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Fandom: Nenhum
Criado: 27/05/2026
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RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoPsicológicoSombrioCiúmesEstudo de PersonagemSuspenseCrimeAbuso de ÁlcoolLinguagem ExplícitaGravidez Não Planejada/IndesejadaRealismoNoir
O Equilíbrio do Caos e da Seda
A luz suave do entardecer filtrava-se pelas janelas coloniais da casa de campo, iluminando as partículas de poeira que dançavam no ar. Emanuel observava a cena do alto da escada, sentindo o peso familiar da tensão nos ombros. Ele era um homem de controle. Construíra um império de estúdios de tatuagem ao redor do mundo com precisão cirúrgica e lógica inabalável, mas ali, naquela sala de estar, a lógica parecia uma ferramenta cega.
No sofá de couro, Sara cruzava as pernas generosas, o vestido curto e vermelho subindo perigosamente pelas coxas. Ela retocava o batom, exalando um perfume caro e invasivo que preenchia o ambiente. Sara era o fogo: intensa, barulhenta e visualmente impactante, com suas curvas realçadas pelo silicone e o cabelo loiro platinado impecavelmente ondulado. Ela era sua namorada há quatro meses, a mulher que desafiava sua paciência e alimentava seus instintos mais básicos.
E então, no canto oposto, perto da janela, estava Eduarda.
Ela segurava um livro de História da Arte contra o peito, como se fosse um escudo. Usava um vestido de seda clara, com um decote sutil que revelava a maciez da pele, equilibrando uma sensualidade romântica com uma inocência que fazia o coração de Emanuel errar a batida. Ela era a namorada de seu irmão, Gustavo, há oito meses. Mas Emanuel sabia a verdade: Gustavo era um idiota que não merecia o chão que ela pisava.
— Emanuel, querido, você vai ficar aí parado parecendo uma estátua ou vai vir aqui me dar atenção? — A voz de Sara cortou o silêncio, carregada de uma ironia afiada.
Emanuel desceu os degraus lentamente, os olhos fixos em Eduarda por um segundo a mais do que o socialmente aceitável.
— Estou apenas apreciando o silêncio enquanto ele dura, Sara — respondeu ele, a voz grave e calma.
Eduarda levantou os olhos. Eram olhos expressivos, que pareciam pedir desculpas por existirem. Ela deu um sorriso tímido, quase imperceptível, e se encolheu um pouco mais na poltrona.
— Onde está o Gustavo? — perguntou Emanuel, aproximando-se de Eduarda.
— Ele... ele saiu para atender uma ligação — sussurrou ela, a voz doce e levemente manhosa. — Disse que era importante.
— Importante — Emanuel repetiu, sentindo uma onda de desprezo pelo irmão. Ele sabia que Gustavo estava provavelmente trocando mensagens com alguma das amantes, punindo Eduarda por sua "resistência" em ir para a cama com ele. A pureza dela era um tesouro que Gustavo via como um obstáculo, mas que Emanuel via como uma relíquia a ser protegida.
— Deve ser outra "emergência" de negócios — Sara zombou, levantando-se e caminhando até Emanuel, passando os braços pelo pescoço dele com uma possessividade evidente. — Ou talvez ele só tenha cansado de tanta timidez. Algumas pessoas são tão sem sal que é difícil manter o interesse, não acha, Eduarda?
Eduarda baixou o rosto, o cabelo castanho caindo como uma cortina sobre sua expressão magoada. Ela não respondeu. Ela nunca respondia.
— Chega, Sara — Emanuel disse, desvencilhando-se dela com firmeza, mas sem grosseria. Ele caminhou até Eduarda e tocou suavemente o ombro dela. — Você quer um chá, Duda? Ou talvez queira ver a biblioteca? Meu pai tem alguns catálogos de arte que podem te interessar.
Os olhos de Eduarda brilharam com a menção aos livros.
— Eu adoraria, Emanuel. Obrigada.
— Que fofo — Sara bufou, revirando os olhos e jogando-se de volta no sofá. — O grande tatuador virou guia de museu. Não demore, Emanuel, eu não vim para o meio do mato para ficar olhando para as paredes.
