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Dependence and Fights
Fandom: EngLot FayeLotte
Criado: 28/05/2026
Tags
RomanceDramaAngústiaPsicológicoSombrioCiúmesHistória DomésticaEstudo de Personagem
Labirinto de Obsessão e Couro
O som metálico da fivela da jaqueta de couro de Engfa ecoou pelo loft silencioso, um prenúncio do caos que sempre parecia acompanhá-la. Ela jogou as chaves sobre a mesa de mogno, os olhos castanhos percorrendo a sala com uma irritação latente. Engfa tinha vinte e cinco anos, mas carregava no rosto a expressão de quem já tinha brigado com metade do mundo e estava pronta para nocautear a outra metade.
— Onde ela está? — rosnou Engfa, a voz rouca carregada de um ciúme que ela mal tentava esconder.
Faye Malisorn, sentada no sofá com uma taça de vinho tinto na mão, nem sequer se deu ao trabalho de desviar o olhar do livro que fingia ler. O cabelo vermelho de Faye brilhava sob as luzes embutidas, e a postura ereta exalava uma autoridade que sempre fazia o sangue de Engfa ferver.
— Se você se refere à nossa Charlotte, ela está no banho — respondeu Faye, fechando o livro com um estalo seco. — E abaixe o tom. Você não é a única dona da casa, muito menos dela.
Engfa soltou uma risada sarcástica, caminhando até Faye com passos pesados. Ela parou bem à frente da "irmã" de criação, a diferença de cinco centímetros de altura sendo compensada pela agressividade na postura de Engfa.
— Eu não me lembro de ter pedido sua opinião, Faye. Você adora agir como se mandasse em tudo, mas esquece que eu sei exatamente o que você faz quando eu não estou por perto.
Faye levantou-se lentamente, a elegância de seus vinte e oito anos contrastando com a fúria bruta de Engfa. Ela deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal da mais nova até que suas respirações se misturassem.
— O que eu faço, Engfa? — provocou Faye, um sorriso ladino brincando em seus lábios. — Eu cuido dela. Eu a mimo. Coisas que uma brutamontes que só sabe resolver as coisas no soco não entende.
Antes que Engfa pudesse responder com um insulto, Faye deslizou a mão livre pelo ombro da jaqueta de Engfa, subindo até a nuca, onde seus dedos roçaram a pele quente. Em um movimento rápido e calculado, Faye inclinou-se e depositou um beijo úmido e demorado no pescoço de Engfa, bem abaixo da orelha.
Engfa estremeceu, os punhos cerrados ao lado do corpo. Ela odiava como Faye sabia exatamente onde tocá-la, odiava como aquela provocação a deixava desarmada por um segundo.
— Saia... de perto... de mim — sibilou Engfa, embora não fizesse menção de se afastar.
— Você adora quando eu faço isso — sussurrou Faye contra sua pele, antes de morder levemente o lóbulo da orelha de Engfa. — Admita. Você é tão possessiva comigo quanto é com ela.
— Eu odeio você — mentiu Engfa, a voz falhando levemente enquanto seus olhos observavam a corrente de prata no pescoço de Faye.
Engfa esticou a mão e agarrou o cordão de Faye, puxando-o com força, trazendo o rosto da ruiva para centímetros do seu. A tensão entre as duas era elétrica, uma mistura de rivalidade fraternal distorcida e um desejo que remontava aos tempos em que eram apenas "amigas com benefícios".
— Parem com isso. As duas.
A voz doce, mas carregada de uma carência manipuladora, veio do corredor. Charlotte Austin estava parada ali, o cabelo castanho-claro ondulado ainda úmido, vestindo apenas um roupão de seda que mal cobria suas curvas. Ela tinha vinte e dois anos e sabia perfeitamente o poder que exercia sobre as duas mulheres à sua frente.
Charlotte caminhou até elas, os olhos brilhando ao ver Engfa segurando a corrente de Faye e Faye com a mão na nuca de Engfa.
