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Todos loucos, incluindo eu
Fandom: Loucos
Criado: 25/05/2026
Tags
RomanceDramaAngústiaPsicológicoSombrioCrimeSuspenseCiúmesHistória DomésticaUA (Universo Alternativo)Estudo de Personagem
O Aroma da Obsessão e o Brilho do Aço
O cheiro de manjericão fresco e baunilha ainda grudava no uniforme de Izabelle quando ela deixou a cozinha da Academia Royale. O curso de gastronomia era exaustivo, mas nada acalmava mais seus nervos do que o corte preciso de uma faca ou a alquimia dos sabores. Bem, quase nada. Havia uma exceção, e ela atendia pelo nome de Kageyama Tobio.
Kageyama era o enigma da escola. Introvertido ao ponto de parecer rudimentar, dono de uma beleza que parecia esculpida em mármore frio e olhos que pareciam ler a alma de qualquer um. Ele era o prodígio do clube de esgrima, e Izabelle, com sua personalidade forte e curiosidade indomável, não conseguia evitar o ritual diário de observá-lo.
Naquela tarde, o ginásio de esgrima estava silencioso. Izabelle se escondeu atrás de uma das colunas de carvalho, ajeitando seu cabelo curto atrás da orelha. Ela viu Kageyama sozinho, guardando seu equipamento. Ele estava impecável, o suor fazendo sua pele brilhar sob a luz do entardecer. No entanto, havia algo diferente. Seus movimentos não eram os de um atleta cansado; eram precisos, quase mecânicos, e ele murmurava algo para si mesmo com um sorriso que ela nunca tinha visto — um sorriso que não chegava aos olhos, mas que transbordava uma satisfação sombria.
Em vez de ir para o dormitório masculino, Kageyama saiu pelos fundos, em direção à antiga ala desativada da academia, um lugar cercado por lendas urbanas e hera densa.
— Para onde você vai com tanta pressa, Tobio? — sussurrou Izabelle para si mesma, a curiosidade superando o bom senso.
Ela o seguiu, mantendo uma distância segura. Izabelle era magra e ágil, movendo-se com a delicadeza de quem sabe que um passo em falso estraga o suflê. O caminho levou a um porão escondido sob o antigo teatro. Quando ela espiou pela fresta da porta entreaberta, o ar fugiu de seus pulmões.
O lugar não era um depósito. Era um santuário. As paredes estavam cobertas de fotos. Fotos dela. Izabelle saindo da aula, Izabelle rindo com as amigas, Izabelle distraída cheirando temperos. Mas o pior não era isso. No centro da sala, sobre uma mesa cirurgicamente limpa, havia um manequim vestido com uma réplica exata do seu uniforme favorito, e Kageyama estava ali, passando a ponta de um florete afiado pelo pescoço do boneco, enquanto segurava um lenço que ela reconheceu imediatamente como sendo seu, perdido na semana passada.
Ele levou o lenço ao rosto, aspirando profundamente.
— O cheiro dela... — ele murmurou, a voz rouca e carregada de uma possessividade que fez os pelos do braço de Izabelle se arrepiarem. — É a única coisa que faz esse mundo barulhento parar.
Izabelle sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Aquilo era macabro. Era doentio. Ela precisava sair dali, agora. Ela deu um passo para trás, tentando não fazer nenhum ruído, mas seu pé encontrou uma lata de metal vazia no corredor escuro. O som de metal ecoando foi como um tiro de canhão no silêncio do porão.
Ela congelou. O silêncio que se seguiu foi ainda mais aterrorizante.
— Eu sei que é você, Iza. — A voz de Kageyama veio de dentro da sala, calma, fria e terrivelmente doce. — Ninguém mais tem esse passo tão leve.
Izabelle respirou fundo, endireitando a postura. Se ia ser pega, que fosse com a cabeça erguida. Ela apareceu na porta, os olhos verdes/mel fixos nos dele, tentando esconder o tremor nas mãos.