Emanuel ignorou a provocação. Ele guiou Eduarda pelo corredor, sentindo a proximidade física dela como uma corrente elétrica. Ela era tão leve, tão frágil em comparação à presença esmagadora de Sara. Ele a queria. Queria o silêncio dela, o carinho dela, a forma como ela se apoiava nele quando se sentia insegura. Mas ele também não estava pronto para abrir mão da energia vibrante e do caos que Sara trazia.
Ao entrarem na biblioteca, o cheiro de papel antigo e madeira pareceu acalmar Eduarda. Ela soltou um suspiro longo, relaxando os ombros.
— Ela me odeia, não é? — perguntou ela, sem olhar para ele, os dedos traçando a lombada de um livro.
— Sara é... complicada — Emanuel respondeu, parando logo atrás dela. — Ela se sente ameaçada por coisas que não entende. E ela não entende sua suavidade.
— Eu não queria causar problemas — Eduarda virou-se para ele, os olhos úmidos. — Eu só aceitei vir porque o Gustavo insistiu tanto... e eu não sei dizer não para ele. Eu me sinto mal, Emanuel. Sinto que estou sempre sobrando.
Emanuel sentiu uma pontada de raiva de Gustavo. Como ele podia deixar aquela mulher se sentir assim? Ele deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal dela. Eduarda não recuou; pelo contrário, ela inclinou a cabeça levemente para cima, buscando a segurança que a presença dele emanava.
— Você nunca sobra, Duda — disse ele, a voz baixa e densa. — Na verdade, você é a única coisa que faz sentido nesta casa hoje.
— Você não deveria dizer essas coisas — ela murmurou, embora suas mãos tivessem subido para tocar o antebraço tatuado dele. — Você é namorado dela. E eu... eu sou do seu irmão.
— Meu irmão não sabe o que tem. E Sara... Sara é uma parte da minha vida, mas não é tudo.
Emanuel não resistiu. Ele levou a mão ao rosto de Eduarda, acariciando a pele macia com o polegar. Ela fechou os olhos, soltando um som pequeno, manhoso, que quase destruiu a compostura dele. Ele queria levá-la dali, escondê-la do mundo, fazê-la morar com ele onde ninguém pudesse intimidá-la.
O momento foi quebrado pelo som de passos pesados no corredor. Emanuel se afastou milímetros antes de Gustavo entrar, falando alto ao celular.
— ...já disse que resolvo isso na segunda, caralho! — Gustavo desligou o aparelho e olhou para os dois, franzindo a testa. — Ah, estão aqui. Emanuel, você não viu a Sara? Ela está de mau humor, reclamando que você a largou sozinha.
— Eu estava mostrando os livros para a Eduarda, já que você parece ocupado demais com seu telefone — Emanuel respondeu, o tom gélido.
— É, é, tanto faz. Duda, vem cá — Gustavo estendeu a mão de forma impaciente. — Vamos dar uma volta lá fora. Preciso de ar.
Eduarda olhou para Emanuel, um pedido mudo de socorro brilhando em seus olhos, mas a timidez e a submissão falaram mais alto. Ela caminhou até Gustavo, que a envolveu pelo ombro de forma possessiva e bruta.
— Não demorem para o jantar — disse Emanuel, as mãos cerradas nos bolsos.
Quando eles saíram, Emanuel ficou sozinho no silêncio da biblioteca por alguns minutos, tentando organizar seus pensamentos. Seu plano estava claro em sua mente: ele não escolheria. Ele teria a elegância romântica de Eduarda e a vulgaridade magnética de Sara. Ele era rico, poderoso e acostumado a conseguir o que queria.
Ao voltar para a sala, encontrou Sara de pé, servindo-se de uma dose generosa de uísque.
— Aquela santinha é uma mosca morta, Emanuel — disse ela, sem se virar. — E você está olhando para ela como se ela fosse uma obra de arte rara.
— Talvez ela seja — Emanuel aproximou-se, parando atrás de Sara e envolvendo a cintura dela, sentindo a firmeza do corpo que ele conhecia tão bem. — Mas você sabe que nada substitui o que temos, Sara.
Ela virou-se nos braços dele, um sorriso malicioso brincando nos lábios pintados de vermelho.
