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Fandom: Nenhum

Criado: 26/05/2026

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O Equilíbrio do Caos e da Doçura

O estúdio de tatuagem em São Paulo era o refúgio de Emanuel, um santuário de couro, tinta e silêncio — ou pelo menos deveria ser. Aos 30 anos, ele havia construído um império. Dono de estúdios renomados em Londres, Nova York e Tóquio, sua vida era pautada pela precisão da agulha e pela lógica dos negócios. No entanto, sua vida pessoal era um campo minado que ele mesmo havia ajudado a plantar.

Ele estava terminando o esboço de uma fênix quando a porta se abriu com um estrondo. O cheiro de perfume importado excessivamente doce inundou a sala antes mesmo de Sara aparecer.

— Emanuel, querido, você ainda está preso nesse desenho? — Sara entrou rebolando, o vestido vermelho tão justo que parecia uma segunda pele sobre suas curvas esculpidas por cirurgias. Ela jogou a bolsa de grife sobre a mesa de carvalho, sem se importar com os papéis. — Eu tive uma ideia maravilhosa para o nosso fim de semana.

Emanuel suspirou, largando o grafite. Ele amava Sara, ou pelo menos amava a intensidade que ela trazia para sua vida monótona. Ela era um vulcão: barulhenta, vulgar, confiante e dona de um magnetismo que o prendia há quatro meses. Mas, às vezes, o vulcão cansava.

— Qual ideia, Sara? — perguntou ele, a voz rouca de cansaço.

— Quero algo novo. Alguém novo — ela disse, inclinando-se sobre a mesa, os seios siliconados quase saltando do decote. — Quero trazer uma mulher para a nossa cama. Alguém para a gente brincar. O que acha?

Emanuel arqueou uma sobrancelha. Ele era um homem prático, e a ideia não era desagradável, mas ele conhecia Sara. Ela gostava de dominar, de ser o centro das atenções.

— Se você quer isso, por mim tudo bem — ele respondeu, voltando a olhar para o desenho. — Mas você escolhe. Não quero drama depois.

Naquela mesma noite, Emanuel encontrou seu primo, Rodrigo, em um bar reservado. Entre um gole de uísque e outro, Emanuel comentou sobre a proposta inusitada de Sara.

— Ela quer uma terceira pessoa, mas você conhece a Sara... se a mulher for muito "pra frente", elas vão acabar se matando — comentou Emanuel, massageando as têmporas.

Rodrigo riu, balançando o gelo no copo.

— Cara, eu tenho a solução perfeita. A namorada do meu primo, a Beatriz, tem uma prima que está passando uns dias com ela. O nome dela é Eduarda.

— E qual é o perfil? — Emanuel perguntou, sem muito entusiasmo.

— Ela é o oposto da Sara. Tímida, quietinha, parece uma boneca de porcelana. A Beatriz me contou um segredo... a garota tem 20 anos e ainda é virgem. Ela está desesperada para "resolver" isso, mas morre de vergonha de sair com qualquer um. Se você for o cara, ela vai se sentir segura. Ela é doce, Emanuel. Do tipo que pede licença para respirar.

Emanuel ficou em silêncio. A descrição de uma garota sensível e delicada contrastava violentamente com a imagem de Sara. Ele sentiu uma curiosidade estranha, um instinto protetor que raramente era despertado por sua namorada explosiva.

— Fale com a Beatriz. Se ela aceitar, marcamos no meu apartamento de cobertura na sexta.

O plano foi traçado. Sara, em sua arrogância, achou que seria apenas mais um brinquedo que ela descartaria depois de usar. Ela não imaginava que estava prestes a introduzir em sua vida a única força capaz de desestabilizar o controle de Emanuel: a doçura.

Na noite de sexta-feira, o ar no apartamento de luxo estava carregado. Sara usava um conjunto de lingerie preta provocante, caminhando de um lado para o outro com uma taça de champanhe. Quando a campainha tocou, foi Emanuel quem atendeu.

Ao abrir a porta, o mundo de Emanuel pareceu desacelerar.

Eduarda estava parada ali, usando um vestido de seda clara, estilo *coquette*, com pequenos laços nos ombros. O cabelo castanho caía em ondas naturais sobre os ombros esguios. Ela era pequena, delicada, com grandes olhos expressivos que brilhavam com uma mistura de pavor e expectativa.

— Oi... — a voz dela era um sussurro, quase um melismas. — Eu sou a Eduarda.

— Entre — disse Emanuel, sua voz saindo mais suave do que ele pretendia.

Sara se aproximou, avaliando a garota de cima a baixo com um sorriso de escárnio.

— Nossa, Emanuel, você não estava brincando. Ela parece uma criança perdida.

Eduarda encolheu os ombros, desviando o olhar para o chão, as bochechas tingidas de um rosa profundo. Ela buscou instintivamente a proximidade de Emanuel, sentindo nele uma aura de estabilidade que a acalmava.

— Não precisa ter medo — Emanuel disse, colocando a mão nas costas de Eduarda. A pele dela era quente e macia. — Vamos conversar primeiro.

A noite não seguiu o roteiro que Sara planejou. Ela queria um show, uma performance. Mas Emanuel estava hipnotizado pela fragilidade de Eduarda. Quando finalmente foram para o quarto, a dinâmica mudou. Sara tentou tomar as rédeas, mas Eduarda estava visivelmente sobrecarregada pela agressividade da loira.

— Ela é virgem, Sara. Vá com calma — avisou Emanuel, sua voz firme, assumindo o controle da situação.

Pela primeira vez em meses, Emanuel ignorou os comandos de Sara. Ele se concentrou totalmente em Eduarda. Ele a tocou como se ela fosse feita de vidro, guiando-a com uma paciência que ele não sabia que possuía. Sara observava, inicialmente excitada, mas depois sentindo uma pontada estranha de algo que ela não sabia identificar: exclusão.

Emanuel tirou a virgindade de Eduarda com uma ternura quase sagrada. Enquanto Sara buscava prazer próprio, Emanuel estava focado nos gemidos baixos e manhosos de Eduarda, na forma como ela se agarrava aos seus braços tatuados em busca de proteção. Naquela noite, Sara e Eduarda não se tocaram.
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