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Fandom: Nenhum
Criado: 26/05/2026
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RomanceDramaFatias de VidaHistória DomésticaEstudo de PersonagemCiúmesAngústiaLinguagem ExplícitaSombrioPsicológicoDor/ConfortoRomanceTragédiaGravidez na AdolescênciaGravidez Não Planejada/Indesejada
O Equilíbrio Frágil do Desejo
O estúdio de tatuagem de Emanuel, localizado na cobertura de um dos prédios mais caros da cidade, exalava um perfume de tinta, antisséptico e couro caro. Ele observava a vista através do vidro fumê, sentindo o peso habitual nos ombros. Aos vinte e cinco anos, Emanuel não era apenas um tatuador; era um império. Mas, naquele momento, sua mente não estava nos negócios, e sim na tensão silenciosa que preenchia o ambiente atrás dele.
Sara estava sentada no sofá de veludo preto, cruzando as pernas longas e bronzeadas. O vestido vermelho era curto demais, justo demais, e o brilho do silicone sob o tecido fino gritava por atenção. Ela retocava o batom, olhando-se no espelho com uma confiança que beirava a agressividade.
— Sabe, Manu... — Sara começou, a voz carregada de uma ironia sensual. — O nosso relacionamento está precisando de um tempero. Quatro meses de exclusividade é muito tempo para alguém como eu. E como você.
Emanuel suspirou, virando-se lentamente. Seus olhos escuros e cansados encontraram o sorriso predatório da namorada.
— O que você está sugerindo agora, Sara? — perguntou ele, a voz rouca e firme.
— Uma terceira pessoa. Uma mulher — ela disse, levantando-se e caminhando até ele, passando as unhas bem feitas pelo peito dele. — Alguém que a gente possa usar e depois descartar. Algo apenas... recreativo.
Emanuel não teve tempo de responder. A porta do estúdio se abriu e uma figura pequena e hesitante entrou. Era Eduarda. Ela tinha vinte anos, estudava História da Arte e parecia ter saído de um quadro romântico do século XIX. Vestia uma saia de seda perolada e uma blusa de renda que revelava a curva suave de seus seios médios, sem ser vulgar. O contraste entre ela e Sara era quase violento.
— Com licença... — a voz de Eduarda era um sussurro manhoso, os olhos grandes e expressivos fixos no chão. — Eu vim buscar o catálogo de referências que o professor pediu...
Emanuel sentiu um solavanco no peito. Ele já a vira antes na faculdade onde dava palestras ocasionais, mas nunca tão perto. Havia uma fragilidade nela que despertava seu instinto de proteção mais primitivo.
Sara, percebendo o olhar do namorado, deu um sorriso de canto. Ela viu em Eduarda o alvo perfeito: uma menina tímida, fácil de manipular, que não representaria ameaça ao seu reinado.
— Ora, se não é a bonequinha de porcelana — Sara disse, aproximando-se de Eduarda com uma falsa cordialidade. — Você é perfeita. Quer ganhar uma experiência inesquecível, querida?
Eduarda encolheu-se, buscando o olhar de Emanuel. Ela era virgem, um segredo que guardava como um fardo, e sentia uma urgência desesperada de se libertar disso. Ao encontrar os olhos sérios e protetores de Emanuel, algo dentro dela cedeu.
— Eu... eu aceito — respondeu Eduarda, quase sem fôlego.
A noite que se seguiu foi algo que nenhum deles poderia prever. No quarto luxuoso de Emanuel, a luz era baixa. Sara tentava comandar a situação, suas mãos ousadas e vulgares explorando o corpo de Eduarda, tentando transformá-la em um mero brinquedo. Mas, no momento em que Emanuel tocou a pele de Eduarda, tudo mudou.
Ele foi de uma delicadeza extrema. Ao perceber o tremor nas mãos da jovem e a umidade em seus olhos, Emanuel afastou Sara gentilmente, focando apenas na menina em seus braços.
— Calma — ele sussurrou no ouvido de Eduarda, a voz vibrando com uma ternura que ele nunca demonstrara a Sara. — Eu vou cuidar de você.