— Vocês estão brigando por minha causa de novo? — perguntou Charlotte, um biquinho surgindo em seus lábios enquanto seus olhos se enchiam de lágrimas artificiais. — Eu odeio quando vocês discutem. Parece que ninguém me ama de verdade aqui.
O efeito foi instantâneo. A fúria de Engfa evaporou, sendo substituída por uma necessidade desesperada de consolar a mais nova. Faye, por sua vez, soltou Engfa e suavizou a expressão, embora seus olhos ainda mantivessem aquele brilho controlador.
— Oh, meu amor, não diga isso — disse Faye, estendendo a mão para Charlotte. — Venha aqui.
Charlotte ignorou a mão de Faye por um momento e se jogou nos braços de Engfa, escondendo o rosto no couro frio de sua jaqueta.
— Engfa foi grossa — soluçou Charlotte, apertando a cintura da mais alta. — Eu ouvi os gritos do banheiro.
Engfa abraçou Charlotte com uma possessividade feroz, lançando um olhar de triunfo para Faye. Ela acariciou os cabelos de Charlotte, sua devoção beirando a obsessão.
— Eu sinto muito, pequena — murmurou Engfa, a voz agora suave como veludo. — Eu só estava irritada porque queria ver você. Faye estava me provocando, como sempre.
Faye revirou os olhos, mas não se afastou. Ela se aproximou por trás de Charlotte, envolvendo seus braços em volta da cintura da garota e, consequentemente, tocando as mãos de Engfa que estavam ali.
— Você é uma manipuladora, Charlotte — disse Faye, embora seu tom fosse de adoração. — Mas eu aceito isso. Contanto que você saiba quem manda aqui.
Charlotte virou o rosto para olhar para Faye, um sorriso travesso substituindo as lágrimas em segundos.
— Ninguém manda em mim, Faye. Mas eu adoro quando vocês tentam.
Charlotte puxou Faye pela gola da camisa e Engfa pela lapela da jaqueta, forçando as três a ficarem em um círculo apertado e sufocante.
— Eu quero atenção — declarou Charlotte. — Das duas. Ao mesmo tempo.
— Você é gananciosa — comentou Engfa, embora já estivesse inclinando a cabeça para beijar o ombro de Charlotte.
— E você é obcecada — rebateu Charlotte, rindo. — Engfa, tire essa jaqueta. Está me arranhando. Faye, pare de me olhar como se eu fosse sua propriedade privada.
— Mas você é — disse Faye, sua voz assumindo aquele tom mandão que não aceitava contestações. — Minha e dela. E ai de quem olhar para você na rua.
Engfa bufou, retirando a jaqueta e jogando-a em qualquer canto. Ela se sentou no sofá, puxando Charlotte para o seu colo. Faye não perdeu tempo e sentou-se ao lado delas, sua perna roçando a de Engfa "acidentalmente", enquanto sua mão subia pela coxa de Charlotte.
— Eu vi como aquele fotógrafo olhou para você hoje no estúdio, Charlotte — disse Engfa, o ciúme voltando a borbulhar. — Se eu o vir de novo, vou quebrar a câmera na cara dele.
— Ele só estava fazendo o trabalho dele, Engfa — provocou Charlotte, sabendo exatamente qual botão apertar. — Ele disse que eu tenho os olhos mais bonitos que ele já viu.
Engfa rosnou, apertando a cintura de Charlotte com mais força.
— Ele disse o quê?
Faye soltou uma risada seca e sarcástica.
— Não se preocupe, Engfa. Eu já cuidei disso. Liguei para a agência e garanti que ele não seja contratado para os próximos ensaios da Charlotte.
Engfa olhou para Faye, uma mistura de respeito e irritação.
— Pela primeira vez, você fez algo útil, Faye.
— Eu sempre sou útil — respondeu Faye, inclinando-se para beijar o pescoço de Charlotte, mas seus olhos estavam fixos em Engfa. — Diferente de certas pessoas que só sabem usar a força bruta, eu uso a influência.
— Influência é apenas uma palavra bonita para quem tem medo de sujar as mãos — retrucou Engfa.
