
← Voltar à lista de fanfics
0 curtida
Harry Potter volta no tempo
Fandom: Harry Potter
Criado: 29/05/2026
Tags
UA (Universo Alternativo)DramaDor/ConfortoFantasiaIsekai / Fantasia PortalConsertoViagem no TempoDivergênciaRecontarAventuraAçãoHistória DomésticaEstudo de Personagem
O Eco das Tapeçarias Antigas
A poeira de Grimmauld Place, número 12, parecia carregar o peso de séculos de arrependimentos. Harry Potter estava sentado no chão da sala de estar, as costas apoiadas na tapeçaria da Árvore Genealógica dos Black. A Batalha de Hogwarts terminara há apenas uma semana, mas o silêncio da casa era mais ensurdecedor do que os gritos de guerra. Suas mãos tremiam levemente enquanto ele segurava um objeto que encontrara no escritório de Sirius: um vira-tempo experimental, de vidro negro e areia prateada, quebrado durante a invasão dos Comensais da Morte meses antes.
— Eu só queria que você estivesse aqui, Sirius — sussurrou Harry, fechando os olhos. — Eu só queria entender como tudo deu tão errado.
Ao tocar a superfície fria do vidro, uma faísca de magia residual de Hogwarts, ainda pulsando nas veias de Harry após o confronto com Voldemort, reagiu com a areia prateada. O ar na sala subitamente se tornou denso e frio. O chão desapareceu sob seus pés e o tempo começou a dobrar-se sobre si mesmo como um pergaminho sendo enrolado com violência.
O impacto foi brutal. Harry caiu de cara em um tapete felpudo que cheirava a lavanda e cera de móveis cara, um contraste gritante com o cheiro de mofo que ele conhecia. Ao levantar a cabeça, ele não estava mais na ruína decadente de 1998. As paredes estavam impecáveis, os retratos não gritavam e as luzes das arandelas de prata brilhavam com uma intensidade aristocrática.
— Quem é você e o que faz na minha sala? — Uma voz fria e imperiosa cortou o ar.
Harry congelou. Em pé, junto à lareira, estava uma mulher de beleza severa, vestida com trajes de seda negra e um colar de pérolas que parecia feito de lágrimas congeladas. Seus olhos eram tempestuosos e familiares. Era Walburga Black, mas não o retrato histérico que Harry conhecia; era a mulher viva, exalando um poder que fazia o ar vibrar.
— Eu... eu me chamo Harry — gaguejou ele, levantando-se rapidamente e procurando sua varinha.
— Um invasor — sibilou ela, erguendo a própria varinha. — Um mestiço maltrapilho que ousa aparecer do nada no coração da Nobre e mui Antiga Casa dos Black?
— Espere! — Harry gritou, mas antes que Walburga pudesse lançar um feitiço, a porta da sala se abriu com um estrondo.
— Mãe, que barulho foi esse? Eu estava tentando... — O jovem que entrou parou abruptamente.
Harry sentiu o coração parar. Não era o Sirius fantasmagórico que vira na Floresta Proibida, nem o homem atormentado de Azkaban. Era um Sirius de dezoito anos, com o cabelo rebelde caindo sobre os olhos cinzentos e um sorriso de desdém que vacilou ao ver o estranho no chão.
— Sirius — Harry deixou escapar, a voz embargada.
— Você me conhece? — Sirius franziu a testa, dando um passo à frente, ignorando o olhar de advertência da mãe. — Você parece ter passado por uma guerra, garoto. E por que está usando os óculos do James?
— Sirius, afaste-se dele! — ordenou Walburga. — Ele é um intruso. Monstro! Pegue as correntes de contenção!
— Não, esperem! — Harry estendeu as mãos, notando que, sobre a mesa de centro, três livros de capa dura haviam aparecido do nada, materializados pela mesma magia que o trouxera. — Eu não sei como vim parar aqui, mas acho que isso explica tudo.
Ele apontou para os livros. Na capa do primeiro, lia-se em letras douradas: *Harry Potter e a Pedra Filosofal*. Abaixo, os outros dois volumes mostravam títulos que faziam o sangue de Harry gelar: *A Ordem da Fênix* e *As Relíquias da Morte*.
— "Harry Potter"? — Sirius leu, aproximando-se com curiosidade. — Potter? James teve um filho escondido ou algo assim?
— Eu sou o filho dele — disse Harry, olhando diretamente nos olhos do padrinho jovem. — Eu vim do futuro. Do ano de 1998.
Walburga soltou uma risada seca e amarga.
— Viagem no tempo desse nível é impossível. E se você fosse um Potter, o sangue na tapeçaria teria reagido.
