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Rivals to Lovers
Fandom: Pokémon Horizon
Criado: 25/05/2026
Tags
RomanceUA (Universo Alternativo)Fatias de VidaFofuraHumorAçãoLinguagem ExplícitaCenário Canônico
Álcool, Meowscarada e Mal-entendidos
O dormitório masculino da universidade cheirava a uma mistura questionável de desinfetante barato, pizza amanhecida e o perfume forte que Ult insistia em passar antes de qualquer festa. Roy estava jogado em sua cama, encarando o teto enquanto seu Skeledirge, o enorme crocodilo de fogo, ocupava quase todo o espaço útil do tapete, soltando pequenas brasas pelo nariz enquanto roncava.
— Cara, se você suspirar mais uma vez, eu vou jogar meu Sableye na sua cara pra ver se ele rouba essa sua alma deprimida — Ult comentou, ajeitando a gola da camisa em frente ao espelho. O rapaz de cabelos verdes deu um sorriso convencido, conferindo se cada fio estava no lugar.
— Eu não tô deprimido, porra — Roy retrucou, sentando-se bruscamente. — Só tô pensando que a Liko anda estranha. Ela mal olhou pra mim hoje na aula de Batalhas Avançadas.
— Talvez porque você é um jumento e quase explodiu o laboratório de botânica ontem? — Ult se virou, arqueando uma sobrancelha. — Roy, você tem a sutileza de um Giga Impacto. A garota é toda certinha, cheia de crise existencial interna, e você chega gritando "E AÍ, BORA TREINAR?" na orelha dela.
— É o meu jeito, ué. — Roy cruzou os braços, fazendo bico. — E ela gosta. Ou gostava. Sei lá.
— Ela gosta de você, seu imbecil. Todo mundo vê, menos você e ela. Agora levanta essa bunda daí. A Dot avisou que elas vão estar no barzinho perto do campus. E se a Dot vai estar lá, eu com certeza vou estar lá.
— A Dot te odeia, Ult.
— Ela me ama. Só que o amor dela se manifesta através de ameaças de banimento das lives dela e olhares de desprezo. É um fetiche específico.
Roy revirou os olhos, mas a menção de que Liko estaria lá foi o suficiente para fazê-lo pular da cama. Ele vestiu uma jaqueta qualquer, bagunçou ainda mais a franja vermelha e tentou ignorar o frio na barriga.
Enquanto isso, no dormitório feminino, o clima era consideravelmente mais caótico. Meowscarada, a evolução final da Sprigatito de Liko, ocupava boa parte do quarto com seus 1,60m de elegância e sarcasmo felino. A Pokémon estava sentada na cama de Liko, observando a treinadora trocar de roupa pela quinta vez.
— Dot, eu não posso ir assim. Parece que eu tô tentando demais — Liko disse, segurando um vestido azul marinho contra o corpo.
— Liko, você está indo prum bar universitário, não pra um jantar com o Presidente da Liga — Dot respondeu sem tirar os olhos do monitor. Ela estava terminando de editar um vídeo para o canal da Nidotina, os cabelos roxos e rosas presos num coque bagunçado. — Coloca um jeans, essa blusa aí e vamos logo. Eu preciso de uma bebida pra aguentar o Ult me chamando de "minha streamer favorita" a noite toda.
— Você reclama, mas adora a atenção — Liko provocou, finalmente se decidindo por uma roupa.
— Eu adoro o caos. É diferente. E você, para de pensar tanto. O Roy é um idiota, mas é o seu idiota. Se ele falar alguma merda, a Meowscarada usa o Truque de Mágica e some com a dignidade dele.
Meowscarada soltou um miado baixo e concordante, girando uma flor entre as patas com um olhar astuto.
— Não ajuda, Meowscarada — Liko suspirou, olhando-se no espelho. — Eu só queria que as coisas não fossem tão complicadas. Às vezes eu acho que ele me vê só como uma parceira de treino.
