
← Voltar à lista de fanfics
0 curtida
Veneno bom
Fandom: Não tem
Criado: 26/05/2026
Tags
FantasiaAçãoDramaSobrevivênciaNoirAventuraDistopia
Entre o Sangue e o Silêncio
A névoa da meia-noite rastejava pelas ruas desertas do distrito industrial, abraçando as carcaças de metal dos galpões abandonados. O silêncio era absoluto, interrompido apenas pelo gotejar rítmico de uma calha furada e pelo som abafado de botas contra o asfalto úmido.
Dark parou sob a luz bruxuleante de um poste solitário. Suas orelhas de raposa, cobertas por uma pelagem vermelha intensa que combinava perfeitamente com o tom de seus cabelos longos, moveram-se levemente, captando um ruído que nenhum humano seria capaz de ouvir. Ela ajustou o vestido preto e colado ao corpo, sentindo o tecido frio contra a pele, enquanto sua cauda felpuda balançava devagar, denunciando uma ansiedade que seus olhos azuis tentavam esconder.
Ela sabia que não estava sozinha. O cheiro de pinho e tempestade — o cheiro de Zoe — estava impregnado no ar.
— Eu sei que você está aí, lobinha — disse Dark, sua voz carregada de uma ironia cortante que ecoou pelas paredes de tijolos aparentes. — Não precisa se esconder nas sombras como se fôssemos estranhas.
Houve um movimento brusco no topo de um contêiner enferrujado. Uma silhueta ágil saltou, aterrissando com a leveza de um predador a poucos metros de distância. Zoe se levantou devagar, limpando a poeira das calças escuras. A blusa preta curta revelava a tatuagem de runas em seu abdômen, e seus cabelos verdes e curtos brilhavam sob a luz pálida, emoldurando um rosto marcado por uma expressão de puro desdém.
— Estranhas? — Zoe rosnou, suas orelhas de lobo se achatando contra a cabeça. — Depois da última vez, eu diria que somos inimigas declaradas. Você ainda tem a cicatriz que eu deixei no seu ombro?
Dark soltou uma risada anasalada, cruzando os braços e fazendo o vestido apertar ainda mais em suas curvas.
— Ah, aquela coisinha? Já cicatrizou. Mas a marca de mordida que eu deixei na sua perna... — Dark inclinou a cabeça, os olhos azuis faiscando de malícia. — Aposto que ainda dói quando o tempo esfria.
Zoe cerrou os punhos, seus olhos vermelhos brilhando intensamente na escuridão, como duas brasas prontas para incendiar a noite.
— Você tem muita coragem de aparecer aqui, Dark. Eu avisei que, se cruzasse meu caminho de novo, eu não iria me segurar.
— E desde quando você se segura, Zoe? — Dark deu um passo à frente, a cauda de raposa chicoteando o ar com elegância. — Você sempre foi puro instinto e pouca estratégia. É por isso que sempre acaba perdendo para mim.
— Perder? — Zoe avançou, diminuindo a distância entre elas até que pudessem sentir o calor uma da outra. — Você fugiu! Aquilo não foi uma vitória, foi uma retirada estratégica de uma covarde.
— Eu chamo de sobrevivência — retrucou a raposa, mantendo o olhar firme. — Mas não vim aqui para lutar. Pelo menos, não agora.
Zoe soltou um bufo de descrença, mas não recuou. Seus olhos vermelhos percorreram o rosto de Dark, buscando qualquer sinal de mentira. O ódio ainda fervia entre elas, uma tensão quase palpável que fazia os pelos de seus braços se arrepiarem, mas havia algo mais. Uma conexão antiga, forjada em anos de rivalidade e momentos de uma trégua que ambas preferiam esquecer.
— Então por que veio? — perguntou a loba, a voz agora mais baixa, mas não menos perigosa. — Para desfilar esse vestido caro em um lixão?
— Vim porque os caçadores estão se movendo — respondeu Dark, a seriedade substituindo a provocação. — Eles encontraram o esconderijo da floresta leste. Se pegarem um de nós, vão chegar a todos.
