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Edward!
Fandom: Fundamental paper education FPE
Criado: 27/05/2026
Tags
DramaAngústiaPsicológicoSombrioAçãoExperimentação HumanaSobrevivênciaCenário CanônicoHorror Corporal
O Experimento de Vidro e Metal
O silêncio na sala era tão denso que Edward podia ouvir o zumbido elétrico das lâmpadas fluorescentes acima de sua cabeça. A última coisa de que se lembrava era de estar no corredor da Paper School, tramando alguma pegadinha com Oliver e Zip, rindo de algum aluno azarado. Agora, o cenário era drasticamente diferente.
Edward abriu os olhos lentamente, a visão embaçada sendo cortada pelo brilho estéril e frio do teto. Quando tentou levar a mão à testa para aliviar a pontada de dor que sentia, seu braço não se moveu. Um som metálico e seco ecoou pelo ambiente.
— Mas o que... — Sua voz saiu rouca, falhando na garganta seca.
Ele forçou a vista e olhou para baixo. O pânico começou a subir pelo seu peito como uma maré gelada. Edward estava deitado em uma maca de metal frio, e seus pulsos e tornozelos estavam presos por cordas grossas de metal, reforçadas com travas que pareciam impossíveis de romper. Ele tentou puxar o braço esquerdo, sentindo o metal frio cortar a pele negra de seus pulsos, mas a resistência era absoluta.
— Que brincadeira é essa? Oliver? Zip? Se for um trote, já perdeu a graça! — gritou ele, a voz ecoando pelas paredes de azulejos brancos e descascados.
Não houve resposta. Edward começou a se debater com mais força. Seus dedos pontiagudos arranhavam a superfície da maca, produzindo um som estridente que o fazia ranger os dentes. Ele tentou chutar, mas suas pernas estavam imobilizadas de tal forma que ele mal conseguia dobrar os joelhos. O pior de tudo foi quando tentou mover sua cauda demoníaca. Ele sentiu uma pressão incômoda; sua cauda preta e retorcida estava presa por um grampo magnético pesado no final da maca, impedindo qualquer movimento brusco.
O rosto de Edward esquentou. Uma mistura de raiva e uma vergonha inexplicável o fez ficar intensamente corado. Ele, o valentão que todos temiam, o gênio que adorava ciências e invenções, estava ali, vulnerável e exposto como um espécime de laboratório.
— Droga... — resmungou, os dentes cerrados. — Quem quer que tenha feito isso vai se ver comigo.
Ele olhou ao redor da sala, tentando identificar onde estava. O lugar parecia um laboratório de ciências clandestino, muito mais avançado e sinistro do que a sala de aula que ele frequentava. Havia béqueres com líquidos borbulhantes, fios pendendo do teto e ferramentas que pareciam saídas de um pesadelo mecânico. Seus óculos redondos, que costumavam ficar no topo de sua cabeça, estavam caídos em uma mesa lateral, fora de seu alcance.
De repente, o som de passos pesados ecoou do lado de fora. Uma porta pesada de metal rangeu ao abrir, e uma silhueta alta entrou na sala, segurando uma prancheta.
— Vejo que o nosso pequeno gênio finalmente acordou — disse uma voz fria e calculista.
Edward forçou o corpo para cima, tentando encarar o intruso, mas as cordas de metal o puxaram de volta para a maca com um tranco.
— Quem é você? Me solta agora! — Edward rosnou, as pontas de seus cabelos brancos parecendo ainda mais espetadas pela eletricidade da raiva.
A figura se aproximou da luz, revelando-se. Era um dos professores, mas não parecia o mesmo de sempre. Seus olhos brilhavam com uma curiosidade científica doentia.
— Você sempre teve um interesse tão aguçado pelas ciências, Edward — disse o professor, ignorando o pedido de liberdade. — Achei que apreciaria ver a ciência de um ângulo diferente. Do ângulo do objeto de estudo.
— Eu não sou um objeto de estudo! — Edward gritou, debatendo-se novamente. O metal das cordas tilintou violentamente. — Quando eu sair daqui, vou destruir esse lugar!
O professor soltou uma risada curta e seca, anotando algo na prancheta.
— A resistência é esperada. Aumento da frequência cardíaca, dilatação das pupilas... — Ele se aproximou e tocou no braço de Edward com uma luva de látex. — E essa pigmentação... sua fisiologia é fascinante. Como esses braços negros suportam tanta força sem uma estrutura óssea convencional?