— O cara olha pra você como se você fosse um Rare Candy, Liko. Pelo amor de Arceus, tenha dignidade.
O bar "Ponto de Encontro Pokémon" estava lotado. O som de música pop misturado com os gritos de torcida de uma batalha que passava na TV criava o ambiente perfeito para jovens de vinte e poucos anos esquecerem que tinham provas na segunda-feira.
Quando Roy e Ult chegaram, avistaram as meninas em uma mesa de canto. Dot já estava com um copo na mão, parecendo querer se fundir com a parede, enquanto Liko tentava parecer distraída com o cardápio.
— Chegou a alegria da festa! — Ult anunciou, sentando-se ao lado de Dot, que imediatamente se encolheu. — E aí, Nidotina? Pronta pra me dar um autógrafo no peito?
— Se eu encostar em você, vai ser pra te dar um soco, Ult — Dot respondeu, mas não saiu de perto.
Roy sentou-se na frente de Liko. O silêncio entre os dois durou exatos três segundos antes de Roy soltar a primeira pérola da noite.
— Você tá de azul. Combina com seus olhos. Me lembra um Wooper.
Liko piscou, processando a frase.
— Um Wooper, Roy? Sério?
— É! Eles são fofos e... azulados. E meio lerdos. Não que você seja lerda! Quer dizer, você é inteligente, mas... — Roy começou a se atrapalhar, sentindo o rosto esquentar. — Você entendeu. Tá bonita.
— Obrigada, eu acho — Liko riu, a tensão diminuindo um pouco. — Você também não está mal. Para um cara que geralmente tem cheiro de carvão queimado.
— Ei, o Skeledirge que manda as brasas, eu só recebo o dano colateral!
A noite avançou entre rodadas de cerveja e petiscos gordurosos. O álcool começou a soltar as línguas e a diminuir os filtros, o que, no caso de Roy, era um perigo iminente.
— Sabe o que eu não entendo? — Roy disse, a voz um pouco mais alta do que o necessário, gesticulando com uma batata frita. — Por que você nunca aceitou sair comigo pra jantar? Tipo, só a gente. Sem o chato do Ult ou a Dot gravando live escondida.
Dot parou de beber na hora, lançando um olhar de "agora o bicho vai pegar". Ult deu um sorrisinho de canto, observando a cena.
Liko sentiu o coração falhar uma batida.
— Você nunca me chamou pra jantar, Roy. Você me chamou pra "comer um x-tudo no trailer do seu tio" depois do treino.
— É a mesma coisa! É comida! — Roy exclamou, sincero. — Eu queria passar tempo com você. Mas você sempre traz a Meowscarada ou fica falando de táticas de batalha. Eu fico achando que você me acha um tonto.
— Eu acho você um tonto — Liko admitiu, a voz suave, mas carregada de uma honestidade que só a terceira caneca de chope proporciona. — Mas é o tonto que eu não consigo parar de pensar. E isso me irrita pra caramba, sabia? Porque eu tento ser séria, tento planejar meu futuro como treinadora, e aí você chega com esse sorriso de quem não sabe quanto é dois mais dois e acaba com todo o meu foco.
O bar pareceu ficar em silêncio para os dois, mesmo com a gritaria ao redor.
— Eu sei quanto é dois mais dois — Roy murmurou, aproximando-se da mesa. — É quatro. Viu? Eu sou um gênio.
— Você é um idiota — Liko riu, os olhos azuis brilhando sob as luzes neon do bar.
— Mas sou o seu idiota? — Ele repetiu a frase que Ult tinha dito mais cedo, embora nem soubesse.
Liko hesitou, a vulnerabilidade estampada no rosto.
— Depende. Você vai continuar sendo impulsivo e falando merda sem pensar?
— Provavelmente. Mas eu posso tentar falar merda que te faça rir em vez de te deixar brava.
Nesse momento, um estrondo veio do lado de fora do bar. Todos correram para ver o que era. A Meowscarada de Liko e o Quaquaval de Dot estavam envolvidos em uma "discussão" acalorada com um grupo de Machokes de um bando de veteranos babacas que estavam provocando os Pokémon nos fundos do bar.
