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Fandom: Nenhum
Criado: 26/05/2026
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RomanceDramaFatias de VidaHumorCrack / Humor ParódicoCiúmesSátiraAngústiaDor/ConfortoHistória DomésticaEstudo de PersonagemPsicológicoRealismoSombrioLinguagem Explícita
Entre Laços, Laquê e Desastres
O sol da tarde refletia nos vidros fumê do SUV de luxo de Emanuel, mas o clima dentro do carro estava longe de ser calmo. No banco do passageiro, Sara retocava o batom vermelho vibrante pela décima vez, bufando enquanto olhava o reflexo no espelho do quebra-sol. No banco de trás, Eduarda encolhia-se contra a porta, abraçando sua bolsa de couro legítimo, vestindo um vestido de seda champagne que abraçava suas curvas de forma delicada e romântica.
— Eu não entendo por que temos que ir a esse lugarzinho — reclamou Sara, fechando o batom com um estalo agressivo. — Emanuel, querido, eu te falei que o meu cabeleireiro em Dubai é o único que entende a textura do meu loiro. Esse salão aqui parece... comum.
Emanuel apertou o volante, os nós dos dedos ficando brancos. Ele exalava aquela aura de controle que o tornava um dos tatuadores e empresários mais respeitados do mundo, mas lidar com suas duas namoradas era um teste de paciência que nem o gerenciamento de dez estúdios globais exigia.
— O "lugarzinho", Sara, pertence à Beatriz. Ela é a melhor visagista do país e só aceitou atender vocês hoje porque sou um cliente antigo — ele respondeu, a voz rouca e carregada de uma fadiga controlada. — E Eduarda precisa estar pronta para o vernissage da faculdade de História da Arte hoje à noite.
Eduarda inclinou a cabeça, os olhos grandes e expressivos encontrando o olhar de Emanuel pelo retrovisor.
— Eu não me importo, Manu... — murmurou ela, com aquela voz mansa que sempre amolecia a postura rígida dele. — Se for mais fácil para você, eu posso arrumar meu cabelo em casa mesmo.
— Nem pensar, boneca — Sara interrompeu, lançando um olhar de desdém para trás. — Se você for por conta própria, vai acabar parecendo uma camponesa saindo de um livro de história mofado. Deixa que os profissionais tentem dar um jeito nessa sua cara de coitada.
Eduarda baixou o olhar, as bochechas corando instantaneamente. Ela não respondeu; nunca respondia. O silêncio era sua defesa, o que só irritava Sara ainda mais.
— Chega, Sara — Emanuel sentenciou, estacionando o carro em frente à fachada minimalista e elegante do salão. — Vamos entrar. E eu quero educação. Beatriz não é uma de suas funcionárias que você distrata.
Ao entrarem, o aroma de lavanda e produtos caros preencheu o ambiente. Beatriz, uma mulher de postura impecável e olhar aguçado, já os esperava. Ela conhecia Emanuel há anos; sabia de sua fortuna, de seu temperamento sério e, principalmente, de sua configuração amorosa peculiar.
— Emanuel, que prazer — Beatriz cumprimentou, ignorando a presença ostensiva de Sara para sorrir para Eduarda. — E estas devem ser as famosas Eduarda e Sara.
— Vamos logo com isso — Sara disse, jogando a bolsa de grife sobre o balcão de recepção sem pedir licença. — Meu cabelo precisa de uma hidratação de choque, um retoque na tonalidade e nada de produtos nacionais. Eu só uso o que há de melhor, entendeu, querida?
Beatriz arqueou uma sobrancelha, o sorriso mantendo-se educado, mas os olhos brilhando com uma faísca perigosa.
— Entendo perfeitamente, senhora. Por favor, Eduarda, acompanhe minha assistente. Eu mesma cuidarei de você em um momento. Sara, venha comigo para a área VIP.
Emanuel sentou-se na poltrona de couro da espera, abrindo um tablet para conferir os lucros de seu estúdio em Londres, mas seus ouvidos estavam atentos.
Enquanto Eduarda era conduzida com extrema delicadeza para uma cadeira confortável, onde recebeu um chá de camomila e começou a conversar baixinho sobre técnicas de pintura renascentista com a assistente, o caos começou na área VIP.
— Cuidado com esse pente! Você está puxando meu megahair! — o grito de Sara ecoou pelo salão. — Você sabe quanto custou esse cabelo? É humano, importado! Mais caro que o seu salário anual, com certeza.
