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Criado: 26/05/2026

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Entre Laços de Seda e Espinhos de Ferro

O ar no luxuoso loft de Emanuel estava denso, carregado com o cheiro de incenso de sândalo e a tensão elétrica que sempre parecia preceder uma tempestade. Emanuel, sentado em sua poltrona de couro legítimo, massageava as têmporas. Ele era um homem de trinta anos que aparentava carregar o peso de um império nas costas; seus estúdios de tatuagem eram referências mundiais, mas nenhum gerenciamento de negócios era tão exaustivo quanto o gerenciamento das duas mulheres que ocupavam seu coração e sua paciência.

Eduarda estava encolhida no canto do sofá, os olhos grandes e expressivos fixos no chão. Ela parecia uma boneca de porcelana que acabara de ser levemente trincada. Vestia uma saia jeans curtíssima, que deixava suas pernas esguias e claras à mostra, combinada com uma bata branca de babados translúcidos e ombros caídos. O visual era o ápice do estilo coquette: uma sensualidade inocente, romântica e perigosamente atraente. Ela brincava com a barra da renda, o lábio inferior levemente projetado para fora em um biquinho manhoso.

Do outro lado da sala, encostada no balcão de mármore da cozinha, Sara exibia uma energia oposta. Seus cabelos loiros, platinados e impecavelmente escovados, brilhavam sob as luzes LED. Ela usava um vestido vermelho justo de vinil que acentuava cada curva de seu corpo esculpido e seus seios siliconados que ela fazia questão de destacar. Sara segurava uma taça de vinho com a ponta dos dedos longos e bem feitos, um sorriso irônico brincando em seus lábios pintados de um vermelho escarlate.

— Sinceramente, Emanuel, eu não sei como você aguenta — disse Sara, a voz carregada de um sarcasmo cortante. — Olhe para ela. Parece que vai começar a chorar porque o vento bateu forte demais. É patético.

Eduarda encolheu os ombros, buscando refúgio visual em Emanuel.

— Eu não estou fazendo nada, Sara — murmurou Eduarda, a voz doce e baixa, quase um sussurro. — Eu só queria um momento de paz antes da galeria abrir.

— Paz? Você quer atenção, querida. Esse seu jeitinho de "sou pequena e indefesa" é a coisa mais manipuladora que eu já vi — Sara deu um gole no vinho, os olhos semicerrados. — Você se veste como uma camponesa de filme erótico francês só para ele sentir vontade de te carregar no colo.

Emanuel soltou um suspiro pesado, o som saindo como um rosnado baixo de frustração. Ele se levantou, sua presença alta e firme dominando o espaço. As tatuagens que subiam pelo seu pescoço pareciam vibrar com sua irritação contida.

— Já chega, as duas — a voz de Emanuel era um trovão controlado. Ele caminhou até o centro da sala, olhando de uma para a outra. — Eu tive um dia longo. Reuniões com Londres, problemas com o fornecedor de tintas e uma agenda lotada. A última coisa que eu preciso é chegar em casa e encontrar um campo de batalha.

Eduarda levantou-se lentamente e caminhou até ele com passos leves. Ela se aproximou, envolvendo a cintura dele com os braços finos, escondendo o rosto em seu peito. O perfume dela, algo que lembrava baunilha e flores frescas, invadiu os sentidos de Emanuel.

— Desculpa, Manu... — ela murmurou, a voz abafada pela camisa dele. — Eu só senti sua falta. A Sara começou a me provocar assim que eu cheguei da faculdade. Ela disse que meu trabalho de História da Arte é inútil.

Emanuel sentiu a tensão em seus ombros ceder um milímetro enquanto sua mão, quase por instinto, repousava sobre a cabeça de Eduarda, acariciando os fios macios. Era o seu ponto fraco: a necessidade de proteção dela sempre desarmava sua lógica.

— Ah, por favor! — Sara exclamou, batendo a taça com força no balcão. — Agora vai começar o show da coitadinha. Emanuel, você é um homem de negócios, um mestre da arte visual. Como pode aceitar que essa menina fique pendurada em você como um acessório de brechó? Ela nem sabe o que quer da vida, além de comprar laços de fita e suspirar pelos cantos.

— Eu sei muito bem o que eu quero — rebateu Eduarda, virando o rosto levemente para encarar Sara, embora ainda mantivesse o corpo colado ao de Emanuel. — Eu quero amor e respeito. Coisas que você não sabe pedir sem gritar ou ser vulgar.

