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Sweet Ruin
Fandom: The Originals
Criado: 26/05/2026
Tags
HistóricoRomanceDramaGótico SulistaCrossoverCiúmesEstudo de PersonagemPsicológicoSombrioSuspenseAngústiaTragédiaFantasiaAção
Lama e Seda
O sol da Louisiana era um carrasco impiedoso, mesmo quando começava a se esconder atrás das copas densas dos ciprestes. O ar pesava, saturado com o cheiro de terra úmida e o perfume doce e enjoativo das magnólias. Genevieve Gerard, entretanto, não parecia se importar com o calor que ameaçava desmanchar seus cachos perfeitos. Ela caminhava com a agilidade de quem conhecia cada raiz exposta daquele pântano, segurando as saias de seu vestido de seda azul-celeste — uma peça caríssima vinda diretamente de Paris — com um desdém real pela integridade do tecido.
Ela estava atrasada, e Genevieve não gostava de esperar, muito menos de ser esperada. Mas para Julian, ela abria exceções.
Ao chegar à clareira escondida atrás das cavalariças da guarnição, ela o viu. Julian Di Laurentis estava encostado em uma árvore, o uniforme da guarda colonial francesa ligeiramente desabotoado no pescoço. Ele parecia um elemento intrínseco àquela terra: rústico, forte e desprovido das afetações que Genevieve tanto desprezava nos pretendentes que seu pai empurrava em sua direção.
— Você arrisca muito vindo até aqui com esse traje, Vieve — disse Julian, um sorriso de adoração iluminando seu rosto bronzeado assim que ela se aproximou.
— O risco é metade do prazer, Julian — respondeu ela, deixando que ele envolvesse sua cintura e a puxasse para perto. — Além disso, quem ousaria questionar a filha do Governador? Se eu disser que decidi caçar borboletas no lamaçal, eles apenas me trarão uma rede de prata.
Julian riu, um som baixo e rouco que vibrou contra o peito de Genevieve. Ele a beijou com uma urgência que falava de saudade e do medo constante de serem descobertos. Para Genevieve, Julian era sua âncora de realidade em um mundo de aparências; para ele, ela era uma divindade intocável que, por algum milagre, permitia-se ser amada por um soldado comum.
— Meu pai está em êxtase com a chegada de novos investidores europeus — sussurrou ela entre beijos, as mãos pequenas perdidas nos cabelos castanhos dele. — Diz que são nobres de linhagem antiga. Dinheiro velho, Julian. O tipo de coisa que faz os olhos dele brilharem mais que o ouro.
— Apenas tome cuidado — Julian alertou, o semblante subitamente sério. — Homens com tanto poder costumam trazer sombras compridas.
Genevieve revirou os olhos, afastando-se apenas o suficiente para ajeitar o espartilho.
— Eu sei lidar com homens ambiciosos. Eu lido com meu pai todos os dias, não? Agora, preciso ir. Se Emil notar minha ausência por mais dez minutos, ele enviará metade do regimento atrás de mim.
Com um último selinho e a promessa de um encontro secreto no próximo baile, Genevieve partiu. Ela tentou ser cuidadosa, mas o terreno instável da colônia não perdoava. Ao pular uma poça particularmente traiçoeira perto da entrada lateral da mansão, a barra de seu vestido chicoteou contra o solo lodoso, manchando a seda clara com uma marca marrom e persistente.
— Maldição — sibilou ela, limpando as mãos e tentando recompor a postura de boneca de porcelana antes de entrar.
Ao cruzar o grande hall de entrada da residência dos Gerard, o silêncio habitual da tarde fora substituído por um burburinho de vozes desconhecidas e a tensão elétrica que precedia grandes eventos. A iluminação dos candelabros de cristal parecia mais intensa, refletindo-se no piso de mármore impecável.
— Genevieve! Finalmente — a voz do Governador Gerard ecoou, carregada de uma autoridade que tentava mascarar o nervosismo.
O pai dela estava parado no centro do salão, vestindo sua casaca mais formal e a peruca empoada perfeitamente alinhada. Ao lado dele, Emil, seu irmão, mantinha uma postura rígida, embora seus olhos castanhos brilhassem com uma curiosidade protetora ao ver a irmã chegar. Mas não foram os familiares que prenderam a atenção de Genevieve.
Eram os três estranhos que ocupavam o espaço como se fossem donos de cada tijolo daquela mansão.
— Onde você estava, minha filha? — perguntou o Governador, aproximando-se. Seus olhos baixaram para a barra do vestido dela. — E o que é isso? Lama?