— Ei! Deixem eles em paz! — Roy gritou, saindo imediatamente em defesa dos Pokémon. Ele não pensou duas vezes, nem esperou Liko ou os outros.
— Roy, espera! — Liko gritou, mas ele já estava no meio da confusão.
Um dos veteranos, um cara alto e com cara de poucos amigos, empurrou Roy.
— Sai fora, calouro. A gente só tá ensinando esses bichos frescos a serem Pokémon de verdade.
Roy sentiu o sangue ferver. Ele não era de brigar, mas mexer com os amigos dele — humanos ou Pokémon — era o limite.
— "Bichos frescos"? — Roy riu, um som seco e perigoso. — O Skeledirge pode te mostrar o que é um Pokémon de verdade se você quiser. Mas eu acho que eu mesmo posso resolver isso.
— Roy, não! — Liko se colocou entre eles, as mãos tremendo, mas o olhar firme. — Não vale a pena. Vamos embora.
— Ele empurrou a Meowscarada, Liko! — Roy protestou, os olhos vermelhos brilhando de raiva.
— Eu sei! E ela sabe se defender sozinha, olha! — Liko apontou para trás.
A Meowscarada já tinha imobilizado dois Machokes com suas vinhas, enquanto o Quaquaval de Dot fazia uma dança performática que, de alguma forma, resultava em chutes precisos que mandavam os outros oponentes para longe. Dot estava filmando tudo, provavelmente pensando no engajamento que aquela briga de bar renderia.
— Viu? — Liko voltou a olhar para Roy. — A gente não precisa disso.
Roy respirou fundo, tentando acalmar o coração. A raiva evaporou tão rápido quanto surgiu, dando lugar a uma preocupação genuína. Ele segurou os ombros de Liko.
— Você tá bem? Eles te assustaram?
Liko suspirou, relaxando o corpo.
— Eu estou bem, Roy. Só... você é muito impulsivo. Um dia você ainda vai se meter em um problema que não vai conseguir resolver na base do grito.
— Eu sei. Mas eu fico maluco quando vejo alguém sendo injusto com você.
Liko olhou para as mãos dele em seus ombros. O calor que emanava de Roy era reconfortante, apesar de tudo.
— Vamos sair daqui — ela pediu baixo.
Eles deixaram Ult e Dot para trás — Ult estava tentando convencer Dot de que a briga era o momento perfeito para um "beijo cinematográfico de sobrevivência", ao que ela respondeu ameaçando-o com um jato de água do Quaquaval.
Roy e Liko caminharam pelo campus silencioso. O ar da noite estava fresco, ajudando a dissipar um pouco o efeito do álcool.
— Desculpa por estragar a noite — Roy disse, chutando uma pedrinha. — Eu sou um desastre em encontros, né? Mesmo quando não é exatamente um encontro.
— Não foi um desastre — Liko respondeu, surpreendendo-o. — Foi... intenso. Como tudo o que envolve você.
Eles pararam em frente ao prédio do dormitório feminino. Meowscarada seguia alguns passos atrás, mantendo uma distância respeitosa, mas com os olhos atentos.
— Liko... — Roy começou, coçando a nuca. — Aquilo que eu disse lá no bar. Sobre querer sair só com você. Eu tava falando sério. Sem x-tudo. Pode ser um lugar com guardanapo de pano e tudo.
Liko sorriu, aproximando-se um pouco mais. O perfume dela, uma mistura de flores e algo cítrico, envolveu Roy.
— Eu aceito, Roy. Mas com uma condição.
— Qual? Eu faço qualquer coisa. Até aprendo a usar garfo e faca direito.
— Sem brigas com veteranos. E sem me comparar a um Wooper.
— Fechado — Roy riu, sentindo uma coragem súbita.