Sara soltou uma risada estridente, dando um passo à frente.

— Vulgar? Querida, eu sou real. Eu não me escondo atrás de babados e timidez de fachada. Eu sou o que você nunca vai ser: uma mulher que sabe o poder que tem entre as pernas e na conta bancária. Você é só uma fase de "salvador de donzelas" do Emanuel.

— Sara, chega! — Emanuel gritou, e o silêncio que se seguiu foi imediato. Ele se afastou levemente de Eduarda, embora ainda mantivesse uma mão protetora em suas costas. — Você não tem o direito de falar assim com ela. E você, Eduarda, precisa parar de se retrair toda vez que ela abre a boca.

— Mas ela é cruel, Manu... — os olhos de Eduarda se encheram de lágrimas, brilhando sob as luzes da sala.

— Eu sou realista — corrigiu Sara, cruzando os braços, o que apenas enfatizava ainda mais seu decote generoso. — Você a mima demais, Emanuel. É por isso que ela é tão manhosa. Se ela tivesse que trabalhar um dia na vida, como eu fiz na faculdade de administração...

— Que você nunca usou para trabalhar de verdade — interromphou Emanuel, lançando um olhar severo para a loira. — Você vive da mesada que seus pais te deixaram e do que eu te proporciono. Não venha falar de ética de trabalho agora.

Sara revirou os olhos, mas não recuou. Ela caminhou até Emanuel, parando do outro lado dele, desafiando a proximidade de Eduarda. O contraste era fascinante e terrível. De um lado, a suavidade etérea de Eduarda, com sua saia jeans curta e sua aura de pureza sensual; do outro, a agressividade magnética de Sara, exalando poder e luxúria explícita.

— Você está estressado, meu amor — Sara disse, sua voz mudando de tom, tornando-se mais grave e aveludada. Ela estendeu a mão e tocou o rosto de Emanuel, as unhas longas roçando a barba por fazer. — Por que não deixa essa criança ir ler os livrinhos dela e vem relaxar comigo? Eu sei exatamente do que você precisa para esquecer os problemas do estúdio.

Eduarda apertou a camisa de Emanuel, as unhas curtas cravando-se no tecido.

— Ele não quer relaxar com alguém que só sabe reclamar — Eduarda disse, ganhando uma coragem repentina. — Ele quer carinho.

Emanuel sentiu a pressão aumentar. Ele amava a doçura de Eduarda, a forma como ela o via como seu porto seguro, o jeito como ela se moldava ao seu corpo e trazia uma paz silenciosa para sua vida caótica. Mas ele também era viciado na chama de Sara, na energia inesgotável, na forma direta como ela o desafiava e o desejava. Ter as duas era o seu paraíso particular e o seu inferno pessoal.

— Eu quero que as duas parem de competir por um segundo — disse Emanuel, segurando o pulso de Sara para afastá-la de seu rosto, mas sem soltar. — Eduarda, vá para o quarto e me espere. Eu preciso ter uma conversa séria com a Sara sobre os limites nesta casa.

Eduarda olhou para ele, os olhos tristes, buscando alguma confirmação de que ele não a estava abandonando.

— Você vai demorar? — ela perguntou, a voz falhando propositalmente, um toque de manha que ela sabia que o afetava.

— Não muito — respondeu ele, suavizando o olhar. — Vá.

Eduarda deu um beijo casto na bochecha de Emanuel e, antes de sair, lançou um olhar de soslaio para Sara — um olhar que não tinha nada de tímido, mas sim uma pequena vitória silenciosa. Ela caminhou em direção ao corredor, o balanço de sua saia curta atraindo o olhar de Emanuel por um segundo a mais do que ele gostaria de admitir.

Assim que Eduarda sumiu de vista, Sara soltou um bufo de indignação.

— Você viu isso? Ela faz de propósito! Ela se faz de santa, mas sabe exatamente como te enrolar no dedo mindinho.

— E você faz o oposto, Sara — Emanuel caminhou até o bar, servindo-se de um uísque puro. — Você ataca. Você tenta destruir qualquer confiança que ela tenha. Por que é tão difícil aceitar que eu preciso das duas?

— Porque eu sou o suficiente para qualquer homem, Emanuel — Sara se aproximou por trás dele, colando o corpo nas costas dele, os seios pressionando-se contra seus músculos firmes. — Eu sou o fogo. Ela é só... água morna.

