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Fandom: EngLot FayeLotte
Criado: 29/05/2026
Tags
RomanceDramaAngústiaPsicológicoSombrioAçãoCrimeCiúmesLinguagem ExplícitaViolência GráficaDor/ConfortoHistória DomésticaMenção de IncestoSuspenseEstudo de Personagem
O Echo de um Sangue Compartilhado
O asfalto daquele beco sem saída estava impregnado com o cheiro metálico de ferrugem e o odor acre de cigarro barato. Engfa Waraha, aos dezessete anos, não era uma garota; era um animal ferido e enjaulado que finalmente havia quebrado as grades. Seus nós dos dedos estavam esfolados, a pele branca agora manchada por um rubro profundo que não era apenas dela. No chão, o garoto que ousara falar sobre o "temperamento instável" de sua família não passava de um amontoado de roupas sujas e gemidos sufocados.
Engfa não parava. Cada soco era uma resposta a um trauma que ela ainda não sabia nomear. Seus olhos castanhos, geralmente nublados por uma arrogância defensiva, brilhavam com um ódio tão puro que parecia queimar o ar ao redor.
— Engfa, chega. Você vai acabar matando o idiota e eu não estou a fim de ser testemunha de um homicídio hoje.
A voz era arrastada, carregada de um sarcasmo que cortou a névoa de adrenalina de Engfa. Ela parou o punho no ar, o peito subindo e descendo em arfadas violentas. Lentamente, ela virou o rosto.
Encostada em um muro pichado, Faye Malisorn observava a cena com uma calma perturbadora. Ela já tinha vinte anos na época, o cabelo vermelho como uma ferida aberta contra a luz do entardecer e aquela corrente de prata pendurada no pescoço, brilhando de forma hipnótica. Faye não parecia assustada. Pelo contrário, ela parecia... entretida.
— O que você quer, Malisorn? — rosnou Engfa, limpando o sangue do lábio com o dorso da mão. — Veio dar sermão?
Faye soltou uma risada curta, caminhando em direção à garota mais nova com a elegância de um predador que sabe que o território já é seu. Ela parou a poucos centímetros de Engfa, ignorando o corpo caído no chão.
— Sermão? — Faye inclinou a cabeça, os olhos percorrendo o rosto suado de Engfa. — Eu prefiro o espetáculo. Você é a encrenqueira do bairro, não é? A filha dos Waraha que ninguém consegue domar.
Engfa apertou os punhos, um novo surto de raiva borbulhando em seu estômago.
— Infelizmente, aqueles estúpidos são meus pais — cuspiu ela, a menção ao sobrenome agindo como um gatilho. — E você? A princesinha dos Malisorn que mora três casas depois da minha? O que uma garota perfeita como você faz num lugar imundo desses?
Faye deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal de Engfa. O cheiro de Faye — algo como sândalo e perigo — envolveu os sentidos da mais nova.
— Eu não sou perfeita, Engfa. Eu só sou melhor em esconder meus monstros do que você — Faye estendeu a mão e, com uma delicadeza provocadora, limpou uma mancha de sangue na bochecha de Engfa. — Você tem crises de raiva, impulsos que não controla. É fascinante.
Engfa recuou um passo, incrédula.
— Fascinante? Eu acabei de moer um cara na porrada e você está aqui flertando comigo? Você é doente.
— Talvez — Faye sorriu, um sorriso que não chegava aos olhos observadores. — Mas você também é. E é por isso que vamos nos dar tão bem.
Aquele foi o início. O início de uma amizade que nunca foi pura, de uma conexão que nasceu no sangue e se solidificou no abuso emocional mútuo. Faye tornou-se a sombra de Engfa, a mão que guiava seus surtos de violência e a boca que silenciava seus gritos durante as noites de insônia. Elas se tornaram "amigas com benefícios", um termo higienizado para a possessividade caótica que as consumia. Faye amava controlar a fúria de Engfa, e Engfa, apesar de odiar a arrogância de Faye, tornou-se viciada no toque daquela mulher que não se intimidava com sua escuridão.