Charlotte, sentindo a tensão crescer novamente, decidiu intervir da maneira que mais gostava. Ela se inclinou e beijou Engfa profundamente, uma mão segurando o rosto da morena, enquanto a outra mão buscava a nuca de Faye, puxando-a para perto.
O beijo foi possessivo, uma marca de território. Quando Charlotte se afastou, ambas as mulheres estavam ofegantes, os olhos fixos nela.
— Eu não quero ouvir sobre fotógrafos ou sobre quem é mais poderosa — disse Charlotte com autoridade. — Eu quero que vocês me mostrem o quanto me amam. Agora.
Faye sorriu, um brilho perigoso nos olhos. Ela se levantou e estendeu a mão para Charlotte, mas antes que a garota pudesse segurá-la, Engfa a puxou de volta para o sofá.
— Ela fica comigo primeiro — rosnou Engfa.
— Nem pensar — disse Faye, pegando Charlotte pelo braço com firmeza, mas sem machucar. — Nós dividimos, Engfa. Lembra do acordo? Ou sua memória é tão curta quanto seu pavio?
— O acordo é que eu não mato você enquanto você estiver tocando nela — rebateu Engfa, levantando-se também.
Charlotte observava a cena com um prazer quase doentio. Ela amava a toxicidade daquilo, a maneira como as duas irmãs de criação se odiavam e se amavam simultaneamente, tudo orbitando ao redor dela.
— Por que vocês não param de brigar e admitem que não conseguem viver sem esse caos? — perguntou Charlotte, levantando-se e caminhando em direção ao quarto principal. — Estarei esperando. Se demorarem mais cinco minutos, eu tranco a porta e vocês duas podem dormir no corredor se matando.
Engfa e Faye trocaram um olhar de puro desdém.
— Isso é sua culpa — disse Engfa, apontando o dedo para Faye.
— Minha culpa? Você que começou com o interrogatório do fotógrafo — Faye deu um passo à frente, seu corpo roçando o de Engfa enquanto ela passava em direção ao corredor. — E a propósito... sua jaqueta nova é horrível.
Faye deu um tapinha rápido na bunda de Engfa enquanto passava, um gesto puramente provocativo que fez Engfa cerrar os dentes e sentir um arrepio percorrer sua espinha.
— Eu vou acabar com você, Malisorn — murmurou Engfa para si mesma, embora um sorriso involuntário estivesse tentando surgir.
Ela seguiu Faye pelo corredor. Ao entrarem no quarto, a calmaria momentânea foi substituída pela intensidade que definia a relação delas. Charlotte já estava deitada, observando-as com um olhar expectante.
O ciclo se repetia. A possessividade de Engfa, o controle de Faye e a dependência emocional de Charlotte se fundiam em algo que o mundo exterior chamaria de destruição, mas que para elas era a única forma de sobrevivência.
— Venham — chamou Charlotte.
Engfa sentou-se de um lado, Faye do outro. Não havia espaço para mais ninguém naquele mundo distorcido. Engfa segurou a mão de Charlotte, enquanto Faye começou a distribuir beijos pelos ombros da garota.
— Você é minha — sussurrou Engfa no ouvido de Charlotte, mas seus olhos encontraram os de Faye sobre o corpo da menor.
— Ela é nossa — corrigiu Faye, a voz carregada de uma promessa sombria. — E nós somos dela.
A briga de minutos atrás foi esquecida, enterrada sob camadas de desejo e obsessão. Amanhã, elas voltariam a discutir por algo fútil, Engfa teria outro surto de raiva, Faye faria outro comentário sarcástico e Charlotte choraria para ter o que queria. Mas ali, naquele momento, o labirinto de emoções em que viviam parecia o único lugar onde faziam sentido.
Engfa sentiu a mão de Faye encontrar a sua sobre o abdômen de Charlotte. Seus dedos se entrelaçaram por um breve segundo antes de Engfa apertar a mão da irmã com força, um sinal silencioso de uma trégua temporária e de um amor que ela jamais admitiria em voz alta.
— Eu odeio vocês duas — murmurou Charlotte, fechando os olhos enquanto recebia os mimos.
