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Meu pecado favorito

Fandom: Vampire Diaries

Criado: 29/05/2026

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O Sangue que Alimenta a Luz

A névoa de Mystic Falls sempre pareceu esconder segredos, mas nenhum segredo era tão antigo ou tão radiante quanto Dolores Gilbert. Enquanto Elena lidava com o drama de sua semelhança com Katherine Pierce e o triângulo amoroso com os irmãos Salvatore, Dolores observava tudo do alto da varanda da mansão Gilbert, sentindo o peso de milênios em seus ombros de dezenove anos — ou o que pareciam ser dezenove anos.

Dolores era a primogênita, a irmã que todos acreditavam ser apenas "especial" ou "sensível", mas a verdade era que ela era a última de uma linhagem que os próprios Originais temiam mencionar em voz alta. Ela era um Anjo, uma entidade cuja existência precedia o feitiço de Esther Mikaelson e a imortalidade de Silas.

Naquela noite, o ar estava carregado. Dolores sentia a presença de Stefan e Damon no andar de baixo. Ela fechou os olhos, permitindo que sua mente se expandisse. As imagens do futuro dançavam diante de seus olhos como brasas em uma fogueira: sangue, rituais e a sombra de um híbrido que estava por vir.

— Você está fazendo aquilo de novo — a voz de Elena a trouxe de volta à realidade. — Aquele olhar de quem está vendo o fim do mundo.

Dolores virou-se lentamente. Sua pele parecia emitir um brilho suave sob a luz da lua, uma radiância que nenhum hidratante humano poderia replicar.

— O mundo não vai acabar hoje, Elena — disse Dolores, com uma voz que carregava uma calma ancestral. — Mas as peças estão se movendo. Os Salvatore não são os únicos predadores na cidade, e você sabe disso.

— Eles me protegem — insistiu Elena, embora houvesse dúvida em seus olhos.

Dolores caminhou até a irmã e tocou seu rosto. No momento do toque, ela viu o passado de Elena, cada trauma e cada batida de coração acelerada.

— Eles protegem você porque você é a chave — Dolores disse suavemente. — Mas quem protege eles?

Antes que Elena pudesse responder, um vulto passou pela janela. Damon Salvatore pousou no parapeito com sua arrogância habitual, mas, ao ver Dolores, seu sorriso vacilou. Ele, como todos os vampiros, sentia o chamado. O sangue de Dolores não era apenas sangue; era uma canção de ninar para a besta interior, um banquete divino que prometia poder além da imaginação.

— Dolores... — Damon murmurou, sua garganta secando instantaneamente. — Você cheira a... sol e pecado. É uma combinação perigosa para um homem morto.

— Controle-se, Damon — advertiu Dolores, seus olhos brilhando em um tom de dourado celestial por um breve segundo. — Você sabe que um passo em falso na minha direção e eu farei você queimar de dentro para fora sem precisar de um anel solar.

Damon ergueu as mãos em sinal de rendição, mas seus olhos azuis brilhavam com desejo.

— Eu sei, eu sei. A luz que cega. Mas admita, você está ficando fraca. Eu vi você hoje cedo. Você mal tocou na sua comida.

Dolores sentiu uma pontada de fome no estômago. Damon era perspicaz. Ela não se alimentava de comida comum; seu corpo exigia o açúcar puro dos doces e o orvalho branco colhido sob a gota de sol, uma substância rara que ela mesma cultivava em seu jardim secreto. Sem isso, sua conexão com os elementos fraquejava.

— Minha dieta não é da sua conta — respondeu ela, embora sentisse a leve tontura da carência solar. O inverno em Mystic Falls era rigoroso para um ser que dependia do astro-rei.

— Stefan está lá embaixo — disse Damon, mudando de assunto. — Temos um problema. Um dos Originais enviou um recado. Eles sabem sobre a "outra" Gilbert. A que brilha no escuro.

O rosto de Dolores permaneceu impassível, mas internamente, ela sentiu o perigo. Se Klaus ou Elijah soubessem que o sangue dela era um dos ingredientes para a cura definitiva — a substância que poderia reverter o vampirismo —, ela se tornaria o alvo mais cobiçado do mundo.

— Deixe que venham — disse Dolores. Ela estendeu a mão e, com um simples gesto telecinético, fechou as cortinas com um estrondo. — Eu vi o nascimento da linhagem deles. Posso muito bem ver o fim.

— Você fala como se fosse um deus — debochou Damon, embora recuasse um passo.

— Não sou um deus, Damon. Sou o equilíbrio.

Naquela noite, Dolores desceu as escadas. Stefan estava na sala, discutindo com Alaric sobre as tumbas. Quando ela entrou, o silêncio foi imediato. O respeito que os vampiros tinham por ela era misturado com um medo instintivo. Dolores era a única criatura que podia curar qualquer doença com um toque e, ao mesmo tempo, incinerar um exército com um pensamento.

— Precisamos de um plano — disse Stefan, olhando para Dolores. — Se eles vierem atrás de você...

— Eles não virão atrás de mim para me matar — Dolores o interrompeu, sentando-se e pegando um pequeno frasco de orvalho que guardava em seu bolso. Ela tomou uma gota, sentindo a energia elementar correr por suas veias instantaneamente. — Eles virão para me usar. Meu sangue pode tornar um vampiro mais forte que qualquer Original, ou pode torná-lo humano novamente. Klaus quer o poder. Elijah quer a redenção.

— E o que você quer? — perguntou Alaric, observando a jovem que parecia ter a sabedoria de eras.

— Eu quero que minha irmã viva uma vida que não seja definida por sacrifícios — Dolores olhou para Elena, que estava sentada no sofá, parecendo pequena diante de tantos seres sobrenaturais.