Anos depois, no loft que agora compartilhavam com Charlotte, o passado ainda ecoava em cada provocação.
— Você está pensando naquele dia de novo, não está? — A voz de Faye, agora com vinte e oito anos, tirou Engfa de seus devaneios.
Engfa estava sentada no sofá de couro, uma jaqueta preta jogada sobre os ombros e um cigarro apagado entre os dedos. Ela olhou para Faye, que estava parada perto da janela, a corrente de prata balançando levemente sobre a clavícula.
— Eu só estava lembrando do quanto você era irritante — mentiu Engfa, a voz rouca. — E de como você ainda é.
Faye caminhou até ela, o quadril balançando com uma confiança que sempre fazia o sangue de Engfa ferver. Ela se inclinou sobre o sofá, o cabelo vermelho caindo como uma cortina ao redor do rosto de Engfa.
— Você me ama irritante, Engfa. Você ama o fato de que eu sou a única que sabe exatamente onde apertar para fazer você explodir — Faye roçou o nariz no pescoço de Engfa, um toque "acidental" que fez a mais nova tensionar os músculos.
— Sai de perto, Faye — murmurou Engfa, embora não fizesse menção de se afastar.
— Por que? Está com medo de que a Charlotte veja? — Faye provocou, mordiscando a orelha de Engfa. — Falando nela... onde está a nossa pequena regente?
Como se fosse invocada pelo som de seu nome, Charlotte Austin apareceu na porta do quarto. Aos vinte e dois anos, ela era a personificação de uma fragilidade calculada. O cabelo castanho-claro ondulado caía sobre os ombros e seus olhos grandes e expressivos já mostravam sinais de uma tempestade emocional iminente.
— Vocês estão brigando sem mim de novo? — Charlotte perguntou, a voz embargada. Ela caminhou até o centro da sala, os lábios tremendo levemente. — Eu estava esperando vocês no quarto. Pensei que... pensei que vocês quisessem ficar comigo hoje.
Engfa sentiu a habitual pontada de culpa e possessividade. Ela se levantou rapidamente, deixando Faye para trás.
— Não estamos brigando, Charlie. A Faye só está sendo insuportável, como sempre — Engfa envolveu a cintura de Charlotte, puxando-a para perto. — Você sabe que eu sou sua. Só sua.
Charlotte olhou para Engfa, uma lágrima solitária escorrendo por sua bochecha.
— Mas a Faye sempre rouba você de mim. E você deixa — ela soluçou, escondendo o rosto no peito de Engfa. — Eu odeio compartilhar. Eu quero que as duas olhem só para mim.
Faye soltou um suspiro teatral, mas seus olhos brilhavam com uma possessividade fria. Ela se aproximou das duas, sua presença intimidante preenchendo o espaço.
— Não chore, bonequinha — Faye disse, passando a mão pelo cabelo de Charlotte enquanto, simultaneamente, apertava o braço de Engfa com força. — Você sabe que o equilíbrio deste lugar depende de nós três. Eu não vou a lugar nenhum, e a Engfa... bem, ela está presa a mim tanto quanto está presa a você.
Charlotte levantou o rosto, um sorriso pequeno e manipulador surgindo através das lágrimas.
— Provem — desafiou ela. — Provem que eu sou a única coisa que importa.
Engfa rosnou, a arrogância voltando à tona.
— Você é uma pequena manipuladora, Charlotte. Mas eu não consigo parar de querer você.
Engfa puxou Charlotte para um beijo possessivo, mas sentiu a mão de Faye em sua nuca, os dedos longos da Malisorn se enroscando em seu cabelo castanho-escuro. Faye não as interrompeu; ela se juntou, distribuindo beijos pelo pescoço de Charlotte enquanto mantinha o olhar fixo em Engfa.
— Eu odeio você — murmurou Engfa contra os lábios de Charlotte, mas seus olhos estavam focados em Faye.
— Eu sei — Faye sorriu entre os toques. — E é por isso que você nunca vai embora.