— Ele reagiu — disse Sirius, apontando para a parede.
Lá, um pequeno ramo novo brilhava com uma luz dourada pálida, conectando o nome de James Potter (que Walburga ainda não havia queimado, pois o desgosto ainda não era total) a um novo nome: Harry James Potter.
O silêncio que se seguiu foi pesado. Walburga guardou a varinha, embora seus olhos permanecessem estreitos. A curiosidade e a preservação do legado Black sempre falavam mais alto que o ódio imediato.
— Se o que diz é verdade — disse ela, sentando-se com uma elegância gélida numa poltrona de veludo —, então esses livros contam a história da nossa linhagem. E o porquê de você parecer um mendigo.
— Contam como o mundo bruxo quase acabou — retrucou Harry, pegando o primeiro livro. — E como a sua família, senhora Black, foi destruída por escolhas erradas.
Sirius sentou-se no braço de outra poltrona, os olhos fixos em Harry com uma mistura de fascínio e descrença.
— Comece a ler, garoto do futuro — disse Sirius. — Quero saber se eu finalmente saí desta casa.
Harry respirou fundo e abriu o resumo que acompanhava os livros, uma espécie de prefácio mágico que condensava os eventos.
— "A história começa com a queda de Lorde Voldemort" — Harry começou a ler, e Walburga estremeceu ao ouvir o nome. — "E a morte de James e Lily Potter, traídos por um de seus amigos mais próximos."
Sirius saltou do lugar, o rosto empalidecendo.
— James morre? Traído? Quem? Se for o Snivellus, eu juro que...
— Espere, Sirius — Harry pediu, com a voz falhando. — O resumo diz que o mundo acreditou que o traidor era você.
— O quê? — Sirius rugiu. — Eu morreria por ele!
— Eu sei disso — disse Harry suavemente. — Mas você passou doze anos em Azkaban sem julgamento por um crime que não cometeu. Enquanto isso, o verdadeiro traidor, Peter Pettigrew, vivia como um rato de estimação na casa de uma família bruxa.
Walburga observava a cena em silêncio, sua máscara de indiferença rachando. A ideia de um Black ser preso injustamente e a linhagem ser manchada por um "rato" parecia ofendê-la profundamente.
— Continue — ordenou ela.
Harry leu sobre sua infância com os Dursley, sobre a descoberta de que era um bruxo e seus anos em Hogwarts. Ele descreveu a ascensão de Voldemort, a formação da Ordem da Fênix e, finalmente, chegou ao ponto que mais doía.
— "No quinto ano de Harry, Sirius Black, o último herdeiro da casa, morre em uma batalha no Ministério da Magia, atingido por um feitiço de sua prima, Bellatrix Lestrange, e cai através do Véu da Morte."
Sirius ficou em silêncio absoluto. Ele olhou para as próprias mãos, como se estivesse verificando se ainda eram reais.
— Bella? — sussurrou ele. — Aquela louca me matou?
— E você morreu defendendo a mim — disse Harry, as lágrimas finalmente caindo. — Você morreu em uma casa que odiava, porque sua mãe... — Ele olhou para Walburga. — Porque a senhora o expulsou e o renegou.
Walburga se levantou, caminhando até a tapeçaria. Seus dedos tocaram o nome de Sirius. Naquele momento, ela não era a vilã dos livros, mas uma mãe que via o fim trágico de sua dinastia.
— Morto por um parente — disse ela, a voz baixa. — A casa vazia. É isso que nos espera? O esquecimento e a loucura?
— Há mais — disse Harry, limpando o rosto. — O resumo diz que, após a morte de Sirius, a casa passou para mim. E que eu tive que caçar as partes da alma de Voldemort para matá-lo de vez. Muitos morreram. Remus Lupin, Ninfadora Tonks, Fred Weasley... até o diretor Dumbledore.
Sirius caminhou até Harry e colocou uma mão hesitante em seu ombro. O toque era quente e sólido.
— Mas você venceu? — perguntou Sirius.
— Venci — respondeu Harry. — Mas o preço foi alto demais. Eu vim aqui porque não aguentava mais o silêncio desta casa em 1998.
Sirius olhou para a mãe. O ódio que normalmente fervia entre eles parecia suspenso por um fio de destino compartilhado.
— Mãe — disse Sirius, usando um tom que Harry nunca ouvira no Sirius mais velho —, se o futuro é esse... se o Lorde das Trevas vai apenas destruir nossa família e nos transformar em assassinos uns dos outros... por que estamos seguindo isso?
Walburga Black virou-se. Sua expressão era uma máscara de orgulho ferido, mas seus olhos mostravam um lampejo de compreensão.