— Sinto muito, Sara — disse Beatriz, sua voz agora fria como gelo. — Estou apenas tentando desembaraçar os nós que a falta de cuidado adequado causou.
— Falta de cuidado? — Sara riu, uma risada seca e vulgar que atraiu olhares de outras clientes. — Eu gasto milhares de dólares em manutenção. O problema é que você deve estar acostumada a atender gente como aquela mosca morta ali fora, que mal usa um condicionador de farmácia.
Beatriz parou o que estava fazendo. Ela olhou pelo espelho e viu Eduarda, que estava sentada em silêncio, deixando que a assistente massageasse seu couro cabeludo com óleos essenciais. Eduarda parecia uma pintura; Sara parecia um pesadelo de silicone e arrogância.
— Sabe de uma coisa, Sara? — Beatriz disse, pegando uma tigela de mistura química que estava preparada em um carrinho auxiliar. — Você tem razão. Você merece um tratamento... inesquecível.
Emanuel, que observava a cena de longe, percebeu a mudança no tom de Beatriz. Ele conhecia aquele olhar. Beatriz era uma artista, e artistas não gostavam de ser insultados. Ele fechou o tablet, cruzando os braços sobre o peito tatuado, um meio sorriso começando a surgir em seus lábios.
— O que é isso que você está passando? — perguntou Sara, desconfiada, enquanto Beatriz aplicava uma pasta esverdeada e de cheiro forte em suas mechas loiras.
— É uma fórmula exclusiva, querida — mentiu Beatriz, com uma calma assustadora. — Vai remover toda a... "vulgaridade" dos fios.
— Ótimo. Pelo menos você aprendeu quem é que manda aqui.
Vinte minutos se passaram. Eduarda já estava com o cabelo seco, ondulado em ondas suaves e românticas que emolduravam seu rosto delicado. Ela parecia uma ninfa da floresta, elegante e sutilmente sexy em seu vestido champagne. Ela se aproximou de Emanuel, sentando-se no braço da poltrona dele e apoiando a mão em seu ombro.
— Você está linda, Duda — Emanuel murmurou, puxando-a para um beijo rápido na testa.
— Obrigada, Manu... — ela sussurrou, manhosa, escondendo o rosto no pescoço dele. — A moça foi tão gentil comigo.
Nesse momento, um grito agudo rasgou o ar do salão.
— O QUE É ISSO?! O QUE VOCÊ FEZ?!
Todos se viraram para a área VIP. Sara estava de pé diante do espelho, as mãos trêmulas tocando o que restava de seu cabelo. A "fórmula exclusiva" de Beatriz era, na verdade, um agente texturizador de fixação extrema misturado com tonalizante acobreado de baixa qualidade e um removedor de cola para extensões.
O loiro platinado de Sara agora era um laranja desbotado e manchado. O megahair, antes longo e volumoso, estava pendurado em tufos desengonçados, e o resto do cabelo estava arrepiado, duro como palha seca, devido ao excesso de fixador industrial que Beatriz adicionara "por engano".
— Meu cabelo... — Sara soluçava, a voz subindo uma oitava. — Está parecendo uma vassoura velha! Você me destruiu! Eu vou processar você! Eu vou acabar com esse muquifo!
Beatriz limpou as mãos em um pano branco, com uma expressão de tédio absoluto.
— Sabe, Sara, eu decidi que não quero o seu dinheiro. Na verdade, eu não quero nem a sua presença. O seu cabelo reflete exatamente o que você tem por dentro: algo artificial e maltratado.
— Emanuel! — Sara gritou, correndo em direção a ele, os saltos agulha batendo no chão. — Faça alguma coisa! Olhe para mim! Ela me sabotou!
Emanuel olhou para Sara. A visão era, para dizer o mínimo, cômica. A maquiagem dela estava borrada pelo suor de raiva, e o cabelo laranja e espetado a fazia parecer um personagem de desenho animado que acabou de sobreviver a uma explosão.
Ele tentou manter a seriedade. Ele realmente tentou. Mas a imagem de Sara, sempre tão arrogante e preocupada com a imagem, parecendo um espantalho de grife, foi demais para sua resistência.
Uma risada baixa e rouca escapou de seu peito. E então, ele gargalhou. Uma gargalhada alta e genuína que ecoou por todo o salão de luxo.
