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Edward!

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 27/05/2026

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O Experimento de Vidro e Metal

O silêncio era absoluto, um tipo de vazio auditivo que incomodava mais do que o barulho ensurdecedor dos corredores da Paper School durante o intervalo. Edward sentiu o peso das pálpebras antes mesmo de conseguir abri-las. A última coisa de que se lembrava era de estar no laboratório de ciências, examinando alguns compostos químicos interessantes, longe da vigilância de Alice ou das brincadeiras caóticas de Oliver e Zip.

Quando finalmente abriu os olhos, a luz branca e fria do teto o atingiu como um soco. Ele piscou várias vezes, a visão embaçada focando lentamente nos óculos redondos que, por milagre, ainda estavam pousados no topo de sua cabeça, entre seus chifres pretos.

Ele tentou levar a mão ao rosto, mas o movimento foi interrompido por um tranco seco.

— Mas o quê...? — a voz de Edward saiu rouca, um sussurro carregado de confusão.

Ele forçou os pulsos para cima, mas o som metálico de correntes e cabos de aço ecoou pela sala estéril. Edward olhou para baixo e sentiu o coração disparar contra as costelas. Ele estava deitado em uma maca de metal gelada, preso por cordas de metal grossas e reforçadas que circulavam seus pulsos e tornozelos. Até mesmo sua cauda preta e retorcida de demônio estava imobilizada, presa por um grampo magnético que a mantinha esticada e desconfortável.

— Que brincadeira de mau gosto é essa?! — gritou ele, a voz ecoando nas paredes de azulejos brancos. — Oliver? Zip? Se isso for ideia de vocês, eu juro que vou transformar o armário de vocês em um depósito de ácido sulfúrico!

Ele começou a se debater. Edward era forte, um dos valentões respeitados da escola, mas as cordas de metal sequer rangiam sob seu esforço. Ele tentou puxar as pernas, flexionando os músculos dos braços pretos e pontiagudos, mas o metal parecia sugar sua força. O suor começou a brotar em sua testa, e um rubor de raiva e pânico subiu por seu pescoço, deixando-o visivelmente corado.

— Droga... — resmungou, os dentes cerrados. — Isso não é engraçado.

— Engraçado? Oh, Edward, eu raramente faço piadas quando o assunto é o progresso acadêmico.

A voz era calma, melodiosa e terrivelmente familiar. Edward congelou na maca. No canto escuro da sala, uma silhueta se destacou. O som de saltos batendo contra o chão de pedra era rítmico, quase hipnótico. A Professora Bloomie surgiu sob a luz, segurando uma prancheta e ajustando as mangas de seu traje de papel.

— Professora? — Edward relaxou os ombros por um segundo, antes de se lembrar de onde estava. — O que está acontecendo? Me tira daqui agora! Eu tenho aula de química em dez minutos.

— Você tinha aula, Edward — corrigiu ela, aproximando-se da maca com um sorriso gélido que não chegava aos olhos. — Mas seu desempenho recente em biologia molecular me deu uma ideia. Você gosta tanto de ciência, não gosta? Sempre o vi observando as reações químicas com um brilho diferente nos olhos.

Edward sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Ele tentou mais uma vez soltar as pernas, mas a trava metálica em seus tornozelos apenas apertou mais, prendendo suas botas pretas com força.

— Eu gosto de fazer ciência, não de ser o experimento! — exclamou ele, sua cauda chicoteando inutilmente contra a trava de metal. — Isso é contra as regras da escola! A senhorita Grace não permitiria isso!

A Professora Bloomie soltou uma risada curta e seca, folheando os papéis em sua prancheta.

— A senhorita Grace está muito ocupada lidando com os alunos que não conseguem nem resolver uma equação de segundo grau. Ela me deu total autonomia para este "projeto extracurricular".

Ela se inclinou sobre ele, o rosto a poucos centímetros do dele. Edward podia ver o reflexo de seu próprio pânico nas lentes dos óculos dela.

— Você tem uma fisiologia fascinante, Edward. Esses chifres, essa cauda... e essa resistência física. Eu me pergunto quanto de "papel" realmente existe em você e quanto é algo... diferente.