De repente, as janelas da casa vibraram. O vento lá fora uivou com uma intensidade sobrenatural. Dolores levantou-se, seus sentidos aguçados. Ela podia ouvir o coração dos pássaros nas árvores próximas, o sussurro das folhas e... algo mais. Um silêncio frio que cortava a natureza.

— Ele está aqui — sussurrou Dolores.

— Quem? — perguntou Elena, levantando-se.

— Elijah — respondeu Dolores.

Sem esperar, ela caminhou em direção à porta da frente. Damon tentou impedi-la, mas ela apenas moveu a mão e ele foi lançado suavemente contra a parede, preso por uma força invisível.

— Fiquem aqui — ordenou ela.

Dolores saiu para a varanda. O homem de terno impecável estava parado no gramado, a postura ereta e o olhar melancólico. Elijah Mikaelson olhou para a primogênita Gilbert com uma mistura de admiração e cautela.

— Dolores — disse ele, sua voz suave como veludo. — Faz muito tempo desde que vi um de sua espécie. Achei que o tempo tivesse apagado sua luz do mundo.

— O tempo é apenas uma sugestão para mim, Elijah — respondeu ela, descendo os degraus. — O que traz um Original à minha porta? Se for pela duplicata, você sabe que terá que passar por mim.

Elijah deu um passo à frente, mas parou quando Dolores permitiu que o chão sob seus pés se aquecesse, a grama brilhando com uma luz dourada.

— Eu não vim pela duplicata, embora ela seja necessária — disse Elijah. — Vim pelo que você carrega nas veias. Ouvi dizer que o sangue da última Anjo pode curar até a alma mais corrompida.

— Meu sangue não é para ser negociado, Elijah. Ele é um dom, não uma ferramenta de guerra.

— E no entanto, você o esconde — observou ele. — Você vive como uma humana, envelhecendo um ano a cada século, fingindo ser a irmã mais velha de uma órfã. Por que não assume seu trono acima de todos nós?

Dolores sorriu, um sorriso triste que parecia iluminar a noite.

— Porque estar acima de todos é a forma mais profunda de solidão. Eu prefiro o chão, Elijah. Prefiro o calor do sol na minha pele e o gosto dos doces que tanto amo.

Elijah inclinou a cabeça, intrigado.

— Klaus não terá a mesma paciência que eu. Ele quer quebrar a maldição, e ele sabe que você é a única que pode garantir que ele sobreviva ao processo sem perder sua humanidade... ou o que resta dela.

— Diga ao seu irmão que, se ele tocar na minha família, eu liberarei minhas asas — Dolores disse, e por um instante, a silhueta de asas majestosas e feitas de pura luz branca oscilou atrás dela, projetando sombras gigantescas contra a casa. — E quando o sol nascer, não haverá sombra onde ele possa se esconder de mim.

Elijah recuou, genuinamente impressionado. Ele fez uma breve reverência.

— Um aviso justo. Mas lembre-se, Dolores: até a luz mais brilhante precisa de combustível. E Mystic Falls está ficando sem sol.

Ele desapareceu na escuridão tão rápido quanto um pensamento. Dolores sentiu um tremor nos joelhos. O esforço de projetar sua aura e controlar os elementos sem ter tomado sol o suficiente naquele dia estava cobrando seu preço.

Ela voltou para dentro, onde Stefan e Damon a esperavam com expressões de choque.

— Você o enfrentou como se ele fosse nada — murmurou Damon, agora livre da pressão telecinética.

— Ele não é nada perante o que eu represento — Dolores disse, caminhando em direção à cozinha. — Mas ele tem razão. Preciso de açúcar. Agora.

Elena correu para pegar uma caixa de donuts que estava no balcão, entregando-a à irmã. Dolores comeu um, sentindo a glicose revigorar suas células divinas. A regeneração começou a trabalhar, curando o cansaço acumulado.

— O que acontece agora? — perguntou Elena, a voz trêmula.

Dolores olhou para a irmã, vendo as linhagens do destino se entrelaçarem. Ela viu a transformação de Elena, viu a dor e a perda. Mas viu também uma chance.

— Agora — disse Dolores, seus olhos voltando ao castanho humano normal —, eu vou ensinar vocês como sobreviver a um deus. Porque, para Klaus, eu sou o que ele mais teme: a prova de que ele não é o ser mais poderoso deste mundo.

Ela caminhou até a janela e olhou para o céu nublado. Ela precisava voar. Precisava subir acima das nuvens para tocar o sol e recarregar sua essência.

— Damon, Stefan — chamou ela, sem se virar. — Protejam a casa. Eu estarei de volta antes do amanhecer.

Com um movimento fluido, Dolores abriu as portas da varanda e saltou. No meio da queda, suas asas se abriram — estruturas de luz e penas que brilhavam como estrelas cadentes. Com um bater poderoso, ela disparou para o céu, deixando para trás um rastro de pó dourado que fez as flores do jardim florescerem instantaneamente, mesmo no meio da noite.

Lá embaixo, os irmãos Salvatore observavam, em silêncio, a criatura que era, ao mesmo tempo, sua maior tentação e sua única salvação.

— Ela é incrível — sussurrou Elena.

— Ela é aterrorizante — corrigiu Damon, mas havia uma reverência inédita em sua voz. — E graças a Deus ela está do nosso lado.

No alto, acima das nuvens de Mystic Falls, Dolores Gilbert finalmente respirou. O sol, mesmo escondido do outro lado do mundo, ainda enviava partículas que ela podia absorver. Ela era a luz na escuridão, a cura para o sangue e a última linha de defesa contra o mal que se aproximava. E ela não deixaria sua luz apagar.
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