Genevieve não vacilou. Ela ergueu o queixo, permitindo que um sorriso petulante surgisse em seus lábios.
— O jardim de rosas está um horror, papai. Eu disse aos jardineiros que as mudas francesas não suportariam a umidade, mas ninguém me ouve. Fui verificar pessoalmente se as minhas flores favoritas ainda respiram.
— Uma dedicação admirável à botânica — uma voz masculina, rica e tingida de um sarcasmo cortante, cortou o ar.
Genevieve desviou o olhar para o homem que falava. Ele era jovem, com cabelos loiros cacheados e olhos claros que pareciam ler cada segredo escondido sob sua pele. Ele vestia veludo e linho com uma elegância predatória, e o sorriso em seu rosto era tudo, menos amigável.
— Genevieve, permita-me apresentar nossos convidados de honra, que residirão conosco temporariamente enquanto estabelecem seus negócios na Louisiana — disse o Governador, gesticulando com as mãos trêmulas de empolgação. — Estes são os senhores Mikaelson. Lorde Elijah, Lorde Niklaus e a Lady Rebekah.
O homem mais velho, Elijah, deu um passo à frente e inclinou a cabeça com uma fidalguia impecável, pegando a mão de Genevieve e depositando um beijo casto no ar acima de seus dedos.
— É um prazer imenso, Mademoiselle Gerard. A beleza da colônia parece ter sido subestimada em todos os relatos que ouvimos na Europa.
— O senhor é muito gentil, Lorde Elijah — respondeu Genevieve, suavizando a expressão. Ela reconhecia a verdadeira nobreza quando a via, e Elijah exalava uma dignidade que exigia respeito.
— E eu sou Rebekah — a loira ao lado dele se aproximou, os olhos brilhando com um divertimento cúmplice ao notar a mancha de lama no vestido de Genevieve. — Devo dizer que concordo com você sobre o jardim. Este clima é um castigo para qualquer guarda-roupa decente.
Genevieve sentiu uma simpatia imediata pela mulher. Havia algo de vibrante e rebelde em Rebekah que ressoava com sua própria natureza.
— Espero que tenha trazido muitos baús, Lady Rebekah. Vamos precisar de cada centímetro de seda para sobreviver a este lugar — disse Genevieve, ganhando um riso genuíno da outra.
— E este — o Governador continuou, apontando para o homem loiro que ainda a encarava com deboche — é Niklaus.
Klaus não se curvou. Ele deu um passo à frente, as mãos cruzadas atrás das costas, circulando Genevieve como um lobo avaliando uma presa particularmente barulhenta.
— Então esta é a famosa joia da coroa de Nova Orleans? — Klaus perguntou, sua voz baixa e provocadora. — Eu esperava algo mais... imaculado. Mas vejo que a princesa gosta de sujar as mãos. Ou seriam os joelhos?
O sangue de Genevieve ferveu instantaneamente. A audácia daquele homem, a forma como ele a olhava — como se ela fosse um brinquedo interessante, mas defeituoso — era insuportável.
— O senhor deve estar acostumado com as damas de Londres, que passam o dia definhando em sofás de desmaio, Lorde Niklaus — rebateu ela, os olhos azuis faiscando em fúria. — Aqui na colônia, nós temos espinha dorsal. E eu garanto que minha "lama" é muito mais honesta do que a cortesia barata que o senhor trouxe na bagagem.
Um silêncio tenso caiu sobre o salão. O Governador empalideceu, e Emil deu um passo à frente, a mão instintivamente repousando no punho de sua espada.
— Genevieve! — repreendeu o pai, horrorizado.
Klaus, no entanto, soltou uma gargalhada curta e seca. O som não era de ofensa, mas de um deleite perigoso.
— Ela tem garras, Elijah. Que adorável — Klaus comentou, sem desviar os olhos de Genevieve. — Eu sempre preferi as criaturas que lutam antes de serem domadas.
— Eu não sou uma criatura, e certamente não sou algo que o senhor, ou qualquer outro, tenha a capacidade de domar — Genevieve declarou, cada palavra gotejando veneno.
— Niklaus, por favor — Elijah interveio, sua voz como veludo sobre navalhas, lançando um olhar de aviso ao irmão. — Peço desculpas pela falta de modos de Niklaus. A viagem marítima costuma exacerbar seus piores instintos.
— Não há necessidade de desculpas, Lorde Elijah — disse Emil, intervindo com firmeza. — Minha irmã é apenas muito zelosa com sua posição. Emil Gerard, ao seu dispor.