— Mentira — disseram Engfa e Faye em uníssono.
E elas sabiam que era verdade. Naquele ninho de obsessão, a dor era apenas o tempero de uma devoção que nenhuma delas tinha a intenção de abandonar. O amor delas não era calmo, não era gentil e certamente não era saudável. Era um fogo constante que as consumia, e elas não queriam ser salvas do incêndio.
— Onde ela está? — rosnou Engfa, a voz rouca carregada de um ciúme que ela mal tentava esconder.
Faye Malisorn, sentada no sofá com uma taça de vinho tinto na mão, nem sequer se deu ao trabalho de desviar o olhar do livro que fingia ler. O cabelo vermelho de Faye brilhava sob as luzes embutidas, e a postura ereta exalava uma autoridade que sempre fazia o sangue de Engfa ferver.
— Se você se refere à nossa Charlotte, ela está no banho — respondeu Faye, fechando o livro com um estalo seco. — E abaixe o tom. Você não é a única dona da casa, muito menos dela.
Engfa soltou uma risada sarcástica, caminhando até Faye com passos pesados. Ela parou bem à frente da "irmã" de criação, a diferença de cinco centímetros de altura sendo compensada pela agressividade na postura de Engfa.
— Eu não me lembro de ter pedido sua opinião, Faye. Você adora agir como se mandasse em tudo, mas esquece que eu sei exatamente o que você faz quando eu não estou por perto.
Faye levantou-se lentamente, a elegância de seus vinte e oito anos contrastando com a fúria bruta de Engfa. Ela deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal da mais nova até que suas respirações se misturassem.
— O que eu faço, Engfa? — provocou Faye, um sorriso ladino brincando em seus lábios. — Eu cuido dela. Eu a mimo. Coisas que uma brutamontes que só sabe resolver as coisas no soco não entende.
Antes que Engfa pudesse responder com um insulto, Faye deslizou a mão livre pelo ombro da jaqueta de Engfa, subindo até a nuca, onde seus dedos roçaram a pele quente. Em um movimento rápido e calculado, Faye inclinou-se e depositou um beijo úmido e demorado no pescoço de Engfa, bem abaixo da orelha.
Engfa estremeceu, os punhos cerrados ao lado do corpo. Ela odiava como Faye sabia exatamente onde tocá-la, odiava como aquela provocação a deixava desarmada por um segundo.
— Saia... de perto... de mim — sibilou Engfa, embora não fizesse menção de se afastar.
— Você adora quando eu faço isso — sussurrou Faye contra sua pele, antes de morder levemente o lóbulo da orelha de Engfa. — Admita. Você é tão possessiva comigo quanto é com ela.
— Eu odeio você — mentiu Engfa, a voz falhando levemente enquanto seus olhos observavam a corrente de prata no pescoço de Faye.
Engfa esticou a mão e agarrou o cordão de Faye, puxando-o com força, trazendo o rosto da ruiva para centímetros do seu. A tensão entre as duas era elétrica, uma mistura de rivalidade fraternal distorcida e um desejo que remontava aos tempos em que eram apenas "amigas com benefícios".
— Parem com isso. As duas.
A voz doce, mas carregada de uma carência manipuladora, veio do corredor. Charlotte Austin estava parada ali, o cabelo castanho-claro ondulado ainda úmido, vestindo apenas um roupão de seda que mal cobria suas curvas. Ela tinha vinte e dois anos e sabia perfeitamente o poder que exercia sobre as duas mulheres à sua frente.
Charlotte caminhou até elas, os olhos brilhando ao ver Engfa segurando a corrente de Faye e Faye com a mão na nuca de Engfa.
— Vocês estão brigando por minha causa de novo? — perguntou Charlotte, um biquinho surgindo em seus lábios enquanto seus olhos se enchiam de lágrimas artificiais. — Eu odeio quando vocês discutem. Parece que ninguém me ama de verdade aqui.
O efeito foi instantâneo. A fúria de Engfa evaporou, sendo substituída por uma necessidade desesperada de consolar a mais nova. Faye, por sua vez, soltou Engfa e suavizou a expressão, embora seus olhos ainda mantivessem aquele brilho controlador.
