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D
Fandom: D
Criado: 28/05/2026
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RomanceDramaDor/ConfortoHistória DomésticaCiúmesEstudo de PersonagemPsicológicoRealismoFatias de VidaSombrioAngústiaTragédiaGravidez Não Planejada/IndesejadaNovelaSátira
Traços de Nanquim e Doçura de Algodão
A cobertura de Emanuel no vigésimo andar exalava o mesmo ar que ele: sofisticação contida, modernidade funcional e uma organização impecável que beirava o obsessivo. O silêncio, no entanto, era um luxo que ele não possuía naquela tarde de sábado. No centro da sala de estar, cercada por almofadas de veludo cinza, estava a pequena Juju, sua sobrinha de quatro anos e uma verdadeira força da natureza.
— Tio Manu, eu quero pintar! Mas não no papel, quero pintar igual você faz nas pessoas! — Juju exclamou, com os olhos castanhos brilhando de malícia enquanto segurava uma canetinha atômica perigosamente perto do sofá de linho claro.
Emanuel suspirou, passando a mão pelos cabelos curtos. O estresse de gerenciar três novos estúdios de tatuagem na Europa durante a semana o deixara exausto, e a presença de Sara, que retocava o batom vermelho sentada na banqueta da cozinha americana, não ajudava a baixar sua guarda.
— Nem pense nisso, Juliana — advertiu Emanuel, a voz grave e firme, embora o cansaço estivesse estampado em seu rosto. — Papel ou nada.
— Deixa a garota, Emanuel. É só um sofá, você compra outro com o lucro de um dia — Sara comentou, sem desviar os olhos do espelho de mão. Ela usava um vestido justo de seda preta que acentuava cada curva de seu corpo esculpido e turbinado pelo silicone. — Mas se ela riscar meu scarpin, eu jogo ela pela varanda.
Juju mostrou a língua para Sara. A menina detestava a namorada do tio; achava-a barulhenta, cheirosa demais a perfume doce e, acima de tudo, "chata".
— Você é feia, tia Sara — disparou a menina, voltando a atenção para a porta quando a campainha tocou. — É a Duda! A mamãe disse que ela vinha me buscar!
Emanuel franziu o cenho. Sua irmã, Luana, mencionara que uma vizinha de confiança passaria para pegar Juju, já que ela mesma estava presa em uma reunião de última hora. Ele esperava uma mulher mais velha, talvez uma babá profissional. Quando abriu a porta, no entanto, o ar pareceu abandonar seus pulmões por um segundo.
Parada no corredor estava uma jovem que parecia ter saído de uma pintura pré-rafaelita. Eduarda tinha a pele clara como porcelana e olhos expressivos que transmitiam uma mistura de curiosidade e timidez extrema. O cabelo castanho escuro caía em ondas naturais sobre os ombros de um cardigã de tricô bege, e ela segurava as alças de uma bolsa de lona com os nós dos dedos brancos de tanta força.
— Oi... — a voz dela saiu pequena, quase um sussurro. — Eu sou a Eduarda. A Luana me pediu para vir buscar a Juju... Desculpe o incômodo.
Emanuel ficou em silêncio por um tempo longo demais, observando a delicadeza de seus traços. Ela tinha vinte anos, mas carregava uma aura de pureza que contrastava violentamente com o mundo cínico e apressado de Emanuel.
— Ah, sim. Eduarda. — Ele finalmente recuperou a fala, abrindo mais a porta. — Entre. Eu sou o Emanuel.
Ela deu um passo tímido para dentro, encolhendo os ombros como se tentasse ocupar o menor espaço possível. Juju correu em sua direção e se abraçou às pernas da jovem, enterrando o rosto no vestido floral de Eduarda.
— Duda! O tio Manu é bravo e a tia Sara é uma bruxa! — queixou-se a menina, manhosa.
Eduarda corou instantaneamente, levando a mão pequena e fina à cabeça da criança, acariciando os fios com uma ternura que fez o coração de Emanuel dar um solavanco estranho.