— Acho bom mesmo. Porque eu não divido o que é meu.
— Você não vai precisar dividir — ele mentiu com perfeição, beijando-a com uma intensidade que a calou.
O jantar foi uma guerra de nervos silenciosa. Gustavo bebia demais e ignorava Eduarda, que mal tocava na comida, visivelmente acuada pelas risadas altas de Sara e pelos comentários sarcásticos que a loira lançava em sua direção.
— Então, Eduarda — Sara disse, limpando os lábios com o guardanapo de linho —, o Gustavo me contou que você ainda é... como posso dizer? "Moderna" demais para os padrões de hoje. Como é viver em um convento em pleno século vinte e um?
Eduarda ficou pálida. O garfo tremeu em sua mão.
— Eu... eu só acho que algumas coisas devem ser especiais — sussurrou ela, os olhos fixos no prato.
— Especial é não perder tempo — Sara riu, olhando para Emanuel. — Não é, querido? A vida é curta demais para ficar esperando o momento perfeito que nunca vem.
— Cada um tem seu tempo, Sara — Emanuel interveio, sua voz soando como um trovão contido. — E o respeito deve vir antes de qualquer opinião pessoal.
— Ah, pronto! — Gustavo exclamou, batendo com o copo na mesa. — Agora o meu irmão vai dar lição de moral. Duda é assim mesmo, Emanuel. Uma boneca de porcelana. Às vezes eu acho que ela vai quebrar se eu encostar nela com força.
O comentário de Gustavo foi a gota d'água. Emanuel viu a lágrima solitária escorrer pelo rosto de Eduarda antes de ela se levantar abruptamente.
— Com licença... eu não me sinto muito bem — ela disse, saindo quase correndo da sala de jantar.
— Ótimo, estragou o clima — reclamou Sara.
Emanuel levantou-se logo em seguida.
— Eu vou ver como ela está. Gustavo, você deveria ter vergonha da forma como fala da sua namorada.
— Vai lá, herói — Gustavo deu de ombros, servindo-se de mais vinho. — Ela é toda sua por cinco minutos. Quem sabe você consegue fazer ela falar mais que três palavras seguidas.
Emanuel encontrou Eduarda na varanda dos fundos, abraçada aos próprios braços, tremendo apesar do ar morno da noite. A luz da lua caía sobre ela, tornando-a quase etérea.
— Duda... — ele chamou suavemente.
Ela se virou, e o desespero em seu rosto partiu algo dentro dele.
— Por que eles fazem isso comigo? — ela perguntou, a voz embargada. — Eu tento ser boa, eu tento agradar... mas parece que nunca é o suficiente. O Gustavo... ele me faz sentir tão pequena.
Emanuel caminhou até ela e, sem hesitar, puxou-a para um abraço. Eduarda desabou contra o peito dele, chorando silenciosamente, as mãos pequenas agarrando a camisa dele.
— Ele não te merece — murmurou Emanuel, enterrando o rosto no cabelo dela, inspirando o perfume suave de flores que ela exalava. — E eu não vou deixar que ele, ou a Sara, te machuquem mais.
— Mas você está com ela...
— Shhh — ele a afastou apenas o suficiente para olhar em seus olhos. — Eu vou cuidar de tudo. Eu quero você comigo, Eduarda. Quero que você more comigo, que estude sua arte sem ninguém te diminuir.
— E a Sara? — ela perguntou, a voz trêmula.
— Sara é... uma necessidade diferente. Mas você é o meu descanso. Eu não vou abrir mão de nenhuma das duas.
Eduarda o olhou com confusão, a mente inocente tentando processar a complexidade do que ele dizia. Mas o calor que emanava de Emanuel, a segurança que ele oferecia, era tentador demais para uma alma tão cansada de ser maltratada.
— Você me protegeria? — ela perguntou, manhosa, encostando a cabeça no ombro dele novamente.
— Com a minha vida — prometeu ele.
Naquela noite, Emanuel voltou para o quarto onde Sara o esperava com lingerie preta e um olhar de desafio. Ele a possuiu com a ferocidade de sempre, alimentando o fogo que os unia. Mas, enquanto Sara dormia ao seu lado, seus pensamentos voltavam para o quarto ao fim do corredor, onde a seda e a doçura de Eduarda aguardavam o momento de serem resgatadas.
