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Fandom: Nenhum
Criado: 25/05/2026
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RomanceDramaDor/ConfortoPsicológicoEstudo de PersonagemCiúmesRealismoRomanceAngústiaSombrioLinguagem ExplícitaHistória Doméstica
O Silêncio entre o Caos e a Delicadeza
O estúdio de tatuagem de Emanuel, localizado no coração pulsante da cidade, era um santuário de minimalismo e sofisticação. As paredes de cimento queimado, a iluminação indireta e o cheiro suave de antisséptico misturado a café caro denunciavam que aquele não era um lugar comum. Emanuel, aos 25 anos, já era um império vivo. Dono de estúdios em Londres, Nova York e Tóquio, ele carregava nos ombros o peso de decisões administrativas e a tensão de quem nunca relaxa.
Naquela tarde, a porta de vidro correu, mas não trouxe o barulho seco do salto agulha de Sara, sua namorada há quatro meses. Sara era um furacão de administração e confiança, uma loira de curvas acentuadas pelo silicone e roupas que gritavam por atenção, sempre pronta para um confronto ou para uma demonstração pública de posse. O que entrou, no entanto, foi um suspiro de ar fresco.
Eduarda parou na recepção, apertando as alças de sua bolsa de couro macio contra o corpo. Ela usava um vestido de seda rosa pálido, com pequenos detalhes em renda no decote quadrado — algo que Emanuel classificaria como "sexy romântico". O tecido leve delineava seu corpo esguio sem esforço, e os cabelos castanhos caíam em ondas naturais sobre os ombros delicados. Ela parecia um quadro renascentista perdido em uma galeria de arte moderna.
Emanuel, que estava revisando alguns esboços em um tablet, sentiu uma mudança na atmosfera. Ele levantou o olhar e, pela primeira vez em muito tempo, sua mente racional e prática simplesmente travou.
— Boa tarde... — a voz dela era baixa, quase um sussurro, carregada de uma timidez que o fez endireitar a postura imediatamente. — Eu tenho um horário marcado para uma consultoria? Meu nome é Eduarda.
Emanuel levantou-se. Ele era alto, de porte firme e olhar sério, mas sentiu uma necessidade instintiva de suavizar a expressão.
— Eduarda. Sim, eu estava esperando por você — mentiu ele, embora sua secretária fosse quem cuidasse da agenda. — Sou o Emanuel. Pode vir até a minha mesa.
Ela caminhou com passos leves, quase como se tivesse medo de quebrar o chão. Ao se aproximar, o perfume dela — algo que lembrava baunilha e flores frescas — atingiu Emanuel, desarmando sua habitual barreira de controle.
— Eu faço História da Arte — explicou ela, sentando-se na cadeira de couro à frente dele e encolhendo os ombros de um jeito manhoso, buscando um conforto que a timidez parecia roubar. — Eu queria algo... pequeno. Talvez um detalhe de uma obra de Botticelli. Mas tenho medo de doer.
Emanuel observou a forma como ela evitava o contato visual direto, os dedos finos brincando com a barra do vestido. Ela era o oposto absoluto de Sara. Enquanto Sara ocupava todo o espaço com sua voz alta e sua presença vibrante, Eduarda parecia querer se fundir ao ambiente, buscando proteção em seu próprio silêncio.
— Não vai doer se for feito da maneira certa — disse Emanuel, sua voz saindo mais grave e suave do que o normal. — Eu posso ser muito gentil, Eduarda.
Ela finalmente levantou os olhos. Eram olhos expressivos, carregados de uma sensibilidade que parecia ler a alma dele. Emanuel sentiu um solavanco no peito. Ele queria protegê-la. Queria trancá-la em um lugar onde o mundo lá fora, com seu estresse e suas cobranças, não pudesse alcançá-la.
— Você promete? — perguntou ela, inclinando a cabeça levemente para o lado, um gesto tão genuinamente carente de segurança que Emanuel sentiu o impulso de segurar a mão dela ali mesmo.
— Prometo — respondeu ele, a racionalidade lutando para se manter presente.