— Tira a mão de mim! — Edward sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Ele tentou morder a mão do professor, mas o homem foi mais rápido, recuando com um sorriso de escárnio.
— Tão agressivo. Justamente como Zip me descreveu.
Edward paralisou por um segundo. O nome de sua amiga soou como uma facada.
— A Zip? O que ela tem a ver com isso? — perguntou ele, a voz subitamente baixa e trêmula.
— Ora, Edward, você sabe como as coisas funcionam nesta escola. Sobrevivência do mais forte. Ou do mais útil. — O professor caminhou até uma mesa de ferramentas e pegou um bisturi elétrico que começou a emitir um brilho azulado. — Ela e Oliver apenas... facilitaram o acesso. Eles sabiam que você seria o candidato perfeito para este teste de resistência elemental.
— Mentira... — Edward sussurrou, sentindo o rosto queimar ainda mais, desta vez de traição. — Eles não fariam isso. Somos um grupo.
— Grupos são temporários. O conhecimento é eterno — afirmou o professor, voltando-se para a maca. — Agora, vamos começar com a sensibilidade nervosa da cauda. É um ponto de conexão neural interessante, não acha?
O pânico de Edward atingiu o ápice. Ele sentiu o mecanismo que prendia sua cauda apertar ainda mais. Ele forçou cada músculo de seu corpo, os dedos pontiagudos cravando-se nas bordas da maca, tentando desesperadamente romper as cordas de metal. O suor escorria por sua testa, e seus longos cabelos brancos estavam bagunçados, caindo sobre os olhos.
— Se você me tocar com isso, eu juro que... — Ele começou, mas foi interrompido pelo som do bisturi se aproximando.
— Você não está em posição de fazer ameaças, Edward. — O professor ajustou os óculos. — Você deveria estar honrado. Poucos alunos têm a chance de contribuir para a ciência de forma tão direta.
— Isso não é ciência, é tortura! — Edward gritou, sua voz falhando no final.
— A linha entre as duas é muito tênue nesta instituição. Você deveria saber disso melhor do que ninguém. Quantas vezes você e seus amigos não encurralaram os mais fracos para "testar" suas reações? Estou apenas seguindo o seu exemplo.
Edward sentiu um nó na garganta. As palavras do professor atingiram um ponto doloroso. Ele sempre se orgulhou de ser o valentão, de estar no topo da cadeia alimentar da Paper School. Mas agora, preso, imobilizado e à mercê de alguém mais poderoso, a realidade de suas ações parecia voltar para assombrá-lo.
O professor posicionou a ponta do bisturi a poucos centímetros da cauda de Edward. O rapaz fechou os olhos com força, esperando a dor, os músculos de suas pernas retesados ao máximo nas amarras inúteis.
— Espere! — Edward exclamou, tentando uma última cartada. — Se você quer estudar minha fisiologia, eu posso ajudar! Eu conheço os meus limites melhor do que ninguém. Posso escrever relatórios, posso... posso fazer experimentos em outros!
O professor parou o movimento e pareceu considerar a proposta por um momento, inclinando a cabeça para o lado.
— Um assistente? — O homem sorriu, mas não era um sorriso bondoso. — É uma proposta tentadora. Mas um assistente precisa de disciplina. E você, Edward, sempre foi um espírito muito... rebelde.
— Eu posso ser disciplinado! — Edward insistiu, o desespero tomando conta. — Só me tira dessas cordas.
— Talvez mais tarde. Primeiro, precisamos estabelecer quem está no comando desta sala de aula. — O professor voltou a aproximar o bisturi. — Considere isso sua primeira lição de anatomia avançada.
Justo quando a lâmina azulada estava prestes a tocar a pele de Edward, um estrondo alto ecoou vindo dos dutos de ventilação acima deles. Uma grade de metal despencou, atingindo o chão com um som metálico ensurdecedor.
— Mas o que é isso? — O professor se virou, surpreso.
De dentro do duto, uma figura ágil saltou, caindo de pé com uma graça felina. Era Zip, com seu habitual olhar de tédio misturado com uma pitada de travessura. Logo atrás dela, Oliver desceu, limpando a poeira de seu uniforme.
— Sabe, professor — começou Oliver, guardando um estilete no bolso —, a gente até gosta de uma boa aula de ciências, mas você esqueceu de pedir permissão para usar o nosso "brinquedo".