Zoe ficou tensa. A rivalidade entre as duas era pessoal, mas a ameaça dos humanos que as perseguiam por serem o que eram — híbridas, aberrações aos olhos do mundo — era universal.
— Eu não preciso da sua ajuda para lidar com humanos — disse Zoe, embora o tremor quase imperceptível em sua cauda de lobo traísse sua preocupação.
— Sozinha, você é apenas um alvo grande — Dark retrucou, aproximando-se ainda mais, até que seus narizes quase se tocassem. — Juntas... bem, juntas nós somos o pesadelo deles.
Zoe desviou o olhar por um momento, observando a névoa. A lembrança da última briga delas ainda estava fresca: garras, dentes, sangue e gritos em meio à chuva. Elas quase se mataram por causa de um território que agora nem importava mais.
— Por que eu deveria confiar em você? — Zoe perguntou, voltando a encarar os olhos azuis de Dark. — Você me traiu uma vez.
— Eu fiz o que precisava ser feito para nos manter vivas — Dark disse, sua voz suavizando pela primeira vez. — E faria de novo. Mas agora, a escala é outra. Se você cair, eu perco a única pessoa neste mundo que vale a pena odiar.
Zoe soltou um suspiro pesado, a tensão em seus ombros cedendo minimamente.
— Você é irritante, Dark. Sabia disso?
— É o meu maior charme — a raposa sorriu, um sorriso genuíno que não chegava a ser sarcástico.
— Se você tentar qualquer gracinha — Zoe apontou um dedo para o peito de Dark —, eu juro que arranco essa sua cauda felpuda e faço um cachecol.
— Tente a sorte, lobinha — Dark piscou, afastando-se um pouco para dar espaço. — Então, estamos de acordo? Uma trégua temporária?
Zoe olhou para a própria mão e depois para a de Dark, que estava estendida. O contraste era evidente: a pele pálida e delicada da raposa contra a mão calejada e forte da loba.
— Uma trégua — Zoe apertou a mão dela com força, os olhos vermelhos encontrando os azuis. — Mas só até os caçadores serem eliminados. Depois disso, eu ainda vou te cobrar aquela dívida.
— Mal posso esperar — murmurou Dark, sentindo a adrenalina correr por suas veias.
O silêncio voltou a reinar no distrito industrial, mas agora era um silêncio compartilhado. Elas se viraram para a escuridão, duas predadoras de espécies diferentes, unidas pela necessidade e separadas pelo orgulho.
— Por onde começamos? — perguntou Zoe, ajustando a posição de sua blusa curta e preparando-se para correr.
— Pelo porto — Dark apontou para o sul, onde as luzes da cidade grande brilhavam ao longe. — Ouvi dizer que eles estão estocando armas de prata lá.
Zoe mostrou os dentes em um sorriso feroz, a empolgação da caça começando a dominar seus sentidos.
— Prata? — A loba soltou um rosnado baixo. — Eles vão precisar de muito mais do que prata para nos parar.
— É assim que se fala — Dark começou a correr, seus movimentos fluidos e graciosos como uma sombra vermelha atravessando a noite. — Tente me acompanhar, se conseguir!
Zoe soltou um uivo curto e saltou logo atrás, a força bruta de suas pernas de lobo impulsionando-a com uma velocidade impressionante. A rivalidade ainda estava lá, queimando como um fogo lento, mas, por aquela noite, a lua seria testemunha de uma aliança improvável.
Enquanto atravessavam os telhados e becos, a raposa de vestido preto e a loba de cabelos verdes deixavam para trás os fantasmas de sua última briga. O mundo era um lugar perigoso para criaturas como elas, mas enquanto estivessem correndo lado a lado, o perigo parecia apenas um detalhe divertido em meio ao caos.