A entrega de Eduarda foi absoluta. Emanuel tirou sua virgindade com um cuidado quase sagrado, ignorando as provocações de Sara, que assistia e participava com uma irritação crescente ao perceber que não era mais o centro das atenções. Para Eduarda, foi o despertar de um mundo; para Emanuel, foi o encontro de algo que ele nem sabia que estava procurando: paz.
Na manhã seguinte, Eduarda saiu cedo, convencida de que fora apenas um erro momentâneo, uma noite de luxúria compartilhada. Mas Emanuel não conseguia esquecer o toque macio e o jeito manhoso dela.
Semanas se passaram. Eduarda estava na biblioteca da faculdade quando um entregador chegou com uma caixa de veludo. Dentro, um colar de diamantes discretos e elegantes.
— Para a mulher que trouxe luz ao meu caos — dizia o cartão, assinado apenas com um "E".
Ela sentiu o coração disparar. Dias depois, lá estava ele, parado na saída de sua aula, encostado em seu carro de luxo, a expressão séria suavizando-se apenas ao vê-la.
— Emanuel? O que faz aqui? — ela perguntou, abraçando os livros contra o peito, o rosto corando instantaneamente.
— Eu não consigo parar de pensar em você, Eduarda — ele disse, aproximando-se e tocando o rosto dela com o polegar. — Eu quero você perto de mim. Quero que more comigo.
— Mas... e a Sara? — a voz de Eduarda falhou. — Ela é sua namorada. Ela é... forte, decidida. Eu sou só eu.
— Sara é parte da minha vida, mas você... você se tornou essencial — ele admitiu, a racionalidade lutando contra a possessividade. — Eu quero as duas. Não vou abrir mão de nenhuma.
A proposta era absurda, mas o magnetismo de Emanuel era inegável. Eduarda, em sua carência e paixão recém-descoberta, aceitou ser levada para a cobertura dele.
A convivência, no entanto, tornou-se um campo de batalha silencioso.
— Você só pode estar brincando, Emanuel! — Sara gritou, jogando uma taça de cristal contra a parede da sala. — Essa mosca morta vai morar aqui? No nosso espaço?
— O espaço é meu, Sara — Emanuel respondeu com uma frieza cortante, sem desviar os olhos dos papéis de sua empresa. — E Eduarda fica. Se você não consegue aceitar, a porta está aberta. Mas eu sei que você não vai embora.
Sara bufou, a raiva transbordando. Ela olhou para Eduarda, que estava sentada no canto do sofá, encolhida, usando um robe de seda clara que Emanuel comprara para ela.
— Você acha que ganhou, não é, santinha? — Sara sibilou, caminhando até ela. — Você é só um brinquedo novo. Ele vai cansar desse seu jeito de coitadinha em uma semana.
Eduarda não respondeu. Ela apenas olhou para Sara com aqueles olhos grandes e úmidos, uma lágrima solitária escorrendo.
— Eu não quero brigar... — Eduarda sussurrou. — Eu só quero o Emanuel.
— Pois você vai ter que aprender a dividir — Sara retrucou, embora por dentro sentisse uma pontada de insegurança que nunca experimentara antes.
Emanuel se levantou e caminhou até as duas. Ele colocou uma mão no ombro de Sara, num gesto de posse, e a outra no rosto de Eduarda, num gesto de carinho. O contraste era sua nova realidade.
— Chega de discussões — ele ordenou, a voz de comando que usava em seus estúdios. — Nós vamos jantar. Sara, comporte-se. Eduarda, venha aqui.
Eduarda se levantou e, com seu jeito manhoso, apoiou a cabeça no peito de Emanuel, buscando proteção. Ele a envolveu em um abraço apertado, sentindo o perfume doce dela acalmar seus nervos. Sara observava a cena, os punhos cerrados, o ódio por Eduarda crescendo na mesma proporção que seu desejo de não perder Emanuel.