— Kageyama. — Ela forçou um tom casual, embora seu coração batesse como um tambor. — Eu... eu me perdi procurando o depósito de ervas secas. Esse lugar é um labirinto, não é? Acho que vou voltar agora.
Kageyama se virou lentamente. Ele não parecia bravo. Ele parecia... aliviado. Como se um segredo pesado finalmente tivesse sido compartilhado.
— Você é uma péssima mentirosa para alguém tão inteligente — disse ele, caminhando em direção a ela. — Você me seguiu porque gosta de mim tanto quanto eu gosto de você. Eu vejo como você me olha no clube.
— Gostar de alguém e ter um altar com fotos roubadas são coisas bem diferentes, Tobio — rebateu Izabelle, sua personalidade forte aflorando mesmo diante do perigo. — Isso é loucura.
— É amor — corrigiu ele, parando a centímetros dela. O cheiro dele era inebriante: uma mistura de sândalo, metal frio e algo puramente masculino. — E agora que você viu, eu não posso deixar você ir embora e estragar tudo com a sua "moralidade".
Izabelle tentou recuar, mas Kageyama foi mais rápido. Com uma agilidade que só anos de esgrima poderiam proporcionar, ele a prensou contra a parede. Antes que ela pudesse gritar ou desferir um golpe — e ela sabia lutar, ou pelo menos achava que sabia —, sentiu uma picada leve no pescoço.
— O que... — As palavras morreram em sua garganta. Sua visão começou a girar, as pernas ficaram pesadas como chumbo.
— Durma, minha pequena chef — sussurrou ele no ouvido dela, segurando-a antes que ela atingisse o chão. — Quando acordar, o mundo será apenas nós dois.
***
Quando Izabelle abriu os olhos, a primeira coisa que sentiu foi o conforto. Ela estava deitada em uma cama imensa, com lençóis de seda que cheiravam a flores de laranjeira. O quarto era luxuoso, mas as janelas estavam lacradas com placas de metal elegantes, e a porta não tinha maçaneta pelo lado de dentro.
Ela se sentou, sentindo a cabeça latejar levemente. Olhou para o lado e viu Kageyama sentado em uma poltrona, lendo um livro de táticas de esgrima como se nada tivesse acontecido. Ele estava sem a jaqueta, com as mangas da camisa branca dobradas, revelando antebraços fortes.
— Finalmente acordou — disse ele, fechando o livro. — Preparei algo para você comer, mas sei que seu paladar é exigente. Tentei seguir as proporções que vi você usando na semana passada.
Izabelle olhou para a bandeja de prata sobre a mesa de cabeceira. Um risoto de aspargos perfeito. Ela olhou para Kageyama, depois para o quarto, depois para as janelas lacradas.
— Você me sequestrou — disse ela, a voz firme, embora o choque ainda estivesse presente.
— Eu te protegi do resto do mundo — corrigiu ele, levantando-se e caminhando até a cama.
Izabelle não chorou. Ela não era do tipo que se debulhava em lágrimas diante de uma crise. Em vez disso, ela sentiu uma onda de indignação misturada com algo que a deixava profundamente irritada consigo mesma.
— Misericórdia, Kageyama... Você é completamente louco — disse ela, cruzando os braços sobre o peito, o que enfatizava suas curvas, algo que não passou despercebido pelos olhos possessivos dele.
— Sou louco por você. Isso não é novidade para nenhum de nós.
— E você acha que me trancar aqui vai fazer eu te amar? — Ela arqueou uma sobrancelha, desafiadora. — Eu tenho uma personalidade, caso você não tenha notado. Eu não sou um dos seus troféus de esgrima.
Kageyama ajoelhou-se ao lado da cama, pegando a mão dela com uma delicadeza que contrastava com a violência do ato de sequestrá-la. Ele beijou os nós de seus dedos, os olhos azuis profundos fixos nos dela.