O fim de semana estava apenas começando, e Emanuel estava decidido. Ele seria o mestre daquela dança perigosa. Ele teria o fogo e a seda, o caos e a paz. E ninguém, nem mesmo seu irmão ou a fúria de Sara, o impediria de ter exatamente o que desejava.
No sofá de couro, Sara cruzava as pernas generosas, o vestido curto e vermelho subindo perigosamente pelas coxas. Ela retocava o batom, exalando um perfume caro e invasivo que preenchia o ambiente. Sara era o fogo: intensa, barulhenta e visualmente impactante, com suas curvas realçadas pelo silicone e o cabelo loiro platinado impecavelmente ondulado. Ela era sua namorada há quatro meses, a mulher que desafiava sua paciência e alimentava seus instintos mais básicos.
E então, no canto oposto, perto da janela, estava Eduarda.
Ela segurava um livro de História da Arte contra o peito, como se fosse um escudo. Usava um vestido de seda clara, com um decote sutil que revelava a maciez da pele, equilibrando uma sensualidade romântica com uma inocência que fazia o coração de Emanuel errar a batida. Ela era a namorada de seu irmão, Gustavo, há oito meses. Mas Emanuel sabia a verdade: Gustavo era um idiota que não merecia o chão que ela pisava.
— Emanuel, querido, você vai ficar aí parado parecendo uma estátua ou vai vir aqui me dar atenção? — A voz de Sara cortou o silêncio, carregada de uma ironia afiada.
Emanuel desceu os degraus lentamente, os olhos fixos em Eduarda por um segundo a mais do que o socialmente aceitável.
— Estou apenas apreciando o silêncio enquanto ele dura, Sara — respondeu ele, a voz grave e calma.
Eduarda levantou os olhos. Eram olhos expressivos, que pareciam pedir desculpas por existirem. Ela deu um sorriso tímido, quase imperceptível, e se encolheu um pouco mais na poltrona.
— Onde está o Gustavo? — perguntou Emanuel, aproximando-se de Eduarda.
— Ele... ele saiu para atender uma ligação — sussurrou ela, a voz doce e levemente manhosa. — Disse que era importante.
— Importante — Emanuel repetiu, sentindo uma onda de desprezo pelo irmão. Ele sabia que Gustavo estava provavelmente trocando mensagens com alguma das amantes, punindo Eduarda por sua "resistência" em ir para a cama com ele. A pureza dela era um tesouro que Gustavo via como um obstáculo, mas que Emanuel via como uma relíquia a ser protegida.
— Deve ser outra "emergência" de negócios — Sara zombou, levantando-se e caminhando até Emanuel, passando os braços pelo pescoço dele com uma possessividade evidente. — Ou talvez ele só tenha cansado de tanta timidez. Algumas pessoas são tão sem sal que é difícil manter o interesse, não acha, Eduarda?
Eduarda baixou o rosto, o cabelo castanho caindo como uma cortina sobre sua expressão magoada. Ela não respondeu. Ela nunca respondia.
— Chega, Sara — Emanuel disse, desvencilhando-se dela com firmeza, mas sem grosseria. Ele caminhou até Eduarda e tocou suavemente o ombro dela. — Você quer um chá, Duda? Ou talvez queira ver a biblioteca? Meu pai tem alguns catálogos de arte que podem te interessar.
Os olhos de Eduarda brilharam com a menção aos livros.
— Eu adoraria, Emanuel. Obrigada.
— Que fofo — Sara bufou, revirando os olhos e jogando-se de volta no sofá. — O grande tatuador virou guia de museu. Não demore, Emanuel, eu não vim para o meio do mato para ficar olhando para as paredes.
Emanuel ignorou a provocação. Ele guiou Eduarda pelo corredor, sentindo a proximidade física dela como uma corrente elétrica. Ela era tão leve, tão frágil em comparação à presença esmagadora de Sara. Ele a queria. Queria o silêncio dela, o carinho dela, a forma como ela se apoiava nele quando se sentia insegura. Mas ele também não estava pronto para abrir mão da energia vibrante e do caos que Sara trazia.