Naquela noite, o jantar foi um exercício de tensão. Sara tentava dominar a conversa com histórias de festas e viagens caras, usando termos técnicos de administração que sabia que Eduarda não entenderia.
— O mercado de capitais está oscilando tanto, Manu. Precisamos rever os investimentos das lojas de Londres — dizia Sara, lançando um olhar de superioridade para a outra.
Eduarda apenas comia em silêncio, observando os detalhes dos talheres de prata, sentindo-se deslocada. Emanuel, percebendo a tristeza dela, segurou sua mão por baixo da mesa.
— Eduarda me contou sobre a tese dela em arte renascentista hoje — Emanuel disse, interrompendo Sara. — É fascinante como a beleza pode ser encontrada na vulnerabilidade.
Sara travou, o rosto ficando vermelho sob a maquiagem impecável.
— Vulnerabilidade é apenas outra palavra para fraqueza, Emanuel — Sara disparou.
— Às vezes, Sara, é preciso ser fraco para ser amado — ele respondeu, olhando fixamente para Eduarda.
Após o jantar, a dinâmica se tornou ainda mais complexa. Emanuel foi para o escritório terminar alguns desenhos de tatuagens, deixando as duas mulheres sozinhas na sala. O silêncio era pesado, interrompido apenas pelo som da chuva batendo nas janelas de vidro.
— Você acha que ele te ama? — Sara perguntou de repente, sua voz perdendo um pouco da agressividade e ganhando um tom de amargura.
Eduarda olhou para ela, surpresa pela pergunta direta.
— Eu sinto que ele quer me proteger — Eduarda respondeu com sinceridade. — E você? Por que precisa ser tão brava o tempo todo?
Sara riu, uma risada seca e sem alegria.
— Porque se eu não for brava, o mundo me atropela. Diferente de você, eu não tive ninguém para me carregar no colo. Eu construí meu lugar ao lado dele com garras e dentes.
— Eu não quero tirar o seu lugar — Eduarda disse, levantando-se e caminhando timidamente até Sara. — Eu só... eu não tenho mais para onde ir. Meu coração está aqui agora.
Por um breve segundo, a armadura de Sara vacilou. Ela viu na fragilidade de Eduarda algo que ela mesma enterrara há muito tempo. Mas a insegurança falou mais alto.
— Não tente ser minha amiga — Sara avisou, levantando-se e saindo em direção ao quarto principal. — Isso aqui é uma guerra, e eu não pretendo perder.
Eduarda ficou sozinha na sala, sentindo o peso daquela nova vida. Ela foi até o escritório de Emanuel e bateu suavemente na porta.
— Entre — ele disse.
Ela entrou e sentou-se no chão, ao lado da cadeira dele, apoiando a cabeça em seu joelho. Emanuel parou de desenhar e começou a acariciar os cabelos dela.
— Ela me odeia — Eduarda sussurrou.
— Ela está assustada — Emanuel explicou, a voz cansada. — Sara sempre foi a única. Ter você aqui muda as regras do jogo dela.
— E para você, Emanuel? O que eu sou?
Ele parou o movimento das mãos e a fez olhar para ele. Os olhos de Emanuel, sempre tão controlados, brilhavam com uma intensidade possessiva.
— Você é o meu refúgio, Eduarda. Sara é o meu fogo, mas você é o meu ar. Eu não posso viver sem nenhum dos dois.
— É errado... — ela murmurou, embora se aconchegasse ainda mais nele.
— Talvez — ele admitiu, beijando o topo da cabeça dela. — Mas eu sou um homem que consegue tudo o que quer. E eu quero as duas. Custe o que custar.
Eduarda fechou os olhos, aceitando seu destino. Ela sabia que a convivência com Sara seria um tormento, que as provocações continuariam e que a rivalidade só aumentaria. Mas, enquanto tivesse as mãos de Emanuel nela, enquanto sentisse aquela proteção quase absoluta, ela suportaria qualquer coisa.