— Os Black não servem a ninguém que nos leve à extinção — declarou ela, com uma frieza cortante. — Se esse "Lorde" pretende usar meu sangue para alimentar sua guerra e depois descartar meus filhos como lixo, então ele não é digno da nossa lealdade.
Ela olhou para Harry, examinando as cicatrizes em seus braços e a dor em seu olhar.
— Você é um Potter, mas carrega o sangue Black através de sua avó Dorea. Esta casa o reconhece.
— O que a senhora quer dizer? — perguntou Harry.
— Quero dizer que o tempo é um rio traiçoeiro, rapaz. Se você foi jogado aqui, talvez não tenha sido para lamentar o que perdeu, mas para garantir que o que está escrito nesses livros nunca aconteça.
Sirius deu um sorriso torto, o primeiro sorriso verdadeiro que Harry viu em seu rosto.
— Você ouviu ela, Harry. Temos os livros. Temos o traidor Pettigrew provavelmente escondido em algum lugar agora mesmo. E temos a mulher mais teimosa da Grã-Bretanha bruxa do nosso lado.
— Nós vamos mudar tudo? — Harry perguntou, sentindo uma ponta de esperança pela primeira vez em anos.
— Nós vamos incendiar o roteiro — afirmou Sirius, pegando o livro da *Ordem da Fênix* e jogando-o para o alto antes de pegá-lo de novo. — Primeiro, vamos encontrar o James e a Lily. Depois, vamos dar um jeito naquele rato. E quanto ao Voldemort... bem, ele não sabe o que o espera quando a Família Black decide mudar de ideia.
Walburga sentou-se novamente, cruzando as mãos sobre o colo.
— Monstro! — chamou ela.
O elfo doméstico apareceu com um estalo, curvando-se tanto que o nariz tocou o chão.
— Sim, minha senhora?
— Traga chá e sanduíches. E prepare o quarto de hóspedes para o jovem mestre Potter. Temos muito o que ler e muitas traições para planejar.
Harry olhou para Sirius, que lhe deu uma piscadela encorajadora. O peso em seu peito começou a diminuir. Ele viera para Grimmauld Place em busca de fantasmas, mas encontrara uma chance de salvar os vivos.
— Obrigado, Sirius — sussurrou Harry.
— Não me agradeça ainda, pontas — disse Sirius, rindo. — Você ainda tem que me explicar como diabos eu fui parar atrás de um véu. Que forma ridícula de morrer!
Enquanto o chá era servido e as chamas da lareira dançavam, os três se inclinaram sobre as páginas que continham um futuro que eles estavam determinados a apagar. O destino de Harry Potter começava a ser reescrito, não pelas mãos de uma profecia, mas pela união improvável de um órfão, um rebelde e uma matriarca que se recusava a ver seu nome desaparecer na escuridão.
— Eu só queria que você estivesse aqui, Sirius — sussurrou Harry, fechando os olhos. — Eu só queria entender como tudo deu tão errado.
Ao tocar a superfície fria do vidro, uma faísca de magia residual de Hogwarts, ainda pulsando nas veias de Harry após o confronto com Voldemort, reagiu com a areia prateada. O ar na sala subitamente se tornou denso e frio. O chão desapareceu sob seus pés e o tempo começou a dobrar-se sobre si mesmo como um pergaminho sendo enrolado com violência.
O impacto foi brutal. Harry caiu de cara em um tapete felpudo que cheirava a lavanda e cera de móveis cara, um contraste gritante com o cheiro de mofo que ele conhecia. Ao levantar a cabeça, ele não estava mais na ruína decadente de 1998. As paredes estavam impecáveis, os retratos não gritavam e as luzes das arandelas de prata brilhavam com uma intensidade aristocrática.
— Quem é você e o que faz na minha sala? — Uma voz fria e imperiosa cortou o ar.
Harry congelou. Em pé, junto à lareira, estava uma mulher de beleza severa, vestida com trajes de seda negra e um colar de pérolas que parecia feito de lágrimas congeladas. Seus olhos eram tempestuosos e familiares. Era Walburga Black, mas não o retrato histérico que Harry conhecia; era a mulher viva, exalando um poder que fazia o ar vibrar.
— Eu... eu me chamo Harry — gaguejou ele, levantando-se rapidamente e procurando sua varinha.
— Um invasor — sibilou ela, erguendo a própria varinha. — Um mestiço maltrapilho que ousa aparecer do nada no coração da Nobre e mui Antiga Casa dos Black?
— Espere! — Harry gritou, mas antes que Walburga pudesse lançar um feitiço, a porta da sala se abriu com um estrondo.
