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Loucos

Fandom: Loucos

Criado: 29/05/2026

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RomanceMistérioHorrorSombrioSuspenseAbuso de ÁlcoolNoir GóticoMorte de PersonagemCrime
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Sombras no Dormitório 404

A névoa de Royale High parecia mais espessa naquela noite, abraçando as torres góticas da academia como se tentasse esconder segredos que as paredes de pedra não conseguiam mais guardar. Izabelle Mariana arrastava sua mala de rodinhas pelo pátio de cascalho, o som ecoando de forma irritante no silêncio sepulcral da ala masculina.

— Sério, produção? — resmungou ela, parando um instante para ajeitar o decote do vestido justo que realçava suas curvas. — De todas as garotas da ala feminina, eu sou a única que fica sem quarto? O universo realmente quer que eu teste meu autocontrole no meio de tantos hormônios masculinos.

Ela soltou uma risada curta, mas o som morreu rapidamente. Izabelle não era de se abalar; era animada, a alma de qualquer festa, e sempre tinha uma garrafa de tequila ou uma dose de algo forte na bolsa para "espantar os demônios" ou simplesmente calar os pensamentos que, às vezes, gritavam demais em sua mente. No entanto, havia algo naquela ala específica — a Ala Norte — que fazia os pelos de sua nuca se arrepiarem.

Ao chegar à porta da casa que lhe fora designada, ela leu o número em metal fundido: 404. Era uma construção isolada, afastada das outras, cercada por carvalhos retorcidos.

— Ótimo, uma casa só para mim. Pelo menos posso andar pelada — brincou, tentando ignorar o frio que subia por sua espinha.

Ela virou a chave e a porta rangeu. O interior era luxuoso, mas carregava um cheiro persistente de mofo e... sândalo? Izabelle deixou as malas no meio da sala e imediatamente abriu sua bolsa, tirando um frasco de metal. Virou uma dose generosa de whisky, sentindo o líquido queimar a garganta e trazer aquele calor reconfortante.

— Muito melhor. Agora, cadê o meu quarto?

Enquanto subia as escadas de madeira, ela não percebeu que, no final do corredor escuro, uma figura a observava.

Kageyama Tobio estava encostado no batente de uma porta, os braços cruzados sobre o peito largo. Ele vestia o uniforme branco de esgrima, ainda segurando sua máscara em uma das mãos. Seus olhos azuis, profundos e gélidos, acompanharam cada movimento da garota. Ele era a definição de "lindo de morrer", mas sua aura era tão acolhedora quanto um cemitério à meia-noite.

— Você está no lugar errado — a voz dele cortou o silêncio como uma lâmina.

Izabelle deu um pulo, a mão no peito, sentindo o coração disparar. Ela se virou e deu de cara com aquele monumento de arrogância.

— Caramba! Quer me matar do coração? — Ela deu um sorriso atrevido, recuperando a postura. — E não, bonitão, eu não estou no lugar errado. A diretoria me mandou para cá. O "excesso de contingente" feminino me empurrou para a ala dos meninos. Prazer, Izabelle. E você é...?

Kageyama não sorriu. Ele apenas a encarou, descendo o olhar de forma lenta e descarada pelo corpo dela, parando nos olhos verdes vibrantes de Izabelle antes de voltar ao rosto dela.

— Tobio Kageyama. E esse quarto onde você está colocando suas coisas... não deveria ser usado.

— Por que não? — Ela inclinou a cabeça, curiosa. — Tem goteira? Barata? Ou você tem medo de que eu te distraia nos seus treinos de espadinha?

Kageyama deu um passo à frente, entrando na luz fraca do corredor. O sarcasmo em seu rosto era evidente.

— Um aluno morreu aí no semestre passado. Suicídio, disseram. Mas se você gosta de dormir onde alguém se enforcou, o problema é seu. Só não espere que eu te ajude quando as coisas começarem a bater nas paredes.

Izabelle sentiu um calafrio, mas o álcool em seu sangue a impedia de recuar. Ela deu um passo em direção a ele, ficando a centímetros de seu peito.

— Eu não tenho medo de fantasma, Kageyama. Tenho medo de gente viva e chata. E pelo que vejo, você se encaixa bem no segundo grupo.

Kageyama soltou um riso seco, quase inaudível.

— Convencida. Vamos ver quanto tempo você dura aqui.

Ele deu as costas e entrou em seu próprio quarto, fechando a porta com um estrondo seco. Izabelle ficou ali, sozinha no corredor, o silêncio retornando com força total.

Naquela noite, o mistério começou.

Izabelle estava deitada, o sono leve devido à estranheza do lugar. De repente, um som de arranhão veio de dentro do armário. Ela se sentou na cama, o coração martelando.

— Ratos. Só podem ser ratos — sussurrou para si mesma.

Mas então, a temperatura do quarto caiu drasticamente. Sua respiração formou uma pequena nuvem de vapor no ar. Ela se levantou, caminhando em direção ao espelho da penteadeira antiga. Escrito no vapor que cobria o vidro, uma única palavra começou a se formar, como se um dedo invisível estivesse traçando as letras:

"AJUDA"

Izabelle recuou, tropeçando nos próprios pés. Ela correu para o corredor e, sem pensar, esmurrou a porta de Kageyama.