Emanuel virou-se, segurando Sara pela cintura com firmeza, seus dedos afundando na carne macia de seus quadris.

— Às vezes, depois de um incêndio, tudo o que um homem quer é água, Sara. Mas você está certa em uma coisa: você é fogo. E se você não aprender a controlar suas chamas, vai acabar queimando tudo o que construímos aqui.

— Você não me deixaria — ela provocou, passando a língua pelos lábios, os olhos brilhando com desafio. — Você gosta do caos tanto quanto eu.

Emanuel a encarou por um longo tempo. O silêncio na sala era pesado, interrompido apenas pelo som da respiração de ambos. Ele sabia que ela tinha razão. Ele era um homem de contrastes. O tatuador que criava arte através da dor, o empresário frio que escondia um coração protetor.

— Eu não vou deixar nenhuma de vocês — ele afirmou, a voz baixa e perigosa. — Mas as regras mudaram. Se você provocar a Eduarda de novo daquela forma, eu vou tirar seus privilégios de acesso aos estúdios. E você sabe que adora o status que aquilo te dá.

Sara empalideceu levemente, mas o sorriso não desapareceu totalmente.

— Você é um ditador, Emanuel.

— Eu sou o homem que mantém sua vida luxuosa, Sara. Não se esqueça disso.

Ele a soltou e caminhou em direção ao quarto. No corredor, ele parou na porta do quarto de Eduarda. Ela estava sentada na beira da cama, folheando um livro de gravuras renascentistas, mas ele sabia que ela não estava lendo. A luz do abajur criava uma aura dourada ao redor dela, destacando os babados da bata branca.

Ao ouvir a porta, ela levantou o olhar. A insegurança ainda estava lá, mas havia algo mais — uma expectativa doce.

— Ela foi embora? — perguntou Eduarda.

— Ela está na sala. Mas não vai mais te incomodar hoje — Emanuel entrou e fechou a porta atrás de si.

Ele se sentou ao lado dela, sentindo o colchão afundar. Eduarda imediatamente se inclinou para ele, apoiando a cabeça em seu ombro.

— Eu me sinto tão pequena perto dela, Manu... — ela confessou, a voz embargada. — Ela é tão... cheia de si. Eu sinto que, a qualquer momento, você vai perceber que ela é melhor que eu.

Emanuel suspirou, passando o braço pelos ombros dela e puxando-a para o seu colo. Eduarda se acomodou com facilidade, a saia jeans subindo ainda mais, revelando a delicadeza de suas coxas.

— Ninguém é melhor que ninguém aqui, Duda — ele disse, usando o apelido carinhoso. — Você me dá o que ela não consegue dar. Essa paz... esse carinho. Eu não trocaria isso por nada. Mas você precisa ser forte. O mundo não é feito de babados e história da arte.

— Eu sou forte do meu jeito — ela murmurou, começando a desabotoar lentamente os botões da camisa dele, os dedos pequenos e ágeis. — Eu sou forte o suficiente para te esperar todos os dias. Para te amar mesmo quando você está esse ogro rabugento.

Emanuel soltou uma risada curta, a primeira do dia. Ele segurou o queixo dela, forçando-a a olhar para ele.

— Você é uma criaturinha manhosa e manipuladora, sabia disso?

Eduarda sorriu, um sorriso genuíno e levemente travesso.

— Aprendi com o melhor.

Enquanto Emanuel se perdia na doçura de Eduarda, ele ainda conseguia ouvir, ao longe, o som de um salto alto batendo ritmicamente contra o chão da sala. Sara ainda estava lá. Ela não iria embora sem lutar. E ele, no centro daquele furacão, sabia que sua vida nunca seria simples. Entre a seda de Eduarda e o ferro de Sara, Emanuel era o fio que as unia, o mestre de um jogo onde o prêmio era o seu próprio controle — algo que ele estava cada vez mais perto de perder.

A noite estava apenas começando, e o loft, apesar de sua vastidão, parecia pequeno demais para abrigar tanto desejo, tanto ciúme e uma necessidade tão voraz de posse. Emanuel fechou os olhos por um segundo, sentindo as mãos de Eduarda em sua pele, enquanto sua mente ainda traçava o contorno do vestido vermelho de Sara. Ele era um homem rico, poderoso e influente, mas ali, entre aquelas quatro paredes, ele era apenas um homem tentando não ser destruído pelas duas mulheres que ele mesmo escolheu para amar.
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