Dark olhou de soslaio para Zoe e viu o reflexo da lua nos olhos vermelhos da amiga — ou inimiga, a linha era tênue demais. Ela sabia que, no fundo, nenhuma das duas queria realmente o fim daquela dança de rivalidade. Afinal, o que seria da raposa sem o lobo para caçá-la? E o que seria do lobo sem a raposa para desafiá-lo?
A noite estava apenas começando, e o sangue que seria derramado não seria o delas.
Dark parou sob a luz bruxuleante de um poste solitário. Suas orelhas de raposa, cobertas por uma pelagem vermelha intensa que combinava perfeitamente com o tom de seus cabelos longos, moveram-se levemente, captando um ruído que nenhum humano seria capaz de ouvir. Ela ajustou o vestido preto e colado ao corpo, sentindo o tecido frio contra a pele, enquanto sua cauda felpuda balançava devagar, denunciando uma ansiedade que seus olhos azuis tentavam esconder.
Ela sabia que não estava sozinha. O cheiro de pinho e tempestade — o cheiro de Zoe — estava impregnado no ar.
— Eu sei que você está aí, lobinha — disse Dark, sua voz carregada de uma ironia cortante que ecoou pelas paredes de tijolos aparentes. — Não precisa se esconder nas sombras como se fôssemos estranhas.
Houve um movimento brusco no topo de um contêiner enferrujado. Uma silhueta ágil saltou, aterrissando com a leveza de um predador a poucos metros de distância. Zoe se levantou devagar, limpando a poeira das calças escuras. A blusa preta curta revelava a tatuagem de runas em seu abdômen, e seus cabelos verdes e curtos brilhavam sob a luz pálida, emoldurando um rosto marcado por uma expressão de puro desdém.
— Estranhas? — Zoe rosnou, suas orelhas de lobo se achatando contra a cabeça. — Depois da última vez, eu diria que somos inimigas declaradas. Você ainda tem a cicatriz que eu deixei no seu ombro?
Dark soltou uma risada anasalada, cruzando os braços e fazendo o vestido apertar ainda mais em suas curvas.
— Ah, aquela coisinha? Já cicatrizou. Mas a marca de mordida que eu deixei na sua perna... — Dark inclinou a cabeça, os olhos azuis faiscando de malícia. — Aposto que ainda dói quando o tempo esfria.
Zoe cerrou os punhos, seus olhos vermelhos brilhando intensamente na escuridão, como duas brasas prontas para incendiar a noite.
— Você tem muita coragem de aparecer aqui, Dark. Eu avisei que, se cruzasse meu caminho de novo, eu não iria me segurar.
— E desde quando você se segura, Zoe? — Dark deu um passo à frente, a cauda de raposa chicoteando o ar com elegância. — Você sempre foi puro instinto e pouca estratégia. É por isso que sempre acaba perdendo para mim.
— Perder? — Zoe avançou, diminuindo a distância entre elas até que pudessem sentir o calor uma da outra. — Você fugiu! Aquilo não foi uma vitória, foi uma retirada estratégica de uma covarde.
— Eu chamo de sobrevivência — retrucou a raposa, mantendo o olhar firme. — Mas não vim aqui para lutar. Pelo menos, não agora.
Zoe soltou um bufo de descrença, mas não recuou. Seus olhos vermelhos percorreram o rosto de Dark, buscando qualquer sinal de mentira. O ódio ainda fervia entre elas, uma tensão quase palpável que fazia os pelos de seus braços se arrepiarem, mas havia algo mais. Uma conexão antiga, forjada em anos de rivalidade e momentos de uma trégua que ambas preferiam esquecer.
— Então por que veio? — perguntou a loba, a voz agora mais baixa, mas não menos perigosa. — Para desfilar esse vestido caro em um lixão?
— Vim porque os caçadores estão se movendo — respondeu Dark, a seriedade substituindo a provocação. — Eles encontraram o esconderijo da floresta leste. Se pegarem um de nós, vão chegar a todos.
Zoe ficou tensa. A rivalidade entre as duas era pessoal, mas a ameaça dos humanos que as perseguiam por serem o que eram — híbridas, aberrações aos olhos do mundo — era universal.