— Zip? Oliver? — Edward sentiu uma onda de alívio tão forte que quase desmaiou. — Vocês vieram!
Zip olhou para Edward, preso na maca e visivelmente abalado, e soltou uma risadinha.
— Olha só para você, Edward. Tá parecendo um peru de Natal amarrado desse jeito. — Ela caminhou até a maca, ignorando o professor que parecia paralisado pela audácia dos alunos. — E tá todo vermelhinho. Que fofo.
— Cala a boca e me solta! — Edward rosnou, embora não houvesse real veneno em suas palavras agora.
— Saiam daqui agora! — ordenou o professor, recuperando a voz. — Este experimento é sancionado pela diretoria!
Oliver deu um passo à frente, girando um compasso afiado entre os dedos.
— A diretoria não precisa saber que você tentou dissecar um dos alunos preferidos da Miss Circle. Ela não gosta que mexam nas "presas" dela, sabia?
O professor empalideceu visivelmente ao ouvir o nome de Miss Circle. A hierarquia de medo na Paper School era muito clara, e ninguém queria cruzar o caminho daquela professora.
— Isso... isso é um mal-entendido — gaguejou o homem, recuando.
— É claro que é — disse Zip, já mexendo nas travas das cordas de metal que prendiam os pulsos de Edward. — E para a gente não contar para ela, você vai sair dessa sala agora e esquecer que o Edward existe.
O professor não pensou duas vezes. Ele recolheu sua prancheta e saiu apressado pela porta lateral, sem olhar para trás.
Zip finalmente soltou a última trava, a que prendia a cauda de Edward. Ele sentou-se rapidamente na maca, massageando os pulsos marcados pelo metal. Seus braços tremiam levemente, mas ele tentou esconder a fraqueza.
— Demoraram, hein? — Edward disse, tentando recuperar sua postura de valentão enquanto pegava seus óculos na mesa lateral e os colocava de volta no topo da cabeça.
— Agradeça por termos vindo — respondeu Oliver, encostando-se na parede. — O duto de ventilação estava cheio de poeira. Quase espirrei e estraguei a surpresa.
Edward desceu da maca, sentindo as pernas um pouco bambas. Ele olhou para os dois amigos, o coração ainda batendo rápido.
— Aquele cara disse que vocês tinham me entregado — comentou Edward, tentando manter a voz casual.
Zip parou de mexer em uns frascos de vidro e olhou para ele, arqueando uma sobrancelha.
— E você acreditou? — Ela deu de ombros. — Bom, a gente deu a ideia de que você seria um bom assistente, mas não dissemos que ele podia te amarrar. Isso foi falta de educação dele.
— É, a gente só queria ver até onde ele ia — completou Oliver com um sorriso malicioso. — Mas quando ele pegou o bisturi, achamos que a brincadeira ia ficar sem graça se você ficasse em pedaços. Quem ia fazer nossos trabalhos de ciências?
Edward soltou um suspiro pesado, meio risada, meio alívio. Ele sabia que, naquela escola, aquele era o máximo de "amizade" que ele poderia esperar.
— Certo, certo. Vamos sair daqui antes que ele mude de ideia ou que a Miss Circle apareça para ver o que é esse barulho.
— Espera aí — disse Zip, apontando para a maca. — Você não quer levar as cordas de metal? Elas parecem resistentes. Podem servir para a gente usar em alguém depois.
Edward olhou para o metal frio que quase o feriu. Um brilho familiar voltou aos seus olhos por trás das lentes dos óculos. Ele esticou os dedos pontiagudos e pegou uma das travas metálicas, examinando o mecanismo.
— É... — Edward sorriu, o rosto ainda levemente corado, mas agora de excitação. — Acho que posso fazer algumas modificações nisso. Tenho umas ideias para o próximo período.
— Esse é o Edward que a gente conhece — riu Oliver.
Os três saíram do laboratório escuro, caminhando pelos corredores silenciosos da escola. Edward ainda sentia o fantasma do metal em sua cauda, uma lembrança de que, naquela escola, a linha entre ser o predador e ser a presa era tão fina quanto uma folha de papel. Mas, por enquanto, ele estava de volta ao lado certo da equação.
— Ei, Edward — chamou Zip enquanto subiam as escadas.
— O quê?