A conversa fluiu de forma atípica. Eduarda falava sobre a leveza das pinceladas e a simbologia do belo, enquanto Emanuel a ouvia hipnotizado. Ela era doce, sensível, e cada vez que ficava nervosa, mordia o lábio inferior e olhava para ele como se Emanuel fosse o único porto seguro naquele deserto de concreto.
O momento, porém, foi bruscamente interrompido. A porta do estúdio bateu com força e o som de saltos altos martelou o piso.
— Emanuel, querido! Você não atende esse celular? — A voz de Sara preencheu o ambiente antes mesmo de sua figura aparecer.
Ela entrou na sala privativa usando um vestido vermelho ultrajusto, os cabelos loiros perfeitamente escovados e uma maquiagem pesada que destacava seus traços marcantes. Sara exalava uma energia agressiva e competitiva. Ela parou ao lado da mesa, ignorando Eduarda por um segundo antes de lançar um olhar avaliador e desdenhoso para a garota.
— Estou em atendimento, Sara — disse Emanuel, sentindo a tensão subir por sua nuca. A rigidez voltou ao seu corpo instantaneamente.
— Ah, eu vi. Uma cliente nova? — Sara sorriu, mas não havia calor no gesto. Ela se inclinou sobre a mesa, deixando claro o decote generoso, e tocou o ombro de Emanuel com possessividade. — Oi, gracinha. Sou a Sara, namorada do dono e a mente por trás do sucesso administrativo dessa rede. E você é...?
Eduarda pareceu murchar. Ela se encolheu na cadeira, os olhos baixos, a mão subindo instintivamente para o peito. A presença de Sara era como um holofote ofuscante para alguém que preferia a penumbra.
— E-Eduarda... — sussurrou ela, a voz quase falhando.
— Eduarda é estudante de História da Arte, Sara. Estamos discutindo um projeto — interveio Emanuel, sua voz soando mais fria. Ele detestava quando Sara marcava território daquela forma vulgar, especialmente diante de alguém tão frágil quanto a menina à sua frente.
— História da Arte? Que fofo — ironizou Sara, voltando-se para o namorado. — Emanuel, precisamos decidir sobre o contrato de franquia de Berlim. Agora.
Emanuel olhou para Eduarda. Ela parecia querer desaparecer. A timidez dela, que antes era encantadora, agora provocava nele um instinto de proteção feroz. Ele viu o desconforto nos olhos dela, a forma como ela se fechava diante da agressividade social de Sara.
— Sara, espere lá fora. Eu termino aqui em dez minutos — ordenou Emanuel, o tom de voz não permitindo discussões.
Sara arqueou uma sobrancelha, surpresa com a firmeza incomum. Ela olhou de Emanuel para Eduarda, seus olhos astutos captando algo que a deixou em alerta.
— Tudo bem, "Manu". Não demore. Temos reservas no Leopolt às oito — disse ela, dando um beijo estalado e sonoro na bochecha dele antes de sair, rebolando de forma provocativa.
O silêncio que se seguiu era pesado. Eduarda estava trêmula. Ela se levantou devagar, pegando sua bolsa.
— Acho que é melhor eu ir... você está ocupado e... — Ela não terminou a frase, a voz embargada pela sensibilidade à flor da pele.
— Eduarda, espere — Emanuel deu a volta na mesa, aproximando-se dela.
Ele não resistiu. Tocou suavemente o braço dela, sentindo a pele macia e o leve tremor que a percorria. Eduarda olhou para ele, e Emanuel viu lágrimas contidas. Aquilo o destruiu e, ao mesmo tempo, o fascinou. Sara era o fogo que o queimava e o mantinha alerta, mas Eduarda era a água que ele não sabia que precisava para aplacar sua sede de paz.
— Não se assuste com ela — pediu ele, a voz baixa. — Por favor, não vá embora achando que o que aconteceu aqui foi... comum.
— Ela é muito... forte — disse Eduarda, buscando o olhar de Emanuel como quem busca proteção. — Eu não queria incomodar.
— Você não incomoda. Você é a coisa mais interessante que entrou por aquela porta em anos — confessou ele, a honestidade escapando antes que sua lógica pudesse censurá-la.
Eduarda deu um pequeno sorriso tímido, um brilho de esperança surgindo em meio à sua insegurança. Ela se inclinou levemente em direção a ele, um movimento manhoso, quase inconsciente, buscando a proximidade física.
