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Golden Retriever and Black Cat

Fandom: LMSY

Criado: 27/05/2026

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A Melodia Silenciosa do Nosso Próprio Mundo

O som rítmico das luvas de boxe atingindo o aparador ecoava pela academia privativa, um metrônomo de esforço físico e disciplina. Lookmhee Punyapat, com seus 1,70 de altura e cabelos pretos presos em um rabo de cavalo firme, movia-se com a precisão de uma predadora. Cada golpe de Muay Thai era seco, calculado e silencioso. Ela não gritava ao chutar; ela apenas respirava, focada na queimação de seus músculos e na clareza mental que o suor lhe proporcionava.

No canto da sala, sentada em um banco de madeira com as pernas balançando e um sorriso radiante que poderia iluminar um estádio inteiro, estava Sonya Pedersen. Com seus cabelos castanho-claros ondulados caindo sobre os ombros e seus óculos de grau levemente escorregando pelo nariz devido ao astigmatismo, ela parecia a antítese da intensidade de Lookmhee. Sonya era o sol de verão, enquanto Lookmhee era a sombra fresca de uma floresta fechada.

— Você está tão linda hoje, Mhee-Mhee — exclamou Sonya, a voz carregada de uma energia contagiante. — Seus chutes estão mais rápidos. Eu quase não consigo acompanhar com meus olhos ruins!

Lookmhee parou o movimento, o peito subindo e descendo com força. Ela olhou para Sonya, sua expressão habitualmente estóica suavizando-se apenas um milímetro — o equivalente a um sorriso largo para qualquer outra pessoa.

— Você diz isso todos os dias, Sonya — respondeu Lookmhee, a voz baixa e rouca.

— E todos os dias é verdade! — Sonya levantou-se num salto, atravessando o tatame com a agilidade de um filhote de golden retriever correndo em direção ao seu dono. Ela ignorou o suor na pele de Lookmhee e envolveu a cintura da outra com os braços, colando seus corpos. — Além disso, eu fiz biscoitos. E comprei aquele vinil raro que você mencionou na semana passada. O de jazz tailandês da década de 70.

Lookmhee sentiu o coração falhar uma batida. Não pelo exercício, mas pela forma como Sonya parecia saber exatamente como preencher todos os espaços de sua vida. A dependência que sentia pela loira era como uma âncora; às vezes pesada, mas sempre garantindo que ela não se perdesse na correnteza do mundo exterior que tanto a esgotava.

— Você não deveria gastar tanto comigo — murmurou Lookmhee, embora suas mãos, ainda enfaixadas, subissem para repousar nos ombros de Sonya.

— Eu gasto o que eu quiser com o que é meu — Sonya ronronou, enterrando o rosto no pescoço de Lookmhee, inalando o cheiro de esforço e do perfume amadeirado que a namorada usava.

O momento foi interrompido pelo som da porta da academia se abrindo. Um instrutor e dois outros alunos entraram, conversando alto. Lookmhee imediatamente tensionou os ombros, sua aura de "black cat" se fechando, os olhos fixos no chão. A socialização era um fardo que ela preferia não carregar.

— Ei, Lookmhee! — um dos rapazes chamou, aproximando-se com um sorriso amigável. — A gente estava pensando em ir tomar um suco depois do treino, quer vir? A gente queria perguntar sobre aquela técnica de bloqueio que você...

Antes que o rapaz pudesse terminar a frase ou chegar a menos de um metro de distância, Sonya se virou. O sorriso dela ainda estava lá — doce, brilhante, perfeito —, mas seus olhos brilharam com uma possessividade afiada que apenas Lookmhee conseguia identificar.

— Ah, sinto muito mesmo! — Sonya disse, sua voz soando como mel, enquanto ela se posicionava sutilmente entre o rapaz e Lookmhee, bloqueando o campo de visão dele. — A Mhee-Mhee está exausta hoje, sabia? Ela treinou tão pesado... e nós já temos um compromisso super secreto e importante em casa. Não é, meu amor?

Ela se virou para Lookmhee, pegando sua mão e entrelaçando os dedos com força, quase como se estivesse marcando território.

— É — limitou-se a dizer Lookmhee, sentindo um alívio imenso por não ter que inventar uma desculpa ou manter uma conversa trivial.

— Fica para a próxima, então! — Sonya continuou, acenando de forma animada enquanto empurrava gentilmente Lookmhee em direção aos chuveiros. — Bom treino para vocês! Tchauzinho!

Assim que entraram no vestiário privativo, a fachada energética de Sonya mudou ligeiramente para algo mais focado. Ela começou a desamarrar as bandagens das mãos de Lookmhee com um cuidado quase religioso.

— Eles são tão barulhentos, não são? — comentou Sonya, sem olhar para cima. — Você não precisa deles. Eles só querem sugar sua inteligência e seu tempo.