— Juju, não fale assim... — murmurou Eduarda, olhando para Emanuel com um pedido de desculpas silencioso nos olhos. — Me desculpe, ela... ela tem muita imaginação.
— Imaginação ou olho clínico? — Sara se aproximou, caminhando com o quadril oscilando de forma deliberada. Ela parou ao lado de Emanuel, passando o braço pela cintura dele em um gesto possessivo. — Então você é a vizinha caridosa? Achei que Luana contratasse gente, não que pedisse favor para... meninas.
Eduarda baixou o olhar, sentindo o peso do julgamento de Sara. A loira a analisava como se ela fosse uma peça de roupa fora de moda. A timidez de Eduarda a fez recuar um milímetro, buscando o apoio instintivo da parede.
— Eu gosto de ajudar a Luana — respondeu Eduarda, a voz trêmula mas doce. — A Juju é... especial para mim.
Emanuel sentiu uma irritação súbita com o tom de Sara. Ele sempre fora atraído pela energia vibrante e pela autoconfiança da namorada, mas naquele momento, a agressividade dela parecia deslocada, quase vulgar diante da fragilidade de Eduarda.
— Ela estuda História da Arte, Sara — disse Emanuel, sua voz soando mais protetora do que ele pretendia. — Não é apenas uma vizinha.
Ele se aproximou de Eduarda, ignorando o aperto de Sara em seu braço.
— Você quer sentar um pouco? Beber alguma coisa? — perguntou ele, suavizando a expressão séria. — A Juju ainda não guardou os brinquedos dela.
— Eu não quero ir embora agora! — protestou a menina, puxando a mão de Eduarda para o sofá. — Duda, senta aqui. Desenha comigo? O tio Manu desenha bem, mas ele não quer me deixar pintar o sofá.
Eduarda olhou para Emanuel, buscando permissão. Ele assentiu, fascinado pela forma como ela se movia — de maneira leve, quase flutuando. Ela se sentou no tapete ao lado de Juju, ignorando o sofá caro, e começou a organizar os lápis de cor com dedos ágeis.
— Posso desenhar uma flor para você, Juju? — perguntou Eduarda, a voz agora mais firme por estar focada na criança.
— Desenha uma rosa! Igual à que o tio Manu tem no pescoço! — pediu a pequena.
Emanuel sentiu um calor subir pelo pescoço tatuado. Ele se encostou no balcão da cozinha, observando a cena. Eduarda começou a rabiscar. Ela tinha um talento natural; em poucos segundos, uma rosa delicada surgiu no papel. Emanuel, o mestre das agulhas e das sombras, ficou impressionado com a fluidez do traço dela.
— Você tem mão de artista — comentou ele, aproximando-se e ficando de pé logo atrás dela.
Eduarda sentiu a presença maciça de Emanuel. Ele cheirava a madeira, tabaco caro e algo metálico que ela associou ao estúdio de tatuagem. Ela sentiu um arrepio percorrer sua espinha, uma mistura de medo da autoridade que ele exalava e um desejo inexplicável de se esconder sob aquela proteção.
— É só um passatempo... — ela murmurou, sem olhar para trás, a nuca exposta e vulnerável. — Eu prefiro analisar as obras dos outros do que criar as minhas.
— Pois deveria criar mais — insistiu ele, a voz baixa, quase um segredo compartilhado.
Sara, percebendo o clima, bufou alto e caminhou até eles, batendo os saltos com força no piso de madeira.
— Emanuel, querido, estamos atrasados para o jantar com os investidores do estúdio de Miami. Deixe a babá amadora levar a pirralha logo.
Eduarda estremeceu com o tom de voz. Ela começou a juntar as coisas de Juju apressadamente, o rosto queimando de vergonha.
— Sim, claro. Vamos, Juju. — Eduarda se levantou, a saia do vestido balançando suavemente.
— Espere — disse Emanuel, segurando o pulso de Eduarda.
