
← Voltar à lista de fanfics
0 curtida
Meu dono
Fandom: Morro
Criado: 27/05/2026
Tags
RomanceDramaCrimeCiúmesHistória DomésticaLinguagem ExplícitaRealismoAngústia
Fogo no Pavio
O espelho do quarto refletia uma mulher que não estava para brincadeira. O vestido preto de lurex era tão curto que exigia uma certa postura para não mostrar demais, mas era exatamente esse o objetivo. Se o Derek achava que podia mandar em mim, ele estava muito enganado. A gente estava sem se falar há dois dias, tudo porque ele cismou com um comentário em uma foto minha e eu, claro, não deixei barato quando vi ele de risadinha com uma fulana na contenção da barreira.
O celular vibrou em cima da penteadeira. Era a décima mensagem dele só naquela hora.
— "Já te dei o papo, não quero você aqui no baile hoje. O clima tá tenso e eu não tô com paciência para as tuas criancices. Fica em casa."
Li a mensagem e soltei uma risada debochada enquanto passava um batom vermelho fatal. Derek, o dono da Rocinha, acostumado a ser obedecido por todo mundo, achava que eu era um dos soldados dele. Mal sabia ele que eu já estava com o salto agulha no pé e o perfume que ele mais odiava — porque dizia que "chamava muita atenção dos outros".
— Se ele acha que eu vou ficar em casa assistindo novela enquanto ele se diverte no camarote, ele tá muito enganado — murmurei para as paredes, pegando minha bolsa.
Chegar no baile da Rocinha sendo a fiel do dono é sempre um evento. A música batia no peito, o grave do funk fazendo o chão vibrar. Assim que pisei na área VIP, os olhares começaram. Eu passava como se a favela inteira fosse meu tapete vermelho. Vi de longe o camarote principal. Derek estava lá, cercado pelos "vapores", com um copo de uísque na mão e aquela cara de poucos amigos que ele carregava como uma armadura.
Não demorou dois minutos para os olhos dele encontrarem os meus. Eu vi o exato momento em que o maxilar dele travou e ele quase quebrou o copo na mão. Ele falou algo no ouvido do braço direito dele e começou a descer as escadas com passos pesados.
Eu continuei ali, dançando com as minhas amigas, fingindo que ele não existia. Senti uma mão firme, mas não bruta, envolver meu braço e me puxar para um canto mais reservado, atrás das caixas de som.
— Eu não falei pra você não vir, porra? — A voz dele saiu rouca, carregada de fúria.
— Você não fala nada, Derek. Você sugere — respondi, encarando-o de baixo para cima, sustentando o olhar. — E eu decidi que queria dançar.
— Dançar ou se amostrar? — Ele apontou para o meu vestido, os olhos faiscando. — Que porra de roupa é essa? Isso não é vestido, é um cinto. Tá todo mundo lá embaixo secando o que é meu. Você quer me deixar maluco, é isso?
— O que é seu? — Dei um passo à frente, encostando meu peito no dele. — Achei que a gente estava brigado. Achei que você estivesse muito ocupado dando atenção para as suas "amiguinhas" da barreira.
— Não fode, Karen! — Ele passou a mão pelo cabelo, visivelmente estressado. — Você sabe muito bem que aquilo não foi nada. Agora você vem pra cá, com essa roupa que não cobre nem o juízo, desafiar minha ordem na frente de geral?
— Eu não sou seu soldado, Derek. Se você quer obediência, vai pro quartel. Eu vim pro baile.
Ele soltou uma risada seca, sem humor nenhum, e me segurou pela cintura, colando nossos corpos. O cheiro de perfume caro misturado com o uísque dele me entonteceu por um segundo, mas eu não baixei a guarda.
— Você vai sair daqui agora — ele ordenou, a voz baixa e perigosa. — Ou eu te tiro carregada no ombro e a gente resolve isso na frente de todo mundo. Escolhe.
— Você não teria coragem — desafiei.
— Não me testa, Karen. Minha paciência com você já estourou faz tempo.
Ele não esperou resposta. Segurou minha mão com força e começou a me arrastar em direção à saída lateral, onde o carro dele estava estacionado. Eu ia protestando, os saltos batendo no asfalto irregular, mas Derek não parava. Ele abriu a porta do SUV blindado e praticamente me jogou lá dentro.
— Você é um ignorante! — gritei, enquanto ele dava a volta e sentava no banco do motorista, arrancando com o carro.
— E você é uma teimosa que não tem noção do perigo! — Ele esbravejou, batendo no volante. — Você tem noção de quantos caras ficaram de olho em você? Você é a mulher do dono, porra! Tem que se dar ao respeito, ou pelo menos respeitar o que eu falo!
— Respeito se conquista, Derek! Você some, me ignora, e depois quer ditar o que eu visto? — Eu sentia as lágrimas de raiva pinicarem meus olhos. — Eu me arrumei pra você, seu idiota. Mas como você estava de palhaçada, eu vim pra me sentir bonita pra mim mesma.
