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0 curtida
relação secreta
Fandom: bill/colin
Criado: 25/05/2026
Tags
RomanceDramaDor/ConfortoFatias de VidaHistória DomésticaAçãoSuspenseEstudo de Personagem
O Peso do Silêncio e o Gosto do Café
A luz da manhã em Langley sempre parecia mais fria do que no resto da Virgínia. Colin observava o vapor subindo de sua caneca de café barata, encostado na mesa de metal da sala de reuniões, enquanto as vozes de seus colegas de equipe — Miller, Sarah e o resto do grupo de operações — se misturavam em um ruído de fundo sobre protocolos de extração e vigilância.
Ninguém ali sabia. Ninguém sequer desconfiava que o agente focado, por vezes frio e altamente eficiente que eles conheciam como Colin, tinha uma aliança de ouro pendurada em uma corrente fina por baixo da camiseta tática.
Seu celular vibrou no bolso. Uma mensagem rápida.
"Não esqueça de passar na farmácia. O estoque de gaze do consultório está acabando e eu não quero esperar a entrega da distribuidora na segunda-feira. Amo você."
Colin sentiu o canto da boca esboçar um sorriso involuntário, que ele rapidamente camuflou com um gole de café. Bill. Seu Bill. O homem que, há dez anos, era apenas um estudante de medicina exausto em um bar universitário, enquanto Colin decidia se alistar nas forças armadas. Naquela época, o mundo parecia simples. Hoje, Bill era um dos cirurgiões mais promissores do hospital central e Colin... bem, Colin era um fantasma a serviço do governo.
Eles estavam casados há cinco anos. Cinco anos de um segredo absoluto, mantido por uma necessidade mútua de proteção. Se os inimigos de Colin soubessem de Bill, Bill se tornaria um alvo. Se os colegas de Bill soubessem de Colin, a vida pacata do médico seria invadida por interrogatórios e escrutínio.
— Colin? Está na escuta ou o café está forte demais? — A voz de Sarah o trouxe de volta à realidade.
— Estou ouvindo, Sarah. — Colin guardou o celular. — O alvo se move às 22h. Estarei na posição de cobertura.
— Ótimo. Porque você pareceu estar em outro planeta por um segundo — comentou Miller, ajustando o coldre. — Algum problema em casa?
— Nenhum — mentiu Colin, a voz estável como uma rocha. — Apenas pensando na logística do perímetro.
***
Do outro lado da cidade, o ambiente era drasticamente diferente, mas igualmente caótico. O som de bipes de monitores cardíacos e o cheiro de antisséptico eram o habitat natural de Bill. Ele acabara de sair de uma cirurgia de apendicectomia de emergência e estava lavando as mãos, o cansaço pesando em seus ombros.
Bill era a antítese do segredo. Ele vivia sob as luzes brancas do hospital, lidando com a vida e a morte de forma escancarada. Mas, ao final do dia, ele voltava para uma casa que era um santuário de silêncio compartilhado.
Enquanto trocava o jaleco, Bill viu seu colega de residência entrar no vestiário.
— Ei, Bill. Vamos tomar uma cerveja depois do plantão? A equipe do trauma vai se reunir no O'Malley's.
— Passo desta vez, Jackson — respondeu Bill, com um tom educado, mas definitivo. — Tenho alguns prontuários para finalizar e... bem, planos.
— Planos? Você sempre tem "planos" que envolvem ir para casa cedo. Começo a achar que você tem uma vida secreta — brincou Jackson, sem saber o quão perto estava da verdade.
— Apenas gosto da minha própria companhia — Bill sorriu, fechando o armário. — E da minha cama.
Ao sair do hospital, Bill sentiu o ar úmido da noite. Ele sabia que Colin estaria em operação. Eles tinham um código: se Colin não ligasse até às 21h, significava que ele estaria "no campo". Bill odiava essas noites. Ele era médico; sua missão era consertar pessoas. O trabalho de Colin, muitas vezes, envolvia o oposto, ou pelo menos a aceitação de que o mundo era um lugar violento.