— Você vai mesmo fazer minha tatuagem? — perguntou ela, a voz doce e dependente.
— Eu vou fazer tudo o que você precisar, Eduarda — afirmou ele.
Naquele momento, enquanto sentia a fragilidade de Eduarda sob seus dedos e ouvia o eco da voz autoritária de Sara no corredor, Emanuel compreendeu a loucura que estava prestes a abraçar. Ele amava Sara, amava a energia dela, a ambição e até a forma como ela o desafiava. Mas ele estava perdidamente encantado por Eduarda.
Ele não queria escolher. A ideia de perder a vivacidade de Sara era insuportável, mas a ideia de não ter a doçura de Eduarda em sua casa, sob sua proteção, era impossível.
— Eu quero ver você de novo. Amanhã. No mesmo horário — disse Emanuel, sua mente já traçando planos.
— Amanhã? — Eduarda corou, a pele clara ganhando um tom rosado encantador. — Eu venho. Se você prometer que vai cuidar de mim.
— Eu prometo.
Eduarda saiu do estúdio com a mesma leveza com que entrou, deixando Emanuel parado no centro da sala. Ele sabia que o conflito entre as duas seria inevitável. Sabia que Sara tentaria esmagar a timidez de Eduarda e que Eduarda se refugiaria nele, tornando-se cada vez mais dependente de seu afeto.
Emanuel respirou fundo, sentindo o estresse acumulado de anos se misturar a uma nova e perigosa excitação. Ele era um homem de posses, um homem que controlava impérios. E agora, ele havia decidido que seu império teria duas rainhas, por mais opostas que fossem.
Ele caminhou até a porta, onde Sara o esperava com um olhar impaciente e uma postura de desafio.
— Finalmente — reclamou ela, cruzando os braços, fazendo o silicone se destacar sob o tecido fino. — Aquela santinha já foi?
Emanuel apenas sorriu, um sorriso enigmático que Sara não conseguiu decifrar.
— Sim, Sara. Vamos jantar.
Enquanto caminhavam para o carro, a mente de Emanuel já estava longe, imaginando Eduarda em seu apartamento, cercada por livros de arte e silêncio, enquanto Sara organizava festas e gritava ordens ao telefone. Ele queria o caos e a paz. Queria a vulgaridade e a elegância. E ele teria as duas, não importava o preço que tivesse que pagar para mediar aquela guerra que estava apenas começando.
Naquela tarde, a porta de vidro correu, mas não trouxe o barulho seco do salto agulha de Sara, sua namorada há quatro meses. Sara era um furacão de administração e confiança, uma loira de curvas acentuadas pelo silicone e roupas que gritavam por atenção, sempre pronta para um confronto ou para uma demonstração pública de posse. O que entrou, no entanto, foi um suspiro de ar fresco.
Eduarda parou na recepção, apertando as alças de sua bolsa de couro macio contra o corpo. Ela usava um vestido de seda rosa pálido, com pequenos detalhes em renda no decote quadrado — algo que Emanuel classificaria como "sexy romântico". O tecido leve delineava seu corpo esguio sem esforço, e os cabelos castanhos caíam em ondas naturais sobre os ombros delicados. Ela parecia um quadro renascentista perdido em uma galeria de arte moderna.
Emanuel, que estava revisando alguns esboços em um tablet, sentiu uma mudança na atmosfera. Ele levantou o olhar e, pela primeira vez em muito tempo, sua mente racional e prática simplesmente travou.
— Boa tarde... — a voz dela era baixa, quase um sussurro, carregada de uma timidez que o fez endireitar a postura imediatamente. — Eu tenho um horário marcado para uma consultoria? Meu nome é Eduarda.
Emanuel levantou-se. Ele era alto, de porte firme e olhar sério, mas sentiu uma necessidade instintiva de suavizar a expressão.
— Eduarda. Sim, eu estava esperando por você — mentiu ele, embora sua secretária fosse quem cuidasse da agenda. — Sou o Emanuel. Pode vir até a minha mesa.