— Oh, meu amor, não diga isso — disse Faye, estendendo a mão para Charlotte. — Venha aqui.
Charlotte ignorou a mão de Faye por um momento e se jogou nos braços de Engfa, escondendo o rosto no couro frio de sua jaqueta.
— Engfa foi grossa — soluçou Charlotte, apertando a cintura da mais alta. — Eu ouvi os gritos do banheiro.
Engfa abraçou Charlotte com uma possessividade feroz, lançando um olhar de triunfo para Faye. Ela acariciou os cabelos de Charlotte, sua devoção beirando a obsessão.
— Eu sinto muito, pequena — murmurou Engfa, a voz agora suave como veludo. — Eu só estava irritada porque queria ver você. Faye estava me provocando, como sempre.
Faye revirou os olhos, mas não se afastou. Ela se aproximou por trás de Charlotte, envolvendo seus braços em volta da cintura da garota e, consequentemente, tocando as mãos de Engfa que estavam ali.
— Você é uma manipuladora, Charlotte — disse Faye, embora seu tom fosse de adoração. — Mas eu aceito isso. Contanto que você saiba quem manda aqui.
Charlotte virou o rosto para olhar para Faye, um sorriso travesso substituindo as lágrimas em segundos.
— Ninguém manda em mim, Faye. Mas eu adoro quando vocês tentam.
Charlotte puxou Faye pela gola da camisa e Engfa pela lapela da jaqueta, forçando as três a ficarem em um círculo apertado e sufocante.
— Eu quero atenção — declarou Charlotte. — Das duas. Ao mesmo tempo.
— Você é gananciosa — comentou Engfa, embora já estivesse inclinando a cabeça para beijar o ombro de Charlotte.
— E você é obcecada — rebateu Charlotte, rindo. — Engfa, tire essa jaqueta. Está me arranhando. Faye, pare de me olhar como se eu fosse sua propriedade privada.
— Mas você é — disse Faye, sua voz assumindo aquele tom mandão que não aceitava contestações. — Minha e dela. E ai de quem olhar para você na rua.
Engfa bufou, retirando a jaqueta e jogando-a em qualquer canto. Ela se sentou no sofá, puxando Charlotte para o seu colo. Faye não perdeu tempo e sentou-se ao lado delas, sua perna roçando a de Engfa "acidentalmente", enquanto sua mão subia pela coxa de Charlotte.
— Eu vi como aquele fotógrafo olhou para você hoje no estúdio, Charlotte — disse Engfa, o ciúme voltando a borbulhar. — Se eu o vir de novo, vou quebrar a câmera na cara dele.
— Ele só estava fazendo o trabalho dele, Engfa — provocou Charlotte, sabendo exatamente qual botão apertar. — Ele disse que eu tenho os olhos mais bonitos que ele já viu.
Engfa rosnou, apertando a cintura de Charlotte com mais força.
— Ele disse o quê?
Faye soltou uma risada seca e sarcástica.
— Não se preocupe, Engfa. Eu já cuidei disso. Liguei para a agência e garanti que ele não seja contratado para os próximos ensaios da Charlotte.
Engfa olhou para Faye, uma mistura de respeito e irritação.
— Pela primeira vez, você fez algo útil, Faye.
— Eu sempre sou útil — respondeu Faye, inclinando-se para beijar o pescoço de Charlotte, mas seus olhos estavam fixos em Engfa. — Diferente de certas pessoas que só sabem usar a força bruta, eu uso a influência.
— Influência é apenas uma palavra bonita para quem tem medo de sujar as mãos — retrucou Engfa.
Charlotte, sentindo a tensão crescer novamente, decidiu intervir da maneira que mais gostava. Ela se inclinou e beijou Engfa profundamente, uma mão segurando o rosto da morena, enquanto a outra mão buscava a nuca de Faye, puxando-a para perto.
O beijo foi possessivo, uma marca de território. Quando Charlotte se afastou, ambas as mulheres estavam ofegantes, os olhos fixos nela.