Eles se conheceram quando Bill ainda tentava decorar os ossos do corpo humano e Colin tentava entender como atirar em um alvo a quinhentos metros. O contraste sempre foi o que os manteve unidos. Bill era a âncora de Colin na humanidade; Colin era o protetor silencioso de Bill.
***
Eram quase duas da manhã quando Colin girou a chave na fechadura da casa de subúrbio que eles dividiam. A casa estava escura, exceto por uma pequena luz de leitura na sala de estar.
Bill estava adormecido no sofá, um livro de patologia aberto sobre o peito. Colin parou por um momento, apenas observando-o. A tensão dos músculos de Colin, acumulada após horas de vigilância sob a chuva, começou a se dissipar.
Ele se aproximou silenciosamente e tocou o ombro de Bill.
— Bill... acorde. Vá para a cama.
Bill abriu os olhos devagar, piscando contra a luz fraca. Um sorriso sonolento surgiu em seu rosto ao reconhecer a silhueta do marido.
— Você demorou — sussurrou Bill, a voz rouca. — Está inteiro?
— Sim. — Colin sentou-se na borda do sofá, permitindo-se um momento de fraqueza ao encostar a testa na de Bill. — Foi uma noite longa. Mas acabou.
— Você cheira a pólvora e chuva — Bill comentou, levando a mão ao rosto de Colin, sentindo a barba por fazer. — E tem um corte novo na bochecha.
— Não é nada. Um galho de árvore, eu acho.
— Deixe-me cuidar disso — disse Bill, o modo médico assumindo o controle automaticamente.
— Bill, não precisa...
— Shh. — Bill se levantou, empurrando Colin gentilmente em direção à cozinha. — Eu sou o médico aqui. Você é apenas o cara que se mete em encrenca.
Eles se sentaram à mesa da cozinha, a mesma mesa onde tomavam café e discutiam contas de luz, enquanto Bill limpava o pequeno corte com a precisão de quem já fez aquilo mil vezes. O silêncio da casa era reconfortante, um contraste gritante com o caos de suas vidas profissionais.
— Sarah perguntou se eu estava com problemas em casa hoje — disse Colin subitamente.
— E o que você disse? — Bill perguntou, concentrado no curativo.
— Disse que estava pensando na logística. — Colin soltou um suspiro curto. — Às vezes eu odeio isso, Bill. Ter que fingir que você não existe quando estou com eles.
Bill parou o que estava fazendo e olhou nos olhos de Colin.
— Nós escolhemos isso, Colin. Desde que você saiu da academia e eu terminei a residência. O segredo é o que nos mantém seguros.
— Eu sei. Mas cinco anos de casados... eu queria poder ter uma foto sua na minha mesa. Como todo mundo.
— Você tem a foto mais importante — Bill sorriu, tocando o peito de Colin, onde a aliança estava escondida sob a camisa. — E eu tenho você aqui, toda noite. Ou quase toda noite.
Colin segurou a mão de Bill, beijando a palma.
— Como foi o seu dia? Alguma cirurgia milagrosa?
— O de sempre. Salvei um apêndice de estourar e ouvi o Jackson dizer que eu levo uma vida secreta. — Bill riu baixo. — Se ele soubesse que meu marido passa as noites saltando cercas e rastreando comunicações internacionais...
— Ele provavelmente chamaria o FBI — brincou Colin.
— Ou pediria para ser seu amigo porque acha que você é um herói de filme de ação.
— Eu não sou um herói, Bill. — O tom de Colin ficou sério. — Eu sou apenas o homem que garante que o mundo não desabe enquanto você salva as pessoas.
Bill terminou o curativo e guardou o kit de primeiros socorros.
— Para mim, você é apenas o Colin. O cara que esquece de comprar leite, mas nunca esquece o nosso aniversário.
— Por falar nisso — Colin levantou-se e foi até a mochila que deixara perto da porta. Ele tirou um pequeno pacote de papel pardo. — Eu passei na farmácia. O estoque de gaze do seu consultório está garantido.
Bill pegou o pacote, surpreso.
