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Fandom: Sla

Criado: 28/05/2026

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Entre Sombras e Luz: O Banquete do Submundo

Eram três horas da manhã quando o silêncio do quarto foi quebrado pelo ranger sutil da madeira da cama. Nathaniel, o Rei Demônio Lobo, sentou-se na borda do colchão, seu corpo maciço de dois metros e um centímetro projetando uma sombra imponente contra a parede. Suas orelhas grandes e peludas se agitaram, captando os sons distantes da noite, enquanto sua calda longa descansava pesadamente sobre os lençóis. A pele negra, marcada por cicatrizes de batalhas antigas, contrastava com o branco de um dos lados de seu rosto, onde chifres negros e afiados brotavam de sua testa e têmporas.

Lion Mitsuki, o pequeno anjo de um metro e cinquenta e sete, sentiu a ausência do calor de Nathaniel. Ele se espreguiçou, seus cabelos castanhos claros bagunçados e seus olhos verdes, brilhantes como esmeraldas, piscando sonolentos. Suas pequenas asas brancas, sensíveis e quase inúteis para o voo, tremeram levemente com o frio súbito.

— O que houve?... — a voz de Lion saiu arrastada, carregada de sono. — Por que está acordado tão tarde?

Nathaniel suspirou, o som saindo como um rosnado baixo e profundo. Ele virou o rosto, os cabelos pretos e longos, que nunca haviam conhecido uma tesoura, caindo sobre seus ombros largos.

— Me avisaram agora pouco. Haverá uma celebração no Outro Mundo... um banquete de alianças — Nathaniel explicou, o tom de voz frio que usava com os súditos suavizando-se apenas para o seu amado. — Eles exigem a minha presença.

Lion murchou visivelmente. Ele se deitou novamente, puxando o cobertor até o queixo, a desanimação estampada em seu rosto delicado. Ele odiava quando Nathaniel ia para lá. O tempo no reino dos demônios corria de forma diferente, e as festas eram regadas a excessos que Lion mal conseguia imaginar. Ele sempre ficava sozinho, temendo pelo que poderia acontecer com o seu rei entre tantas criaturas traiçoeiras.

Percebendo a reação, Nathaniel abandonou a postura rígida. Ele se deitou de lado, de frente para Lion, e levou uma mão grande e calejada ao rosto do anjo. O toque era incrivelmente gentil, uma prova de que Nathaniel, apesar de sua aparência monstruosa e força temível, era completamente vulnerável ao carinho de Lion.

— Não olha assim para mim, pequeno — murmurou o demônio. — Você sabe que eu tenho que ir. Eu sou o rei deles, mesmo que eu preferisse mil vezes ficar aqui, sentindo o seu cheiro.

Lion tentou forçar um sorriso, querendo ser compreensivo. Ele se inclinou e deixou um beijo suave no nariz de Nathaniel.

— Eu entendo, de verdade. Está tudo bem.

Nathaniel estreitou os olhos. Ele conhecia Lion melhor do que qualquer um.

— Não, não está. Por isso, desta vez, você vem comigo.

Os olhos verdes de Lion se arregalaram, o sono desaparecendo instantaneamente.

— O quê? Não! Nathaniel, eu não posso. Eu sou um anjo... eu só iria estragar a imagem que os outros demônios têm de você. Eles vão te achar fraco se virem que você está com alguém como eu.

Nathaniel soltou um bufo de desdém, seus chifres brilhando sob a luz fraca do luar que entrava pela janela.

— Lion, não comece com isso. Eu não me importo com o que eles pensam. Na verdade, eu quero que eles saibam exatamente com quem eu estou. Eles querendo ou não, você é meu.

O rosto de Lion esquentou, ficando de um tom vermelho adorável que sempre desarmava o demônio. Sem mais argumentos, o pequeno anjo assentiu timidamente.

— Tudo bem... eu vou.

Do lado de fora da residência, a atmosfera mudou. Nathaniel não podia atravessar as dimensões em sua forma contida. Sob o céu estrelado, ele permitiu que sua essência transbordasse. Seu corpo cresceu, tornando-se uma figura gigantesca e aterrorizante. Seus olhos principais escureceram totalmente, e pequenos olhos adicionais se abriram abaixo deles, brilhando com uma inteligência ancestral. Asas imensas e peludas se abriram, e com um movimento de garras, ele rasgou o tecido da realidade, abrindo um portal pulsante para o Outro Mundo.

Lion estremeceu. Ele nunca se acostumava totalmente com a forma verdadeira de Nathaniel; ela era um lembrete constante do poder bruto que seu companheiro carregava. Sentindo o nervosismo do anjo, Nathaniel — mesmo naquela forma monstruosa — estendeu a mão enorme e envolveu os dedos de Lion com cuidado extremo, como se segurasse uma flor de vidro.

— Está nervoso? — A voz agora era um trovão grave que parecia vibrar nos ossos de Lion.

— Um pouco... — admitiu o anjo, apertando a mão do demônio.

— Apenas fique ao meu lado. Não saia de perto de mim por nada — ordenou Nathaniel, antes de cruzarem o portal.

O salão do banquete era uma visão de pesadelo e luxo. Pilares de pedra negra subiam até o tinto invisível, e tochas de fogo azul iluminavam centenas de demônios de todas as linhagens. Quando Nathaniel entrou, o silêncio se espalhou como uma praga. Todos os olhares se voltaram para o Rei Lobo, mas logo desviaram para a criatura pequena e alada ao seu lado. Murmúrios venenosos começaram a circular, mas um rosnado baixo de Nathaniel foi o suficiente para que todos voltassem a fingir que não viam nada de incomum.