Ao entrarem na biblioteca, o cheiro de papel antigo e madeira pareceu acalmar Eduarda. Ela soltou um suspiro longo, relaxando os ombros.
— Ela me odeia, não é? — perguntou ela, sem olhar para ele, os dedos traçando a lombada de um livro.
— Sara é... complicada — Emanuel respondeu, parando logo atrás dela. — Ela se sente ameaçada por coisas que não entende. E ela não entende sua suavidade.
— Eu não queria causar problemas — Eduarda virou-se para ele, os olhos úmidos. — Eu só aceitei vir porque o Gustavo insistiu tanto... e eu não sei dizer não para ele. Eu me sinto mal, Emanuel. Sinto que estou sempre sobrando.
Emanuel sentiu uma pontada de raiva de Gustavo. Como ele podia deixar aquela mulher se sentir assim? Ele deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal dela. Eduarda não recuou; pelo contrário, ela inclinou a cabeça levemente para cima, buscando a segurança que a presença dele emanava.
— Você nunca sobra, Duda — disse ele, a voz baixa e densa. — Na verdade, você é a única coisa que faz sentido nesta casa hoje.
— Você não deveria dizer essas coisas — ela murmurou, embora suas mãos tivessem subido para tocar o antebraço tatuado dele. — Você é namorado dela. E eu... eu sou do seu irmão.
— Meu irmão não sabe o que tem. E Sara... Sara é uma parte da minha vida, mas não é tudo.
Emanuel não resistiu. Ele levou a mão ao rosto de Eduarda, acariciando a pele macia com o polegar. Ela fechou os olhos, soltando um som pequeno, manhoso, que quase destruiu a compostura dele. Ele queria levá-la dali, escondê-la do mundo, fazê-la morar com ele onde ninguém pudesse intimidá-la.
O momento foi quebrado pelo som de passos pesados no corredor. Emanuel se afastou milímetros antes de Gustavo entrar, falando alto ao celular.
— ...já disse que resolvo isso na segunda, caralho! — Gustavo desligou o aparelho e olhou para os dois, franzindo a testa. — Ah, estão aqui. Emanuel, você não viu a Sara? Ela está de mau humor, reclamando que você a largou sozinha.
— Eu estava mostrando os livros para a Eduarda, já que você parece ocupado demais com seu telefone — Emanuel respondeu, o tom gélido.
— É, é, tanto faz. Duda, vem cá — Gustavo estendeu a mão de forma impaciente. — Vamos dar uma volta lá fora. Preciso de ar.
Eduarda olhou para Emanuel, um pedido mudo de socorro brilhando em seus olhos, mas a timidez e a submissão falaram mais alto. Ela caminhou até Gustavo, que a envolveu pelo ombro de forma possessiva e bruta.
— Não demorem para o jantar — disse Emanuel, as mãos cerradas nos bolsos.
Quando eles saíram, Emanuel ficou sozinho no silêncio da biblioteca por alguns minutos, tentando organizar seus pensamentos. Seu plano estava claro em sua mente: ele não escolheria. Ele teria a elegância romântica de Eduarda e a vulgaridade magnética de Sara. Ele era rico, poderoso e acostumado a conseguir o que queria.
Ao voltar para a sala, encontrou Sara de pé, servindo-se de uma dose generosa de uísque.
— Aquela santinha é uma mosca morta, Emanuel — disse ela, sem se virar. — E você está olhando para ela como se ela fosse uma obra de arte rara.
— Talvez ela seja — Emanuel aproximou-se, parando atrás de Sara e envolvendo a cintura dela, sentindo a firmeza do corpo que ele conhecia tão bem. — Mas você sabe que nada substitui o que temos, Sara.
Ela virou-se nos braços dele, um sorriso malicioso brincando nos lábios pintados de vermelho.
— Acho bom mesmo. Porque eu não divido o que é meu.
— Você não vai precisar dividir — ele mentiu com perfeição, beijando-a com uma intensidade que a calou.
O jantar foi uma guerra de nervos silenciosa. Gustavo bebia demais e ignorava Eduarda, que mal tocava na comida, visivelmente acuada pelas risadas altas de Sara e pelos comentários sarcásticos que a loira lançava em sua direção.
