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Edward é petrificado

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 27/05/2026

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O Silêncio de Pedra

O feixe de luz da lanterna do celular cortava a escuridão densa da sala como uma lâmina afiada. Edward segurava o aparelho com firmeza, embora seus dedos pontiagudos tremessem levemente. O ar ali era frio, carregado com um cheiro metálico e de poeira antiga. Ele não deveria estar naquele setor da Paper School após o horário das aulas, mas a curiosidade e o instinto de valentão sempre o empurravam para onde o perigo espreitava.

Ele avançou cautelosamente, a bota preta fazendo um som oco contra o chão. Quando a luz iluminou o centro da sala, o coração de Edward saltou no peito.

Ali, dispostas em um círculo macabro, estavam estátuas. Mas não eram esculturas comuns de argila ou gesso. Eram alunos. Cada detalhe, desde as dobras dos uniformes de papel até a expressão de puro terror nos rostos, estava preservado em uma rocha cinzenta e fria.

— Mas que droga é essa? — sussurrou Edward para si mesmo, a voz falhando.

Ele ergueu o celular e começou a tirar fotos. O flash disparava, iluminando por milissegundos o horror estático. Ele precisava de provas. Se ele mostrasse isso para Zip e Oliver, eles finalmente admitiriam que Edward era o mais corajoso do trio.

Edward continuou caminhando entre as figuras sem vida até que a luz parou sobre duas formas familiares. O sangue dele gelou.

Zip estava agachada, as mãos cobrindo o rosto em um gesto de defesa eterna. Ao lado dela, Oliver. O líder deles, sempre tão confiante e cruel, agora não passava de um bloco de pedra com um olhar de choque petrificado nos olhos sem pupila.

— Oliver? Zip? — Edward deu um passo à frente, o pânico subindo pela garganta. — Ei, isso é uma brincadeira, né? Algum projeto inovador de artes?

Ele tocou o ombro de Oliver. O toque foi gélido. Não havia calor, não havia respiração. O terror tomou conta de Edward de tal forma que suas pernas fraquejaram. Ao recuar bruscamente, ele tropeçou no próprio calcanhar e esbarrou com força em uma estátua menor ao seu lado.

O som do impacto ecoou como um tiro. A estátua tombou e se espatifou no chão, quebrando-se em mil pedaços de pedra sem vida.

Edward congelou. O silêncio que se seguiu foi pior do que o barulho. Ele sentiu um arrepio na espinha, uma sensação de que olhos invisíveis o observavam da penumbra. Lentamente, ele olhou para trás, por cima do ombro, esperando ver algum monstro ou professor...

Mas a escuridão apenas o engoliu.

...

Edward acordou com um solavanco, mas não conseguia se mexer direito. Ele não estava mais na sala das estátuas. O ambiente era iluminado por uma luz cirúrgica e fria. Ele tentou se levantar, mas sentiu uma vulnerabilidade súbita. Ao olhar para baixo, percebeu que estava sem suas roupas de colarinho e suas botas pesadas; estava apenas de cueca, exposto e indefeso sobre uma mesa de metal.

O rosto de Edward ardeu em um tom de carmesim. Ele tentou cobrir o corpo com as mãos, mas uma sombra se projetou sobre ele.

— Finalmente acordou, Edward. — A voz era calma, mas tinha a precisão de um bisturi.

Ele olhou para cima e viu Miss Bloomie. A professora de ciências estava parada ali, segurando um frasco com um líquido borbulhante e uma expressão de desdém profissional.

— O que... o que você fez com eles? — Edward rosnou, tentando recuperar sua postura de valentão, apesar da situação. — Onde estão o Oliver e a Zip?

— Eles agora fazem parte da minha coleção permanente — respondeu Miss Bloomie, aproximando-se. — E você, Edward, sempre foi tão criativo... achei que gostaria de se juntar a eles.

Edward não esperou. Ele saltou da mesa, ignorando a vergonha de estar seminu, e tentou desferir um golpe contra a professora com seus dedos pontiagudos. Ele era rápido, mas Miss Bloomie era mais. Com um movimento fluido, ela o atingiu com um bastão metálico que carregava um brilho estranho.

O golpe não causou uma ferida aberta, mas algo muito pior.

Edward caiu no chão, soltando um grito abafado. Quando olhou para baixo, o horror o paralisou. Seus pés e a parte inferior de suas pernas pretas estavam mudando de cor. A pele e o material de papel estavam endurecendo, tornando-se cinzas e pesados.

— Não... não, não! — Ele tentou se arrastar, mas suas pernas já não obedeciam. Eram como blocos de concreto presos ao seu tronco.

— É uma reação química fascinante, não acha? — comentou Miss Bloomie, caminhando lentamente ao redor dele como um predador. — A vida se tornando mineral. A inovação que você tanto ama, Edward, levada ao limite biológico.

Edward viu seu celular preto jogado a poucos metros de distância, a lanterna ainda acesa. Ele tentou esticar o braço, mas sentiu o peso subindo por suas coxas. A petrificação avançava como um vírus voraz, transformando carne e osso em carvalho e pedra. Cada centímetro que o cinza avançava, a sensibilidade desaparecia, restando apenas um peso morto.

— Por favor... — ele implorou, a voz trêmula. — Eu faço qualquer coisa!

Miss Bloomie se inclinou sobre ele. O rosto dela estava a poucos centímetros do dele. Ela pegou o celular de Edward do chão e, com um gesto quase carinhoso, pressionou o aparelho contra o peito dele, bem em cima do coração que batia freneticamente.

— Guarde suas memórias, Edward. Elas são tudo o que restará.

Ele sentiu o frio subir pelo abdômen. Seus braços começaram a endurecer em ângulos estranhos enquanto ele tentava empurrá-la. Seus dedos pontiagudos, antes tão ágeis para criar invenções, agora se tornavam garras de pedra imóveis.

Miss Bloomie estendeu a mão e acariciou o topo da cabeça de Edward, passando os dedos pelos seus longos cabelos brancos e espetados, contornando os chifres pretos. O toque era quase materno, o que tornava a situação ainda mais doentia.

— Shhh... — sussurrou ela. — Logo você não sentirá mais medo. Apenas o silêncio eterno da perfeição.

Edward tentou gritar, mas o cinza subiu pelo seu pescoço, travando suas cordas vocais. O rosto dele começou a endurecer, as lágrimas que escorriam por trás dos óculos pretos no topo de sua cabeça transformando-se em cristais salinos antes de serem engolidas pela pedra.

As mãos dele congelaram no ar, os braços petrificados em uma pose de desespero. O corpo inteiro de Edward agora era uma estátua perfeita, capturando o ápice de sua agonia e terror.

Miss Bloomie recuou um passo, admirando sua obra. O silêncio na sala era absoluto, quebrado apenas pelo som de seus próprios passos.

— Magnífico — disse ela em voz baixa.

Ela se aproximou da estátua de Edward para uma inspeção final. Seus dedos enluvados percorreram a superfície fria e áspera da pedra. Ela começou por baixo, examinando a transição da textura. Sua mão tocou a região da virilha petrificada de Edward, verificando se a transformação havia sido completa e uniforme naquela área, antes de subir para o abdômen e o peito, onde o celular estava fundido à pedra.

— Você será uma excelente adição ao corredor leste, Edward — concluiu ela, limpando uma partícula de poeira do ombro estático do garoto. — Tão silencioso. Tão... comportado.

A professora de ciências apagou a luz da sala, deixando a nova estátua de Edward na escuridão, com seus olhos de pedra fixos para sempre no vazio.
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