— Se sentir sono, me avise imediatamente — sussurrou Nathaniel no ouvido de Lion. — Iremos embora no momento em que você pedir.

As horas se passaram. Para Lion, a festa era um borrão de barulhos altos e energias pesadas. Ele se sentia deslocado, uma luz pequena tentando não ser apagada por tanta escuridão. Para se manter acordado e não parecer um fardo, ele começou a beber uma bebida de cor vibrante que circulava em bandejas douradas. Ele achava que era apenas um energético forte, mas não sabia que as bebidas do Outro Mundo eram destiladas com essências que poderiam fritar os nervos de um humano e eram excessivamente potentes para o corpo delicado de um anjo de luz.

Depois do terceiro copo, o mundo começou a girar. Lion sentiu um suor frio descer por sua nuca. Ele olhou para Nathaniel, que estava cercado por generais e conselheiros. O rei parecia, pela primeira vez em muito tempo, estar genuinamente engajado em uma conversa, com um raro brilho de satisfação no olhar.

"Eu não posso estragar isso", pensou Lion, o estômago dando um nó violento. "Ele está se divertindo."

O mal-estar tornou-se insuportável. Lion sentiu a bile subir à garganta e, sem dizer uma palavra, correu em direção aos banheiros de mármore escuro que ficavam nos fundos do salão.

Nathaniel, cujos sentidos estavam sempre sintonizados em Lion, percebeu o movimento súbito. Ele interrompeu um duque demoníaco no meio de uma frase e atravessou a multidão como um furacão negro.

No banheiro, Lion estava ajoelhado diante de uma pia de pedra, o corpo tremendo enquanto vomitava tudo o que havia ingerido. Ele se sentia fraco, as asas caídas e sujas de suor.

— Lion! — Nathaniel entrou no recinto, sua forma voltando ao tamanho humano de dois metros para conseguir se aproximar. Ele segurou o anjo pelos ombros, ajudando-o a se manter firme enquanto Lion terminava de expelir o líquido tóxico. — O que aconteceu? Por que você está assim?

Nathaniel o pegou pela cintura e o sentou em cima da pia alta, ficando entre as pernas de Lion para que pudessem se olhar nos olhos. O rosto do demônio estava transfigurado pela preocupação e por uma ponta de irritação.

— Eu... eu tentei tomar aquele energético... para ficar acordado por você — Lion confessou, a voz trêmula, baixando a cabeça de vergonha.

— Aquele energético? Lion, aquilo é concentrado de alma e enxofre! É forte demais para você — Nathaniel bufou, passando a mão pelos cabelos de Lion para afastar os fios da testa suada. — Por que não me chamou para irmos embora? Eu disse para me avisar se estivesse com sono.

— Eu não queria te atrapalhar — murmurou Lion, as lágrimas começando a brotar nos olhos verdes. — Você parecia estar se divertindo tanto com seus amigos... eu fiquei nervoso de ser o motivo para você sair cedo.

Nathaniel parou por um momento, seu olhar frio suavizando-se até se tornar puro mel de obsessão e carinho. Ele segurou o rosto de Lion com as duas mãos, forçando-o a olhar para ele.

— Escute bem, pequeno anjo. Eu não me divirto com eles. Eu me divirto com você. Eles são apenas obrigações; você é a minha vida. Entenda isso de uma vez por todas. Se você não está bem, o lugar inteiro pode queimar, eu não me importo.

Lion esfregou os olhos, o sono e o cansaço finalmente vencendo a náusea.

— Podemos ir para casa agora? — pediu ele, a voz quase um sussurro.

Nathaniel deu um meio sorriso, um vislumbre de suas presas brancas.

— Vamos sim. Antes que você invente de vomitar em mim outra vez — brincou o demônio, arrancando uma risada fraca do anjo.

Nathaniel não esperou. Ele pegou Lion no colo, acomodando o anjo contra seu peito largo como se ele não pesasse absolutamente nada. Lion enterrou o rosto no pescoço do demônio, sentindo o cheiro familiar de terra úmida e poder. Sem dar satisfações a ninguém, Nathaniel abriu o portal de volta para o reino humano com um movimento de asas.

Ao cruzarem a barreira e sentirem o ar fresco do quarto novamente, Nathaniel voltou à sua forma mais suave, mas não soltou Lion. Ele o levou até a cama, deitando-o com cuidado extremo sobre os lençóis macios.

— Desculpe por ter sido um desastre de acompanhante — disse Lion, já quase dormindo enquanto Nathaniel se deitava ao seu lado, puxando-o para um abraço possessivo.

— Você foi perfeito — Nathaniel murmurou, cobrindo ambos. — Agora durma. Eu não vou a lugar nenhum.

Lion se aconchegou no peito de Nathaniel, suas pequenas asas relaxando finalmente. O Rei Demônio Lobo beijou o topo da cabeça do anjo, seus olhos brilhando na escuridão, vigiando o sono da única criatura que conseguia desarmar o monstro mais temido de dois mundos com apenas um sorriso. Ali, entre abraços bobos e o silêncio da madrugada, não havia reis ou anjos, apenas dois seres que pertenciam um ao outro, acima de qualquer lei divina ou infernal.
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