— Então, Eduarda — Sara disse, limpando os lábios com o guardanapo de linho —, o Gustavo me contou que você ainda é... como posso dizer? "Moderna" demais para os padrões de hoje. Como é viver em um convento em pleno século vinte e um?
Eduarda ficou pálida. O garfo tremeu em sua mão.
— Eu... eu só acho que algumas coisas devem ser especiais — sussurrou ela, os olhos fixos no prato.
— Especial é não perder tempo — Sara riu, olhando para Emanuel. — Não é, querido? A vida é curta demais para ficar esperando o momento perfeito que nunca vem.
— Cada um tem seu tempo, Sara — Emanuel interveio, sua voz soando como um trovão contido. — E o respeito deve vir antes de qualquer opinião pessoal.
— Ah, pronto! — Gustavo exclamou, batendo com o copo na mesa. — Agora o meu irmão vai dar lição de moral. Duda é assim mesmo, Emanuel. Uma boneca de porcelana. Às vezes eu acho que ela vai quebrar se eu encostar nela com força.
O comentário de Gustavo foi a gota d'água. Emanuel viu a lágrima solitária escorrer pelo rosto de Eduarda antes de ela se levantar abruptamente.
— Com licença... eu não me sinto muito bem — ela disse, saindo quase correndo da sala de jantar.
— Ótimo, estragou o clima — reclamou Sara.
Emanuel levantou-se logo em seguida.
— Eu vou ver como ela está. Gustavo, você deveria ter vergonha da forma como fala da sua namorada.
— Vai lá, herói — Gustavo deu de ombros, servindo-se de mais vinho. — Ela é toda sua por cinco minutos. Quem sabe você consegue fazer ela falar mais que três palavras seguidas.
Emanuel encontrou Eduarda na varanda dos fundos, abraçada aos próprios braços, tremendo apesar do ar morno da noite. A luz da lua caía sobre ela, tornando-a quase etérea.
— Duda... — ele chamou suavemente.
Ela se virou, e o desespero em seu rosto partiu algo dentro dele.
— Por que eles fazem isso comigo? — ela perguntou, a voz embargada. — Eu tento ser boa, eu tento agradar... mas parece que nunca é o suficiente. O Gustavo... ele me faz sentir tão pequena.
Emanuel caminhou até ela e, sem hesitar, puxou-a para um abraço. Eduarda desabou contra o peito dele, chorando silenciosamente, as mãos pequenas agarrando a camisa dele.
— Ele não te merece — murmurou Emanuel, enterrando o rosto no cabelo dela, inspirando o perfume suave de flores que ela exalava. — E eu não vou deixar que ele, ou a Sara, te machuquem mais.
— Mas você está com ela...
— Shhh — ele a afastou apenas o suficiente para olhar em seus olhos. — Eu vou cuidar de tudo. Eu quero você comigo, Eduarda. Quero que você more comigo, que estude sua arte sem ninguém te diminuir.
— E a Sara? — ela perguntou, a voz trêmula.
— Sara é... uma necessidade diferente. Mas você é o meu descanso. Eu não vou abrir mão de nenhuma das duas.
Eduarda o olhou com confusão, a mente inocente tentando processar a complexidade do que ele dizia. Mas o calor que emanava de Emanuel, a segurança que ele oferecia, era tentador demais para uma alma tão cansada de ser maltratada.
— Você me protegeria? — ela perguntou, manhosa, encostando a cabeça no ombro dele novamente.
— Com a minha vida — prometeu ele.
Naquela noite, Emanuel voltou para o quarto onde Sara o esperava com lingerie preta e um olhar de desafio. Ele a possuiu com a ferocidade de sempre, alimentando o fogo que os unia. Mas, enquanto Sara dormia ao seu lado, seus pensamentos voltavam para o quarto ao fim do corredor, onde a seda e a doçura de Eduarda aguardavam o momento de serem resgatadas.
O fim de semana estava apenas começando, e Emanuel estava decidido. Ele seria o mestre daquela dança perigosa. Ele teria o fogo e a seda, o caos e a paz. E ninguém, nem mesmo seu irmão ou a fúria de Sara, o impediria de ter exatamente o que desejava.