A dinâmica era doentia. Engfa odiava compartilhar Charlotte com Faye, sentindo um ciúme patológico toda vez que a irmã de criação tocava a namorada. Faye, por sua vez, sentia um prazer distorcido em provocar a raiva de Engfa, usando Charlotte como a peça central de seu jogo de controle. E Charlotte? Charlotte se alimentava daquela adoração obsessiva, usando sua dependência emocional para garantir que as duas mulheres mais poderosas de sua vida estivessem sempre aos seus pés, prontas para se destruírem por um sorriso dela.
— A corrente, Faye — Charlotte sussurrou, afastando-se um pouco para olhar para a Malisorn. — Deixe a Engfa usar a corrente.
O clima na sala mudou instantaneamente. A corrente de prata de Faye não era apenas um acessório; era um símbolo de um segredo que Faye guardava a sete chaves, algo relacionado ao passado obscuro das famílias Waraha e Malisorn.
Faye arqueou uma sobrancelha, um brilho perigoso em seus olhos.
— Você sabe que ninguém toca na minha corrente, Charlotte. Nem mesmo você.
Engfa sentiu a curiosidade e a irritação crescerem. Ela deu um passo à frente, a mão estendida para o pescoço de Faye.
— O que tem de tão especial nessa droga de prata? — Engfa desafiou, a voz carregada de sua arrogância habitual. — Você sempre agiu como se isso fosse uma coleira.
Faye não recuou. Ela agarrou o pulso de Engfa antes que ela pudesse tocar o metal frio.
— Talvez seja, Engfa. Mas a pergunta é: quem está segurando a outra ponta? — Faye sorriu de forma enigmática. — Se você quiser saber os segredos que eu escondo, vai ter que fazer melhor do que um surto de raiva.
Charlotte, percebendo a tensão aumentar, envolveu o pescoço de Faye com os braços, puxando-a para baixo pela corrente. Faye soltou um gemido baixo de satisfação, fechando os olhos por um momento enquanto era dominada pela mais nova.
— Eu amo quando você faz isso — Faye confessou, a voz perdendo um pouco da autoridade.
Engfa observava a cena, o vício no cigarro sendo substituído pelo vício naquelas duas mulheres. Ela odiava a influência de Faye, odiava os segredos que a cercavam, mas a obsessão era mais forte que o ódio. Ela se aproximou novamente, prendendo Faye e Charlotte entre seu corpo e o sofá.
— Nós temos problemas — Engfa declarou, a voz sombria. — Problemas sérios.
— Nós somos o problema, Engfa — Charlotte corrigiu, puxando a jaqueta de Engfa para trazê-la para mais perto. — E eu não quero ser curada.
— Nem eu — Faye completou, abrindo os olhos e encarando Engfa com uma intensidade que prometia caos. — O loft é o nosso mundo. Lá fora, eles podem falar sobre a morte dos seus pais, sobre os negócios sujos dos Malisorn, sobre o quão loucas nós somos... mas aqui dentro, nós somos as únicas que importam.
Engfa sentiu o peso das palavras de Faye. A morte de seus pais ainda era uma ferida aberta, um mistério que Faye parecia conhecer melhor do que ela mesma. Mas, naquele momento, sob o olhar predatório de Faye e o toque carente de Charlotte, a verdade parecia menos importante do que a posse.
— Se eu descobrir que você teve algo a ver com o que aconteceu com a minha família, Faye... — Engfa começou, o tom de ameaça claro.
— Você vai fazer o quê? — Faye interrompeu, desafiadora. — Vai me bater? Vai me expulsar? Nós duas sabemos que você não consegue respirar sem o meu sarcasmo para te irritar e sem a Charlotte para te dar um propósito.
Engfa não respondeu. Em vez disso, ela selou o pacto de destruição com um gesto bruto, puxando as duas para si. O ciclo vicioso continuava. A cada briga, a cada demonstração de ciúmes patológico, o vínculo entre elas se tornava mais inquebrável. Elas eram três almas danificadas, presas em um loft que servia tanto de santuário quanto de prisão, aguardando o momento em que os segredos do passado finalmente as consumiriam por completo.
— Prometam — Charlotte murmurou, os olhos brilhando com uma intensidade maníaca. — Prometam que nunca vão me deixar sozinha.
