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Agroboy

Fandom: Agro

Criado: 27/05/2026

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RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoCiúmesHistória DomésticaRealismo
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Poeira, Redenção e Cavalos de Potência

A luz do luar refletia no capô da caminhonete estacionada em frente à arena, mas o clima dentro da cabine era de tempestade. Karen apertava o volante com tanta força que os nós de seus dedos estavam brancos. Pelo retrovisor, ela via Rincon rindo, encostado em uma cerca, conversando animadamente com Ana Castela e Mari Menezes.

Não era apenas uma conversa de trabalho. Para Karen, cada sorriso da Boiadeira parecia um desafio, e cada brincadeira de Mari soava como uma provocação. O noivado deles, que já durava dois anos, parecia sólido para o mundo, mas as inseguranças dela eram como cupim em madeira de lei: trabalhavam silenciosamente, corroendo a confiança por dentro.

— Eu não aguento mais isso — sussurrou ela para si mesma, sentindo as lágrimas queimarem os olhos.

Sem pensar duas vezes, Karen girou a chave. O motor rugiu, abafando o som da música sertaneja que vinha do evento. Ela não se despediu. Não mandou mensagem. Apenas engatou a marcha e acelerou, deixando para trás a poeira de Londrina e o homem que ela amava, mas que, naquele momento, era a fonte de sua maior angústia.

O destino era claro: a fazenda da família, no interior de Minas Gerais. Onde o cheiro de café coado no fogão a lenha e o som do berrante ao longe eram os únicos remédios para uma alma cansada da vida de aparências e das redes sociais.

Dez horas de estrada depois, o sol começava a desenhar as montanhas mineiras em tons de laranja e roxo. Karen entrou pela porteira de madeira da Fazenda Santa Luzia, sentindo o peito finalmente relaxar um pouco. O silêncio ali era sagrado.

— Minha filha? O que faz aqui sem avisar? — perguntou a mãe, Dona Cida, saindo na varanda com um pano de prato no ombro.

— Só precisava de um pouco de Minas, mãe — respondeu Karen, descendo do carro e caindo nos braços da matriarca. — Só um pouco de paz.

Três dias se passaram. Karen desligou o celular e o jogou no fundo da gaveta do criado-mudo. Ela passou as manhãs ajudando a tirar leite e as tardes cavalgando pelos pastos altos. Mas o silêncio que ela buscava trazia consigo a imagem de Rincon. Ela se lembrava do jeito que ele a olhava antes da fama, antes das parcerias musicais e das turnês intermináveis.

No quarto dia, o som de um motor potente, diferente dos tratores da fazenda, ecoou pelo vale. Karen estava na varanda, lixando as unhas, quando viu uma nuvem de poeira se aproximando rapidamente. Seu coração deu um salto que quase a fez perder o fôlego. Ela conhecia aquele jeito de dirigir.

Uma Dodge Ram gigantesca, num tom de azul metálico que brilhava sob o sol, parou bruscamente diante da casa. A porta se abriu e Rincon desceu. Ele parecia exausto, com as olheiras de quem não dormia há dias, mas seus olhos brilharam ao vê-la.

— Você quase me matou do coração, Karen — disse ele, caminhando em direção à varanda sem esperar um convite.

Karen se levantou, cruzando os braços, tentando manter a postura defensiva que cultivara nos últimos dias.

— Como você me achou? — perguntou ela, com a voz firme, embora por dentro estivesse desmoronando.

— Eu conheço você — respondeu ele, parando a poucos degraus de distância. — E conheço o caminho de casa. Por que você fugiu daquele jeito?

— Eu não fugi, Rincon. Eu me retirei — rebateu ela, sentindo o ciúme borbulhar novamente. — Eu cansei de ser a "noiva que espera no canto" enquanto você se diverte com a Ana, com a Mari e com meio mundo da música.

Rincon soltou um suspiro pesado e subiu os degraus, ficando frente a frente com ela.