— Na próxima vez que for ser sequestrado, tenta não ficar tão vermelho. Parece que você vai explodir.
— Cala a boca, Zip! — Edward acelerou o passo, enquanto os risos de seus amigos ecoavam pelo corredor vazio, marcando o fim de mais uma lição perigosa na Fundamental Paper Education.
Edward abriu os olhos lentamente, a visão embaçada sendo cortada pelo brilho estéril e frio do teto. Quando tentou levar a mão à testa para aliviar a pontada de dor que sentia, seu braço não se moveu. Um som metálico e seco ecoou pelo ambiente.
— Mas o que... — Sua voz saiu rouca, falhando na garganta seca.
Ele forçou a vista e olhou para baixo. O pânico começou a subir pelo seu peito como uma maré gelada. Edward estava deitado em uma maca de metal frio, e seus pulsos e tornozelos estavam presos por cordas grossas de metal, reforçadas com travas que pareciam impossíveis de romper. Ele tentou puxar o braço esquerdo, sentindo o metal frio cortar a pele negra de seus pulsos, mas a resistência era absoluta.
— Que brincadeira é essa? Oliver? Zip? Se for um trote, já perdeu a graça! — gritou ele, a voz ecoando pelas paredes de azulejos brancos e descascados.
Não houve resposta. Edward começou a se debater com mais força. Seus dedos pontiagudos arranhavam a superfície da maca, produzindo um som estridente que o fazia ranger os dentes. Ele tentou chutar, mas suas pernas estavam imobilizadas de tal forma que ele mal conseguia dobrar os joelhos. O pior de tudo foi quando tentou mover sua cauda demoníaca. Ele sentiu uma pressão incômoda; sua cauda preta e retorcida estava presa por um grampo magnético pesado no final da maca, impedindo qualquer movimento brusco.
O rosto de Edward esquentou. Uma mistura de raiva e uma vergonha inexplicável o fez ficar intensamente corado. Ele, o valentão que todos temiam, o gênio que adorava ciências e invenções, estava ali, vulnerável e exposto como um espécime de laboratório.
— Droga... — resmungou, os dentes cerrados. — Quem quer que tenha feito isso vai se ver comigo.
Ele olhou ao redor da sala, tentando identificar onde estava. O lugar parecia um laboratório de ciências clandestino, muito mais avançado e sinistro do que a sala de aula que ele frequentava. Havia béqueres com líquidos borbulhantes, fios pendendo do teto e ferramentas que pareciam saídas de um pesadelo mecânico. Seus óculos redondos, que costumavam ficar no topo de sua cabeça, estavam caídos em uma mesa lateral, fora de seu alcance.
De repente, o som de passos pesados ecoou do lado de fora. Uma porta pesada de metal rangeu ao abrir, e uma silhueta alta entrou na sala, segurando uma prancheta.
— Vejo que o nosso pequeno gênio finalmente acordou — disse uma voz fria e calculista.
Edward forçou o corpo para cima, tentando encarar o intruso, mas as cordas de metal o puxaram de volta para a maca com um tranco.
— Quem é você? Me solta agora! — Edward rosnou, as pontas de seus cabelos brancos parecendo ainda mais espetadas pela eletricidade da raiva.
A figura se aproximou da luz, revelando-se. Era um dos professores, mas não parecia o mesmo de sempre. Seus olhos brilhavam com uma curiosidade científica doentia.
— Você sempre teve um interesse tão aguçado pelas ciências, Edward — disse o professor, ignorando o pedido de liberdade. — Achei que apreciaria ver a ciência de um ângulo diferente. Do ângulo do objeto de estudo.
— Eu não sou um objeto de estudo! — Edward gritou, debatendo-se novamente. O metal das cordas tilintou violentamente. — Quando eu sair daqui, vou destruir esse lugar!
O professor soltou uma risada curta e seca, anotando algo na prancheta.
— A resistência é esperada. Aumento da frequência cardíaca, dilatação das pupilas... — Ele se aproximou e tocou no braço de Edward com uma luva de látex. — E essa pigmentação... sua fisiologia é fascinante. Como esses braços negros suportam tanta força sem uma estrutura óssea convencional?
— Tira a mão de mim! — Edward sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Ele tentou morder a mão do professor, mas o homem foi mais rápido, recuando com um sorriso de escárnio.
— Tão agressivo. Justamente como Zip me descreveu.