O toque foi breve, mas eletrizante. A pele dela era tão macia quanto parecia, e a dele era quente e calejada. Eduarda olhou para ele, os olhos arregalados como os de uma corça assustada.
— Eu te acompanho até o carro — declarou ele.
— Emanuel, você está brincando? — Sara cruzou os braços, os seios siliconados saltando pelo decote do vestido. — O motorista da Luana está lá embaixo. Ela sabe o caminho.
— Eu insisto — disse ele, com um tom que não admitia discussões. Era o Emanuel controlador, o homem que comandava um império de arte corporal, mas havia uma nuance nova ali: uma necessidade súbita de prolongar aqueles minutos ao lado daquela criatura tão diferente de tudo o que ele conhecia.
No elevador, o silêncio era preenchido apenas pela tagarelice de Juju. Eduarda mantinha os olhos fixos nos números que desciam, sentindo o olhar de Emanuel queimando sobre ela. Ela se sentia pequena, mas de uma forma estranhamente confortável. Havia algo na presença dele que, embora intimidadora, oferecia uma segurança que ela nunca sentira antes.
Ao chegarem na calçada, onde o carro de Luana aguardava, Juju abraçou o tio.
— Tchau, tio Manu! Traz a Duda de novo!
Emanuel sorriu, um sorriso raro que raramente chegava aos seus olhos, mas que agora os iluminava. Ele se voltou para Eduarda.
— Obrigado por cuidar dela. E por... pela paciência com a Sara. Ela é um pouco intensa.
— Está tudo bem — disse Eduarda, dando um passo em direção ao carro, mas parando para olhar para ele uma última vez. — Você tem mãos muito bonitas, Emanuel. Dá para ver que elas criam coisas incríveis.
Ela entrou no carro rapidamente, o rosto escondido pelas mechas de cabelo castanho. Emanuel ficou parado na calçada, observando o veículo se afastar no tráfego de São Paulo.
O que era aquilo? Ele amava Sara. Amava a paixão dela, a fúria, a maneira como ela desafiava o mundo e como o corpo dela se encaixava no dele de forma explosiva. Sara era o fogo que o mantinha alerta.
Mas Eduarda... Eduarda era o bálsamo. Era a luz suave de uma tarde de outono, o silêncio reconfortante após uma batalha. Ele sentiu uma ganância desconhecida brotar em seu peito. Ele não queria escolher. A ideia de abrir mão da intensidade de Sara parecia impossível, mas a ideia de nunca mais ver a doçura de Eduarda, de não tê-la sob sua proteção, de não ver aquele olhar manho e tímido novamente... isso era insuportável.
Ele voltou para a cobertura, onde Sara o esperava com uma reclamação pronta nos lábios e um beijo carregado de batom vermelho. Ele a tomou nos braços com força, beijando-a com uma possessividade que a fez rir de satisfação.
— Nossa, o que deu em você? — ela perguntou, entre risos, passando as unhas longas pela nuca dele.
— Nada — respondeu ele, embora sua mente estivesse longe.
Emanuel já estava traçando planos. Ele era um homem de negócios, um estrategista. Ele queria o império, queria a adrenalina e queria a paz. Ele queria a loira que o incendiava e a morena que o acalmava.
Ele queria as duas. E o que Emanuel queria, ele geralmente conseguia.
— Sara, o que você acha de convidarmos a vizinha da Luana para jantar qualquer dia desses? — ele perguntou, a voz casual, enquanto seus olhos brilhavam com uma determinação fria e calculista. — Acho que ela poderia nos ajudar com a curadoria da nova galeria.
Sara arqueou uma sobrancelha, um sorriso malicioso surgindo.
— Aquela ratinha? Se você quer brincar com ela, Emanuel, eu não me importo. Mas saiba que eu sou a rainha desta casa.
Emanuel sorriu de volta, um gesto sombrio e satisfeito.
— Eu sei exatamente onde cada uma de vocês se encaixa, Sara. Acredite em mim.