— Mãe, que barulho foi esse? Eu estava tentando... — O jovem que entrou parou abruptamente.
Harry sentiu o coração parar. Não era o Sirius fantasmagórico que vira na Floresta Proibida, nem o homem atormentado de Azkaban. Era um Sirius de dezoito anos, com o cabelo rebelde caindo sobre os olhos cinzentos e um sorriso de desdém que vacilou ao ver o estranho no chão.
— Sirius — Harry deixou escapar, a voz embargada.
— Você me conhece? — Sirius franziu a testa, dando um passo à frente, ignorando o olhar de advertência da mãe. — Você parece ter passado por uma guerra, garoto. E por que está usando os óculos do James?
— Sirius, afaste-se dele! — ordenou Walburga. — Ele é um intruso. Monstro! Pegue as correntes de contenção!
— Não, esperem! — Harry estendeu as mãos, notando que, sobre a mesa de centro, três livros de capa dura haviam aparecido do nada, materializados pela mesma magia que o trouxera. — Eu não sei como vim parar aqui, mas acho que isso explica tudo.
Ele apontou para os livros. Na capa do primeiro, lia-se em letras douradas: *Harry Potter e a Pedra Filosofal*. Abaixo, os outros dois volumes mostravam títulos que faziam o sangue de Harry gelar: *A Ordem da Fênix* e *As Relíquias da Morte*.
— "Harry Potter"? — Sirius leu, aproximando-se com curiosidade. — Potter? James teve um filho escondido ou algo assim?
— Eu sou o filho dele — disse Harry, olhando diretamente nos olhos do padrinho jovem. — Eu vim do futuro. Do ano de 1998.
Walburga soltou uma risada seca e amarga.
— Viagem no tempo desse nível é impossível. E se você fosse um Potter, o sangue na tapeçaria teria reagido.
— Ele reagiu — disse Sirius, apontando para a parede.
Lá, um pequeno ramo novo brilhava com uma luz dourada pálida, conectando o nome de James Potter (que Walburga ainda não havia queimado, pois o desgosto ainda não era total) a um novo nome: Harry James Potter.
O silêncio que se seguiu foi pesado. Walburga guardou a varinha, embora seus olhos permanecessem estreitos. A curiosidade e a preservação do legado Black sempre falavam mais alto que o ódio imediato.
— Se o que diz é verdade — disse ela, sentando-se com uma elegância gélida numa poltrona de veludo —, então esses livros contam a história da nossa linhagem. E o porquê de você parecer um mendigo.
— Contam como o mundo bruxo quase acabou — retrucou Harry, pegando o primeiro livro. — E como a sua família, senhora Black, foi destruída por escolhas erradas.
Sirius sentou-se no braço de outra poltrona, os olhos fixos em Harry com uma mistura de fascínio e descrença.
— Comece a ler, garoto do futuro — disse Sirius. — Quero saber se eu finalmente saí desta casa.
Harry respirou fundo e abriu o resumo que acompanhava os livros, uma espécie de prefácio mágico que condensava os eventos.
— "A história começa com a queda de Lorde Voldemort" — Harry começou a ler, e Walburga estremeceu ao ouvir o nome. — "E a morte de James e Lily Potter, traídos por um de seus amigos mais próximos."
Sirius saltou do lugar, o rosto empalidecendo.
— James morre? Traído? Quem? Se for o Snivellus, eu juro que...
— Espere, Sirius — Harry pediu, com a voz falhando. — O resumo diz que o mundo acreditou que o traidor era você.
— O quê? — Sirius rugiu. — Eu morreria por ele!
— Eu sei disso — disse Harry suavemente. — Mas você passou doze anos em Azkaban sem julgamento por um crime que não cometeu. Enquanto isso, o verdadeiro traidor, Peter Pettigrew, vivia como um rato de estimação na casa de uma família bruxa.
Walburga observava a cena em silêncio, sua máscara de indiferença rachando. A ideia de um Black ser preso injustamente e a linhagem ser manchada por um "rato" parecia ofendê-la profundamente.
— Continue — ordenou ela.
Harry leu sobre sua infância com os Dursley, sobre a descoberta de que era um bruxo e seus anos em Hogwarts. Ele descreveu a ascensão de Voldemort, a formação da Ordem da Fênix e, finalmente, chegou ao ponto que mais doía.
— "No quinto ano de Harry, Sirius Black, o último herdeiro da casa, morre em uma batalha no Ministério da Magia, atingido por um feitiço de sua prima, Bellatrix Lestrange, e cai através do Véu da Morte."
Sirius ficou em silêncio absoluto. Ele olhou para as próprias mãos, como se estivesse verificando se ainda eram reais.
