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Amor proibido

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Criado: 25/05/2026

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O Limiar do Proibido

A penumbra da biblioteca da mansão Miller era quebrada apenas pela luz bruxuleante de alguns abajures de cristal, criando sombras que dançavam pelas estantes repletas de volumes antigos. O cheiro de couro e uísque caro impregnava o ar, um aroma que Sara Miller agora associava inevitavelmente a John Hidalgo. Aos quinze anos, Sara possuía uma consciência de si mesma que desafiava sua idade cronológica. Seus cabelos cacheados caíam em cascatas escuras sobre os ombros, e o vestido de seda que ela escolhera para aquela noite moldava-se às curvas de seu corpo escultural, uma silhueta que atraía olhares por onde passava, mas ela só desejava um olhar específico.

John estava de pé junto à janela, observando a chuva que começava a açoitar os vidros. Com trinta e cinco anos, ele exalava uma masculinidade bruta e refinada. Loiro, alto, com ombros largos que pareciam suportar o peso do mundo, sua presença física era esmagadora. Ele era o melhor amigo de seu pai, o homem que deveria ser uma figura de autoridade e proteção, mas que se tornara o objeto de um desejo proibido e avassalador.

— Você não deveria estar aqui, Sara — disse John, sem se virar. Sua voz era um barítono profundo que vibrou no peito da garota.

Sara deu um passo à frente, o som de seus saltos sendo abafado pelo tapete persa. Ela não sentia medo; sentia o poder que exercia sobre aquele homem feito.

— Meu pai está no escritório tratando de negócios — afirmou ela, aproximando-se o suficiente para sentir o calor que emanava dele. — Ele não vai sair de lá tão cedo. E você sabe que eu não gosto de seguir regras.

John finalmente se virou. Seus olhos azuis, gélidos e intensos, percorreram o rosto de Sara antes de descerem perigosamente pelo seu corpo. Ele apertou o copo de cristal em sua mão, os nós dos dedos ficando brancos.

— Você é uma criança, Sara. Uma criança brincando com fogo — ele rosnou, embora a falta de convicção em seu tom fosse evidente.

— Uma criança não faria você perder o fôlego toda vez que entro na sala — retrucou ela, ousada, reduzindo a distância entre eles até que apenas alguns centímetros os separassem. — E uma criança não saberia exatamente o que você está pensando agora.

John soltou um suspiro pesado, uma mistura de derrota e desejo. Ele colocou o copo sobre a mesa lateral e segurou os ombros de Sara. Suas mãos eram grandes e quentes, e o toque enviou uma descarga elétrica pela espinha dela.

— Isso é loucura. Se o seu pai descobrir, ele me mata. E ele estaria no direito dele.

— Ele não vai saber — sussurrou Sara, subindo as mãos pelo peito largo de John, sentindo a musculatura rígida sob a camisa de linho. — A menos que você queira que ele saiba.

O autocontrole de John, construído ao longo de décadas de disciplina e rigor físico, desmoronou naquele instante. Ele a puxou para mais perto, esmagando o corpo pequeno, mas curvilíneo, contra o seu. O contraste entre a delicadeza dela e a força bruta dele era inebriante.

— Você não tem ideia do que está pedindo — disse ele, a voz rouca de desejo.

— Eu sei exatamente o que eu quero, John. Eu quero você.

O beijo que se seguiu foi uma colisão de mundos. Foi faminto, desesperado e carregado de uma tensão que vinha sendo alimentada há meses. John a ergueu com facilidade, as pernas de Sara se entrelaçando em sua cintura enquanto ele a levava para o sofá de couro profundo no fundo da biblioteca. Ali, entre o silêncio dos livros e o segredo da noite, a provocação transformou-se em entrega total.

Cada toque de John era uma descoberta. Ele era experiente, suas mãos mapeando o corpo de Sara com uma precisão que a deixava sem fôlego. Para Sara, era a validação de sua feminilidade; para John, era a queda em um abismo do qual ele sabia que não haveria retorno. O prazer era intenso, quase doloroso em sua pureza, uma conexão física que ignorava a diferença de idade e as convenções sociais.

Nas semanas que se seguiram, o mundo continuou a girar, mas para Sara, tudo havia mudado. Os encontros furtivos tornaram-se o centro de sua existência. Ela aprendeu a ler os sinais de John, a maneira como ele a procurava com o olhar em jantares de família, o modo como sua mandíbula se contraía quando seu pai falava sobre o futuro dela na faculdade.

No entanto, a biologia não perdoa segredos.

Sara estava em seu quarto, o sol da manhã filtrando-se pelas cortinas, quando sentiu a primeira onda de náusea. No início, ela tentou ignorar, atribuindo ao estresse ou a algo que comera. Mas quando o ciclo não veio, e a tontura se tornou uma companheira constante, o medo começou a se infiltrar em sua confiança inabalável.

Ela comprou o teste em uma farmácia longe de casa, usando um capuz e óculos escuros. O resultado, duas linhas vermelhas implacáveis, parecia gritar com ela do balcão do banheiro.

Grávida.