Ela caminhou com passos leves, quase como se tivesse medo de quebrar o chão. Ao se aproximar, o perfume dela — algo que lembrava baunilha e flores frescas — atingiu Emanuel, desarmando sua habitual barreira de controle.
— Eu faço História da Arte — explicou ela, sentando-se na cadeira de couro à frente dele e encolhendo os ombros de um jeito manhoso, buscando um conforto que a timidez parecia roubar. — Eu queria algo... pequeno. Talvez um detalhe de uma obra de Botticelli. Mas tenho medo de doer.
Emanuel observou a forma como ela evitava o contato visual direto, os dedos finos brincando com a barra do vestido. Ela era o oposto absoluto de Sara. Enquanto Sara ocupava todo o espaço com sua voz alta e sua presença vibrante, Eduarda parecia querer se fundir ao ambiente, buscando proteção em seu próprio silêncio.
— Não vai doer se for feito da maneira certa — disse Emanuel, sua voz saindo mais grave e suave do que o normal. — Eu posso ser muito gentil, Eduarda.
Ela finalmente levantou os olhos. Eram olhos expressivos, carregados de uma sensibilidade que parecia ler a alma dele. Emanuel sentiu um solavanco no peito. Ele queria protegê-la. Queria trancá-la em um lugar onde o mundo lá fora, com seu estresse e suas cobranças, não pudesse alcançá-la.
— Você promete? — perguntou ela, inclinando a cabeça levemente para o lado, um gesto tão genuinamente carente de segurança que Emanuel sentiu o impulso de segurar a mão dela ali mesmo.
— Prometo — respondeu ele, a racionalidade lutando para se manter presente.
A conversa fluiu de forma atípica. Eduarda falava sobre a leveza das pinceladas e a simbologia do belo, enquanto Emanuel a ouvia hipnotizado. Ela era doce, sensível, e cada vez que ficava nervosa, mordia o lábio inferior e olhava para ele como se Emanuel fosse o único porto seguro naquele deserto de concreto.
O momento, porém, foi bruscamente interrompido. A porta do estúdio bateu com força e o som de saltos altos martelou o piso.
— Emanuel, querido! Você não atende esse celular? — A voz de Sara preencheu o ambiente antes mesmo de sua figura aparecer.
Ela entrou na sala privativa usando um vestido vermelho ultrajusto, os cabelos loiros perfeitamente escovados e uma maquiagem pesada que destacava seus traços marcantes. Sara exalava uma energia agressiva e competitiva. Ela parou ao lado da mesa, ignorando Eduarda por um segundo antes de lançar um olhar avaliador e desdenhoso para a garota.
— Estou em atendimento, Sara — disse Emanuel, sentindo a tensão subir por sua nuca. A rigidez voltou ao seu corpo instantaneamente.
— Ah, eu vi. Uma cliente nova? — Sara sorriu, mas não havia calor no gesto. Ela se inclinou sobre a mesa, deixando claro o decote generoso, e tocou o ombro de Emanuel com possessividade. — Oi, gracinha. Sou a Sara, namorada do dono e a mente por trás do sucesso administrativo dessa rede. E você é...?
Eduarda pareceu murchar. Ela se encolheu na cadeira, os olhos baixos, a mão subindo instintivamente para o peito. A presença de Sara era como um holofote ofuscante para alguém que preferia a penumbra.
— E-Eduarda... — sussurrou ela, a voz quase falhando.
— Eduarda é estudante de História da Arte, Sara. Estamos discutindo um projeto — interveio Emanuel, sua voz soando mais fria. Ele detestava quando Sara marcava território daquela forma vulgar, especialmente diante de alguém tão frágil quanto a menina à sua frente.
— História da Arte? Que fofo — ironizou Sara, voltando-se para o namorado. — Emanuel, precisamos decidir sobre o contrato de franquia de Berlim. Agora.
Emanuel olhou para Eduarda. Ela parecia querer desaparecer. A timidez dela, que antes era encantadora, agora provocava nele um instinto de proteção feroz. Ele viu o desconforto nos olhos dela, a forma como ela se fechava diante da agressividade social de Sara.
— Sara, espere lá fora. Eu termino aqui em dez minutos — ordenou Emanuel, o tom de voz não permitindo discussões.