— Bella? — sussurrou ele. — Aquela louca me matou?
— E você morreu defendendo a mim — disse Harry, as lágrimas finalmente caindo. — Você morreu em uma casa que odiava, porque sua mãe... — Ele olhou para Walburga. — Porque a senhora o expulsou e o renegou.
Walburga se levantou, caminhando até a tapeçaria. Seus dedos tocaram o nome de Sirius. Naquele momento, ela não era a vilã dos livros, mas uma mãe que via o fim trágico de sua dinastia.
— Morto por um parente — disse ela, a voz baixa. — A casa vazia. É isso que nos espera? O esquecimento e a loucura?
— Há mais — disse Harry, limpando o rosto. — O resumo diz que, após a morte de Sirius, a casa passou para mim. E que eu tive que caçar as partes da alma de Voldemort para matá-lo de vez. Muitos morreram. Remus Lupin, Ninfadora Tonks, Fred Weasley... até o diretor Dumbledore.
Sirius caminhou até Harry e colocou uma mão hesitante em seu ombro. O toque era quente e sólido.
— Mas você venceu? — perguntou Sirius.
— Venci — respondeu Harry. — Mas o preço foi alto demais. Eu vim aqui porque não aguentava mais o silêncio desta casa em 1998.
Sirius olhou para a mãe. O ódio que normalmente fervia entre eles parecia suspenso por um fio de destino compartilhado.
— Mãe — disse Sirius, usando um tom que Harry nunca ouvira no Sirius mais velho —, se o futuro é esse... se o Lorde das Trevas vai apenas destruir nossa família e nos transformar em assassinos uns dos outros... por que estamos seguindo isso?
Walburga Black virou-se. Sua expressão era uma máscara de orgulho ferido, mas seus olhos mostravam um lampejo de compreensão.
— Os Black não servem a ninguém que nos leve à extinção — declarou ela, com uma frieza cortante. — Se esse "Lorde" pretende usar meu sangue para alimentar sua guerra e depois descartar meus filhos como lixo, então ele não é digno da nossa lealdade.
Ela olhou para Harry, examinando as cicatrizes em seus braços e a dor em seu olhar.
— Você é um Potter, mas carrega o sangue Black através de sua avó Dorea. Esta casa o reconhece.
— O que a senhora quer dizer? — perguntou Harry.
— Quero dizer que o tempo é um rio traiçoeiro, rapaz. Se você foi jogado aqui, talvez não tenha sido para lamentar o que perdeu, mas para garantir que o que está escrito nesses livros nunca aconteça.
Sirius deu um sorriso torto, o primeiro sorriso verdadeiro que Harry viu em seu rosto.
— Você ouviu ela, Harry. Temos os livros. Temos o traidor Pettigrew provavelmente escondido em algum lugar agora mesmo. E temos a mulher mais teimosa da Grã-Bretanha bruxa do nosso lado.
— Nós vamos mudar tudo? — Harry perguntou, sentindo uma ponta de esperança pela primeira vez em anos.
— Nós vamos incendiar o roteiro — afirmou Sirius, pegando o livro da *Ordem da Fênix* e jogando-o para o alto antes de pegá-lo de novo. — Primeiro, vamos encontrar o James e a Lily. Depois, vamos dar um jeito naquele rato. E quanto ao Voldemort... bem, ele não sabe o que o espera quando a Família Black decide mudar de ideia.
Walburga sentou-se novamente, cruzando as mãos sobre o colo.
— Monstro! — chamou ela.
O elfo doméstico apareceu com um estalo, curvando-se tanto que o nariz tocou o chão.
— Sim, minha senhora?
— Traga chá e sanduíches. E prepare o quarto de hóspedes para o jovem mestre Potter. Temos muito o que ler e muitas traições para planejar.
Harry olhou para Sirius, que lhe deu uma piscadela encorajadora. O peso em seu peito começou a diminuir. Ele viera para Grimmauld Place em busca de fantasmas, mas encontrara uma chance de salvar os vivos.
— Obrigado, Sirius — sussurrou Harry.
— Não me agradeça ainda, pontas — disse Sirius, rindo. — Você ainda tem que me explicar como diabos eu fui parar atrás de um véu. Que forma ridícula de morrer!
Enquanto o chá era servido e as chamas da lareira dançavam, os três se inclinaram sobre as páginas que continham um futuro que eles estavam determinados a apagar. O destino de Harry Potter começava a ser reescrito, não pelas mãos de uma profecia, mas pela união improvável de um órfão, um rebelde e uma matriarca que se recusava a ver seu nome desaparecer na escuridão.