— Você fez isso no meio de uma operação?
— Digamos que houve um intervalo estratégico perto de uma farmácia 24 horas.
Bill riu, puxando Colin pelo colarinho da camisa tática para um beijo calmo e profundo. Era um beijo que carregava dez anos de história, desde os dormitórios universitários até aquela cozinha silenciosa.
— Vá tomar um banho — ordenou Bill contra os lábios de Colin. — Você ainda cheira a perigo. E eu fiz café fresco.
— Café? Às duas da manhã? — Colin arqueou uma sobrancelha.
— Eu tenho plantão às seis. E você... bem, você parece que não vai conseguir dormir tão cedo com toda essa adrenalina no sangue.
Colin sorriu, sentindo o peso do mundo finalmente escorregar de seus ombros.
— Você me conhece bem demais, doutor.
— É o meu trabalho — respondeu Bill, observando o marido caminhar em direção ao banheiro.
Enquanto Colin se afastava, Bill sentou-se à mesa e serviu duas xícaras. Ele sabia que a vida deles era um equilíbrio precário, uma corda bamba entre o dever e o desejo, entre a luz do hospital e as sombras da CIA. Mas, enquanto tivessem aqueles momentos na madrugada, o segredo valia a pena.
A CIA podia ter o Agente Colin. O hospital podia ter o Doutor Bill. Mas, naquela casa, eles eram apenas dois homens tentando fazer o amor sobreviver ao caos do mundo.
Colin voltou alguns minutos depois, vestindo apenas uma calça de moletom, o cabelo úmido. Ele se sentou à frente de Bill e pegou a xícara de café.
— O que vamos fazer nas férias, Bill? — perguntou Colin, o olhar fixo no marido.
— Férias? Você conseguiu liberação?
— Tenho duas semanas acumuladas. Pensei em irmos para algum lugar onde ninguém precise usar um rádio ou um bisturi.
Bill sorriu, sentindo o calor da caneca entre as mãos.
— Parece um plano perfeito, Colin. Desde que haja café bom e nenhuma farmácia por perto.
— Combinado.
Eles ficaram ali, bebendo café em silêncio, enquanto o sol começava a ameaçar o horizonte da Virgínia. Mais um dia estava começando, e com ele, as máscaras voltariam a ser usadas. Mas, por aquele breve momento, a verdade era a única coisa que importava.
Ninguém ali sabia. Ninguém sequer desconfiava que o agente focado, por vezes frio e altamente eficiente que eles conheciam como Colin, tinha uma aliança de ouro pendurada em uma corrente fina por baixo da camiseta tática.
Seu celular vibrou no bolso. Uma mensagem rápida.
"Não esqueça de passar na farmácia. O estoque de gaze do consultório está acabando e eu não quero esperar a entrega da distribuidora na segunda-feira. Amo você."
Colin sentiu o canto da boca esboçar um sorriso involuntário, que ele rapidamente camuflou com um gole de café. Bill. Seu Bill. O homem que, há dez anos, era apenas um estudante de medicina exausto em um bar universitário, enquanto Colin decidia se alistar nas forças armadas. Naquela época, o mundo parecia simples. Hoje, Bill era um dos cirurgiões mais promissores do hospital central e Colin... bem, Colin era um fantasma a serviço do governo.
Eles estavam casados há cinco anos. Cinco anos de um segredo absoluto, mantido por uma necessidade mútua de proteção. Se os inimigos de Colin soubessem de Bill, Bill se tornaria um alvo. Se os colegas de Bill soubessem de Colin, a vida pacata do médico seria invadida por interrogatórios e escrutínio.
— Colin? Está na escuta ou o café está forte demais? — A voz de Sarah o trouxe de volta à realidade.
— Estou ouvindo, Sarah. — Colin guardou o celular. — O alvo se move às 22h. Estarei na posição de cobertura.
— Ótimo. Porque você pareceu estar em outro planeta por um segundo — comentou Miller, ajustando o coldre. — Algum problema em casa?
— Nenhum — mentiu Colin, a voz estável como uma rocha. — Apenas pensando na logística do perímetro.