Enquanto os homens começavam uma conversa formal sobre as acomodações e o carregamento de ouro que os Mikaelson haviam trazido, Rebekah se aproximou de Genevieve, enganchando seu braço no dela.
— Não ligue para o Nik — sussurrou Rebekah, enquanto caminhavam em direção à escadaria. — Ele é um tédio quando quer chamar atenção. Mas confesso, nunca vi ninguém falar com ele daquela forma e manter a cabeça sobre os ombros. Gostei de você, Vee.
— Ele é um animal — Genevieve respondeu em voz baixa, embora sentisse o olhar de Klaus queimando em suas costas enquanto subia os degraus. — Um animal muito bem vestido, mas ainda assim, um animal.
— Oh, você não tem ideia — Rebekah sorriu de uma forma enigmática. — Mas me diga, essa lama no seu vestido... não me parece ter vindo de um canteiro de rosas. Onde fica esse seu "jardim" secreto?
Genevieve olhou para a nova aliada. O segredo de Julian era perigoso, mas algo na solidão compartilhada que viu nos olhos de Rebekah a fez confiar.
— Em um lugar onde Lordes pretensiosos não são convidados — respondeu Genevieve, recuperando seu sorriso arrogante.
Lá embaixo, Niklaus Mikaelson observava a silhueta da filha do Governador desaparecer no andar superior. Ele serviu-se de um copo de conhaque da cristaleira dos Gerard, girando o líquido âmbar.
— Uma criança mimada, Niklaus — Elijah comentou, aproximando-se do irmão. — Não cause problemas com a família do Governador. Precisamos da influência deles para estabilizar a cidade.
— Mimada, sim — Klaus concordou, um brilho obsessivo surgindo em seus olhos felinos. — Orgulhosa, irritante e absolutamente furiosa. Ela me odeia, Elijah. E eu ainda nem comecei a dar motivos reais para isso.
Ele levou o copo aos lábios, o sorriso sarcástico voltando ao rosto.
— Nova Orleans acabou de se tornar muito mais interessante.
Enquanto isso, em seu quarto, Genevieve arrancava o vestido manchado com uma fúria trêmula. Ela odiava Niklaus Mikaelson. Odiava o modo como ele a fazia se sentir pequena e, ao mesmo tempo, estranhamente alerta. Mas enquanto olhava pela janela em direção à floresta onde Julian a esperaria novamente, ela jurou a si mesma que nenhum nobre europeu, por mais rico ou intimidador que fosse, tiraria dela o controle de seu próprio destino.
Ela era Genevieve Gerard. E naquela colônia, a única vontade que importava era a dela.
Ela estava atrasada, e Genevieve não gostava de esperar, muito menos de ser esperada. Mas para Julian, ela abria exceções.
Ao chegar à clareira escondida atrás das cavalariças da guarnição, ela o viu. Julian Di Laurentis estava encostado em uma árvore, o uniforme da guarda colonial francesa ligeiramente desabotoado no pescoço. Ele parecia um elemento intrínseco àquela terra: rústico, forte e desprovido das afetações que Genevieve tanto desprezava nos pretendentes que seu pai empurrava em sua direção.
— Você arrisca muito vindo até aqui com esse traje, Vieve — disse Julian, um sorriso de adoração iluminando seu rosto bronzeado assim que ela se aproximou.
— O risco é metade do prazer, Julian — respondeu ela, deixando que ele envolvesse sua cintura e a puxasse para perto. — Além disso, quem ousaria questionar a filha do Governador? Se eu disser que decidi caçar borboletas no lamaçal, eles apenas me trarão uma rede de prata.
Julian riu, um som baixo e rouco que vibrou contra o peito de Genevieve. Ele a beijou com uma urgência que falava de saudade e do medo constante de serem descobertos. Para Genevieve, Julian era sua âncora de realidade em um mundo de aparências; para ele, ela era uma divindade intocável que, por algum milagre, permitia-se ser amada por um soldado comum.
— Meu pai está em êxtase com a chegada de novos investidores europeus — sussurrou ela entre beijos, as mãos pequenas perdidas nos cabelos castanhos dele. — Diz que são nobres de linhagem antiga. Dinheiro velho, Julian. O tipo de coisa que faz os olhos dele brilharem mais que o ouro.
— Apenas tome cuidado — Julian alertou, o semblante subitamente sério. — Homens com tanto poder costumam trazer sombras compridas.