— Jamais — Faye disse, beijando a testa de Charlotte enquanto olhava fixamente para Engfa.
— Você está presa a nós, Charlie — Engfa finalizou, a voz rouca de desejo e posse. — Até o fim.
E, no silêncio do loft, apenas o som da respiração descompassada e o tilintar da corrente de prata de Faye podiam ser ouvidos, selando um destino que nenhuma delas tinha força — ou vontade — de evitar.
Engfa não parava. Cada soco era uma resposta a um trauma que ela ainda não sabia nomear. Seus olhos castanhos, geralmente nublados por uma arrogância defensiva, brilhavam com um ódio tão puro que parecia queimar o ar ao redor.
— Engfa, chega. Você vai acabar matando o idiota e eu não estou a fim de ser testemunha de um homicídio hoje.
A voz era arrastada, carregada de um sarcasmo que cortou a névoa de adrenalina de Engfa. Ela parou o punho no ar, o peito subindo e descendo em arfadas violentas. Lentamente, ela virou o rosto.
Encostada em um muro pichado, Faye Malisorn observava a cena com uma calma perturbadora. Ela já tinha vinte anos na época, o cabelo vermelho como uma ferida aberta contra a luz do entardecer e aquela corrente de prata pendurada no pescoço, brilhando de forma hipnótica. Faye não parecia assustada. Pelo contrário, ela parecia... entretida.
— O que você quer, Malisorn? — rosnou Engfa, limpando o sangue do lábio com o dorso da mão. — Veio dar sermão?
Faye soltou uma risada curta, caminhando em direção à garota mais nova com a elegância de um predador que sabe que o território já é seu. Ela parou a poucos centímetros de Engfa, ignorando o corpo caído no chão.
— Sermão? — Faye inclinou a cabeça, os olhos percorrendo o rosto suado de Engfa. — Eu prefiro o espetáculo. Você é a encrenqueira do bairro, não é? A filha dos Waraha que ninguém consegue domar.
Engfa apertou os punhos, um novo surto de raiva borbulhando em seu estômago.
— Infelizmente, aqueles estúpidos são meus pais — cuspiu ela, a menção ao sobrenome agindo como um gatilho. — E você? A princesinha dos Malisorn que mora três casas depois da minha? O que uma garota perfeita como você faz num lugar imundo desses?
Faye deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal de Engfa. O cheiro de Faye — algo como sândalo e perigo — envolveu os sentidos da mais nova.
— Eu não sou perfeita, Engfa. Eu só sou melhor em esconder meus monstros do que você — Faye estendeu a mão e, com uma delicadeza provocadora, limpou uma mancha de sangue na bochecha de Engfa. — Você tem crises de raiva, impulsos que não controla. É fascinante.
Engfa recuou um passo, incrédula.
— Fascinante? Eu acabei de moer um cara na porrada e você está aqui flertando comigo? Você é doente.
— Talvez — Faye sorriu, um sorriso que não chegava aos olhos observadores. — Mas você também é. E é por isso que vamos nos dar tão bem.
Aquele foi o início. O início de uma amizade que nunca foi pura, de uma conexão que nasceu no sangue e se solidificou no abuso emocional mútuo. Faye tornou-se a sombra de Engfa, a mão que guiava seus surtos de violência e a boca que silenciava seus gritos durante as noites de insônia. Elas se tornaram "amigas com benefícios", um termo higienizado para a possessividade caótica que as consumia. Faye amava controlar a fúria de Engfa, e Engfa, apesar de odiar a arrogância de Faye, tornou-se viciada no toque daquela mulher que não se intimidava com sua escuridão.
Anos depois, no loft que agora compartilhavam com Charlotte, o passado ainda ecoava em cada provocação.
— Você está pensando naquele dia de novo, não está? — A voz de Faye, agora com vinte e oito anos, tirou Engfa de seus devaneios.
Engfa estava sentada no sofá de couro, uma jaqueta preta jogada sobre os ombros e um cigarro apagado entre os dedos. Ela olhou para Faye, que estava parada perto da janela, a corrente de prata balançando levemente sobre a clavícula.