O pânico foi a primeira reação, mas logo foi substituído por uma calma fria e calculista. Ela precisava contar a John. Ela não podia contar ao pai, não ainda. A imagem de seu pai, um homem de princípios rígidos e temperamento explosivo, aterrorizava-a mais do que a ideia de ser mãe aos quinze anos.

Naquela tarde, ela enviou uma mensagem curta para John: "Preciso te ver. Sozinha. Agora."

Eles se encontraram em uma cabana de caça que John possuía nos arredores da cidade, um refúgio que ele usava para escapar da pressão dos negócios. Quando Sara chegou, ele já a esperava, andando de um lado para o outro na varanda de madeira.

— O que aconteceu? — perguntou ele, assim que ela desceu do carro. — Você parecia urgente na mensagem.

Sara não respondeu de imediato. Ela caminhou até ele, sentindo o peso do segredo em seu ventre. O porte físico de John, que sempre a fizera se sentir segura, agora parecia uma muralha difícil de escalar.

— John... — ela começou, sua voz falhando pela primeira vez.

— Sara, você está me assustando. O seu pai descobriu sobre nós?

— Não — disse ela, respirando fundo. — Meu pai não sabe de nada. Mas as coisas mudaram.

Ela pegou a mão dele e a colocou sobre seu ventre ainda plano. John franziu a testa, a confusão nublando seus olhos azuis por um breve segundo antes que a compreensão o atingisse como um soco no estômago.

— Não... — ele sussurrou, a cor fugindo de seu rosto. — Sara, você tem certeza?

— Eu fiz o teste. Duas vezes.

John recuou, tropeçando nos próprios pés antes de se apoiar na balaustrada da varanda. Ele passou as mãos pelos cabelos loiros, o desespero emanando de cada poro.

— Meu Deus... você é apenas uma menina. O que eu fiz? — Ele falava mais para si mesmo do que para ela. — Eu destruí a sua vida. Eu traí o meu melhor amigo da pior maneira possível.

— Você não fez nada sozinho, John — disse Sara, aproximando-se dele, sua voz ganhando uma firmeza nova. — Eu queria isso. Eu provoquei isso. E agora, temos que lidar com as consequências.

John olhou para ela, e Sara viu algo que nunca esperava ver nos olhos daquele homem inabalável: medo puro.

— Lidar com as consequências? Sara, se o seu pai souber que você está grávida de mim, ele não vai apenas me processar. Ele vai me destruir. E ele vai tirar você de mim.

— Então ele não pode saber — afirmou ela. — Pelo menos não agora. Precisamos de um plano.

— Um plano? — John riu, um som seco e sem alegria. — Não existe plano para isso, Sara. Você tem quinze anos. Seu corpo vai mudar, as pessoas vão notar. Como você pretende esconder uma gravidez vivendo sob o teto dele?

— Eu vou dar um jeito — insistiu ela, embora soubesse que suas palavras soavam vazias. — Nós vamos dar um jeito. Você disse que cuidaria de mim.

John aproximou-se e segurou o rosto de Sara entre as mãos. Seus olhos estavam úmidos, uma vulnerabilidade que contrastava com seu porte físico imponente.

— Eu vou cuidar de você, Sara. Eu juro. Mas o mundo em que vivemos... ele não é gentil com histórias como a nossa.

— Eu não me importo com o mundo — respondeu ela, fechando os olhos e encostando a testa na dele. — Eu só me importo com você. E com o que está crescendo aqui dentro.

Naquele momento, na solidão da floresta, o peso da realidade caiu sobre eles. O envolvimento que começara como um jogo de sedução e poder havia se transformado em algo muito mais complexo e perigoso. Eles estavam unidos por um laço que não podia ser desfeito, um segredo que tinha o potencial de incinerar tudo ao seu redor.

— O que vamos fazer, John? — perguntou ela em voz baixa.

— Primeiro, precisamos garantir que você esteja segura — disse ele, recuperando um pouco de sua postura de comando. — Vou procurar um médico de confiança, alguém que saiba guardar segredo. Depois... depois teremos que decidir como contar ao seu pai. Ou como fugir disso.

— Fugir? — Sara olhou para ele, surpresa.

— Se for a única maneira de mantermos você e o bebê seguros, eu largo tudo, Sara. Minha carreira, minha reputação... tudo.

Sara sentiu um aperto no coração. Ela vira em John o homem perfeito, o amigo do pai que ela transformara em amante. Mas agora, via um homem disposto a sacrificar sua vida por um erro que ambos cometeram.

— Não quero que você perca nada por minha causa — sussurrou ela.

— Eu já perdi a minha alma no momento em que toquei em você, Sara — disse ele, beijando-lhe a testa. — Agora, só me resta proteger o que sobrou.

Enquanto a noite caía sobre a cabana, eles permaneceram abraçados, dois náufragos em um mar de incertezas. O caminho à frente era escuro e cheio de espinhos, e o segredo que carregavam era uma bomba-relógio prestes a explodir no coração da família Miller. A gravidez inesperada era o ponto de não retorno, o início de uma jornada onde a paixão e a culpa caminhariam lado a lado, desafiando tudo o que eles conheciam como certo.
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