No quarto ao lado, Sara ouvia o silêncio do corredor, sentindo uma fúria fria. Ela percebeu que seu plano de trazer uma terceira pessoa fora o maior erro de sua vida. Eduarda não era um objeto descartável; ela era uma raiz que estava se infiltrando nas rachaduras do relacionamento dela com Emanuel.
A batalha pelo coração e pelo controle de Emanuel estava apenas começando, e naquela cobertura de luxo, o amor, a posse e a rivalidade se entrelaçavam como a tinta de uma tatuagem permanente na pele de todos eles.
Sara estava sentada no sofá de veludo preto, cruzando as pernas longas e bronzeadas. O vestido vermelho era curto demais, justo demais, e o brilho do silicone sob o tecido fino gritava por atenção. Ela retocava o batom, olhando-se no espelho com uma confiança que beirava a agressividade.
— Sabe, Manu... — Sara começou, a voz carregada de uma ironia sensual. — O nosso relacionamento está precisando de um tempero. Quatro meses de exclusividade é muito tempo para alguém como eu. E como você.
Emanuel suspirou, virando-se lentamente. Seus olhos escuros e cansados encontraram o sorriso predatório da namorada.
— O que você está sugerindo agora, Sara? — perguntou ele, a voz rouca e firme.
— Uma terceira pessoa. Uma mulher — ela disse, levantando-se e caminhando até ele, passando as unhas bem feitas pelo peito dele. — Alguém que a gente possa usar e depois descartar. Algo apenas... recreativo.
Emanuel não teve tempo de responder. A porta do estúdio se abriu e uma figura pequena e hesitante entrou. Era Eduarda. Ela tinha vinte anos, estudava História da Arte e parecia ter saído de um quadro romântico do século XIX. Vestia uma saia de seda perolada e uma blusa de renda que revelava a curva suave de seus seios médios, sem ser vulgar. O contraste entre ela e Sara era quase violento.
— Com licença... — a voz de Eduarda era um sussurro manhoso, os olhos grandes e expressivos fixos no chão. — Eu vim buscar o catálogo de referências que o professor pediu...
Emanuel sentiu um solavanco no peito. Ele já a vira antes na faculdade onde dava palestras ocasionais, mas nunca tão perto. Havia uma fragilidade nela que despertava seu instinto de proteção mais primitivo.
Sara, percebendo o olhar do namorado, deu um sorriso de canto. Ela viu em Eduarda o alvo perfeito: uma menina tímida, fácil de manipular, que não representaria ameaça ao seu reinado.
— Ora, se não é a bonequinha de porcelana — Sara disse, aproximando-se de Eduarda com uma falsa cordialidade. — Você é perfeita. Quer ganhar uma experiência inesquecível, querida?
Eduarda encolheu-se, buscando o olhar de Emanuel. Ela era virgem, um segredo que guardava como um fardo, e sentia uma urgência desesperada de se libertar disso. Ao encontrar os olhos sérios e protetores de Emanuel, algo dentro dela cedeu.
— Eu... eu aceito — respondeu Eduarda, quase sem fôlego.
A noite que se seguiu foi algo que nenhum deles poderia prever. No quarto luxuoso de Emanuel, a luz era baixa. Sara tentava comandar a situação, suas mãos ousadas e vulgares explorando o corpo de Eduarda, tentando transformá-la em um mero brinquedo. Mas, no momento em que Emanuel tocou a pele de Eduarda, tudo mudou.
Ele foi de uma delicadeza extrema. Ao perceber o tremor nas mãos da jovem e a umidade em seus olhos, Emanuel afastou Sara gentilmente, focando apenas na menina em seus braços.
— Calma — ele sussurrou no ouvido de Eduarda, a voz vibrando com uma ternura que ele nunca demonstrara a Sara. — Eu vou cuidar de você.
A entrega de Eduarda foi absoluta. Emanuel tirou sua virgindade com um cuidado quase sagrado, ignorando as provocações de Sara, que assistia e participava com uma irritação crescente ao perceber que não era mais o centro das atenções. Para Eduarda, foi o despertar de um mundo; para Emanuel, foi o encontro de algo que ele nem sabia que estava procurando: paz.