— Karen, olha para mim — pediu ele, tentando pegar as mãos dela, que ela desviou. — A Ana é como uma irmã, a Mari é parceira de composição. Não existe nada, absolutamente nada, que chegue perto do que eu sinto por você. Você é a minha mulher. É com você que eu quero construir a minha vida, não com os likes do Instagram.

— Então por que parece que eu sou sempre a última a saber das coisas? — questionou ela, com a voz embargada. — Por que você dá tanta corda para as brincadeiras delas?

— Porque eu sou um tonto que às vezes esquece que o mundo está assistindo — admitiu ele, aproximando-se mais. — Mas eu vim aqui para te provar que ninguém ocupa o seu lugar. Eu passei os últimos três meses planejando algo, e aquela noite na arena... eu estava apenas contando para elas que o plano tinha dado certo. Eu queria uma surpresa.

Karen franziu a testa, a confusão substituindo a raiva.

— Que surpresa, Rincon?

Ele deu um sorriso de lado, aquele que sempre a desarmava, e apontou para a caminhonete estacionada no pátio.

— Aquela ali não é a minha Ram, Karen. É a sua.

Ela olhou para o veículo. Só agora notava os detalhes. Nas laterais, em letras elegantes e discretas, estava gravado o logotipo da marca de cavalos que ela sempre sonhou em expandir. No estribo, uma luz de LED projetava o nome "Karen" no chão de terra.

— Você... você comprou isso para mim? — gaguejou ela, dando alguns passos em direção ao carro.

— Não só comprei — disse ele, seguindo-a. — Eu mandei personalizar tudo. O interior tem o couro que você gosta, o sistema de som é o melhor para você ouvir suas demos, e o motor... bom, o motor tem força suficiente para você carregar todos os seus sonhos para onde quiser.

Karen tocou a lataria fria do veículo. Era magnífico. Mas o gesto dele significava muito mais do que o valor material. Significava que ele a ouvia. Que ele sabia dos seus planos de empreender no agronegócio por conta própria, de não ser apenas "a noiva de um cantor".

— Eu não queria que você sentisse ciúmes, queria que você sentisse orgulho — continuou Rincon, parando atrás dela e abraçando sua cintura. — Eu estava pedindo dicas para a Ana sobre como fazer o lançamento da sua marca junto com a entrega do carro. Mari estava me ajudando com o texto do anúncio. Eu fui um idiota por não perceber que estava te deixando de lado no processo.

Karen virou-se nos braços dele, as lágrimas agora correndo livremente, mas de alívio.

— Você é um idiota mesmo — disse ela, rindo entre o choro. — Mas é o meu idiota.

— Me perdoa? — perguntou ele, encostando a testa na dela. — Eu prometo que, de agora em diante, não tem mais segredo, nem para surpresa. Eu prefiro você brava comigo participando de tudo do que você longe de mim em Minas.

— Eu te perdoo — sussurrou ela. — Mas se a Ana Castela chegar perto dessa caminhonete antes de mim, eu vendo ela!

Rincon soltou uma gargalhada alta que ecoou por toda a fazenda.

— Combinado. A chave é sua. E o meu coração também.

Ele a beijou com uma intensidade que selava o compromisso de anos, um beijo que carregava o gosto da reconciliação e a promessa de um futuro onde a confiança seria tão firme quanto as cercas de aroeira daquela terra.

Dona Cida, observando tudo da janela da cozinha, sorriu e voltou a coar o café. Ela sabia que, no fundo, o amor bruto era como o gado daquela região: difícil de domar, mas, uma vez conquistado, era leal até o fim.

Horas depois, enquanto o sol se punha atrás das serras, Karen assumiu o volante de sua nova Ram. Rincon foi no banco do passageiro, admirando a mulher forte que tinha ao lado. Eles dirigiram pelas estradas de terra da fazenda, levantando poeira e deixando para trás qualquer rastro de dúvida. O ciúme ainda poderia aparecer vez ou outra, como uma praga indesejada na plantação, mas agora Karen sabia que tinha as ferramentas certas para cuidar do seu jardim — e um parceiro que não media esforços para provar que o lugar dela era, e sempre seria, no topo da sua lista de prioridades.
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