***
Do outro lado da cidade, o ambiente era drasticamente diferente, mas igualmente caótico. O som de bipes de monitores cardíacos e o cheiro de antisséptico eram o habitat natural de Bill. Ele acabara de sair de uma cirurgia de apendicectomia de emergência e estava lavando as mãos, o cansaço pesando em seus ombros.
Bill era a antítese do segredo. Ele vivia sob as luzes brancas do hospital, lidando com a vida e a morte de forma escancarada. Mas, ao final do dia, ele voltava para uma casa que era um santuário de silêncio compartilhado.
Enquanto trocava o jaleco, Bill viu seu colega de residência entrar no vestiário.
— Ei, Bill. Vamos tomar uma cerveja depois do plantão? A equipe do trauma vai se reunir no O'Malley's.
— Passo desta vez, Jackson — respondeu Bill, com um tom educado, mas definitivo. — Tenho alguns prontuários para finalizar e... bem, planos.
— Planos? Você sempre tem "planos" que envolvem ir para casa cedo. Começo a achar que você tem uma vida secreta — brincou Jackson, sem saber o quão perto estava da verdade.
— Apenas gosto da minha própria companhia — Bill sorriu, fechando o armário. — E da minha cama.
Ao sair do hospital, Bill sentiu o ar úmido da noite. Ele sabia que Colin estaria em operação. Eles tinham um código: se Colin não ligasse até às 21h, significava que ele estaria "no campo". Bill odiava essas noites. Ele era médico; sua missão era consertar pessoas. O trabalho de Colin, muitas vezes, envolvia o oposto, ou pelo menos a aceitação de que o mundo era um lugar violento.
Eles se conheceram quando Bill ainda tentava decorar os ossos do corpo humano e Colin tentava entender como atirar em um alvo a quinhentos metros. O contraste sempre foi o que os manteve unidos. Bill era a âncora de Colin na humanidade; Colin era o protetor silencioso de Bill.
***
Eram quase duas da manhã quando Colin girou a chave na fechadura da casa de subúrbio que eles dividiam. A casa estava escura, exceto por uma pequena luz de leitura na sala de estar.
Bill estava adormecido no sofá, um livro de patologia aberto sobre o peito. Colin parou por um momento, apenas observando-o. A tensão dos músculos de Colin, acumulada após horas de vigilância sob a chuva, começou a se dissipar.
Ele se aproximou silenciosamente e tocou o ombro de Bill.
— Bill... acorde. Vá para a cama.
Bill abriu os olhos devagar, piscando contra a luz fraca. Um sorriso sonolento surgiu em seu rosto ao reconhecer a silhueta do marido.
— Você demorou — sussurrou Bill, a voz rouca. — Está inteiro?
— Sim. — Colin sentou-se na borda do sofá, permitindo-se um momento de fraqueza ao encostar a testa na de Bill. — Foi uma noite longa. Mas acabou.
— Você cheira a pólvora e chuva — Bill comentou, levando a mão ao rosto de Colin, sentindo a barba por fazer. — E tem um corte novo na bochecha.
— Não é nada. Um galho de árvore, eu acho.
— Deixe-me cuidar disso — disse Bill, o modo médico assumindo o controle automaticamente.
— Bill, não precisa...
— Shh. — Bill se levantou, empurrando Colin gentilmente em direção à cozinha. — Eu sou o médico aqui. Você é apenas o cara que se mete em encrenca.
Eles se sentaram à mesa da cozinha, a mesma mesa onde tomavam café e discutiam contas de luz, enquanto Bill limpava o pequeno corte com a precisão de quem já fez aquilo mil vezes. O silêncio da casa era reconfortante, um contraste gritante com o caos de suas vidas profissionais.
— Sarah perguntou se eu estava com problemas em casa hoje — disse Colin subitamente.
— E o que você disse? — Bill perguntou, concentrado no curativo.
— Disse que estava pensando na logística. — Colin soltou um suspiro curto. — Às vezes eu odeio isso, Bill. Ter que fingir que você não existe quando estou com eles.