— Eu sou um aluno! — Edward rosnou, tentando usar suas garras pontiagudas para arranhar as cordas de metal, mas o ângulo era impossível. — Se você me machucar, o Oliver vai notar que eu sumi. A Zip vai contar para todo mundo!

— Seus amigos estão ocupados sendo o que são: distrações — disse Bloomie, afastando-se para pegar uma seringa longa e brilhante em uma bandeja próxima. — Além disso, quem acreditaria neles? Você é o valentão, Edward. Todos vão pensar que você simplesmente decidiu cabular aula para assustar algum calouro no pátio.

Edward sentiu o pânico atingir um novo patamar. Ele era o caçador, não a presa. Ele era quem empurrava os outros contra os armários, quem ria dos desenhos malfeitos e quem dominava os corredores com seu grupo. Estar ali, vulnerável, preso e à mercê de uma professora que parecia ter perdido completamente a razão, era um pesadelo que ele nunca imaginou.

— Espera, espera! — Ele tentou mudar de tática, a voz falhando levemente. — Podemos conversar sobre isso. Eu posso ajudar no laboratório! Posso ser seu assistente. Eu sei tudo sobre a tabela periódica, eu posso...

— Você vai ajudar, querido — interrompeu ela, testando a ponta da agulha com o polegar. — Mas não como assistente.

Ela se aproximou do braço esquerdo dele. Edward debateu-se com toda a força que lhe restava. Seus pés chutaram o metal da maca, criando um estrondo que ressoou pela sala, mas as travas eram implacáveis. Ele sentia o metal frio cortando levemente a pele de seus pulsos enquanto tentava girar as mãos.

— Não! Sai de perto! — Ele gritou, o rosto agora vermelho de esforço e medo.

— Fique quieto, ou o corte será irregular — disse ela, o tom de voz voltando a ser o de uma professora corrigindo um erro de gramática.

Justo quando a ponta da agulha tocou a pele escura de seu braço, um estrondo veio da porta pesada do laboratório. Alguém estava batendo com força, e o som de risadas abafadas atravessou o metal.

— Edward! O esquisitão do Abbie disse que te viu entrando aqui embaixo! — Era a voz de Oliver, seguida pelo som característico de Zip mastigando chiclete. — Anda logo, a gente achou um estoque de giz novo pra jogar no ventilador da sala da Miss Circle!

A Professora Bloomie parou o movimento, os olhos estreitando-se de irritação. Edward viu ali sua única chance.

— OLIVER! ZIP! SOCORRO! — ele berrou com todo o ar de seus pulmões. — ELA ESTÁ MALUCA! ME TIRA DAQUI!

O silêncio do outro lado da porta durou apenas um segundo.

— Edward? — A voz de Zip parecia confusa. — Cara, por que você tá gritando? A porta tá trancada.

Bloomie suspirou, largando a seringa na bandeja com um estalo metálico.

— Que inconveniente — murmurou ela.

Ela caminhou até o painel de controle na parede e apertou um botão. Uma cortina de metal desceu sobre a porta interna, abafando qualquer som que viesse do corredor.

— Agora, onde estávamos? — perguntou ela, voltando-se para Edward com um olhar predatório.

Edward sentiu o suor escorrer por trás de seus óculos no topo da cabeça. Ele olhou para suas mãos presas, para sua cauda imobilizada e para a mulher que representava sua maior ameaça. O medo era real, mas a raiva de ser tratado como um objeto começou a queimar em seu peito. Se ele saísse dali — e ele ia sair —, a Paper School nunca mais seria a mesma.

— Você cometeu um erro, professora — sibilou Edward, seus olhos brilhando com uma intensidade perigosa. — Eu não sou apenas um pedaço de papel. E eu não quebro fácil.

Bloomie apenas sorriu, aproximando a agulha novamente.

— É exatamente isso que estamos prestes a testar, Edward.

O capítulo termina com o som metálico da agulha encontrando o braço de Edward, enquanto as luzes do laboratório piscam, sinalizando o início de uma longa e terrível noite na Paper School.
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