baixinha, é mal-educada? — Sonya rebateu, inclinando-se para frente. — Eu estava com pressa, óculos. Mas, olhando bem agora... o estrago não foi tão grande. Você até que é bonitinha brava.

Lookmhee finalmente levantou o olhar, encarando Sonya com uma intensidade analítica. Ela não se intimidou com a postura territorialista da garota à sua frente. Como filha de Freen e Becky, ela fora treinada para identificar ameaças, e algo naquela garota de olhos heterocromáticos fazia seus instintos de caçadora gritarem "perigo".

— "Bonitinha"? — Lookmhee repetiu, levantando-se e limpando a poeira da calça. — Guarde seus elogios medíocres para quem se impressiona com jaquetas de couro e falta de modos, Austin Waraha. Eu sei exatamente quem você é. A capitã do vôlei que acha que o campus é sua quadra particular.

— Oh, então você me conhece? — Sonya deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal de Lookmhee com uma ousadia que geralmente fazia qualquer um recuar. — Fico lisonjeada em saber que ocupo espaço nessa sua cabecinha estratégica. Quer um autógrafo ou prefere que eu te leve para jantar para compensar o tombo?

Lookmhee ajustou os óculos com o dedo médio, um gesto sutil, mas carregado de desdém.

— Eu prefiro que você desapareça da minha frente antes que eu decida que você é um problema que precisa ser... catalogado. — Ela deu um sorriso gélido, um que não chegava aos olhos. — E, para sua informação, seu charme é tão funcional quanto um salto quebrado. Inútil e patético.

Sonya piscou, atordoada. Ninguém nunca a cortava daquele jeito. O orgulho Waraha ferveu em seu sangue, mas antes que pudesse retrucar, Lookmhee passou por ela, esbarrando propositalmente em seu ombro e deixando para trás apenas o rastro de seu perfume amadeirado.

— Isso não vai ficar assim, Sarocha! — Sonya gritou para o corredor, sentindo seu coração bater num ritmo estranho.

***

Duas horas depois, Sonya estava exausta após o treino, mas seu humor não havia melhorado. Ela caminhava em direção ao seu novo dormitório, o 402, segurando a chave com força. Ela precisava de um banho e de silêncio para processar como aquela garota de óculos tinha conseguido deixá-la tão irritada — e, secretamente, intrigada.

Ao abrir a porta do quarto, ela parou bruscamente.

As malas já estavam lá. Metade do quarto estava impecavelmente organizada, com livros de história, biologia e alguns cadernos de desenho dispostos em uma ordem milimétrica. E sentada na cama oposta, com um caderno de anotações no colo e uma expressão de puro tédio, estava ela.

— Não. — Sonya disse, a voz falhando por um segundo. — Não pode ser.

Lookmhee levantou os olhos do caderno, fechando-o lentamente.

— Parece que o destino tem um senso de humor deplorável — disse Lookmhee, sua voz mantendo a mesma calma analítica de mais cedo. — Ou talvez seja apenas uma punição divina pelos meus pecados.

— Você está no meu quarto! — Sonya exclamou, jogando sua bolsa de vôlei no chão, o que fez Lookmhee franzir o cenho para a bagunça.

— Tecnicamente, este é o nosso quarto — corrigiu Lookmhee, levantando-se. — E eu sugiro que você aprenda o conceito de "espaço compartilhado". Eu não tolero gente folgada, Sonya. Se você deixar suas meias sujas no meu lado da linha imaginária que eu tracei, eu vou queimá-las.

Sonya soltou uma risada nasalada, recuperando sua postura sarcástica. Ela caminhou até Lookmhee, parando a poucos centímetros dela. A diferença de altura era pequena, mas a tensão entre as duas poderia alimentar a rede elétrica de toda a universidade.

— Você é muito mandona para alguém que cabe no meu bolso, sabia? — Sonya provocou, observando as reações da outra. — O que foi? Está com medo de que eu morda?

Lookmhee não recuou. Seus olhos se estreitaram atrás das lentes, e ela instintivamente levou a mão à cintura, onde a adaga de prata estava escondida sob o casaco. Ela sentia a aura de Sonya — era quente, selvagem, vibrante. Era o cheiro de um lobo.

— Eu não tenho medo de cachorros que ladram muito, Austin — Lookmhee murmurou, o tom de voz baixando para um registro perigoso. — Eu sei como lidar com criaturas indisciplinadas.

Sonya sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Havia algo em Lookmhee que a deixava em alerta máximo. Não era apenas a beleza fria ou a inteligência afiada; era a sensação de que Lookmhee via através de suas camadas, direto para o segredo que ela escondia sob a pele.

— Criaturas? — Sonya riu, tentando disfarçar o desconforto. — Você fala como se vivesse em um filme de fantasia, Sarocha. Relaxa. Eu sou apenas uma estudante comum que gosta de ganhar jogos e irritar pessoas chatas. Especialmente as chatas que usam óculos e desenham em cadernos misteriosos.

— Eu duvido que haja algo de "comum" em você — rebateu Lookmhee, voltando a se sentar e abrindo seu caderno novamente. — Agora, se me der licença, eu tenho anotações para terminar. Tente não feder muito enquanto toma banho.