— Eu só estava lembrando do quanto você era irritante — mentiu Engfa, a voz rouca. — E de como você ainda é.
Faye caminhou até ela, o quadril balançando com uma confiança que sempre fazia o sangue de Engfa ferver. Ela se inclinou sobre o sofá, o cabelo vermelho caindo como uma cortina ao redor do rosto de Engfa.
— Você me ama irritante, Engfa. Você ama o fato de que eu sou a única que sabe exatamente onde apertar para fazer você explodir — Faye roçou o nariz no pescoço de Engfa, um toque "acidental" que fez a mais nova tensionar os músculos.
— Sai de perto, Faye — murmurou Engfa, embora não fizesse menção de se afastar.
— Por que? Está com medo de que a Charlotte veja? — Faye provocou, mordiscando a orelha de Engfa. — Falando nela... onde está a nossa pequena regente?
Como se fosse invocada pelo som de seu nome, Charlotte Austin apareceu na porta do quarto. Aos vinte e dois anos, ela era a personificação de uma fragilidade calculada. O cabelo castanho-claro ondulado caía sobre os ombros e seus olhos grandes e expressivos já mostravam sinais de uma tempestade emocional iminente.
— Vocês estão brigando sem mim de novo? — Charlotte perguntou, a voz embargada. Ela caminhou até o centro da sala, os lábios tremendo levemente. — Eu estava esperando vocês no quarto. Pensei que... pensei que vocês quisessem ficar comigo hoje.
Engfa sentiu a habitual pontada de culpa e possessividade. Ela se levantou rapidamente, deixando Faye para trás.
— Não estamos brigando, Charlie. A Faye só está sendo insuportável, como sempre — Engfa envolveu a cintura de Charlotte, puxando-a para perto. — Você sabe que eu sou sua. Só sua.
Charlotte olhou para Engfa, uma lágrima solitária escorrendo por sua bochecha.
— Mas a Faye sempre rouba você de mim. E você deixa — ela soluçou, escondendo o rosto no peito de Engfa. — Eu odeio compartilhar. Eu quero que as duas olhem só para mim.
Faye soltou um suspiro teatral, mas seus olhos brilhavam com uma possessividade fria. Ela se aproximou das duas, sua presença intimidante preenchendo o espaço.
— Não chore, bonequinha — Faye disse, passando a mão pelo cabelo de Charlotte enquanto, simultaneamente, apertava o braço de Engfa com força. — Você sabe que o equilíbrio deste lugar depende de nós três. Eu não vou a lugar nenhum, e a Engfa... bem, ela está presa a mim tanto quanto está presa a você.
Charlotte levantou o rosto, um sorriso pequeno e manipulador surgindo através das lágrimas.
— Provem — desafiou ela. — Provem que eu sou a única coisa que importa.
Engfa rosnou, a arrogância voltando à tona.
— Você é uma pequena manipuladora, Charlotte. Mas eu não consigo parar de querer você.
Engfa puxou Charlotte para um beijo possessivo, mas sentiu a mão de Faye em sua nuca, os dedos longos da Malisorn se enroscando em seu cabelo castanho-escuro. Faye não as interrompeu; ela se juntou, distribuindo beijos pelo pescoço de Charlotte enquanto mantinha o olhar fixo em Engfa.
— Eu odeio você — murmurou Engfa contra os lábios de Charlotte, mas seus olhos estavam focados em Faye.
— Eu sei — Faye sorriu entre os toques. — E é por isso que você nunca vai embora.
A dinâmica era doentia. Engfa odiava compartilhar Charlotte com Faye, sentindo um ciúme patológico toda vez que a irmã de criação tocava a namorada. Faye, por sua vez, sentia um prazer distorcido em provocar a raiva de Engfa, usando Charlotte como a peça central de seu jogo de controle. E Charlotte? Charlotte se alimentava daquela adoração obsessiva, usando sua dependência emocional para garantir que as duas mulheres mais poderosas de sua vida estivessem sempre aos seus pés, prontas para se destruírem por um sorriso dela.