Ele se inclinou, a intenção clara em seus olhos vermelhos. Liko não recuou. Pelo contrário, ela ficou na ponta dos pés. O beijo foi rápido, um pouco desajeitado por causa do nervosismo de ambos, mas carregado de uma eletricidade que nenhum golpe do tipo Elétrico poderia replicar. Tinha gosto de cerveja barata e de algo que estava guardado há muito tempo.
Quando se separaram, Roy tinha um sorriso bobo no rosto.
— É... definitivamente melhor que um Wooper — ele sussurrou.
— Cala a boca, Roy — Liko riu, o rosto vermelho. — Vai dormir. A gente se vê amanhã?
— Com certeza.
Liko entrou no prédio, sendo seguida por uma Meowscarada que parecia muito satisfeita consigo mesma. Roy ficou parado ali por alguns minutos, processando o que tinha acabado de acontecer.
— E aí, Romeu? — A voz de Ult veio de trás de uma árvore. Ele e Dot estavam chegando. — Sobreviveu ao ataque da fera?
— Ela me beijou, Ult — Roy disse, ainda em transe.
— Na verdade, vocês se beijaram. Eu vi daqui — Dot comentou, guardando o celular. — E sim, eu gravei. Se você me irritar, isso vai pro TikTok da Nidotina com uma música bem cafona de fundo.
— Você não faria isso — Roy arregalou os olhos.
— Tenta a sorte, "Wooper" — Dot deu um tchauzinho e entrou no dormitório.
Ult passou o braço pelos ombros de Roy, guiando-o de volta para o quarto deles.
— É, parceiro. Você tá ferrado. Ela é muito areia pro seu caminhãozinho de fogo.
— Eu sei — Roy suspirou, mas o sorriso não saía do rosto. — Mas acho que eu gosto de carregar esse peso.
No dia seguinte, a universidade continuaria a mesma. As aulas seriam chatas, os treinos seriam exaustivos e Dot continuaria ignorando Ult. Mas, para Roy e Liko, as coisas tinham mudado. O furacão emocional de Liko tinha encontrado um porto seguro na impulsividade sincera de Roy, e o Skeledirge de Roy finalmente teria que aprender a dividir o espaço com uma Meowscarada muito exigente.
Era apenas o começo de um semestre que prometia muito mais do que apenas notas boas. Prometia o tipo de drama e romance que só a faculdade — e o mundo Pokémon — poderiam proporcionar.
— Cara, se você suspirar mais uma vez, eu vou jogar meu Sableye na sua cara pra ver se ele rouba essa sua alma deprimida — Ult comentou, ajeitando a gola da camisa em frente ao espelho. O rapaz de cabelos verdes deu um sorriso convencido, conferindo se cada fio estava no lugar.
— Eu não tô deprimido, porra — Roy retrucou, sentando-se bruscamente. — Só tô pensando que a Liko anda estranha. Ela mal olhou pra mim hoje na aula de Batalhas Avançadas.
— Talvez porque você é um jumento e quase explodiu o laboratório de botânica ontem? — Ult se virou, arqueando uma sobrancelha. — Roy, você tem a sutileza de um Giga Impacto. A garota é toda certinha, cheia de crise existencial interna, e você chega gritando "E AÍ, BORA TREINAR?" na orelha dela.
— É o meu jeito, ué. — Roy cruzou os braços, fazendo bico. — E ela gosta. Ou gostava. Sei lá.
— Ela gosta de você, seu imbecil. Todo mundo vê, menos você e ela. Agora levanta essa bunda daí. A Dot avisou que elas vão estar no barzinho perto do campus. E se a Dot vai estar lá, eu com certeza vou estar lá.
— A Dot te odeia, Ult.
— Ela me ama. Só que o amor dela se manifesta através de ameaças de banimento das lives dela e olhares de desprezo. É um fetiche específico.
Roy revirou os olhos, mas a menção de que Liko estaria lá foi o suficiente para fazê-lo pular da cama. Ele vestiu uma jaqueta qualquer, bagunçou ainda mais a franja vermelha e tentou ignorar o frio na barriga.