Sonya bufou, pegando sua toalha. Antes de entrar no banheiro, ela se virou e lançou seu melhor sorriso de lado, aquele que costumava derreter metade do time de vôlei.

— Sabe, Lookmhee... esse seu jeito difícil só me dá mais vontade de descobrir o que você esconde sob essa pose de intelectual de gelo.

Lookmhee nem sequer levantou a cabeça.

— Você vai se decepcionar, Austin. Eu sou apenas uma caçadora de fatos. E fatos não têm sentimentos.

— Veremos — Sonya sussurrou para si mesma, fechando a porta do banheiro.

Do lado de fora, Lookmhee finalmente soltou o ar que nem sabia que estava prendendo. Sua mão tremia levemente sobre o caderno. Ela abriu em uma página específica, onde havia um desenho detalhado de uma pegada de lobo e anotações sobre a coloração ocular em metamorfos.

— Heterocromia... — sussurrou Lookmhee, seus olhos fixos na porta do banheiro. — Um lado castanho, o outro amarelo.

Ela apertou a caneta com força. Ela sabia o que Sonya era. E Sonya, claramente, não fazia ideia de que estava dividindo o quarto com a pessoa treinada para derrubá-la.

O problema era que, enquanto observava a porta, Lookmhee não conseguia tirar da cabeça a imagem do sorriso sarcástico de Sonya e o modo como o couro da jaqueta dela rangia quando ela se movia.

— Isso vai ser um problema — concluiu a caçadora, ajustando os óculos e voltando a escrever, enquanto o som do chuveiro ecoava pelo quarto, selando o início de uma convivência que prometia ser tudo, menos pacífica.

Minutos depois, Sonya saiu do banheiro apenas de bermuda e uma regata branca, secando o cabelo com uma toalha. Ela notou que Lookmhee estava tensa, embora tentasse parecer mergulhada em seus desenhos.

— Perdeu alguma coisa, Sarocha? — Sonya perguntou, percebendo o olhar de relance da colega de quarto.

Lookmhee rapidamente voltou os olhos para o caderno, sentindo o rosto esquentar, algo que ela raramente permitia.

— Apenas observando como você é desleixada — mentiu Lookmhee. — Você não tem roupas decentes ou o conceito de privacidade é opcional para você?

Sonya riu, jogando-se em sua cama, que ficava perigosamente próxima à de Lookmhee.

— No meu quarto, eu fico como eu quiser. Se você estiver incomodada, pode sempre fechar os olhos... ou me admirar em silêncio. Eu não mordo. A menos que você peça.

Lookmhee fechou o caderno com um estalo alto e se levantou, caminhando até a mesa de estudos.

— Você é insuportável.

— E você é fascinante — Sonya rebateu, apoiando o rosto nas mãos e observando a nuca de Lookmhee. — Por que sinto que você está sempre me analisando, como se eu fosse um espécime de laboratório?

Lookmhee parou por um segundo, as costas retas.

— Porque talvez você seja. Algumas pessoas são previsíveis, Sonya. Você é barulhenta, territorialista e busca atenção. É fácil ler você.

Sonya sentiu uma pontada de irritação real. Ela se levantou e caminhou até parar logo atrás de Lookmhee, sentindo o calor emanando do corpo da caçadora.

— Ah, é? — Sonya sussurrou perto do ouvido de Lookmhee, sua voz ganhando um tom rouco e perigoso. — Então me diga, estrategista... o que eu estou pensando agora?

Lookmhee virou-se rapidamente, ficando cara a cara com a loba. A distância era mínima. Ela podia ver as pequenas faíscas amarelas no olho esquerdo de Sonya, uma prova viva de sua linhagem. O cheiro de sabonete e pele quente era inebriante.

— Você está pensando que pode me intimidar — Lookmhee disse, sua voz firme apesar da proximidade. — Mas você esqueceu de um detalhe, Sonya.

— Qual? — Sonya perguntou, seus olhos descendo involuntariamente para os lábios de Lookmhee.

— Eu não sou a presa — Lookmhee declarou, colocando a mão no peito de Sonya e empurrando-a levemente para trás. — E eu sugiro que você mantenha suas garras guardadas. Eu sei exatamente como lidar com animais que não conhecem seu lugar.

Sonya ficou estática enquanto Lookmhee se afastava para pegar sua mochila. O ego da loba estava em frangalhos, mas seu interesse tinha acabado de subir para níveis astronômicos.

— Jeep e Pang não vão acreditar nisso — Sonya murmurou para si mesma, um sorriso predatório surgindo em seu rosto. — Ela quer brincar de caça e caçador? Ótimo. Eu sempre preferi os jogos difíceis.

No corredor, Lookmhee caminhava em direção à biblioteca, seu coração martelando contra as costelas. Ela tocou a adaga sob a roupa, buscando o conforto do metal frio.

— Ela é perigosa — Lookmhee pensou, mas, pela primeira vez em sua vida de caçadora, o perigo não parecia algo que ela queria eliminar. Era algo que ela queria entender. Ou talvez, algo em que ela queria se perder.

A guerra estava declarada no quarto 402, e nenhuma das duas estava pronta para a rendição. Entre rosnados disfarçados e olhares cortantes, o destino das filhas das Waraha e das Armstrong Sarocha estava agora irremediavelmente entrelaçado.
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