— A corrente, Faye — Charlotte sussurrou, afastando-se um pouco para olhar para a Malisorn. — Deixe a Engfa usar a corrente.
O clima na sala mudou instantaneamente. A corrente de prata de Faye não era apenas um acessório; era um símbolo de um segredo que Faye guardava a sete chaves, algo relacionado ao passado obscuro das famílias Waraha e Malisorn.
Faye arqueou uma sobrancelha, um brilho perigoso em seus olhos.
— Você sabe que ninguém toca na minha corrente, Charlotte. Nem mesmo você.
Engfa sentiu a curiosidade e a irritação crescerem. Ela deu um passo à frente, a mão estendida para o pescoço de Faye.
— O que tem de tão especial nessa droga de prata? — Engfa desafiou, a voz carregada de sua arrogância habitual. — Você sempre agiu como se isso fosse uma coleira.
Faye não recuou. Ela agarrou o pulso de Engfa antes que ela pudesse tocar o metal frio.
— Talvez seja, Engfa. Mas a pergunta é: quem está segurando a outra ponta? — Faye sorriu de forma enigmática. — Se você quiser saber os segredos que eu escondo, vai ter que fazer melhor do que um surto de raiva.
Charlotte, percebendo a tensão aumentar, envolveu o pescoço de Faye com os braços, puxando-a para baixo pela corrente. Faye soltou um gemido baixo de satisfação, fechando os olhos por um momento enquanto era dominada pela mais nova.
— Eu amo quando você faz isso — Faye confessou, a voz perdendo um pouco da autoridade.
Engfa observava a cena, o vício no cigarro sendo substituído pelo vício naquelas duas mulheres. Ela odiava a influência de Faye, odiava os segredos que a cercavam, mas a obsessão era mais forte que o ódio. Ela se aproximou novamente, prendendo Faye e Charlotte entre seu corpo e o sofá.
— Nós temos problemas — Engfa declarou, a voz sombria. — Problemas sérios.
— Nós somos o problema, Engfa — Charlotte corrigiu, puxando a jaqueta de Engfa para trazê-la para mais perto. — E eu não quero ser curada.
— Nem eu — Faye completou, abrindo os olhos e encarando Engfa com uma intensidade que prometia caos. — O loft é o nosso mundo. Lá fora, eles podem falar sobre a morte dos seus pais, sobre os negócios sujos dos Malisorn, sobre o quão loucas nós somos... mas aqui dentro, nós somos as únicas que importam.
Engfa sentiu o peso das palavras de Faye. A morte de seus pais ainda era uma ferida aberta, um mistério que Faye parecia conhecer melhor do que ela mesma. Mas, naquele momento, sob o olhar predatório de Faye e o toque carente de Charlotte, a verdade parecia menos importante do que a posse.
— Se eu descobrir que você teve algo a ver com o que aconteceu com a minha família, Faye... — Engfa começou, o tom de ameaça claro.
— Você vai fazer o quê? — Faye interrompeu, desafiadora. — Vai me bater? Vai me expulsar? Nós duas sabemos que você não consegue respirar sem o meu sarcasmo para te irritar e sem a Charlotte para te dar um propósito.
Engfa não respondeu. Em vez disso, ela selou o pacto de destruição com um gesto bruto, puxando as duas para si. O ciclo vicioso continuava. A cada briga, a cada demonstração de ciúmes patológico, o vínculo entre elas se tornava mais inquebrável. Elas eram três almas danificadas, presas em um loft que servia tanto de santuário quanto de prisão, aguardando o momento em que os segredos do passado finalmente as consumiriam por completo.
— Prometam — Charlotte murmurou, os olhos brilhando com uma intensidade maníaca. — Prometam que nunca vão me deixar sozinha.
— Jamais — Faye disse, beijando a testa de Charlotte enquanto olhava fixamente para Engfa.
— Você está presa a nós, Charlie — Engfa finalizou, a voz rouca de desejo e posse. — Até o fim.
E, no silêncio do loft, apenas o som da respiração descompassada e o tilintar da corrente de prata de Faye podiam ser ouvidos, selando um destino que nenhuma delas tinha força — ou vontade — de evitar.