— Kageyama! Abre essa droga de porta!

A porta se abriu instantaneamente. Kageyama estava sem camisa, apenas com a calça do uniforme, revelando um abdômen definido e cicatrizes leves nos ombros, provavelmente da esgrima. Ele parecia irritado, mas seus olhos vacilaram ao ver o pavor no rosto dela.

— O que foi? Viu o morto? — perguntou ele, o sarcasmo ainda presente, mas com um tom de preocupação oculta.

— No espelho... tinha algo escrito no espelho! — Izabelle o puxou pelo braço, arrastando-o para o seu quarto.

Kageyama entrou, olhando ao redor com desconfiança. Ele caminhou até o espelho, mas o vapor já havia sumido. Ele se virou para ela, os braços cruzados.

— Não tem nada aqui, Izabelle. Você bebeu demais.

— Eu sei o que eu vi! — Ela se aproximou dele, a voz trêmula. — E aquele cheiro de sândalo... o quarto todo cheira a isso agora.

Kageyama franziu o cenho. Ele se aproximou da parede, tocando o papel de parede descascado perto do armário.

— O aluno que morava aqui... ele odiava o cheiro de sândalo. Dizia que o perseguia.

— Então não foi suicídio, foi? — Izabelle perguntou, seus olhos verdes fixos nos dele. — Você sabe de algo. Você é "suspeito", Kageyama. Sempre sozinho, sempre com essa cara de quem esconde um corpo.

Ele deu um passo predatório em direção a ela, encurralando-a contra a parede. O calor que emanava do corpo dele contrastava com o frio sobrenatural do quarto.

— Você é muito curiosa para o seu próprio bem, Izabelle — ele sussurrou, a voz rouca, o rosto a centímetros do dela. — Royale High não é o que parece. E esse quarto... há coisas que não deveriam ser despertadas.

— E por que você se importa? — Ela desafiou, a respiração ofegante, sentindo a tensão sexual explodir entre eles. — Por que está aqui, me avisando, em vez de me deixar enlouquecer?

— Porque eu odeio bagunça — ele disse, embora seus olhos estivessem fixos nos lábios dela. — E porque seria um desperdício ver alguém como você acabar em uma vala.

Kageyama estendeu a mão e tocou o rosto de Izabelle, o polegar roçando seu lábio inferior. Por um momento, o mistério e o terror foram substituídos por um desejo avassalador. Izabelle puxou-o pela nuca, colando seus lábios nos dele em um beijo urgente, carregado de adrenalina e uma necessidade desesperada de sentir algo vivo em meio àquela morte que a cercava.

As mãos de Kageyama desceram para a cintura dela, apertando-a com força, enquanto ele a prensava contra a parede. O beijo era faminto, sarcástico como ele, mas intenso como ela. Ele a ergueu, e Izabelle entrelaçou as pernas na cintura dele, sentindo o músculo rígido de suas coxas.

— Você é louca — ele murmurou entre os beijos, descendo para o pescoço dela.

— E você é um mistério que eu pretendo desvendar, Tobio — ela arfou.

De repente, a porta do armário se escancarou sozinha, batendo contra a parede. O som foi como um tiro. Eles se separaram, ambos olhando para o interior escuro do móvel.

Lá dentro, pendurado por um fio invisível, um medalhão de prata balançava. Era o mesmo medalhão que aparecia nas fotos do aluno morto.

— Ele não se matou — Kageyama disse, a voz agora fria e séria, o clima de romance dissipado pelo choque. — Olhe para as marcas na parede dentro do armário.

Izabelle se aproximou, trêmula. Havia marcas de unhas profundas na madeira, como se alguém tivesse tentado lutar para sair de lá enquanto era sufocado.

— Alguém o trancou aqui — Izabelle sussurrou, sentindo uma lágrima de puro terror escorrer. — Alguém o matou e a escola encobriu.

Kageyama pegou o medalhão, seus olhos brilhando com uma determinação sombria.

— Se você vai ficar nesse quarto, Izabelle, vai ter que aprender a lutar. Porque quem quer que tenha feito isso... ainda está na academia. E agora, eles sabem que nós sabemos.

Izabelle olhou para o medalhão e depois para Kageyama. O mistério estava apenas começando, e o perigo era mais real do que qualquer fantasma. Ela pegou seu frasco de whisky, virou o resto do líquido e jogou o metal no chão.

— Então vamos descobrir quem é esse filho da mãe — disse ela, o brilho extrovertido voltando aos olhos, mas agora temperado com uma sede de justiça. — Mas se eu morrer, Kageyama, eu juro que volto para puxar o seu pé toda noite.

— Eu não esperaria nada menos de você — ele respondeu, com um meio sorriso que, pela primeira vez, não era sarcástico.

O vento uivou do lado de fora, e as luzes do corredor piscaram. O jogo em Royale High tinha acabado de começar, e as apostas eram a vida deles.
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