Naquela noite, enquanto Eduarda estudava seus livros de História da Arte em seu pequeno apartamento, sentindo o coração ainda acelerado pelo encontro, ela não fazia ideia de que acabara de entrar no radar de um homem que não aceitava "não" como resposta. Ela era a doçura que ele precisava, e ele seria o porto seguro que ela sempre buscou, mesmo que esse porto fosse compartilhado com uma tempestade chamada Sara.
— Tio Manu, eu quero pintar! Mas não no papel, quero pintar igual você faz nas pessoas! — Juju exclamou, com os olhos castanhos brilhando de malícia enquanto segurava uma canetinha atômica perigosamente perto do sofá de linho claro.
Emanuel suspirou, passando a mão pelos cabelos curtos. O estresse de gerenciar três novos estúdios de tatuagem na Europa durante a semana o deixara exausto, e a presença de Sara, que retocava o batom vermelho sentada na banqueta da cozinha americana, não ajudava a baixar sua guarda.
— Nem pense nisso, Juliana — advertiu Emanuel, a voz grave e firme, embora o cansaço estivesse estampado em seu rosto. — Papel ou nada.
— Deixa a garota, Emanuel. É só um sofá, você compra outro com o lucro de um dia — Sara comentou, sem desviar os olhos do espelho de mão. Ela usava um vestido justo de seda preta que acentuava cada curva de seu corpo esculpido e turbinado pelo silicone. — Mas se ela riscar meu scarpin, eu jogo ela pela varanda.
Juju mostrou a língua para Sara. A menina detestava a namorada do tio; achava-a barulhenta, cheirosa demais a perfume doce e, acima de tudo, "chata".
— Você é feia, tia Sara — disparou a menina, voltando a atenção para a porta quando a campainha tocou. — É a Duda! A mamãe disse que ela vinha me buscar!
Emanuel franziu o cenho. Sua irmã, Luana, mencionara que uma vizinha de confiança passaria para pegar Juju, já que ela mesma estava presa em uma reunião de última hora. Ele esperava uma mulher mais velha, talvez uma babá profissional. Quando abriu a porta, no entanto, o ar pareceu abandonar seus pulmões por um segundo.
Parada no corredor estava uma jovem que parecia ter saído de uma pintura pré-rafaelita. Eduarda tinha a pele clara como porcelana e olhos expressivos que transmitiam uma mistura de curiosidade e timidez extrema. O cabelo castanho escuro caía em ondas naturais sobre os ombros de um cardigã de tricô bege, e ela segurava as alças de uma bolsa de lona com os nós dos dedos brancos de tanta força.
— Oi... — a voz dela saiu pequena, quase um sussurro. — Eu sou a Eduarda. A Luana me pediu para vir buscar a Juju... Desculpe o incômodo.
Emanuel ficou em silêncio por um tempo longo demais, observando a delicadeza de seus traços. Ela tinha vinte anos, mas carregava uma aura de pureza que contrastava violentamente com o mundo cínico e apressado de Emanuel.
— Ah, sim. Eduarda. — Ele finalmente recuperou a fala, abrindo mais a porta. — Entre. Eu sou o Emanuel.
Ela deu um passo tímido para dentro, encolhendo os ombros como se tentasse ocupar o menor espaço possível. Juju correu em sua direção e se abraçou às pernas da jovem, enterrando o rosto no vestido floral de Eduarda.
— Duda! O tio Manu é bravo e a tia Sara é uma bruxa! — queixou-se a menina, manhosa.
Eduarda corou instantaneamente, levando a mão pequena e fina à cabeça da criança, acariciando os fios com uma ternura que fez o coração de Emanuel dar um solavanco estranho.
— Juju, não fale assim... — murmurou Eduarda, olhando para Emanuel com um pedido de desculpas silencioso nos olhos. — Me desculpe, ela... ela tem muita imaginação.
— Imaginação ou olho clínico? — Sara se aproximou, caminhando com o quadril oscilando de forma deliberada. Ela parou ao lado de Emanuel, passando o braço pela cintura dele em um gesto possessivo. — Então você é a vizinha caridosa? Achei que Luana contratasse gente, não que pedisse favor para... meninas.