— Eu sei. É por isso que eu te escolhi. Sua força, sua inteligência... o modo como você não se curva para ninguém. Eu não quero uma boneca, Iza. Eu quero você. Toda você.
Izabelle sentiu o rosto esquentar. O problema — o grande, terrível e catastrófico problema — era que, mesmo naquela situação absurda, ela ainda o achava atraente. Na verdade, ver aquele lado sombrio e obsessivo de Kageyama, aquela intensidade crua que ele escondia de todos, era assustadoramente excitante.
— Ai, que ódio de mim mesma — resmungou ela, puxando a mão de volta, embora não com muita força. — Eu realmente preciso de um psicólogo. Ou de um exorcista.
Kageyama soltou uma risada curta, um som raro e melodioso.
— Você pode ter quantos psicólogos quiser, desde que eles venham até aqui e eu possa ouvir as sessões por trás da porta.
— Você é um maníaco possessivo — disse ela, tentando manter a expressão séria, mas seus olhos traíam sua curiosidade. — E esse risoto está com uma cara ótima. Se você me envenenou, eu juro que volto para assombrar seus treinos de esgrima para o resto da vida.
— Eu nunca machucaria você, Iza. Você é a única coisa preciosa que eu tenho.
Ele se aproximou mais, invadindo o espaço pessoal dela. O cheiro dele a envolveu novamente, e Izabelle se viu inclinando levemente a cabeça para o lado, um convite inconsciente. Kageyama não perdeu a oportunidade. Ele roçou o nariz no pescoço dela, exatamente onde a havia injetado o sedativo momentos antes.
— Você é tão cheirosa... — sussurrou ele contra a pele dela. — Baunilha e fogo.
Izabelle sentiu um arrepio que não era de medo. Era um desejo perigoso, uma chama que ela sempre soube que existia entre eles, mas que agora ardia sem restrições. Ela olhou para o topo da cabeça dele, para os cabelos escuros e macios, e sentiu uma vontade imensa de passar as mãos por ali.
— Tobio — chamou ela, a voz um pouco mais baixa.
Ele ergueu o olhar, a possessividade brilhando em suas pupilas dilatadas.
— Sim?
— Se você espera que eu seja uma prisioneira obediente, está muito enganado. Eu vou transformar a sua vida num inferno se você não me der o que eu quero.
Kageyama sorriu, um sorriso verdadeiro desta vez, largo e predatório.
— E o que você quer, Izabelle?
— Primeiro, uma cozinha funcional neste lugar. Se eu vou ficar presa, vou cozinhar o que eu quiser. Segundo, livros. Muitos livros. E terceiro... — Ela fez uma pausa, olhando-o de cima a baixo com uma audácia que o deixou sem fôlego. — Se você vai me manter aqui, vai ter que aprender que eu não sou sua propriedade. Eu sou sua parceira. E em uma parceria, quem manda na cozinha sou eu.
Kageyama riu, uma risada rica e genuína, e se inclinou para beijar o canto da boca dela.
— Você é perfeita. Eu sabia que seria assim.
Izabelle bufou, pegando o garfo para provar o risoto. Estava bom. Irritantemente bom.
— Misericórdia — repetiu ela para si mesma entre uma garfada e outra. — Eu sou atraída por um sequestrador esgrimista. Alguém me interna, por favor.
Mas, enquanto olhava para Kageyama, que a observava com uma adoração quase religiosa, Izabelle soube que, embora a situação fosse um desastre completo, ela não estava com pressa de fugir. Havia algo naquela loucura que se encaixava perfeitamente na sua própria intensidade.
— O sal está no ponto — comentou ela, de forma casual. — Mas da próxima vez, use um pouco mais de parmesão.
Kageyama inclinou a cabeça, aceitando a crítica com um brilho de desafio nos olhos.