Ele freou o carro bruscamente em frente à casa dele, no alto do morro. O silêncio que se seguiu foi pesado, interrompido apenas pelo som da respiração acelerada de ambos. Derek desligou o motor e ficou encarando o painel por alguns segundos antes de se virar para mim. A raiva ainda estava lá, mas tinha algo mais. Desejo. Um desejo cru e incontrolável que sempre surgia depois das nossas piores brigas.
— Você se arrumou pra mim? — perguntou ele, a voz agora mais baixa, quase um sussurro.
— É, Derek. Mas você prefere brigar do que notar.
— Eu notei — ele disse, esticando a mão para tocar meu rosto, o polegar acariciando meu lábio inferior. — Eu notei desde o segundo que você pisou naquele baile. Eu notei como aquele pano preto marca cada curva sua. Eu notei como todos os caras pararam de respirar quando você passou. E isso me deixou com vontade de matar um e de te levar pra cama no mesmo segundo.
— Então por que foi tão estúpido? — perguntei, sentindo meu coração disparar.
— Porque eu tenho ciúmes, Karen. Eu tenho um ciúme doentio de você porque eu sei que não mereço metade da mulher que você é. E ver você lá, toda linda, sabendo que a gente estava mal... me quebrou.
Ele se aproximou mais, o espaço entre nós desaparecendo.
— Eu odeio brigar com você — ele confessou, a testa encostada na minha.
— Então para de ser tão cabeça dura — respondi, segurando a nuca dele, puxando-o para mais perto.
— Só se você prometer que esse vestido só vai sair do seu corpo aqui dentro, pelas minhas mãos.
— Isso é uma proposta ou uma ordem? — provoquei, sentindo um sorriso surgir nos lábios.
— É uma promessa — ele respondeu, antes de selar nossos lábios em um beijo urgente, faminto, que carregava toda a frustração dos últimos dias.
Derek me pegou no colo assim que saímos do carro, sem se importar se algum vizinho ou soldado estava olhando. Ele subiu as escadas de casa chutando a porta do quarto e me deitando na cama com uma possessividade que só ele tinha.
— Você ainda me mata de raiva, Karen — ele disse, enquanto começava a subir o vestido curto, as mãos grandes mapeando minha pele.
— E você ainda me mata de amor, seu bandido — respondi, puxando-o para cima de mim, sabendo que a reconciliação seria muito melhor do que qualquer baile.
Naquela noite, entre sussurros e promessas feitas no calor do momento, a briga ficou do lado de fora. No alto da Rocinha, o dono do morro era apenas um homem rendido pela única pessoa que tinha coragem de enfrentá-lo. E eu, bem, eu sabia que tinha ele exatamente onde queria: na palma da minha mão.
O celular vibrou em cima da penteadeira. Era a décima mensagem dele só naquela hora.
— "Já te dei o papo, não quero você aqui no baile hoje. O clima tá tenso e eu não tô com paciência para as tuas criancices. Fica em casa."
Li a mensagem e soltei uma risada debochada enquanto passava um batom vermelho fatal. Derek, o dono da Rocinha, acostumado a ser obedecido por todo mundo, achava que eu era um dos soldados dele. Mal sabia ele que eu já estava com o salto agulha no pé e o perfume que ele mais odiava — porque dizia que "chamava muita atenção dos outros".
— Se ele acha que eu vou ficar em casa assistindo novela enquanto ele se diverte no camarote, ele tá muito enganado — murmurei para as paredes, pegando minha bolsa.
Chegar no baile da Rocinha sendo a fiel do dono é sempre um evento. A música batia no peito, o grave do funk fazendo o chão vibrar. Assim que pisei na área VIP, os olhares começaram. Eu passava como se a favela inteira fosse meu tapete vermelho. Vi de longe o camarote principal. Derek estava lá, cercado pelos "vapores", com um copo de uísque na mão e aquela cara de poucos amigos que ele carregava como uma armadura.
Não demorou dois minutos para os olhos dele encontrarem os meus. Eu vi o exato momento em que o maxilar dele travou e ele quase quebrou o copo na mão. Ele falou algo no ouvido do braço direito dele e começou a descer as escadas com passos pesados.
Eu continuei ali, dançando com as minhas amigas, fingindo que ele não existia. Senti uma mão firme, mas não bruta, envolver meu braço e me puxar para um canto mais reservado, atrás das caixas de som.
— Eu não falei pra você não vir, porra? — A voz dele saiu rouca, carregada de fúria.
— Você não fala nada, Derek. Você sugere — respondi, encarando-o de baixo para cima, sustentando o olhar. — E eu decidi que queria dançar.
— Dançar ou se amostrar? — Ele apontou para o meu vestido, os olhos faiscando. — Que porra de roupa é essa? Isso não é vestido, é um cinto. Tá todo mundo lá embaixo secando o que é meu. Você quer me deixar maluco, é isso?