Eduarda baixou o olhar, sentindo o peso do julgamento de Sara. A loira a analisava como se ela fosse uma peça de roupa fora de moda. A timidez de Eduarda a fez recuar um milímetro, buscando o apoio instintivo da parede.
— Eu gosto de ajudar a Luana — respondeu Eduarda, a voz trêmula mas doce. — A Juju é... especial para mim.
Emanuel sentiu uma irritação súbita com o tom de Sara. Ele sempre fora atraído pela energia vibrante e pela autoconfiança da namorada, mas naquele momento, a agressividade dela parecia deslocada, quase vulgar diante da fragilidade de Eduarda.
— Ela estuda História da Arte, Sara — disse Emanuel, sua voz soando mais protetora do que ele pretendia. — Não é apenas uma vizinha.
Ele se aproximou de Eduarda, ignorando o aperto de Sara em seu braço.
— Você quer sentar um pouco? Beber alguma coisa? — perguntou ele, suavizando a expressão séria. — A Juju ainda não guardou os brinquedos dela.
— Eu não quero ir embora agora! — protestou a menina, puxando a mão de Eduarda para o sofá. — Duda, senta aqui. Desenha comigo? O tio Manu desenha bem, mas ele não quer me deixar pintar o sofá.
Eduarda olhou para Emanuel, buscando permissão. Ele assentiu, fascinado pela forma como ela se movia — de maneira leve, quase flutuando. Ela se sentou no tapete ao lado de Juju, ignorando o sofá caro, e começou a organizar os lápis de cor com dedos ágeis.
— Posso desenhar uma flor para você, Juju? — perguntou Eduarda, a voz agora mais firme por estar focada na criança.
— Desenha uma rosa! Igual à que o tio Manu tem no pescoço! — pediu a pequena.
Emanuel sentiu um calor subir pelo pescoço tatuado. Ele se encostou no balcão da cozinha, observando a cena. Eduarda começou a rabiscar. Ela tinha um talento natural; em poucos segundos, uma rosa delicada surgiu no papel. Emanuel, o mestre das agulhas e das sombras, ficou impressionado com a fluidez do traço dela.
— Você tem mão de artista — comentou ele, aproximando-se e ficando de pé logo atrás dela.
Eduarda sentiu a presença maciça de Emanuel. Ele cheirava a madeira, tabaco caro e algo metálico que ela associou ao estúdio de tatuagem. Ela sentiu um arrepio percorrer sua espinha, uma mistura de medo da autoridade que ele exalava e um desejo inexplicável de se esconder sob aquela proteção.
— É só um passatempo... — ela murmurou, sem olhar para trás, a nuca exposta e vulnerável. — Eu prefiro analisar as obras dos outros do que criar as minhas.
— Pois deveria criar mais — insistiu ele, a voz baixa, quase um segredo compartilhado.
Sara, percebendo o clima, bufou alto e caminhou até eles, batendo os saltos com força no piso de madeira.
— Emanuel, querido, estamos atrasados para o jantar com os investidores do estúdio de Miami. Deixe a babá amadora levar a pirralha logo.
Eduarda estremeceu com o tom de voz. Ela começou a juntar as coisas de Juju apressadamente, o rosto queimando de vergonha.
— Sim, claro. Vamos, Juju. — Eduarda se levantou, a saia do vestido balançando suavemente.
— Espere — disse Emanuel, segurando o pulso de Eduarda.
O toque foi breve, mas eletrizante. A pele dela era tão macia quanto parecia, e a dele era quente e calejada. Eduarda olhou para ele, os olhos arregalados como os de uma corça assustada.
— Eu te acompanho até o carro — declarou ele.
— Emanuel, você está brincando? — Sara cruzou os braços, os seios siliconados saltando pelo decote do vestido. — O motorista da Luana está lá embaixo. Ela sabe o caminho.