Genevieve revirou os olhos, afastando-se apenas o suficiente para ajeitar o espartilho.
— Eu sei lidar com homens ambiciosos. Eu lido com meu pai todos os dias, não? Agora, preciso ir. Se Emil notar minha ausência por mais dez minutos, ele enviará metade do regimento atrás de mim.
Com um último selinho e a promessa de um encontro secreto no próximo baile, Genevieve partiu. Ela tentou ser cuidadosa, mas o terreno instável da colônia não perdoava. Ao pular uma poça particularmente traiçoeira perto da entrada lateral da mansão, a barra de seu vestido chicoteou contra o solo lodoso, manchando a seda clara com uma marca marrom e persistente.
— Maldição — sibilou ela, limpando as mãos e tentando recompor a postura de boneca de porcelana antes de entrar.
Ao cruzar o grande hall de entrada da residência dos Gerard, o silêncio habitual da tarde fora substituído por um burburinho de vozes desconhecidas e a tensão elétrica que precedia grandes eventos. A iluminação dos candelabros de cristal parecia mais intensa, refletindo-se no piso de mármore impecável.
— Genevieve! Finalmente — a voz do Governador Gerard ecoou, carregada de uma autoridade que tentava mascarar o nervosismo.
O pai dela estava parado no centro do salão, vestindo sua casaca mais formal e a peruca empoada perfeitamente alinhada. Ao lado dele, Emil, seu irmão, mantinha uma postura rígida, embora seus olhos castanhos brilhassem com uma curiosidade protetora ao ver a irmã chegar. Mas não foram os familiares que prenderam a atenção de Genevieve.
Eram os três estranhos que ocupavam o espaço como se fossem donos de cada tijolo daquela mansão.
— Onde você estava, minha filha? — perguntou o Governador, aproximando-se. Seus olhos baixaram para a barra do vestido dela. — E o que é isso? Lama?
Genevieve não vacilou. Ela ergueu o queixo, permitindo que um sorriso petulante surgisse em seus lábios.
— O jardim de rosas está um horror, papai. Eu disse aos jardineiros que as mudas francesas não suportariam a umidade, mas ninguém me ouve. Fui verificar pessoalmente se as minhas flores favoritas ainda respiram.
— Uma dedicação admirável à botânica — uma voz masculina, rica e tingida de um sarcasmo cortante, cortou o ar.
Genevieve desviou o olhar para o homem que falava. Ele era jovem, com cabelos loiros cacheados e olhos claros que pareciam ler cada segredo escondido sob sua pele. Ele vestia veludo e linho com uma elegância predatória, e o sorriso em seu rosto era tudo, menos amigável.
— Genevieve, permita-me apresentar nossos convidados de honra, que residirão conosco temporariamente enquanto estabelecem seus negócios na Louisiana — disse o Governador, gesticulando com as mãos trêmulas de empolgação. — Estes são os senhores Mikaelson. Lorde Elijah, Lorde Niklaus e a Lady Rebekah.
O homem mais velho, Elijah, deu um passo à frente e inclinou a cabeça com uma fidalguia impecável, pegando a mão de Genevieve e depositando um beijo casto no ar acima de seus dedos.
— É um prazer imenso, Mademoiselle Gerard. A beleza da colônia parece ter sido subestimada em todos os relatos que ouvimos na Europa.
— O senhor é muito gentil, Lorde Elijah — respondeu Genevieve, suavizando a expressão. Ela reconhecia a verdadeira nobreza quando a via, e Elijah exalava uma dignidade que exigia respeito.
— E eu sou Rebekah — a loira ao lado dele se aproximou, os olhos brilhando com um divertimento cúmplice ao notar a mancha de lama no vestido de Genevieve. — Devo dizer que concordo com você sobre o jardim. Este clima é um castigo para qualquer guarda-roupa decente.
Genevieve sentiu uma simpatia imediata pela mulher. Havia algo de vibrante e rebelde em Rebekah que ressoava com sua própria natureza.
— Espero que tenha trazido muitos baús, Lady Rebekah. Vamos precisar de cada centímetro de seda para sobreviver a este lugar — disse Genevieve, ganhando um riso genuíno da outra.
— E este — o Governador continuou, apontando para o homem loiro que ainda a encarava com deboche — é Niklaus.
Klaus não se curvou. Ele deu um passo à frente, as mãos cruzadas atrás das costas, circulando Genevieve como um lobo avaliando uma presa particularmente barulhenta.