— O que é seu? — Dei um passo à frente, encostando meu peito no dele. — Achei que a gente estava brigado. Achei que você estivesse muito ocupado dando atenção para as suas "amiguinhas" da barreira.
— Não fode, Karen! — Ele passou a mão pelo cabelo, visivelmente estressado. — Você sabe muito bem que aquilo não foi nada. Agora você vem pra cá, com essa roupa que não cobre nem o juízo, desafiar minha ordem na frente de geral?
— Eu não sou seu soldado, Derek. Se você quer obediência, vai pro quartel. Eu vim pro baile.
Ele soltou uma risada seca, sem humor nenhum, e me segurou pela cintura, colando nossos corpos. O cheiro de perfume caro misturado com o uísque dele me entonteceu por um segundo, mas eu não baixei a guarda.
— Você vai sair daqui agora — ele ordenou, a voz baixa e perigosa. — Ou eu te tiro carregada no ombro e a gente resolve isso na frente de todo mundo. Escolhe.
— Você não teria coragem — desafiei.
— Não me testa, Karen. Minha paciência com você já estourou faz tempo.
Ele não esperou resposta. Segurou minha mão com força e começou a me arrastar em direção à saída lateral, onde o carro dele estava estacionado. Eu ia protestando, os saltos batendo no asfalto irregular, mas Derek não parava. Ele abriu a porta do SUV blindado e praticamente me jogou lá dentro.
— Você é um ignorante! — gritei, enquanto ele dava a volta e sentava no banco do motorista, arrancando com o carro.
— E você é uma teimosa que não tem noção do perigo! — Ele esbravejou, batendo no volante. — Você tem noção de quantos caras ficaram de olho em você? Você é a mulher do dono, porra! Tem que se dar ao respeito, ou pelo menos respeitar o que eu falo!
— Respeito se conquista, Derek! Você some, me ignora, e depois quer ditar o que eu visto? — Eu sentia as lágrimas de raiva pinicarem meus olhos. — Eu me arrumei pra você, seu idiota. Mas como você estava de palhaçada, eu vim pra me sentir bonita pra mim mesma.
Ele freou o carro bruscamente em frente à casa dele, no alto do morro. O silêncio que se seguiu foi pesado, interrompido apenas pelo som da respiração acelerada de ambos. Derek desligou o motor e ficou encarando o painel por alguns segundos antes de se virar para mim. A raiva ainda estava lá, mas tinha algo mais. Desejo. Um desejo cru e incontrolável que sempre surgia depois das nossas piores brigas.
— Você se arrumou pra mim? — perguntou ele, a voz agora mais baixa, quase um sussurro.
— É, Derek. Mas você prefere brigar do que notar.
— Eu notei — ele disse, esticando a mão para tocar meu rosto, o polegar acariciando meu lábio inferior. — Eu notei desde o segundo que você pisou naquele baile. Eu notei como aquele pano preto marca cada curva sua. Eu notei como todos os caras pararam de respirar quando você passou. E isso me deixou com vontade de matar um e de te levar pra cama no mesmo segundo.
— Então por que foi tão estúpido? — perguntei, sentindo meu coração disparar.
— Porque eu tenho ciúmes, Karen. Eu tenho um ciúme doentio de você porque eu sei que não mereço metade da mulher que você é. E ver você lá, toda linda, sabendo que a gente estava mal... me quebrou.
Ele se aproximou mais, o espaço entre nós desaparecendo.
— Eu odeio brigar com você — ele confessou, a testa encostada na minha.
— Então para de ser tão cabeça dura — respondi, segurando a nuca dele, puxando-o para mais perto.
— Só se você prometer que esse vestido só vai sair do seu corpo aqui dentro, pelas minhas mãos.
— Isso é uma proposta ou uma ordem? — provoquei, sentindo um sorriso surgir nos lábios.
— É uma promessa — ele respondeu, antes de selar nossos lábios em um beijo urgente, faminto, que carregava toda a frustração dos últimos dias.
Derek me pegou no colo assim que saímos do carro, sem se importar se algum vizinho ou soldado estava olhando. Ele subiu as escadas de casa chutando a porta do quarto e me deitando na cama com uma possessividade que só ele tinha.
— Você ainda me mata de raiva, Karen — ele disse, enquanto começava a subir o vestido curto, as mãos grandes mapeando minha pele.
— E você ainda me mata de amor, seu bandido — respondi, puxando-o para cima de mim, sabendo que a reconciliação seria muito melhor do que qualquer baile.
Naquela noite, entre sussurros e promessas feitas no calor do momento, a briga ficou do lado de fora. No alto da Rocinha, o dono do morro era apenas um homem rendido pela única pessoa que tinha coragem de enfrentá-lo. E eu, bem, eu sabia que tinha ele exatamente onde queria: na palma da minha mão.