— Como desejar, minha rainha.
Izabelle olhou para a porta trancada e depois para o homem à sua frente. O mundo lá fora parecia cada vez mais distante, e o aroma da obsessão de Kageyama estava começando a se tornar seu perfume favorito. Ela definitivamente precisava de terapia, mas por enquanto, o risoto e o olhar intenso de Tobio teriam que bastar.
Kageyama era o enigma da escola. Introvertido ao ponto de parecer rudimentar, dono de uma beleza que parecia esculpida em mármore frio e olhos que pareciam ler a alma de qualquer um. Ele era o prodígio do clube de esgrima, e Izabelle, com sua personalidade forte e curiosidade indomável, não conseguia evitar o ritual diário de observá-lo.
Naquela tarde, o ginásio de esgrima estava silencioso. Izabelle se escondeu atrás de uma das colunas de carvalho, ajeitando seu cabelo curto atrás da orelha. Ela viu Kageyama sozinho, guardando seu equipamento. Ele estava impecável, o suor fazendo sua pele brilhar sob a luz do entardecer. No entanto, havia algo diferente. Seus movimentos não eram os de um atleta cansado; eram precisos, quase mecânicos, e ele murmurava algo para si mesmo com um sorriso que ela nunca tinha visto — um sorriso que não chegava aos olhos, mas que transbordava uma satisfação sombria.
Em vez de ir para o dormitório masculino, Kageyama saiu pelos fundos, em direção à antiga ala desativada da academia, um lugar cercado por lendas urbanas e hera densa.
— Para onde você vai com tanta pressa, Tobio? — sussurrou Izabelle para si mesma, a curiosidade superando o bom senso.
Ela o seguiu, mantendo uma distância segura. Izabelle era magra e ágil, movendo-se com a delicadeza de quem sabe que um passo em falso estraga o suflê. O caminho levou a um porão escondido sob o antigo teatro. Quando ela espiou pela fresta da porta entreaberta, o ar fugiu de seus pulmões.
O lugar não era um depósito. Era um santuário. As paredes estavam cobertas de fotos. Fotos dela. Izabelle saindo da aula, Izabelle rindo com as amigas, Izabelle distraída cheirando temperos. Mas o pior não era isso. No centro da sala, sobre uma mesa cirurgicamente limpa, havia um manequim vestido com uma réplica exata do seu uniforme favorito, e Kageyama estava ali, passando a ponta de um florete afiado pelo pescoço do boneco, enquanto segurava um lenço que ela reconheceu imediatamente como sendo seu, perdido na semana passada.
Ele levou o lenço ao rosto, aspirando profundamente.
— O cheiro dela... — ele murmurou, a voz rouca e carregada de uma possessividade que fez os pelos do braço de Izabelle se arrepiarem. — É a única coisa que faz esse mundo barulhento parar.
Izabelle sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Aquilo era macabro. Era doentio. Ela precisava sair dali, agora. Ela deu um passo para trás, tentando não fazer nenhum ruído, mas seu pé encontrou uma lata de metal vazia no corredor escuro. O som de metal ecoando foi como um tiro de canhão no silêncio do porão.
Ela congelou. O silêncio que se seguiu foi ainda mais aterrorizante.
— Eu sei que é você, Iza. — A voz de Kageyama veio de dentro da sala, calma, fria e terrivelmente doce. — Ninguém mais tem esse passo tão leve.
Izabelle respirou fundo, endireitando a postura. Se ia ser pega, que fosse com a cabeça erguida. Ela apareceu na porta, os olhos verdes/mel fixos nos dele, tentando esconder o tremor nas mãos.
— Kageyama. — Ela forçou um tom casual, embora seu coração batesse como um tambor. — Eu... eu me perdi procurando o depósito de ervas secas. Esse lugar é um labirinto, não é? Acho que vou voltar agora.