— Então esta é a famosa joia da coroa de Nova Orleans? — Klaus perguntou, sua voz baixa e provocadora. — Eu esperava algo mais... imaculado. Mas vejo que a princesa gosta de sujar as mãos. Ou seriam os joelhos?
O sangue de Genevieve ferveu instantaneamente. A audácia daquele homem, a forma como ele a olhava — como se ela fosse um brinquedo interessante, mas defeituoso — era insuportável.
— O senhor deve estar acostumado com as damas de Londres, que passam o dia definhando em sofás de desmaio, Lorde Niklaus — rebateu ela, os olhos azuis faiscando em fúria. — Aqui na colônia, nós temos espinha dorsal. E eu garanto que minha "lama" é muito mais honesta do que a cortesia barata que o senhor trouxe na bagagem.
Um silêncio tenso caiu sobre o salão. O Governador empalideceu, e Emil deu um passo à frente, a mão instintivamente repousando no punho de sua espada.
— Genevieve! — repreendeu o pai, horrorizado.
Klaus, no entanto, soltou uma gargalhada curta e seca. O som não era de ofensa, mas de um deleite perigoso.
— Ela tem garras, Elijah. Que adorável — Klaus comentou, sem desviar os olhos de Genevieve. — Eu sempre preferi as criaturas que lutam antes de serem domadas.
— Eu não sou uma criatura, e certamente não sou algo que o senhor, ou qualquer outro, tenha a capacidade de domar — Genevieve declarou, cada palavra gotejando veneno.
— Niklaus, por favor — Elijah interveio, sua voz como veludo sobre navalhas, lançando um olhar de aviso ao irmão. — Peço desculpas pela falta de modos de Niklaus. A viagem marítima costuma exacerbar seus piores instintos.
— Não há necessidade de desculpas, Lorde Elijah — disse Emil, intervindo com firmeza. — Minha irmã é apenas muito zelosa com sua posição. Emil Gerard, ao seu dispor.
Enquanto os homens começavam uma conversa formal sobre as acomodações e o carregamento de ouro que os Mikaelson haviam trazido, Rebekah se aproximou de Genevieve, enganchando seu braço no dela.
— Não ligue para o Nik — sussurrou Rebekah, enquanto caminhavam em direção à escadaria. — Ele é um tédio quando quer chamar atenção. Mas confesso, nunca vi ninguém falar com ele daquela forma e manter a cabeça sobre os ombros. Gostei de você, Vee.
— Ele é um animal — Genevieve respondeu em voz baixa, embora sentisse o olhar de Klaus queimando em suas costas enquanto subia os degraus. — Um animal muito bem vestido, mas ainda assim, um animal.
— Oh, você não tem ideia — Rebekah sorriu de uma forma enigmática. — Mas me diga, essa lama no seu vestido... não me parece ter vindo de um canteiro de rosas. Onde fica esse seu "jardim" secreto?
Genevieve olhou para a nova aliada. O segredo de Julian era perigoso, mas algo na solidão compartilhada que viu nos olhos de Rebekah a fez confiar.
— Em um lugar onde Lordes pretensiosos não são convidados — respondeu Genevieve, recuperando seu sorriso arrogante.
Lá embaixo, Niklaus Mikaelson observava a silhueta da filha do Governador desaparecer no andar superior. Ele serviu-se de um copo de conhaque da cristaleira dos Gerard, girando o líquido âmbar.
— Uma criança mimada, Niklaus — Elijah comentou, aproximando-se do irmão. — Não cause problemas com a família do Governador. Precisamos da influência deles para estabilizar a cidade.
— Mimada, sim — Klaus concordou, um brilho obsessivo surgindo em seus olhos felinos. — Orgulhosa, irritante e absolutamente furiosa. Ela me odeia, Elijah. E eu ainda nem comecei a dar motivos reais para isso.
Ele levou o copo aos lábios, o sorriso sarcástico voltando ao rosto.
— Nova Orleans acabou de se tornar muito mais interessante.
Enquanto isso, em seu quarto, Genevieve arrancava o vestido manchado com uma fúria trêmula. Ela odiava Niklaus Mikaelson. Odiava o modo como ele a fazia se sentir pequena e, ao mesmo tempo, estranhamente alerta. Mas enquanto olhava pela janela em direção à floresta onde Julian a esperaria novamente, ela jurou a si mesma que nenhum nobre europeu, por mais rico ou intimidador que fosse, tiraria dela o controle de seu próprio destino.
Ela era Genevieve Gerard. E naquela colônia, a única vontade que importava era a dela.