Lookmhee observou o topo da cabeça de Sonya. Ela sabia o que a namorada estava fazendo. Sonya estava, pouco a pouco, cortando os fios que a ligavam ao resto do mundo. Amigos, colegas de treino, até mesmo conhecidos casuais eram afastados pelo charme protetor e pela presença constante de Sonya. Para qualquer outra pessoa, isso seria um sinal de alerta vermelho. Para Lookmhee, era o paraíso.

— Eu não me importo de ficar só com você — disse Lookmhee, sua voz soando quase como um segredo.

Sonya parou de desamarrar as mãos dela e olhou para cima, um sorriso predatório e satisfeito surgindo em seus lábios.

— Boa menina.

***

Mais tarde, no apartamento que compartilhavam, o ambiente era o oposto da academia. O lugar era um santuário de silêncio e conforto. As paredes eram forradas com prateleiras de discos de vinil, a coleção preciosa de Lookmhee que Sonya fazia questão de expandir toda semana.

Lookmhee estava sentada no tapete felpudo, limpando cuidadosamente um de seus discos favoritos. Sonya estava deitada com a cabeça no colo de Lookmhee, segurando um livro que não estava lendo, pois seus olhos estavam ocupados demais seguindo cada movimento da namorada.

— Mhee-Mhee? — chamou Sonya, a voz preguiçosa.

— Hum?

— Você me ama mais do que ama seus discos?

Lookmhee parou a flanela sobre o vinil preto. Ela olhou para baixo, encontrando os olhos de Sonya através das lentes dos óculos.

— Você sabe que sim.

— Então por que você passou dez minutos limpando esse disco e só me deu um beijo desde que chegamos? — Sonya fez um biquinho, a personificação de um golden retriever carente pedindo atenção.

Lookmhee suspirou, mas havia uma doçura em seu rosto que ela raramente mostrava. Ela deixou o disco de lado com cuidado e se inclinou, selando seus lábios nos de Sonya. O beijo começou calmo, mas Sonya rapidamente o aprofundou, puxando Lookmhee para mais perto pela nuca, seus dedos se perdendo nos fios pretos e sedosos.

— Eu sou obcecada por você — sussurrou Sonya contra os lábios dela, a respiração curta. — Às vezes eu sinto que poderia te guardar em uma caixinha de música só para eu poder ouvir seu som quando quisesse, sem ninguém mais por perto.

— Você já faz isso, Sonya — respondeu Lookmhee, acariciando a bochecha da namorada. — Você me isola de todo mundo.

— E você odeia? — Sonya perguntou, seus olhos fixos nos de Lookmhee, procurando qualquer sinal de hesitação.

Lookmhee pensou nas festas que não precisava mais frequentar, nas conversas vazias que evitava e no silêncio confortável que só Sonya conseguia proporcionar. Ela pensou em como Sonya sabia seus horários, seus medos e até as músicas que ela queria ouvir antes mesmo de ela mesma saber. Era uma teia, e Lookmhee estava confortavelmente instalada no centro dela.

— Não — admitiu Lookmhee. — Eu prefiro o nosso mundo.

Sonya brilhou. Ela se sentou rapidamente, transbordando energia novamente.

— Ótimo! Porque eu apaguei aquele número que te mandou mensagem hoje cedo. Um tal de "Phi'Khao". Ele parecia interessado demais em saber se você ia naquela conferência de tecnologia.

— Eu nem conheço direito esse cara — disse Lookmhee, sem se importar com a invasão de privacidade.

— Agora você conhece menos ainda — Sonya riu, abraçando Lookmhee por trás e espalhando beijos por seus ombros. — Eu sou tudo o que você precisa, Mhee. Eu sou seu exercício, seu disco favorito, sua melhor amiga.

— E minha stalker pessoal — acrescentou Lookmhee com um meio sorriso.

— A melhor que você poderia ter — Sonya concordou orgulhosamente. — Agora, coloque aquele disco que eu te dei. Quero dançar com você na sala, bem devagar, onde ninguém possa nos ver.

Lookmhee levantou-se e caminhou até a vitrola. Ela posicionou a agulha com delicadeza. As primeiras notas de um jazz suave preencheram o ar, quentes e nostálgicas. Quando ela se virou, Sonya já estava lá, de braços abertos, esperando por ela.

Enquanto balançavam lentamente ao som da música, Lookmhee fechou os olhos. Ela sabia que lá fora o mundo continuava barulhento, caótico e exigente. Mas ali, nos braços possessivos de Sonya, tudo o que existia era o ritmo do coração da mulher que a amava com uma intensidade beirando o perigoso. E para a introvertida e silenciosa Lookmhee, não havia lugar mais seguro na Terra.

— Você é minha, Mhee-Mhee — sussurrou Sonya no ouvido dela, apertando o abraço.

— Eu sou sua — confirmou Lookmhee, entregando-se completamente à melodia e ao domínio doce de sua golden retriever.

Naquela sala, cercadas por discos de vinil e pelo cheiro de baunilha que emanava de Sonya, o resto do mundo deixou de existir. E era exatamente assim que ambas queriam que fosse. O amor, afinal, era a melhor forma de isolamento que elas poderiam ter construído juntas.
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