— Eu não quero ouvir sobre fotógrafos ou sobre quem é mais poderosa — disse Charlotte com autoridade. — Eu quero que vocês me mostrem o quanto me amam. Agora.
Faye sorriu, um brilho perigoso nos olhos. Ela se levantou e estendeu a mão para Charlotte, mas antes que a garota pudesse segurá-la, Engfa a puxou de volta para o sofá.
— Ela fica comigo primeiro — rosnou Engfa.
— Nem pensar — disse Faye, pegando Charlotte pelo braço com firmeza, mas sem machucar. — Nós dividimos, Engfa. Lembra do acordo? Ou sua memória é tão curta quanto seu pavio?
— O acordo é que eu não mato você enquanto você estiver tocando nela — rebateu Engfa, levantando-se também.
Charlotte observava a cena com um prazer quase doentio. Ela amava a toxicidade daquilo, a maneira como as duas irmãs de criação se odiavam e se amavam simultaneamente, tudo orbitando ao redor dela.
— Por que vocês não param de brigar e admitem que não conseguem viver sem esse caos? — perguntou Charlotte, levantando-se e caminhando em direção ao quarto principal. — Estarei esperando. Se demorarem mais cinco minutos, eu tranco a porta e vocês duas podem dormir no corredor se matando.
Engfa e Faye trocaram um olhar de puro desdém.
— Isso é sua culpa — disse Engfa, apontando o dedo para Faye.
— Minha culpa? Você que começou com o interrogatório do fotógrafo — Faye deu um passo à frente, seu corpo roçando o de Engfa enquanto ela passava em direção ao corredor. — E a propósito... sua jaqueta nova é horrível.
Faye deu um tapinha rápido na bunda de Engfa enquanto passava, um gesto puramente provocativo que fez Engfa cerrar os dentes e sentir um arrepio percorrer sua espinha.
— Eu vou acabar com você, Malisorn — murmurou Engfa para si mesma, embora um sorriso involuntário estivesse tentando surgir.
Ela seguiu Faye pelo corredor. Ao entrarem no quarto, a calmaria momentânea foi substituída pela intensidade que definia a relação delas. Charlotte já estava deitada, observando-as com um olhar expectante.
O ciclo se repetia. A possessividade de Engfa, o controle de Faye e a dependência emocional de Charlotte se fundiam em algo que o mundo exterior chamaria de destruição, mas que para elas era a única forma de sobrevivência.
— Venham — chamou Charlotte.
Engfa sentou-se de um lado, Faye do outro. Não havia espaço para mais ninguém naquele mundo distorcido. Engfa segurou a mão de Charlotte, enquanto Faye começou a distribuir beijos pelos ombros da garota.
— Você é minha — sussurrou Engfa no ouvido de Charlotte, mas seus olhos encontraram os de Faye sobre o corpo da menor.
— Ela é nossa — corrigiu Faye, a voz carregada de uma promessa sombria. — E nós somos dela.
A briga de minutos atrás foi esquecida, enterrada sob camadas de desejo e obsessão. Amanhã, elas voltariam a discutir por algo fútil, Engfa teria outro surto de raiva, Faye faria outro comentário sarcástico e Charlotte choraria para ter o que queria. Mas ali, naquele momento, o labirinto de emoções em que viviam parecia o único lugar onde faziam sentido.
Engfa sentiu a mão de Faye encontrar a sua sobre o abdômen de Charlotte. Seus dedos se entrelaçaram por um breve segundo antes de Engfa apertar a mão da irmã com força, um sinal silencioso de uma trégua temporária e de um amor que ela jamais admitiria em voz alta.
— Eu odeio vocês duas — murmurou Charlotte, fechando os olhos enquanto recebia os mimos.
— Mentira — disseram Engfa e Faye em uníssono.
E elas sabiam que era verdade. Naquele ninho de obsessão, a dor era apenas o tempero de uma devoção que nenhuma delas tinha a intenção de abandonar. O amor delas não era calmo, não era gentil e certamente não era saudável. Era um fogo constante que as consumia, e elas não queriam ser salvas do incêndio.