Kageyama se virou lentamente. Ele não parecia bravo. Ele parecia... aliviado. Como se um segredo pesado finalmente tivesse sido compartilhado.
— Você é uma péssima mentirosa para alguém tão inteligente — disse ele, caminhando em direção a ela. — Você me seguiu porque gosta de mim tanto quanto eu gosto de você. Eu vejo como você me olha no clube.
— Gostar de alguém e ter um altar com fotos roubadas são coisas bem diferentes, Tobio — rebateu Izabelle, sua personalidade forte aflorando mesmo diante do perigo. — Isso é loucura.
— É amor — corrigiu ele, parando a centímetros dela. O cheiro dele era inebriante: uma mistura de sândalo, metal frio e algo puramente masculino. — E agora que você viu, eu não posso deixar você ir embora e estragar tudo com a sua "moralidade".
Izabelle tentou recuar, mas Kageyama foi mais rápido. Com uma agilidade que só anos de esgrima poderiam proporcionar, ele a prensou contra a parede. Antes que ela pudesse gritar ou desferir um golpe — e ela sabia lutar, ou pelo menos achava que sabia —, sentiu uma picada leve no pescoço.
— O que... — As palavras morreram em sua garganta. Sua visão começou a girar, as pernas ficaram pesadas como chumbo.
— Durma, minha pequena chef — sussurrou ele no ouvido dela, segurando-a antes que ela atingisse o chão. — Quando acordar, o mundo será apenas nós dois.
***
Quando Izabelle abriu os olhos, a primeira coisa que sentiu foi o conforto. Ela estava deitada em uma cama imensa, com lençóis de seda que cheiravam a flores de laranjeira. O quarto era luxuoso, mas as janelas estavam lacradas com placas de metal elegantes, e a porta não tinha maçaneta pelo lado de dentro.
Ela se sentou, sentindo a cabeça latejar levemente. Olhou para o lado e viu Kageyama sentado em uma poltrona, lendo um livro de táticas de esgrima como se nada tivesse acontecido. Ele estava sem a jaqueta, com as mangas da camisa branca dobradas, revelando antebraços fortes.
— Finalmente acordou — disse ele, fechando o livro. — Preparei algo para você comer, mas sei que seu paladar é exigente. Tentei seguir as proporções que vi você usando na semana passada.
Izabelle olhou para a bandeja de prata sobre a mesa de cabeceira. Um risoto de aspargos perfeito. Ela olhou para Kageyama, depois para o quarto, depois para as janelas lacradas.
— Você me sequestrou — disse ela, a voz firme, embora o choque ainda estivesse presente.
— Eu te protegi do resto do mundo — corrigiu ele, levantando-se e caminhando até a cama.
Izabelle não chorou. Ela não era do tipo que se debulhava em lágrimas diante de uma crise. Em vez disso, ela sentiu uma onda de indignação misturada com algo que a deixava profundamente irritada consigo mesma.
— Misericórdia, Kageyama... Você é completamente louco — disse ela, cruzando os braços sobre o peito, o que enfatizava suas curvas, algo que não passou despercebido pelos olhos possessivos dele.
— Sou louco por você. Isso não é novidade para nenhum de nós.
— E você acha que me trancar aqui vai fazer eu te amar? — Ela arqueou uma sobrancelha, desafiadora. — Eu tenho uma personalidade, caso você não tenha notado. Eu não sou um dos seus troféus de esgrima.
Kageyama ajoelhou-se ao lado da cama, pegando a mão dela com uma delicadeza que contrastava com a violência do ato de sequestrá-la. Ele beijou os nós de seus dedos, os olhos azuis profundos fixos nos dela.
— Eu sei. É por isso que eu te escolhi. Sua força, sua inteligência... o modo como você não se curva para ninguém. Eu não quero uma boneca, Iza. Eu quero você. Toda você.