Edward paralisou por um segundo. O nome de sua amiga soou como uma facada.
— A Zip? O que ela tem a ver com isso? — perguntou ele, a voz subitamente baixa e trêmula.
— Ora, Edward, você sabe como as coisas funcionam nesta escola. Sobrevivência do mais forte. Ou do mais útil. — O professor caminhou até uma mesa de ferramentas e pegou um bisturi elétrico que começou a emitir um brilho azulado. — Ela e Oliver apenas... facilitaram o acesso. Eles sabiam que você seria o candidato perfeito para este teste de resistência elemental.
— Mentira... — Edward sussurrou, sentindo o rosto queimar ainda mais, desta vez de traição. — Eles não fariam isso. Somos um grupo.
— Grupos são temporários. O conhecimento é eterno — afirmou o professor, voltando-se para a maca. — Agora, vamos começar com a sensibilidade nervosa da cauda. É um ponto de conexão neural interessante, não acha?
O pânico de Edward atingiu o ápice. Ele sentiu o mecanismo que prendia sua cauda apertar ainda mais. Ele forçou cada músculo de seu corpo, os dedos pontiagudos cravando-se nas bordas da maca, tentando desesperadamente romper as cordas de metal. O suor escorria por sua testa, e seus longos cabelos brancos estavam bagunçados, caindo sobre os olhos.
— Se você me tocar com isso, eu juro que... — Ele começou, mas foi interrompido pelo som do bisturi se aproximando.
— Você não está em posição de fazer ameaças, Edward. — O professor ajustou os óculos. — Você deveria estar honrado. Poucos alunos têm a chance de contribuir para a ciência de forma tão direta.
— Isso não é ciência, é tortura! — Edward gritou, sua voz falhando no final.
— A linha entre as duas é muito tênue nesta instituição. Você deveria saber disso melhor do que ninguém. Quantas vezes você e seus amigos não encurralaram os mais fracos para "testar" suas reações? Estou apenas seguindo o seu exemplo.
Edward sentiu um nó na garganta. As palavras do professor atingiram um ponto doloroso. Ele sempre se orgulhou de ser o valentão, de estar no topo da cadeia alimentar da Paper School. Mas agora, preso, imobilizado e à mercê de alguém mais poderoso, a realidade de suas ações parecia voltar para assombrá-lo.
O professor posicionou a ponta do bisturi a poucos centímetros da cauda de Edward. O rapaz fechou os olhos com força, esperando a dor, os músculos de suas pernas retesados ao máximo nas amarras inúteis.
— Espere! — Edward exclamou, tentando uma última cartada. — Se você quer estudar minha fisiologia, eu posso ajudar! Eu conheço os meus limites melhor do que ninguém. Posso escrever relatórios, posso... posso fazer experimentos em outros!
O professor parou o movimento e pareceu considerar a proposta por um momento, inclinando a cabeça para o lado.
— Um assistente? — O homem sorriu, mas não era um sorriso bondoso. — É uma proposta tentadora. Mas um assistente precisa de disciplina. E você, Edward, sempre foi um espírito muito... rebelde.
— Eu posso ser disciplinado! — Edward insistiu, o desespero tomando conta. — Só me tira dessas cordas.
— Talvez mais tarde. Primeiro, precisamos estabelecer quem está no comando desta sala de aula. — O professor voltou a aproximar o bisturi. — Considere isso sua primeira lição de anatomia avançada.
Justo quando a lâmina azulada estava prestes a tocar a pele de Edward, um estrondo alto ecoou vindo dos dutos de ventilação acima deles. Uma grade de metal despencou, atingindo o chão com um som metálico ensurdecedor.
— Mas o que é isso? — O professor se virou, surpreso.
De dentro do duto, uma figura ágil saltou, caindo de pé com uma graça felina. Era Zip, com seu habitual olhar de tédio misturado com uma pitada de travessura. Logo atrás dela, Oliver desceu, limpando a poeira de seu uniforme.
— Sabe, professor — começou Oliver, guardando um estilete no bolso —, a gente até gosta de uma boa aula de ciências, mas você esqueceu de pedir permissão para usar o nosso "brinquedo".
— Zip? Oliver? — Edward sentiu uma onda de alívio tão forte que quase desmaiou. — Vocês vieram!
Zip olhou para Edward, preso na maca e visivelmente abalado, e soltou uma risadinha.