Sara arqueou uma sobrancelha, surpresa com a firmeza incomum. Ela olhou de Emanuel para Eduarda, seus olhos astutos captando algo que a deixou em alerta.
— Tudo bem, "Manu". Não demore. Temos reservas no Leopolt às oito — disse ela, dando um beijo estalado e sonoro na bochecha dele antes de sair, rebolando de forma provocativa.
O silêncio que se seguiu era pesado. Eduarda estava trêmula. Ela se levantou devagar, pegando sua bolsa.
— Acho que é melhor eu ir... você está ocupado e... — Ela não terminou a frase, a voz embargada pela sensibilidade à flor da pele.
— Eduarda, espere — Emanuel deu a volta na mesa, aproximando-se dela.
Ele não resistiu. Tocou suavemente o braço dela, sentindo a pele macia e o leve tremor que a percorria. Eduarda olhou para ele, e Emanuel viu lágrimas contidas. Aquilo o destruiu e, ao mesmo tempo, o fascinou. Sara era o fogo que o queimava e o mantinha alerta, mas Eduarda era a água que ele não sabia que precisava para aplacar sua sede de paz.
— Não se assuste com ela — pediu ele, a voz baixa. — Por favor, não vá embora achando que o que aconteceu aqui foi... comum.
— Ela é muito... forte — disse Eduarda, buscando o olhar de Emanuel como quem busca proteção. — Eu não queria incomodar.
— Você não incomoda. Você é a coisa mais interessante que entrou por aquela porta em anos — confessou ele, a honestidade escapando antes que sua lógica pudesse censurá-la.
Eduarda deu um pequeno sorriso tímido, um brilho de esperança surgindo em meio à sua insegurança. Ela se inclinou levemente em direção a ele, um movimento manhoso, quase inconsciente, buscando a proximidade física.
— Você vai mesmo fazer minha tatuagem? — perguntou ela, a voz doce e dependente.
— Eu vou fazer tudo o que você precisar, Eduarda — afirmou ele.
Naquele momento, enquanto sentia a fragilidade de Eduarda sob seus dedos e ouvia o eco da voz autoritária de Sara no corredor, Emanuel compreendeu a loucura que estava prestes a abraçar. Ele amava Sara, amava a energia dela, a ambição e até a forma como ela o desafiava. Mas ele estava perdidamente encantado por Eduarda.
Ele não queria escolher. A ideia de perder a vivacidade de Sara era insuportável, mas a ideia de não ter a doçura de Eduarda em sua casa, sob sua proteção, era impossível.
— Eu quero ver você de novo. Amanhã. No mesmo horário — disse Emanuel, sua mente já traçando planos.
— Amanhã? — Eduarda corou, a pele clara ganhando um tom rosado encantador. — Eu venho. Se você prometer que vai cuidar de mim.
— Eu prometo.
Eduarda saiu do estúdio com a mesma leveza com que entrou, deixando Emanuel parado no centro da sala. Ele sabia que o conflito entre as duas seria inevitável. Sabia que Sara tentaria esmagar a timidez de Eduarda e que Eduarda se refugiaria nele, tornando-se cada vez mais dependente de seu afeto.
Emanuel respirou fundo, sentindo o estresse acumulado de anos se misturar a uma nova e perigosa excitação. Ele era um homem de posses, um homem que controlava impérios. E agora, ele havia decidido que seu império teria duas rainhas, por mais opostas que fossem.
Ele caminhou até a porta, onde Sara o esperava com um olhar impaciente e uma postura de desafio.
— Finalmente — reclamou ela, cruzando os braços, fazendo o silicone se destacar sob o tecido fino. — Aquela santinha já foi?
Emanuel apenas sorriu, um sorriso enigmático que Sara não conseguiu decifrar.
— Sim, Sara. Vamos jantar.
Enquanto caminhavam para o carro, a mente de Emanuel já estava longe, imaginando Eduarda em seu apartamento, cercada por livros de arte e silêncio, enquanto Sara organizava festas e gritava ordens ao telefone. Ele queria o caos e a paz. Queria a vulgaridade e a elegância. E ele teria as duas, não importava o preço que tivesse que pagar para mediar aquela guerra que estava apenas começando.