— Manu? — Eduarda perguntou, surpresa, mas logo um sorriso tímido e contido também surgiu em seus lábios ao ver a rival naquela situação deplorável.
— Você está rindo? — Sara perguntou, incrédula. — Emanuel, eu sou sua namorada!
— Sara — Emanuel disse, finalmente recuperando o fôlego, embora seus olhos ainda brilhassem de diversão —, se você tivesse passado metade do tempo sendo educada com as pessoas em vez de tentar humilhá-las, talvez seu cabelo ainda estivesse na sua cabeça.
Beatriz deu um passo à frente, apontando para a porta.
— Fora do meu salão. Agora. Emanuel, por favor, leve a Eduarda. Ela é uma joia e merece um jantar maravilhoso. Quanto à outra... recomendo uma loja de perucas. Ou uma oficina mecânica para lixar esse excesso de fixador.
— Você não pode estar falando sério! — Sara bateu o pé, mas ao ver o olhar frio e decidido de Beatriz, e o total descaso de Emanuel, ela percebeu que tinha perdido.
Ela pegou sua bolsa, cobrindo a cabeça com um lenço de seda que achou na bolsa — o que só a deixou ainda mais ridícula — e saiu pisando duro, bufando ofensas em três idiomas diferentes.
Emanuel levantou-se, ainda sorrindo, e deixou um maço de notas generoso sobre o balcão de Beatriz, muito além do valor do serviço.
— Pelo entretenimento, Beatriz — ele piscou.
— Sempre às ordens, Emanuel. Eduarda, querida, volte sempre.
Eduarda despediu-se com um aceno suave, sentindo uma leveza que raramente experimentava perto de Sara. Já do lado de fora, enquanto caminhavam para o carro, ela se aconchegou no braço de Emanuel.
— Você acha que ela vai ficar muito brava? — perguntou Eduarda, com sua doçura habitual.
Emanuel abriu a porta do carro para ela, observando-a sentar-se com a elegância de uma princesa. Ele olhou para Sara, que já estava sentada no banco de trás, choramingando e tentando desesperadamente ligar para um cabeleireiro de emergência.
— Provavelmente — Emanuel respondeu, entrando no banco do motorista e ligando o motor potente. — Mas, pela primeira vez em muito tempo, o silêncio durante o jantar vai ser maravilhoso. E você, Duda... você está perfeita.
Eduarda sorriu, encostando a cabeça no ombro dele enquanto o carro se afastava. O vernissage seria um sucesso, e pela primeira vez, ela não precisaria se preocupar com os comentários ácidos de Sara. Afinal, era difícil ser intimidadora quando se parecia com uma abóbora mal penteada.
— Eu não entendo por que temos que ir a esse lugarzinho — reclamou Sara, fechando o batom com um estalo agressivo. — Emanuel, querido, eu te falei que o meu cabeleireiro em Dubai é o único que entende a textura do meu loiro. Esse salão aqui parece... comum.
Emanuel apertou o volante, os nós dos dedos ficando brancos. Ele exalava aquela aura de controle que o tornava um dos tatuadores e empresários mais respeitados do mundo, mas lidar com suas duas namoradas era um teste de paciência que nem o gerenciamento de dez estúdios globais exigia.
— O "lugarzinho", Sara, pertence à Beatriz. Ela é a melhor visagista do país e só aceitou atender vocês hoje porque sou um cliente antigo — ele respondeu, a voz rouca e carregada de uma fadiga controlada. — E Eduarda precisa estar pronta para o vernissage da faculdade de História da Arte hoje à noite.
Eduarda inclinou a cabeça, os olhos grandes e expressivos encontrando o olhar de Emanuel pelo retrovisor.
— Eu não me importo, Manu... — murmurou ela, com aquela voz mansa que sempre amolecia a postura rígida dele. — Se for mais fácil para você, eu posso arrumar meu cabelo em casa mesmo.
— Nem pensar, boneca — Sara interrompeu, lançando um olhar de desdém para trás. — Se você for por conta própria, vai acabar parecendo uma camponesa saindo de um livro de história mofado. Deixa que os profissionais tentem dar um jeito nessa sua cara de coitada.
Eduarda baixou o olhar, as bochechas corando instantaneamente. Ela não respondeu; nunca respondia. O silêncio era sua defesa, o que só irritava Sara ainda mais.