Enquanto isso, no dormitório feminino, o clima era consideravelmente mais caótico. Meowscarada, a evolução final da Sprigatito de Liko, ocupava boa parte do quarto com seus 1,60m de elegância e sarcasmo felino. A Pokémon estava sentada na cama de Liko, observando a treinadora trocar de roupa pela quinta vez.
— Dot, eu não posso ir assim. Parece que eu tô tentando demais — Liko disse, segurando um vestido azul marinho contra o corpo.
— Liko, você está indo prum bar universitário, não pra um jantar com o Presidente da Liga — Dot respondeu sem tirar os olhos do monitor. Ela estava terminando de editar um vídeo para o canal da Nidotina, os cabelos roxos e rosas presos num coque bagunçado. — Coloca um jeans, essa blusa aí e vamos logo. Eu preciso de uma bebida pra aguentar o Ult me chamando de "minha streamer favorita" a noite toda.
— Você reclama, mas adora a atenção — Liko provocou, finalmente se decidindo por uma roupa.
— Eu adoro o caos. É diferente. E você, para de pensar tanto. O Roy é um idiota, mas é o seu idiota. Se ele falar alguma merda, a Meowscarada usa o Truque de Mágica e some com a dignidade dele.
Meowscarada soltou um miado baixo e concordante, girando uma flor entre as patas com um olhar astuto.
— Não ajuda, Meowscarada — Liko suspirou, olhando-se no espelho. — Eu só queria que as coisas não fossem tão complicadas. Às vezes eu acho que ele me vê só como uma parceira de treino.
— O cara olha pra você como se você fosse um Rare Candy, Liko. Pelo amor de Arceus, tenha dignidade.
O bar "Ponto de Encontro Pokémon" estava lotado. O som de música pop misturado com os gritos de torcida de uma batalha que passava na TV criava o ambiente perfeito para jovens de vinte e poucos anos esquecerem que tinham provas na segunda-feira.
Quando Roy e Ult chegaram, avistaram as meninas em uma mesa de canto. Dot já estava com um copo na mão, parecendo querer se fundir com a parede, enquanto Liko tentava parecer distraída com o cardápio.
— Chegou a alegria da festa! — Ult anunciou, sentando-se ao lado de Dot, que imediatamente se encolheu. — E aí, Nidotina? Pronta pra me dar um autógrafo no peito?
— Se eu encostar em você, vai ser pra te dar um soco, Ult — Dot respondeu, mas não saiu de perto.
Roy sentou-se na frente de Liko. O silêncio entre os dois durou exatos três segundos antes de Roy soltar a primeira pérola da noite.
— Você tá de azul. Combina com seus olhos. Me lembra um Wooper.
Liko piscou, processando a frase.
— Um Wooper, Roy? Sério?
— É! Eles são fofos e... azulados. E meio lerdos. Não que você seja lerda! Quer dizer, você é inteligente, mas... — Roy começou a se atrapalhar, sentindo o rosto esquentar. — Você entendeu. Tá bonita.
— Obrigada, eu acho — Liko riu, a tensão diminuindo um pouco. — Você também não está mal. Para um cara que geralmente tem cheiro de carvão queimado.
— Ei, o Skeledirge que manda as brasas, eu só recebo o dano colateral!
A noite avançou entre rodadas de cerveja e petiscos gordurosos. O álcool começou a soltar as línguas e a diminuir os filtros, o que, no caso de Roy, era um perigo iminente.
— Sabe o que eu não entendo? — Roy disse, a voz um pouco mais alta do que o necessário, gesticulando com uma batata frita. — Por que você nunca aceitou sair comigo pra jantar? Tipo, só a gente. Sem o chato do Ult ou a Dot gravando live escondida.
Dot parou de beber na hora, lançando um olhar de "agora o bicho vai pegar". Ult deu um sorrisinho de canto, observando a cena.
Liko sentiu o coração falhar uma batida.