— Eu não preciso da sua ajuda para lidar com humanos — disse Zoe, embora o tremor quase imperceptível em sua cauda de lobo traísse sua preocupação.
— Sozinha, você é apenas um alvo grande — Dark retrucou, aproximando-se ainda mais, até que seus narizes quase se tocassem. — Juntas... bem, juntas nós somos o pesadelo deles.
Zoe desviou o olhar por um momento, observando a névoa. A lembrança da última briga delas ainda estava fresca: garras, dentes, sangue e gritos em meio à chuva. Elas quase se mataram por causa de um território que agora nem importava mais.
— Por que eu deveria confiar em você? — Zoe perguntou, voltando a encarar os olhos azuis de Dark. — Você me traiu uma vez.
— Eu fiz o que precisava ser feito para nos manter vivas — Dark disse, sua voz suavizando pela primeira vez. — E faria de novo. Mas agora, a escala é outra. Se você cair, eu perco a única pessoa neste mundo que vale a pena odiar.
Zoe soltou um suspiro pesado, a tensão em seus ombros cedendo minimamente.
— Você é irritante, Dark. Sabia disso?
— É o meu maior charme — a raposa sorriu, um sorriso genuíno que não chegava a ser sarcástico.
— Se você tentar qualquer gracinha — Zoe apontou um dedo para o peito de Dark —, eu juro que arranco essa sua cauda felpuda e faço um cachecol.
— Tente a sorte, lobinha — Dark piscou, afastando-se um pouco para dar espaço. — Então, estamos de acordo? Uma trégua temporária?
Zoe olhou para a própria mão e depois para a de Dark, que estava estendida. O contraste era evidente: a pele pálida e delicada da raposa contra a mão calejada e forte da loba.
— Uma trégua — Zoe apertou a mão dela com força, os olhos vermelhos encontrando os azuis. — Mas só até os caçadores serem eliminados. Depois disso, eu ainda vou te cobrar aquela dívida.
— Mal posso esperar — murmurou Dark, sentindo a adrenalina correr por suas veias.
O silêncio voltou a reinar no distrito industrial, mas agora era um silêncio compartilhado. Elas se viraram para a escuridão, duas predadoras de espécies diferentes, unidas pela necessidade e separadas pelo orgulho.
— Por onde começamos? — perguntou Zoe, ajustando a posição de sua blusa curta e preparando-se para correr.
— Pelo porto — Dark apontou para o sul, onde as luzes da cidade grande brilhavam ao longe. — Ouvi dizer que eles estão estocando armas de prata lá.
Zoe mostrou os dentes em um sorriso feroz, a empolgação da caça começando a dominar seus sentidos.
— Prata? — A loba soltou um rosnado baixo. — Eles vão precisar de muito mais do que prata para nos parar.
— É assim que se fala — Dark começou a correr, seus movimentos fluidos e graciosos como uma sombra vermelha atravessando a noite. — Tente me acompanhar, se conseguir!
Zoe soltou um uivo curto e saltou logo atrás, a força bruta de suas pernas de lobo impulsionando-a com uma velocidade impressionante. A rivalidade ainda estava lá, queimando como um fogo lento, mas, por aquela noite, a lua seria testemunha de uma aliança improvável.
Enquanto atravessavam os telhados e becos, a raposa de vestido preto e a loba de cabelos verdes deixavam para trás os fantasmas de sua última briga. O mundo era um lugar perigoso para criaturas como elas, mas enquanto estivessem correndo lado a lado, o perigo parecia apenas um detalhe divertido em meio ao caos.
Dark olhou de soslaio para Zoe e viu o reflexo da lua nos olhos vermelhos da amiga — ou inimiga, a linha era tênue demais. Ela sabia que, no fundo, nenhuma das duas queria realmente o fim daquela dança de rivalidade. Afinal, o que seria da raposa sem o lobo para caçá-la? E o que seria do lobo sem a raposa para desafiá-lo?
A noite estava apenas começando, e o sangue que seria derramado não seria o delas.