— Chega, Sara — Emanuel sentenciou, estacionando o carro em frente à fachada minimalista e elegante do salão. — Vamos entrar. E eu quero educação. Beatriz não é uma de suas funcionárias que você distrata.
Ao entrarem, o aroma de lavanda e produtos caros preencheu o ambiente. Beatriz, uma mulher de postura impecável e olhar aguçado, já os esperava. Ela conhecia Emanuel há anos; sabia de sua fortuna, de seu temperamento sério e, principalmente, de sua configuração amorosa peculiar.
— Emanuel, que prazer — Beatriz cumprimentou, ignorando a presença ostensiva de Sara para sorrir para Eduarda. — E estas devem ser as famosas Eduarda e Sara.
— Vamos logo com isso — Sara disse, jogando a bolsa de grife sobre o balcão de recepção sem pedir licença. — Meu cabelo precisa de uma hidratação de choque, um retoque na tonalidade e nada de produtos nacionais. Eu só uso o que há de melhor, entendeu, querida?
Beatriz arqueou uma sobrancelha, o sorriso mantendo-se educado, mas os olhos brilhando com uma faísca perigosa.
— Entendo perfeitamente, senhora. Por favor, Eduarda, acompanhe minha assistente. Eu mesma cuidarei de você em um momento. Sara, venha comigo para a área VIP.
Emanuel sentou-se na poltrona de couro da espera, abrindo um tablet para conferir os lucros de seu estúdio em Londres, mas seus ouvidos estavam atentos.
Enquanto Eduarda era conduzida com extrema delicadeza para uma cadeira confortável, onde recebeu um chá de camomila e começou a conversar baixinho sobre técnicas de pintura renascentista com a assistente, o caos começou na área VIP.
— Cuidado com esse pente! Você está puxando meu megahair! — o grito de Sara ecoou pelo salão. — Você sabe quanto custou esse cabelo? É humano, importado! Mais caro que o seu salário anual, com certeza.
— Sinto muito, Sara — disse Beatriz, sua voz agora fria como gelo. — Estou apenas tentando desembaraçar os nós que a falta de cuidado adequado causou.
— Falta de cuidado? — Sara riu, uma risada seca e vulgar que atraiu olhares de outras clientes. — Eu gasto milhares de dólares em manutenção. O problema é que você deve estar acostumada a atender gente como aquela mosca morta ali fora, que mal usa um condicionador de farmácia.
Beatriz parou o que estava fazendo. Ela olhou pelo espelho e viu Eduarda, que estava sentada em silêncio, deixando que a assistente massageasse seu couro cabeludo com óleos essenciais. Eduarda parecia uma pintura; Sara parecia um pesadelo de silicone e arrogância.
— Sabe de uma coisa, Sara? — Beatriz disse, pegando uma tigela de mistura química que estava preparada em um carrinho auxiliar. — Você tem razão. Você merece um tratamento... inesquecível.
Emanuel, que observava a cena de longe, percebeu a mudança no tom de Beatriz. Ele conhecia aquele olhar. Beatriz era uma artista, e artistas não gostavam de ser insultados. Ele fechou o tablet, cruzando os braços sobre o peito tatuado, um meio sorriso começando a surgir em seus lábios.
— O que é isso que você está passando? — perguntou Sara, desconfiada, enquanto Beatriz aplicava uma pasta esverdeada e de cheiro forte em suas mechas loiras.
— É uma fórmula exclusiva, querida — mentiu Beatriz, com uma calma assustadora. — Vai remover toda a... "vulgaridade" dos fios.
— Ótimo. Pelo menos você aprendeu quem é que manda aqui.
Vinte minutos se passaram. Eduarda já estava com o cabelo seco, ondulado em ondas suaves e românticas que emolduravam seu rosto delicado. Ela parecia uma ninfa da floresta, elegante e sutilmente sexy em seu vestido champagne. Ela se aproximou de Emanuel, sentando-se no braço da poltrona dele e apoiando a mão em seu ombro.
— Você está linda, Duda — Emanuel murmurou, puxando-a para um beijo rápido na testa.
— Obrigada, Manu... — ela sussurrou, manhosa, escondendo o rosto no pescoço dele. — A moça foi tão gentil comigo.
Nesse momento, um grito agudo rasgou o ar do salão.
— O QUE É ISSO?! O QUE VOCÊ FEZ?!