— Você nunca me chamou pra jantar, Roy. Você me chamou pra "comer um x-tudo no trailer do seu tio" depois do treino.
— É a mesma coisa! É comida! — Roy exclamou, sincero. — Eu queria passar tempo com você. Mas você sempre traz a Meowscarada ou fica falando de táticas de batalha. Eu fico achando que você me acha um tonto.
— Eu acho você um tonto — Liko admitiu, a voz suave, mas carregada de uma honestidade que só a terceira caneca de chope proporciona. — Mas é o tonto que eu não consigo parar de pensar. E isso me irrita pra caramba, sabia? Porque eu tento ser séria, tento planejar meu futuro como treinadora, e aí você chega com esse sorriso de quem não sabe quanto é dois mais dois e acaba com todo o meu foco.
O bar pareceu ficar em silêncio para os dois, mesmo com a gritaria ao redor.
— Eu sei quanto é dois mais dois — Roy murmurou, aproximando-se da mesa. — É quatro. Viu? Eu sou um gênio.
— Você é um idiota — Liko riu, os olhos azuis brilhando sob as luzes neon do bar.
— Mas sou o seu idiota? — Ele repetiu a frase que Ult tinha dito mais cedo, embora nem soubesse.
Liko hesitou, a vulnerabilidade estampada no rosto.
— Depende. Você vai continuar sendo impulsivo e falando merda sem pensar?
— Provavelmente. Mas eu posso tentar falar merda que te faça rir em vez de te deixar brava.
Nesse momento, um estrondo veio do lado de fora do bar. Todos correram para ver o que era. A Meowscarada de Liko e o Quaquaval de Dot estavam envolvidos em uma "discussão" acalorada com um grupo de Machokes de um bando de veteranos babacas que estavam provocando os Pokémon nos fundos do bar.
— Ei! Deixem eles em paz! — Roy gritou, saindo imediatamente em defesa dos Pokémon. Ele não pensou duas vezes, nem esperou Liko ou os outros.
— Roy, espera! — Liko gritou, mas ele já estava no meio da confusão.
Um dos veteranos, um cara alto e com cara de poucos amigos, empurrou Roy.
— Sai fora, calouro. A gente só tá ensinando esses bichos frescos a serem Pokémon de verdade.
Roy sentiu o sangue ferver. Ele não era de brigar, mas mexer com os amigos dele — humanos ou Pokémon — era o limite.
— "Bichos frescos"? — Roy riu, um som seco e perigoso. — O Skeledirge pode te mostrar o que é um Pokémon de verdade se você quiser. Mas eu acho que eu mesmo posso resolver isso.
— Roy, não! — Liko se colocou entre eles, as mãos tremendo, mas o olhar firme. — Não vale a pena. Vamos embora.
— Ele empurrou a Meowscarada, Liko! — Roy protestou, os olhos vermelhos brilhando de raiva.
— Eu sei! E ela sabe se defender sozinha, olha! — Liko apontou para trás.
A Meowscarada já tinha imobilizado dois Machokes com suas vinhas, enquanto o Quaquaval de Dot fazia uma dança performática que, de alguma forma, resultava em chutes precisos que mandavam os outros oponentes para longe. Dot estava filmando tudo, provavelmente pensando no engajamento que aquela briga de bar renderia.
— Viu? — Liko voltou a olhar para Roy. — A gente não precisa disso.
Roy respirou fundo, tentando acalmar o coração. A raiva evaporou tão rápido quanto surgiu, dando lugar a uma preocupação genuína. Ele segurou os ombros de Liko.
— Você tá bem? Eles te assustaram?
Liko suspirou, relaxando o corpo.
— Eu estou bem, Roy. Só... você é muito impulsivo. Um dia você ainda vai se meter em um problema que não vai conseguir resolver na base do grito.
— Eu sei. Mas eu fico maluco quando vejo alguém sendo injusto com você.
Liko olhou para as mãos dele em seus ombros. O calor que emanava de Roy era reconfortante, apesar de tudo.