Bill parou o que estava fazendo e olhou nos olhos de Colin.
— Nós escolhemos isso, Colin. Desde que você saiu da academia e eu terminei a residência. O segredo é o que nos mantém seguros.
— Eu sei. Mas cinco anos de casados... eu queria poder ter uma foto sua na minha mesa. Como todo mundo.
— Você tem a foto mais importante — Bill sorriu, tocando o peito de Colin, onde a aliança estava escondida sob a camisa. — E eu tenho você aqui, toda noite. Ou quase toda noite.
Colin segurou a mão de Bill, beijando a palma.
— Como foi o seu dia? Alguma cirurgia milagrosa?
— O de sempre. Salvei um apêndice de estourar e ouvi o Jackson dizer que eu levo uma vida secreta. — Bill riu baixo. — Se ele soubesse que meu marido passa as noites saltando cercas e rastreando comunicações internacionais...
— Ele provavelmente chamaria o FBI — brincou Colin.
— Ou pediria para ser seu amigo porque acha que você é um herói de filme de ação.
— Eu não sou um herói, Bill. — O tom de Colin ficou sério. — Eu sou apenas o homem que garante que o mundo não desabe enquanto você salva as pessoas.
Bill terminou o curativo e guardou o kit de primeiros socorros.
— Para mim, você é apenas o Colin. O cara que esquece de comprar leite, mas nunca esquece o nosso aniversário.
— Por falar nisso — Colin levantou-se e foi até a mochila que deixara perto da porta. Ele tirou um pequeno pacote de papel pardo. — Eu passei na farmácia. O estoque de gaze do seu consultório está garantido.
Bill pegou o pacote, surpreso.
— Você fez isso no meio de uma operação?
— Digamos que houve um intervalo estratégico perto de uma farmácia 24 horas.
Bill riu, puxando Colin pelo colarinho da camisa tática para um beijo calmo e profundo. Era um beijo que carregava dez anos de história, desde os dormitórios universitários até aquela cozinha silenciosa.
— Vá tomar um banho — ordenou Bill contra os lábios de Colin. — Você ainda cheira a perigo. E eu fiz café fresco.
— Café? Às duas da manhã? — Colin arqueou uma sobrancelha.
— Eu tenho plantão às seis. E você... bem, você parece que não vai conseguir dormir tão cedo com toda essa adrenalina no sangue.
Colin sorriu, sentindo o peso do mundo finalmente escorregar de seus ombros.
— Você me conhece bem demais, doutor.
— É o meu trabalho — respondeu Bill, observando o marido caminhar em direção ao banheiro.
Enquanto Colin se afastava, Bill sentou-se à mesa e serviu duas xícaras. Ele sabia que a vida deles era um equilíbrio precário, uma corda bamba entre o dever e o desejo, entre a luz do hospital e as sombras da CIA. Mas, enquanto tivessem aqueles momentos na madrugada, o segredo valia a pena.
A CIA podia ter o Agente Colin. O hospital podia ter o Doutor Bill. Mas, naquela casa, eles eram apenas dois homens tentando fazer o amor sobreviver ao caos do mundo.
Colin voltou alguns minutos depois, vestindo apenas uma calça de moletom, o cabelo úmido. Ele se sentou à frente de Bill e pegou a xícara de café.
— O que vamos fazer nas férias, Bill? — perguntou Colin, o olhar fixo no marido.
— Férias? Você conseguiu liberação?
— Tenho duas semanas acumuladas. Pensei em irmos para algum lugar onde ninguém precise usar um rádio ou um bisturi.
Bill sorriu, sentindo o calor da caneca entre as mãos.
— Parece um plano perfeito, Colin. Desde que haja café bom e nenhuma farmácia por perto.
— Combinado.
Eles ficaram ali, bebendo café em silêncio, enquanto o sol começava a ameaçar o horizonte da Virgínia. Mais um dia estava começando, e com ele, as máscaras voltariam a ser usadas. Mas, por aquele breve momento, a verdade era a única coisa que importava.