— Olha só para você, Edward. Tá parecendo um peru de Natal amarrado desse jeito. — Ela caminhou até a maca, ignorando o professor que parecia paralisado pela audácia dos alunos. — E tá todo vermelhinho. Que fofo.
— Cala a boca e me solta! — Edward rosnou, embora não houvesse real veneno em suas palavras agora.
— Saiam daqui agora! — ordenou o professor, recuperando a voz. — Este experimento é sancionado pela diretoria!
Oliver deu um passo à frente, girando um compasso afiado entre os dedos.
— A diretoria não precisa saber que você tentou dissecar um dos alunos preferidos da Miss Circle. Ela não gosta que mexam nas "presas" dela, sabia?
O professor empalideceu visivelmente ao ouvir o nome de Miss Circle. A hierarquia de medo na Paper School era muito clara, e ninguém queria cruzar o caminho daquela professora.
— Isso... isso é um mal-entendido — gaguejou o homem, recuando.
— É claro que é — disse Zip, já mexendo nas travas das cordas de metal que prendiam os pulsos de Edward. — E para a gente não contar para ela, você vai sair dessa sala agora e esquecer que o Edward existe.
O professor não pensou duas vezes. Ele recolheu sua prancheta e saiu apressado pela porta lateral, sem olhar para trás.
Zip finalmente soltou a última trava, a que prendia a cauda de Edward. Ele sentou-se rapidamente na maca, massageando os pulsos marcados pelo metal. Seus braços tremiam levemente, mas ele tentou esconder a fraqueza.
— Demoraram, hein? — Edward disse, tentando recuperar sua postura de valentão enquanto pegava seus óculos na mesa lateral e os colocava de volta no topo da cabeça.
— Agradeça por termos vindo — respondeu Oliver, encostando-se na parede. — O duto de ventilação estava cheio de poeira. Quase espirrei e estraguei a surpresa.
Edward desceu da maca, sentindo as pernas um pouco bambas. Ele olhou para os dois amigos, o coração ainda batendo rápido.
— Aquele cara disse que vocês tinham me entregado — comentou Edward, tentando manter a voz casual.
Zip parou de mexer em uns frascos de vidro e olhou para ele, arqueando uma sobrancelha.
— E você acreditou? — Ela deu de ombros. — Bom, a gente deu a ideia de que você seria um bom assistente, mas não dissemos que ele podia te amarrar. Isso foi falta de educação dele.
— É, a gente só queria ver até onde ele ia — completou Oliver com um sorriso malicioso. — Mas quando ele pegou o bisturi, achamos que a brincadeira ia ficar sem graça se você ficasse em pedaços. Quem ia fazer nossos trabalhos de ciências?
Edward soltou um suspiro pesado, meio risada, meio alívio. Ele sabia que, naquela escola, aquele era o máximo de "amizade" que ele poderia esperar.
— Certo, certo. Vamos sair daqui antes que ele mude de ideia ou que a Miss Circle apareça para ver o que é esse barulho.
— Espera aí — disse Zip, apontando para a maca. — Você não quer levar as cordas de metal? Elas parecem resistentes. Podem servir para a gente usar em alguém depois.
Edward olhou para o metal frio que quase o feriu. Um brilho familiar voltou aos seus olhos por trás das lentes dos óculos. Ele esticou os dedos pontiagudos e pegou uma das travas metálicas, examinando o mecanismo.
— É... — Edward sorriu, o rosto ainda levemente corado, mas agora de excitação. — Acho que posso fazer algumas modificações nisso. Tenho umas ideias para o próximo período.
— Esse é o Edward que a gente conhece — riu Oliver.
Os três saíram do laboratório escuro, caminhando pelos corredores silenciosos da escola. Edward ainda sentia o fantasma do metal em sua cauda, uma lembrança de que, naquela escola, a linha entre ser o predador e ser a presa era tão fina quanto uma folha de papel. Mas, por enquanto, ele estava de volta ao lado certo da equação.
— Ei, Edward — chamou Zip enquanto subiam as escadas.
— O quê?
— Na próxima vez que for ser sequestrado, tenta não ficar tão vermelho. Parece que você vai explodir.
— Cala a boca, Zip! — Edward acelerou o passo, enquanto os risos de seus amigos ecoavam pelo corredor vazio, marcando o fim de mais uma lição perigosa na Fundamental Paper Education.