Na manhã seguinte, Eduarda saiu cedo, convencida de que fora apenas um erro momentâneo, uma noite de luxúria compartilhada. Mas Emanuel não conseguia esquecer o toque macio e o jeito manhoso dela.
Semanas se passaram. Eduarda estava na biblioteca da faculdade quando um entregador chegou com uma caixa de veludo. Dentro, um colar de diamantes discretos e elegantes.
— Para a mulher que trouxe luz ao meu caos — dizia o cartão, assinado apenas com um "E".
Ela sentiu o coração disparar. Dias depois, lá estava ele, parado na saída de sua aula, encostado em seu carro de luxo, a expressão séria suavizando-se apenas ao vê-la.
— Emanuel? O que faz aqui? — ela perguntou, abraçando os livros contra o peito, o rosto corando instantaneamente.
— Eu não consigo parar de pensar em você, Eduarda — ele disse, aproximando-se e tocando o rosto dela com o polegar. — Eu quero você perto de mim. Quero que more comigo.
— Mas... e a Sara? — a voz de Eduarda falhou. — Ela é sua namorada. Ela é... forte, decidida. Eu sou só eu.
— Sara é parte da minha vida, mas você... você se tornou essencial — ele admitiu, a racionalidade lutando contra a possessividade. — Eu quero as duas. Não vou abrir mão de nenhuma.
A proposta era absurda, mas o magnetismo de Emanuel era inegável. Eduarda, em sua carência e paixão recém-descoberta, aceitou ser levada para a cobertura dele.
A convivência, no entanto, tornou-se um campo de batalha silencioso.
— Você só pode estar brincando, Emanuel! — Sara gritou, jogando uma taça de cristal contra a parede da sala. — Essa mosca morta vai morar aqui? No nosso espaço?
— O espaço é meu, Sara — Emanuel respondeu com uma frieza cortante, sem desviar os olhos dos papéis de sua empresa. — E Eduarda fica. Se você não consegue aceitar, a porta está aberta. Mas eu sei que você não vai embora.
Sara bufou, a raiva transbordando. Ela olhou para Eduarda, que estava sentada no canto do sofá, encolhida, usando um robe de seda clara que Emanuel comprara para ela.
— Você acha que ganhou, não é, santinha? — Sara sibilou, caminhando até ela. — Você é só um brinquedo novo. Ele vai cansar desse seu jeito de coitadinha em uma semana.
Eduarda não respondeu. Ela apenas olhou para Sara com aqueles olhos grandes e úmidos, uma lágrima solitária escorrendo.
— Eu não quero brigar... — Eduarda sussurrou. — Eu só quero o Emanuel.
— Pois você vai ter que aprender a dividir — Sara retrucou, embora por dentro sentisse uma pontada de insegurança que nunca experimentara antes.
Emanuel se levantou e caminhou até as duas. Ele colocou uma mão no ombro de Sara, num gesto de posse, e a outra no rosto de Eduarda, num gesto de carinho. O contraste era sua nova realidade.
— Chega de discussões — ele ordenou, a voz de comando que usava em seus estúdios. — Nós vamos jantar. Sara, comporte-se. Eduarda, venha aqui.
Eduarda se levantou e, com seu jeito manhoso, apoiou a cabeça no peito de Emanuel, buscando proteção. Ele a envolveu em um abraço apertado, sentindo o perfume doce dela acalmar seus nervos. Sara observava a cena, os punhos cerrados, o ódio por Eduarda crescendo na mesma proporção que seu desejo de não perder Emanuel.
Naquela noite, o jantar foi um exercício de tensão. Sara tentava dominar a conversa com histórias de festas e viagens caras, usando termos técnicos de administração que sabia que Eduarda não entenderia.
— O mercado de capitais está oscilando tanto, Manu. Precisamos rever os investimentos das lojas de Londres — dizia Sara, lançando um olhar de superioridade para a outra.
Eduarda apenas comia em silêncio, observando os detalhes dos talheres de prata, sentindo-se deslocada. Emanuel, percebendo a tristeza dela, segurou sua mão por baixo da mesa.