— Eu insisto — disse ele, com um tom que não admitia discussões. Era o Emanuel controlador, o homem que comandava um império de arte corporal, mas havia uma nuance nova ali: uma necessidade súbita de prolongar aqueles minutos ao lado daquela criatura tão diferente de tudo o que ele conhecia.
No elevador, o silêncio era preenchido apenas pela tagarelice de Juju. Eduarda mantinha os olhos fixos nos números que desciam, sentindo o olhar de Emanuel queimando sobre ela. Ela se sentia pequena, mas de uma forma estranhamente confortável. Havia algo na presença dele que, embora intimidadora, oferecia uma segurança que ela nunca sentira antes.
Ao chegarem na calçada, onde o carro de Luana aguardava, Juju abraçou o tio.
— Tchau, tio Manu! Traz a Duda de novo!
Emanuel sorriu, um sorriso raro que raramente chegava aos seus olhos, mas que agora os iluminava. Ele se voltou para Eduarda.
— Obrigado por cuidar dela. E por... pela paciência com a Sara. Ela é um pouco intensa.
— Está tudo bem — disse Eduarda, dando um passo em direção ao carro, mas parando para olhar para ele uma última vez. — Você tem mãos muito bonitas, Emanuel. Dá para ver que elas criam coisas incríveis.
Ela entrou no carro rapidamente, o rosto escondido pelas mechas de cabelo castanho. Emanuel ficou parado na calçada, observando o veículo se afastar no tráfego de São Paulo.
O que era aquilo? Ele amava Sara. Amava a paixão dela, a fúria, a maneira como ela desafiava o mundo e como o corpo dela se encaixava no dele de forma explosiva. Sara era o fogo que o mantinha alerta.
Mas Eduarda... Eduarda era o bálsamo. Era a luz suave de uma tarde de outono, o silêncio reconfortante após uma batalha. Ele sentiu uma ganância desconhecida brotar em seu peito. Ele não queria escolher. A ideia de abrir mão da intensidade de Sara parecia impossível, mas a ideia de nunca mais ver a doçura de Eduarda, de não tê-la sob sua proteção, de não ver aquele olhar manho e tímido novamente... isso era insuportável.
Ele voltou para a cobertura, onde Sara o esperava com uma reclamação pronta nos lábios e um beijo carregado de batom vermelho. Ele a tomou nos braços com força, beijando-a com uma possessividade que a fez rir de satisfação.
— Nossa, o que deu em você? — ela perguntou, entre risos, passando as unhas longas pela nuca dele.
— Nada — respondeu ele, embora sua mente estivesse longe.
Emanuel já estava traçando planos. Ele era um homem de negócios, um estrategista. Ele queria o império, queria a adrenalina e queria a paz. Ele queria a loira que o incendiava e a morena que o acalmava.
Ele queria as duas. E o que Emanuel queria, ele geralmente conseguia.
— Sara, o que você acha de convidarmos a vizinha da Luana para jantar qualquer dia desses? — ele perguntou, a voz casual, enquanto seus olhos brilhavam com uma determinação fria e calculista. — Acho que ela poderia nos ajudar com a curadoria da nova galeria.
Sara arqueou uma sobrancelha, um sorriso malicioso surgindo.
— Aquela ratinha? Se você quer brincar com ela, Emanuel, eu não me importo. Mas saiba que eu sou a rainha desta casa.
Emanuel sorriu de volta, um gesto sombrio e satisfeito.
— Eu sei exatamente onde cada uma de vocês se encaixa, Sara. Acredite em mim.
Naquela noite, enquanto Eduarda estudava seus livros de História da Arte em seu pequeno apartamento, sentindo o coração ainda acelerado pelo encontro, ela não fazia ideia de que acabara de entrar no radar de um homem que não aceitava "não" como resposta. Ela era a doçura que ele precisava, e ele seria o porto seguro que ela sempre buscou, mesmo que esse porto fosse compartilhado com uma tempestade chamada Sara.