Izabelle sentiu o rosto esquentar. O problema — o grande, terrível e catastrófico problema — era que, mesmo naquela situação absurda, ela ainda o achava atraente. Na verdade, ver aquele lado sombrio e obsessivo de Kageyama, aquela intensidade crua que ele escondia de todos, era assustadoramente excitante.
— Ai, que ódio de mim mesma — resmungou ela, puxando a mão de volta, embora não com muita força. — Eu realmente preciso de um psicólogo. Ou de um exorcista.
Kageyama soltou uma risada curta, um som raro e melodioso.
— Você pode ter quantos psicólogos quiser, desde que eles venham até aqui e eu possa ouvir as sessões por trás da porta.
— Você é um maníaco possessivo — disse ela, tentando manter a expressão séria, mas seus olhos traíam sua curiosidade. — E esse risoto está com uma cara ótima. Se você me envenenou, eu juro que volto para assombrar seus treinos de esgrima para o resto da vida.
— Eu nunca machucaria você, Iza. Você é a única coisa preciosa que eu tenho.
Ele se aproximou mais, invadindo o espaço pessoal dela. O cheiro dele a envolveu novamente, e Izabelle se viu inclinando levemente a cabeça para o lado, um convite inconsciente. Kageyama não perdeu a oportunidade. Ele roçou o nariz no pescoço dela, exatamente onde a havia injetado o sedativo momentos antes.
— Você é tão cheirosa... — sussurrou ele contra a pele dela. — Baunilha e fogo.
Izabelle sentiu um arrepio que não era de medo. Era um desejo perigoso, uma chama que ela sempre soube que existia entre eles, mas que agora ardia sem restrições. Ela olhou para o topo da cabeça dele, para os cabelos escuros e macios, e sentiu uma vontade imensa de passar as mãos por ali.
— Tobio — chamou ela, a voz um pouco mais baixa.
Ele ergueu o olhar, a possessividade brilhando em suas pupilas dilatadas.
— Sim?
— Se você espera que eu seja uma prisioneira obediente, está muito enganado. Eu vou transformar a sua vida num inferno se você não me der o que eu quero.
Kageyama sorriu, um sorriso verdadeiro desta vez, largo e predatório.
— E o que você quer, Izabelle?
— Primeiro, uma cozinha funcional neste lugar. Se eu vou ficar presa, vou cozinhar o que eu quiser. Segundo, livros. Muitos livros. E terceiro... — Ela fez uma pausa, olhando-o de cima a baixo com uma audácia que o deixou sem fôlego. — Se você vai me manter aqui, vai ter que aprender que eu não sou sua propriedade. Eu sou sua parceira. E em uma parceria, quem manda na cozinha sou eu.
Kageyama riu, uma risada rica e genuína, e se inclinou para beijar o canto da boca dela.
— Você é perfeita. Eu sabia que seria assim.
Izabelle bufou, pegando o garfo para provar o risoto. Estava bom. Irritantemente bom.
— Misericórdia — repetiu ela para si mesma entre uma garfada e outra. — Eu sou atraída por um sequestrador esgrimista. Alguém me interna, por favor.
Mas, enquanto olhava para Kageyama, que a observava com uma adoração quase religiosa, Izabelle soube que, embora a situação fosse um desastre completo, ela não estava com pressa de fugir. Havia algo naquela loucura que se encaixava perfeitamente na sua própria intensidade.
— O sal está no ponto — comentou ela, de forma casual. — Mas da próxima vez, use um pouco mais de parmesão.
Kageyama inclinou a cabeça, aceitando a crítica com um brilho de desafio nos olhos.
— Como desejar, minha rainha.
Izabelle olhou para a porta trancada e depois para o homem à sua frente. O mundo lá fora parecia cada vez mais distante, e o aroma da obsessão de Kageyama estava começando a se tornar seu perfume favorito. Ela definitivamente precisava de terapia, mas por enquanto, o risoto e o olhar intenso de Tobio teriam que bastar.