— Eduarda me contou sobre a tese dela em arte renascentista hoje — Emanuel disse, interrompendo Sara. — É fascinante como a beleza pode ser encontrada na vulnerabilidade.
Sara travou, o rosto ficando vermelho sob a maquiagem impecável.
— Vulnerabilidade é apenas outra palavra para fraqueza, Emanuel — Sara disparou.
— Às vezes, Sara, é preciso ser fraco para ser amado — ele respondeu, olhando fixamente para Eduarda.
Após o jantar, a dinâmica se tornou ainda mais complexa. Emanuel foi para o escritório terminar alguns desenhos de tatuagens, deixando as duas mulheres sozinhas na sala. O silêncio era pesado, interrompido apenas pelo som da chuva batendo nas janelas de vidro.
— Você acha que ele te ama? — Sara perguntou de repente, sua voz perdendo um pouco da agressividade e ganhando um tom de amargura.
Eduarda olhou para ela, surpresa pela pergunta direta.
— Eu sinto que ele quer me proteger — Eduarda respondeu com sinceridade. — E você? Por que precisa ser tão brava o tempo todo?
Sara riu, uma risada seca e sem alegria.
— Porque se eu não for brava, o mundo me atropela. Diferente de você, eu não tive ninguém para me carregar no colo. Eu construí meu lugar ao lado dele com garras e dentes.
— Eu não quero tirar o seu lugar — Eduarda disse, levantando-se e caminhando timidamente até Sara. — Eu só... eu não tenho mais para onde ir. Meu coração está aqui agora.
Por um breve segundo, a armadura de Sara vacilou. Ela viu na fragilidade de Eduarda algo que ela mesma enterrara há muito tempo. Mas a insegurança falou mais alto.
— Não tente ser minha amiga — Sara avisou, levantando-se e saindo em direção ao quarto principal. — Isso aqui é uma guerra, e eu não pretendo perder.
Eduarda ficou sozinha na sala, sentindo o peso daquela nova vida. Ela foi até o escritório de Emanuel e bateu suavemente na porta.
— Entre — ele disse.
Ela entrou e sentou-se no chão, ao lado da cadeira dele, apoiando a cabeça em seu joelho. Emanuel parou de desenhar e começou a acariciar os cabelos dela.
— Ela me odeia — Eduarda sussurrou.
— Ela está assustada — Emanuel explicou, a voz cansada. — Sara sempre foi a única. Ter você aqui muda as regras do jogo dela.
— E para você, Emanuel? O que eu sou?
Ele parou o movimento das mãos e a fez olhar para ele. Os olhos de Emanuel, sempre tão controlados, brilhavam com uma intensidade possessiva.
— Você é o meu refúgio, Eduarda. Sara é o meu fogo, mas você é o meu ar. Eu não posso viver sem nenhum dos dois.
— É errado... — ela murmurou, embora se aconchegasse ainda mais nele.
— Talvez — ele admitiu, beijando o topo da cabeça dela. — Mas eu sou um homem que consegue tudo o que quer. E eu quero as duas. Custe o que custar.
Eduarda fechou os olhos, aceitando seu destino. Ela sabia que a convivência com Sara seria um tormento, que as provocações continuariam e que a rivalidade só aumentaria. Mas, enquanto tivesse as mãos de Emanuel nela, enquanto sentisse aquela proteção quase absoluta, ela suportaria qualquer coisa.
No quarto ao lado, Sara ouvia o silêncio do corredor, sentindo uma fúria fria. Ela percebeu que seu plano de trazer uma terceira pessoa fora o maior erro de sua vida. Eduarda não era um objeto descartável; ela era uma raiz que estava se infiltrando nas rachaduras do relacionamento dela com Emanuel.
A batalha pelo coração e pelo controle de Emanuel estava apenas começando, e naquela cobertura de luxo, o amor, a posse e a rivalidade se entrelaçavam como a tinta de uma tatuagem permanente na pele de todos eles.