Todos se viraram para a área VIP. Sara estava de pé diante do espelho, as mãos trêmulas tocando o que restava de seu cabelo. A "fórmula exclusiva" de Beatriz era, na verdade, um agente texturizador de fixação extrema misturado com tonalizante acobreado de baixa qualidade e um removedor de cola para extensões.
O loiro platinado de Sara agora era um laranja desbotado e manchado. O megahair, antes longo e volumoso, estava pendurado em tufos desengonçados, e o resto do cabelo estava arrepiado, duro como palha seca, devido ao excesso de fixador industrial que Beatriz adicionara "por engano".
— Meu cabelo... — Sara soluçava, a voz subindo uma oitava. — Está parecendo uma vassoura velha! Você me destruiu! Eu vou processar você! Eu vou acabar com esse muquifo!
Beatriz limpou as mãos em um pano branco, com uma expressão de tédio absoluto.
— Sabe, Sara, eu decidi que não quero o seu dinheiro. Na verdade, eu não quero nem a sua presença. O seu cabelo reflete exatamente o que você tem por dentro: algo artificial e maltratado.
— Emanuel! — Sara gritou, correndo em direção a ele, os saltos agulha batendo no chão. — Faça alguma coisa! Olhe para mim! Ela me sabotou!
Emanuel olhou para Sara. A visão era, para dizer o mínimo, cômica. A maquiagem dela estava borrada pelo suor de raiva, e o cabelo laranja e espetado a fazia parecer um personagem de desenho animado que acabou de sobreviver a uma explosão.
Ele tentou manter a seriedade. Ele realmente tentou. Mas a imagem de Sara, sempre tão arrogante e preocupada com a imagem, parecendo um espantalho de grife, foi demais para sua resistência.
Uma risada baixa e rouca escapou de seu peito. E então, ele gargalhou. Uma gargalhada alta e genuína que ecoou por todo o salão de luxo.
— Manu? — Eduarda perguntou, surpresa, mas logo um sorriso tímido e contido também surgiu em seus lábios ao ver a rival naquela situação deplorável.
— Você está rindo? — Sara perguntou, incrédula. — Emanuel, eu sou sua namorada!
— Sara — Emanuel disse, finalmente recuperando o fôlego, embora seus olhos ainda brilhassem de diversão —, se você tivesse passado metade do tempo sendo educada com as pessoas em vez de tentar humilhá-las, talvez seu cabelo ainda estivesse na sua cabeça.
Beatriz deu um passo à frente, apontando para a porta.
— Fora do meu salão. Agora. Emanuel, por favor, leve a Eduarda. Ela é uma joia e merece um jantar maravilhoso. Quanto à outra... recomendo uma loja de perucas. Ou uma oficina mecânica para lixar esse excesso de fixador.
— Você não pode estar falando sério! — Sara bateu o pé, mas ao ver o olhar frio e decidido de Beatriz, e o total descaso de Emanuel, ela percebeu que tinha perdido.
Ela pegou sua bolsa, cobrindo a cabeça com um lenço de seda que achou na bolsa — o que só a deixou ainda mais ridícula — e saiu pisando duro, bufando ofensas em três idiomas diferentes.
Emanuel levantou-se, ainda sorrindo, e deixou um maço de notas generoso sobre o balcão de Beatriz, muito além do valor do serviço.
— Pelo entretenimento, Beatriz — ele piscou.
— Sempre às ordens, Emanuel. Eduarda, querida, volte sempre.
Eduarda despediu-se com um aceno suave, sentindo uma leveza que raramente experimentava perto de Sara. Já do lado de fora, enquanto caminhavam para o carro, ela se aconchegou no braço de Emanuel.
— Você acha que ela vai ficar muito brava? — perguntou Eduarda, com sua doçura habitual.
Emanuel abriu a porta do carro para ela, observando-a sentar-se com a elegância de uma princesa. Ele olhou para Sara, que já estava sentada no banco de trás, choramingando e tentando desesperadamente ligar para um cabeleireiro de emergência.
— Provavelmente — Emanuel respondeu, entrando no banco do motorista e ligando o motor potente. — Mas, pela primeira vez em muito tempo, o silêncio durante o jantar vai ser maravilhoso. E você, Duda... você está perfeita.
Eduarda sorriu, encostando a cabeça no ombro dele enquanto o carro se afastava. O vernissage seria um sucesso, e pela primeira vez, ela não precisaria se preocupar com os comentários ácidos de Sara. Afinal, era difícil ser intimidadora quando se parecia com uma abóbora mal penteada.