— Vamos sair daqui — ela pediu baixo.
Eles deixaram Ult e Dot para trás — Ult estava tentando convencer Dot de que a briga era o momento perfeito para um "beijo cinematográfico de sobrevivência", ao que ela respondeu ameaçando-o com um jato de água do Quaquaval.
Roy e Liko caminharam pelo campus silencioso. O ar da noite estava fresco, ajudando a dissipar um pouco o efeito do álcool.
— Desculpa por estragar a noite — Roy disse, chutando uma pedrinha. — Eu sou um desastre em encontros, né? Mesmo quando não é exatamente um encontro.
— Não foi um desastre — Liko respondeu, surpreendendo-o. — Foi... intenso. Como tudo o que envolve você.
Eles pararam em frente ao prédio do dormitório feminino. Meowscarada seguia alguns passos atrás, mantendo uma distância respeitosa, mas com os olhos atentos.
— Liko... — Roy começou, coçando a nuca. — Aquilo que eu disse lá no bar. Sobre querer sair só com você. Eu tava falando sério. Sem x-tudo. Pode ser um lugar com guardanapo de pano e tudo.
Liko sorriu, aproximando-se um pouco mais. O perfume dela, uma mistura de flores e algo cítrico, envolveu Roy.
— Eu aceito, Roy. Mas com uma condição.
— Qual? Eu faço qualquer coisa. Até aprendo a usar garfo e faca direito.
— Sem brigas com veteranos. E sem me comparar a um Wooper.
— Fechado — Roy riu, sentindo uma coragem súbita.
Ele se inclinou, a intenção clara em seus olhos vermelhos. Liko não recuou. Pelo contrário, ela ficou na ponta dos pés. O beijo foi rápido, um pouco desajeitado por causa do nervosismo de ambos, mas carregado de uma eletricidade que nenhum golpe do tipo Elétrico poderia replicar. Tinha gosto de cerveja barata e de algo que estava guardado há muito tempo.
Quando se separaram, Roy tinha um sorriso bobo no rosto.
— É... definitivamente melhor que um Wooper — ele sussurrou.
— Cala a boca, Roy — Liko riu, o rosto vermelho. — Vai dormir. A gente se vê amanhã?
— Com certeza.
Liko entrou no prédio, sendo seguida por uma Meowscarada que parecia muito satisfeita consigo mesma. Roy ficou parado ali por alguns minutos, processando o que tinha acabado de acontecer.
— E aí, Romeu? — A voz de Ult veio de trás de uma árvore. Ele e Dot estavam chegando. — Sobreviveu ao ataque da fera?
— Ela me beijou, Ult — Roy disse, ainda em transe.
— Na verdade, vocês se beijaram. Eu vi daqui — Dot comentou, guardando o celular. — E sim, eu gravei. Se você me irritar, isso vai pro TikTok da Nidotina com uma música bem cafona de fundo.
— Você não faria isso — Roy arregalou os olhos.
— Tenta a sorte, "Wooper" — Dot deu um tchauzinho e entrou no dormitório.
Ult passou o braço pelos ombros de Roy, guiando-o de volta para o quarto deles.
— É, parceiro. Você tá ferrado. Ela é muito areia pro seu caminhãozinho de fogo.
— Eu sei — Roy suspirou, mas o sorriso não saía do rosto. — Mas acho que eu gosto de carregar esse peso.
No dia seguinte, a universidade continuaria a mesma. As aulas seriam chatas, os treinos seriam exaustivos e Dot continuaria ignorando Ult. Mas, para Roy e Liko, as coisas tinham mudado. O furacão emocional de Liko tinha encontrado um porto seguro na impulsividade sincera de Roy, e o Skeledirge de Roy finalmente teria que aprender a dividir o espaço com uma Meowscarada muito exigente.
Era apenas o começo de um semestre que prometia muito mais do que apenas notas boas. Prometia o tipo de drama e romance que só a faculdade — e o mundo Pokémon — poderiam proporcionar.
